domingo, 24 de setembro de 2017

O que é nascer de novo?

O que é nascer de novo? Recentemente observei grande discussão a respeito da questão do “novo nascimento”, e do diálogo entre Yeshua e Nakdimon (Nicodemos). Resolvi, portanto, fazer este pequeno estudo. Essa é uma das expressões onde o Cristianismo faz a maior salada, sem necessidade, e devido simplesmente a ignorar por completo o contexto judaico das Escrituras. O “novo nascimento” se tornou para o Cristianismo praticamente um momento místico onde a pessoa “se converte” à nova religião, ou crê que foi “regenerada”, ou “salva”. Mas será que é isso que Yeshua veio ensinar? O estudo bíblico mais aprofundado mostra claramente que Yeshua não inventou nada. Ele veio legitimar tudo aquilo que YHWH já havia dito, veio corrigir distorções de interpretação e prática dentro do Judaísmo. E veio viver profeticamente toda a plenitude da revelação do plano de YHWH, descrito no Tanach. Isto posto, vamos analisar a questão entre Nakdimon (Nicodemos) e Yeshua. Temos o seguinte diálogo entre os dois: Respondeu-lhe Yeshua: Amen, Amen e Eu te digo que alguém que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Elohim. Perguntou-lhe Nakdimon: Como pode um homem nascer, sendo velho? Por acaso pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Amen, Amen, e Eu te digo que se alguém não nascer da água e da Ruach, não pode entrar no Reino de Elohim. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido da Ruach é espírito. Não te admires de Eu haver dito: Necessário vos é nascer de novo.” (Yochanan 3:3-7) A chave para entendermos esta passagem está em duas frases... A primeira frase-chave é a última passagem da citação acima. Repare que Nakdimon (Nicodemos) não riu de Yeshua nem achou que Yeshua estava louco dizendo que ele deveria nascer de novo. Os cristãos acham logo que a questão é superficial. Mas não devemos nos esquecer de que Yeshua estava perante um rabino, argumentando com um mestre. O que teria feito um grande rabino se admirar com a resposta de Yeshua? A segunda frase-chave é a frase que Yeshua diz quando Nakdimon (Nicodemos) demonstra estar confuso. Yeshua lhe diz: “Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?” (Yochanan 3:10) Yeshua não estava sendo sarcástico! Ele realmente esperava que Nakdimon (Nicodemos) o compreendesse. Se ele esperava isso, então isso significa que Ele estava usando conceitos com os quais Nakdimon deveria estar familiarizado. Se Yeshua estivesse ensinando este novo conceito místico certas vezes descrito nas igrejas, então é óbvio que Nakdimon (Nicodemos), por mais bem-preparado e sincero que fosse, não conheceria o conceito: a pergunta de Yeshua perderia o sentido. Fica bem claro então, pelo próprio texto, que Yeshua estava usando um conceito comum a um rabino do primeiro século. Mas que conceito seria esse? Afinal, o que Yeshuá quis dizer? A resposta está no que um rabino do 1º século entenderia por nascer de novo. É importante ressaltar que o Judaísmo do 1º século era, em alguns aspectos, muito distinto do Judaísmo atual. Uma das principais diferenças era o forte caráter proselitista do mesmo. O Judaísmo Parush (precursor do Judaísmo Ortodoxo moderno) era extremamente proselitista. Ora, Nakdimon (Nicodemos), como um rabino importante como pudemos ver anteriormente, certamente estaria familiarizado com os rituais judaicos de conversão. A questão do prosélito e o novo nascimento Para o Judaísmo Parush, e este conceito foi herdado pelo Judaísmo Ortodoxo, um gentio que se tornasse prosélito e se convertesse ao Judaísmo deveria “morrer” para a sua natureza gentílica e “renascer judeu”. O seu renascimento como judeu seria o primeiro passo para um relacionamento com o Reino do Eterno. Mas como era simbolizado este “renascimento espiritual”? Através da tevilá, isto é, da imersão nas águas do mikveh (o banho ritual) _ que posteriormente o Cristianismo passou a chamar de “batismo”. Até hoje, o conceito de que um prosélito precisa “nascer de novo nas águas” permanece no Judaísmo. Vejamos algumas evidências: O prosélito é considerado como uma criança recém-nascida... (vide Shulchan'Aruk, Yoreh De'ah, 269; 'Yad,' Issure Biah, xiv. 13)... O conceito do novo nascimento do prosélito (Yeb. 62a; Yer. Yeb. 4a) e de seu novo status com relação à sua antiga família é assunto de muitas discussões haláquicas (Yeb. xi. 2; Yer. Yeb. I.C., et al.) _ Enciclopédia Judaica (sobre 'Prosélitos') Que ato físico poderia uma pessoa realizar para simbolizar uma mudança radical de coração, um comprometimento total? Existe um sinal tão dramático, dinâmico e totalmente abrangente que poderia representar a mudança radical de um converso ao Judaísmo? ... Submergindo em um corpo de água pelo propósito não de usar as propriedades físicas de limpeza da água, mas para expressamente simbolizar uma mudança na alma é uma declaração tanto profundamente espiritual quanto imensamente inspiradora... A água do mikveh é concebida para limpar ritualmente uma pessoa dos atos do passado. O convertido é considerado pela lei judaica como sendo uma criança recém-nascida. Ao limpar espiritualmente o convertido, a água do mikveh o prepara para confrontar a o Eterno, a vida e as pessoas com um espírito renovado em com novos olhos. Ela [a água] limpa o passado, deixando somente o futuro. [Rabino Maurice Lamm]. O espanto de Nakdimon Agora podemos perceber claramente o porquê do espanto de Nakdimon (Nicodemos). Lá estava Yeshua perante um grande rabino _ possivelmente um dos maiores de Israel naquela época _ e Yeshua dizia a ele que ele precisava nascer de novo! A resposta de Nakdimon (Nicodemos) expressa este choque, e demonstra o quanto ele acreditava que sua mera condição racial o isentava na questão: Entrarei novamente no ventre da minha mãe? Ou seja, ele estava dizendo: “Ei, eu já nasci judeu! Vou então voltar ao ventre materno?!” Repare agora na última parte da citação selecionada do rabino Maurice Lamm. Veja que a imersão tinha como propósito demonstrar a disposição da pessoa a fazer teshuvá, isto é, um retorno dos seus maus caminhos. É preciso começar de novo, com uma “ficha limpa”. Daí a ideia da imersão “apagando o passado”. O que Nakdimon (Nicodemos) possivelmente não enxergava era que até mesmo um parush (fariseu), isto é, alguém super zeloso para com a Torah, poderia precisar de uma ficha limpa. A arrogância espiritual da auto-suficiência no zelo, possivelmente até despercebida, era o ponto fraco de Nakdimon (Nicodemos), ao qual Yeshua estava se referindo. Ele estava dizendo: “Até você, que se orgulha de viver na Torah, precisa se arrepender e se voltar a o Eterno!” Mas, será que o restante do contexto apoia a nossa conclusão? Nascido na água e da Ruach Em seguida, temos outra famosa frase de Yeshua em que Ele se refere ao fato de que só veremos o Reino de Elohim se nascermos da água e da Ruach (Espírito). Agora, o contraste entre água e espírito também não era nenhuma novidade para Nakdimon (Nicodemos). Vejamos o que diz Yechezkel HaNavi (o profeta Ezequiel): “Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.” (Yechezkel 36:25-26) Repare que o profeta compara o novo espírito com a questão da “circuncisão do coração”, que a Torah aborda e que Sha'ul [Paulo] reforça. A circuncisão do coração nada mais é do que a kavaná, isto é, a intenção do coração. Yeshua mesmo, em outras ocasiões, confirmou o conceito de que a origem de nossos atos e, portanto, a fonte de tudo está no coração. O paralelo de Yeshua Vemos aqui então o paralelo traçado por Yeshua. Ele vai além de sugerir uma imersão a Nakdimon (Nicodemos), ele sugere ainda uma teshuvá (retorno) do coração ao Eterno. Isso para um homem orgulhoso como Nakdimon (Nicodemos) era demais, e por isso ele não conseguiu entender algo que era tão claro: que ele, judeu observante da Torah, precisava se arrepender dos seus pecados e buscar a face do Eterno tanto quanto um helenista pagão. Afinal, este era um dos principais problemas de alguns p'rushim: atos externos de aparente santidade enquanto o interior estava distante do Eterno. Re-analisando portanto o paralelo de Yeshua, vemos que Ele disse que Nakdimon (Nicodemos) precisaria nascer da água (isto é, ter uma atitude de arrependimento e almejar “começar de novo”) e do espírito (isto é, ter um coração voltado para o Eterno). Agora começa a fazer sentido todo o contexto geral. E vemos que é exatamente isso que o Eterno vem pedindo de Israel desde os primórdios da Torah. Nada mudou quanto à expectativa dEle, porque Ele não muda. Yeshua encerra dizendo que quem é “nascido da carne é carne” e quem é “da Ruach é espírito”. Ou seja, ele diz a Nakdimon claramente: Nakdimon, não estamos aqui falando de descendência física, mas sim de uma regeneração do seu interior! Reconstruindo o dialogo entre Yeshuá & Nakdimon Se fôssemos reconstruir o diálogo entre Yeshua e Nakdimon, utilizando a linguagem de hoje e mantendo a mesma ideia, o mesmo seria mais ou menos da seguinte forma: Yeshua: [c/autoridade*], Eu te digo que se você não fizer uma imersão simbolizando que está deixando para trás os seus pecados, não verá o Reino de o Eterno; Nakdimon: Imersão? Como você pode dizer isso? Eu já sou judeu de nascimento! Como vou entrar de novo no ventre da minha mãe para renascer judeu? Yeshua: [c/autoridade*], Eu te digo que se você não demonstrar exteriormente que fez teshuvá (retorno) em seu coração, não vai entrar no Reino de o Eterno. Não estou falando de ser judeu fisicamente, mas sim de ser regenerado espiritualmente. Não fique surpreso se Eu te digo que você precisa fazer teshuvá (retorno). * O uso da expressão “ “Amen, Amen” representa a grande autoridade que Yeshua demonstrava nesta ocasião. O entendimento cristão versus o entendimento do Judaismo do Caminho Segue um pequeno resumo da diferença aqui demonstrada de como um cristão, que enxerga esta passagem desconectada de seu contexto judaico, encara a questão, e como um Israelita do Caminho vê a questão. Para um cristão: Yeshua se referia a uma experiência nova; O novo nascimento é o ato de “ser salvo aceitando a Yeshua”; Nakdimon não tinha como saber do que Yeshua estava falando (e provavelmente não era muito esperto se a pergunta dele sobre voltar ao ventre foi literal); Nascer da água é ser batizado e nascer da Ruach é ser “batizado no Espírito Santo”; O novo nascimento é um fenômeno puramente de fé. Para Isrealita do Caminho: Yeshua se referia ao mesmo objetivo que o Eterno sempre teve de que todos se voltem a Ele; O novo nascimento é a teshuvá, isto é, retorno ao Eterno. O novo nascimento não é a “salvação”. A salvação é consequência do novo nascimento; Nakdimon sabia do que Yeshua estava falando, mas sua arrogância espiritual o cegava quanto à necessidade de uma pessoa “religiosa” se arrepender; “Nascer da água e do espírito” é uma figura de linguagem usada por Yeshua para expressar os dois aspectos da teshuvá: a demonstração externa (água) de um processo interno (espírito), exatamente como é no caso de um prosélito do Judaísmo; O novo nascimento envolve fé e atitude de vida Conclusão: o que é o novo nascimento Em poucas palavras, nascer de novo é estar disposto a começar com uma “ficha limpa”. Isto é: deixar para trás uma vida de pecado e distanciamento do Eterno, e abraçar a pureza original. Ou seja: voltar a desejar viver uma vida reta, no serviço dEle. Contudo, o mais importante de tudo: por amor a Ele, com o coração circuncidado, isto é, voltado para a nossa aliança com Ele. O novo nascimento não é uma experiência transcendental, nem é “um momento” ou mesmo “um ato”, e sim uma atitude de vida. Esse novo nascimento nos conduz a Yeshua HaMashiach, que nos leva à vida eterna em YHWH.

A Origem Hebraica de Matitiyahu

A Origem Hebraica de Matitiyahu Registros Históricos Diversos relatos históricos dos chamados “pais da igreja” nos revelam que Matitiyahu (Mateus) originalmente compôs as suas boas novas no hebraico. Esse texto era usado de forma praticamente unânime entre todas as seitas judaicas de seguidores do Mashiach. Abaixo, alguns dos principais relatos históricos: Irineu - século II: “De fato, Mateus, dentre os hebreus em seu próprio dialeto, também produziu um evangelho...” (Contra Heresias 3:1:1) Orígenes - século III: “... o primeiro [evangelho] foi escrito foi o segundo aquele que era um publicano, mas depois um emissário de Yeshua o Messias, Mateus, que o publicou para aqueles do Judaísmo que haviam crido, ordenado e reunido em letras hebraicas.” (Comentário de Mateus) Eusébio - século IV: “Mas sobre Mateus, ele [Papias] diz o seguinte: Mateus, portanto no dialeto hebraico organizou os oráculos, e a cada um interpretou segundo sua capacidade.” (História da Igreja 3:39:116) Jerônimo - século V: “Mateus, que também é chamado Levi, o emissário ex-publicano, primeiramente compôs em letras hebraicas o evangelho do Messias na Judéia, para aqueles que vieram a crer dentre a circuncisão. Quem posteriormente o traduziu para o grego não é certo o suficiente. Além disso, este texto hebraico ainda é mantido até hoje na biblioteca de Cesaréia que Panfílio o mártir estudiosamente reuniu. Recebi uma oportunidade dos Nazarenos de copiar este volume, que é usado em Beroea, cidade da Síria. Em tal evangelho, deve-se notar que, quer o evangelista, quer por sua própria pessoa quer pelo Senhor e Salvador, faz uso dos testemunhos das escrituras antigas, ele não segue a autoridade dos setenta tradutores, mas o hebraico.” (Sobre Homens Famosos 3) “O primeiro de todos é Mateus, um publicano denominado Levi, que publicou um evangelho na Judéia na língua hebraica, especialmente em razão daqueles que creram em Yeshua dentre os judeus.” (Prólogo dos Quatro Evangelhos) “Por fim Mateus, que escreveu o evangelho na língua hebraica...” (Epístola a Damásio 20) Matitiyahu também chamado de “Evangelho dos Hebreus” Alguns consideram, e de fato por muito tempo seguimos tal suposição, que o chamado “Evangelho dos Hebreus” é uma obra perdida, um dos evangelhos originalmente utilizado como canônico, especialmente nos meios das seitas judaicas seguidoras do Mashiach, e que havia se perdido. Outros consideram que Matitiyahu teria escrito uma obra em hebraico, e outra, distinta, no grego. Todavia, uma análise mais cuidadosa das evidências históricas, podemos perceber que na realidade se trata de uma única obra. Vejamos algumas evidências: Epifânio - século IV: “E eles [seitas judaicas] próprios também aceitam o evangelho segundo Mateus... Mas eles o chamam 'segundo os Hebreus'.” (Panarion 30:3) Jerônimo - século V: “No evangelho hebraico segundo Mateus está assim: Nosso pão para amanhã nos dá hoje, isto é, o pão que Tu nos darás no Teu Reino nos dá hoje.” (Comentário do Sl. 135) Compare com: “No evangelho que é chamado segundo os Hebreus, eu encontrei ao invés do pão supersubstancial, eu encontrei mahar (מהר ), que significa “de amanhã”, de modo que o sentido seria: Nosso pão de amanhã, isto é, o [pão] futuro dá nos hoje.” (Comentário sobre Mt. 6:11) Podemos perceber que Jerônimo cita o mesmo texto. Rabanus Maurus - século IX: “Deve-se notar que no evangelho segundo os Hebreus que os Nazarenos e os Ebionitas usam, e que é chamado por muitos de o evangelho autêntico de Mateus...” Irineu – século II: Frequentemente, as citações do evangelho dos Hebreus, como a que vimos acima, identifica os Ebionitas como um grupo que utilizava tal obra. Irineu, no século II, todavia, nos afirma que os Ebionitas utilizam apenas o evangelho de Mateus: “[Os Ebionitas], contudo, utilizam apenas o evangelho que é segundo Mateus…” (Contra Heresias 1:26:2) Mais uma evidência de que se tratava do mesmo texto. Matitiyahu também chamado de “Evangelho dos Nazarenos” Identificado nas citações históricas como “o evangelho que os Nazarenos usam”, ou ainda simplesmente como o “Evangelho dos Nazarenos”, alguns acadêmicos o classificam como sendo uma obra à parte de Matitiyahu e do “Evangelho dos Hebreus”. Outros identificam o “Evangelho dos Nazarenos” como sendo idêntico ao “Evangelho dos Hebreus”, porém diferente de Matitiyahu. Todavia, novamente os relatos históricos apontam que se trata de uma outra forma de se referir à mesma obra. Vejamos algumas comprovações históricas: Jerônimo – século V: “No evangelho que os Nazarenos e os Ebionitas usam, que recentemente traduzimos do hebraico para o grego, e que é chamado por muitos de o autêntico de Mateus...” (Comentário sobre Mt. 12:13) “E [os Nazarenos] têm o evangelho segundo Mateus bem completo no hebraico. Pois dentre eles ainda é claramente preservado, assim como foi escrito desde o princípio em letras hebraicas.” (Panarion 29:9) “No evangelho segundo os Hebreus, que de fato é escrito na língua Caldéia e Siríaca, mas em letras hebraicas, os quais os Nazarenos usam até hoje, segundo os emissários, ou como a maioria se refere a ele: segundo Mateus, o qual também é preservado na biblioteca de Cesaréia...” (Contra os Pelagianos 3:2) Hebraico ou Aramaico? A citação acima de Jerônimo leva muitos a questionarem a língua original do texto de Matitiyahu. Teria Matitiyahu escrito em hebraico ou no aramaico? Alguns chegam a utilizar esta citação de Jerônimo para defender uma primazia aramaica. Todavia, se analisarmos os demais relatos dos chamados “pais da igreja”, vemos que, além de Jerônimo, a única citação ambígua é a de Orígenes, que diz que o texto foi composto “em letras hebraicas” (o que alguns poderiam considerar como sendo somente o alfabeto hebraico.) Os demais “pais da igreja”, incluindo Irineu, que é dono da citação mais antiga de todas, afirmam categoricamente que Matitiyahu escreveu não apenas no alfabeto hebraico, mas na língua hebraica. O próprio Jerônimo afirma tal coisa em sua epístola a Damásio. Portanto, está muito claro que Matitiyahu foi originalmente composto no hebraico. Porém, a citação de Jerônimo tem grande valor. Ela significa que, bem cedo na história, o texto foi traduzido para o aramaico. Até porque a tradução do hebraico para o aramaico é relativamente simples, como traduzir um texto no espanhol para o português, dada a semelhança entre as línguas. Isso explicaria o porquê do texto aramaico de Matitiyahu (Siríaco Antigo e Peshitta) frequentemente apresentarem variantes textuais que não encontram eco em qualquer dos manuscritos gregos de que se tem notícia. Porém, devemos ter muito claramente em questão o fato de que Matitiyahu foi originalmente escrito no hebraico. O Texto Nazareno x o Texto Ebionita Um ponto fundamental que devemos considerar é o de que o texto de Matitiyahu no hebraico era diferente entre Nazarenos e Ebionitas. Epifânio faz clara distinção entre ambos, em sua obra Panarion, onde comenta acerca de ambas as seitas judaicas: “E [os Nazarenos] têm o evangelho segundo Mateus bem completo no hebraico. Pois dentre eles ainda é claramente preservado, assim como foi escrito desde o princípio em letras hebraicas.” (Panarion 29:9) “No evangelho dentre eles chamado segundo Mateus, mas não totalmente completo, mas ilegítimo e adulterado...” (Panarion 30:13) Repare que, segundo Epifânio, o texto hebraico de Matitiyahu dos Nazarenos era bem preservado em sua originalidade. Já o texto dos Ebionitas havia sofrido alterações. Alguém poderia questionar tal afirmação de Epifânio, chamando-a de tendenciosa. Todavia, Epifânio na obra Panarion nos dá diversos exemplos de textos adulterados pelos Ebionitas. Não é escopo deste estudo introdutório aprofundar a questão do texto ebionita. Assim sendo, nos ateremos a resumir o relato de Epifânio: O evangelho dos Ebionitas mostra Yeshua como um vegetariano radical. Ele não teria cumprido os sacrifícios de expiação pelos pecados, e sim abolido tais sacrifícios devido ao derramamento de sangue de animais ser supostamente abominável a Elohim. O texto Ebionita, além de incompatível com a realidade judaica da época, faz questão de se opor frontalmente à Torá, e por isso pode ser descartado. Maiores informações sobre o texto ebionita podem ser obtidos na obra Panarion, capítulos 29 a 31. Variantes Textuais: Como Explicar? Uma questão que muitos apresentam, e com toda razão, é: Como podemos explicar tanta variação textual do texto hebraico, quer em seus manuscritos remanescentes, quer nas citações dos “pais da igreja”, para com o texto grego? Afinal, em alguns trechos, há divergências radicais entre os relatos. Depois de estudar profundamente a questão, apresento algumas hipóteses que devem ser consideradas: a) Incômodo Teológico: A incompreensão e/ou rejeição do Judaísmo certamente gerou incômodos teológicos, cuja resolução mais simples foi a omissão dos relatos. Talvez o exemplo mais claro e importante disso seja a forte ação da Ruach HaKodesh (Espírito Santo) enquanto Mãe da Elohut (“natureza enquanto Elohim”) de Yeshua, ao passo que Miriyam é apresentada apenas como mãe da natureza humana de Yeshua. A incompreensão do aspecto feminino de YHWH, a Ruach HaKodesh que, no hebraico, é termo feminino e associado ao chamado “Pilar da Mãe” do Ein Sof (Aquele que é Infinito) levou à completa eliminação dos trechos em questão. Até hoje vemos o resquício de tal incompreensão no meio cristão, que considera “o Espírito Santo” como um elemento masculino, ignorando inclusive que em Bereshit (Gênesis) 1:27, o ser humano é criado macho e fêmea à semelhança de YHWH. b) Incômodo Político: A marcante atuação de Ya’akov HaTsadik (Tiago, o Justo) nos acontecimentos que precederam e sucederam a morte de Yeshua também são omitidos. A justificativa mais provável de tal omissão é a posterior alegação romana (totalmente equivocada) de que Shimon Kefah (Simão Pedro) seria o líder do movimento de Yeshua – quando na realidade, o livro de Ma’assei haSh’lichim (Atos dos Emissários), e os relatos históricos, nos revelam que tal liderança pertencia de fato a Ya’akov. c) Glosa de Copista/Tradução: Não se pode ignorar a influência das glosas de copistas e tradutores. É comum que alguns pensem em uma teoria conspiratória que resultou em tais glosas. Todavia, deve-se levar em conta que os textos eram escritos de forma cursiva, com caligrafia que nem sempre favorecia, nem sempre em linhas tão retas ou com tinta de boa qualidade. Some-se a isso a ausência de pontuação e de vogais no texto hebraico e aramaico, e é fácil compreender que as chances de glosa não são nada pequenas. Copistas suprimiam textos acidentalmente, emendavam trechos de grafia semelhante, trocavam ou não compreendiam letras, e isso não era algo raro. Como também não eram raros os erros por parte dos tradutores, a partir de textos igualmente difíceis. Isso explica diversas variantes textuais, sem necessariamente contribuir para validar qualquer teoria conspiratória. d) Harmonização com outros Evangelhos: Vemos com relativa frequência que algumas variantes textuais sofreram a influência de outros evangelhos. Podemos citar especialmente o caso de Lucas. Marcus vem em segundo lugar, e Yochanan (João) também influenciou determinados trechos. O trecho onde isto é mais evidente é na parábola dos kikarim – conhecida no grego como parábola dos “talentos” – cujo original hebraico era muito diferente. O texto foi claramente modificado para harmonizar com a parábola dos “manim” – conhecida no grego como parábola das “minas” – embora fossem parábolas diferentes. Temos que ter com muita clareza em mente que, apesar das semelhanças, Matitiyahu e Lucas não são idênticos, e o motivo reside justamente no nível dos detalhes. Isso não é sem precedentes nas Escrituras onde, por exemplo, trechos da mesma narrativa são expostos em Shemot (Êxodo) e Devarim (Deuteronômio), ou de forma mais evidente em Melachim (Reis) e Divrei HaYamim (Crônicas). Os diferentes escritores nos possibilitam ter uma visão mais ampla do relato. Todavia, alguns consideravam as diferenças – e repare que aqui afirmo “diferenças” e não “divergências” pois não há contradições entre eles – como fonte de incômodo. Isso explica a tentativa de harmonizar o texto de Matitiyahu. Especialmente porque Matitiyahu, como vimos, era utilizado quase que de forma unânime pelos seguidores de Yeshua. e) Deslocamento Este é talvez o mais curioso dos motivos pelos quais há divergências textuais. Alguns trechos da narrativa de Matitiyahu no hebraico, talvez como forma de tentar harmonizar a cronologia com Marcus e/ou Lucas, foram removidas de seu local original, e postas em outros pontos do chamado Novo Testamento. Existem três narrativas que são mencionadas pelos chamados “pais da igreja” como pertencentes a Matitiyahu no hebraico, mas que atualmente encontramos em outros pontos. São elas: A Mulher Adúltera: A controvérsia sobre o texto de Yochanan (João) 7-8 sobre a mulher adúltera tem uma razão de ser. O texto não é encontrado nos manuscritos mais antigos, e, em alguns manuscritos, aparece como parte do evangelho de Lucas. Eusébio (século IV), em “História da Igreja 3:39:1”, relata que a narrativa fazia parte de Matitiyahu originalmente. A Lavagem dos Pés: O texto que se encontra na narrativa de Yochanan (João) sobre o Pessach é citado por um códice do século XIV (A História da Paixão do Senhor) como pertencente, originalmente, a Matitiyahu. A Escolha de Matitiyahu (Matatias): A história da escolha do substituto de Yehudá (Judas) é narrada em Atos, mas é citada por Dídimo, o cego (século IV) em seu comentário sobre o Sl. 34:1 como pertencente, originalmente, a Matitiyahu. Embora o primeiro caso seja mais evidente, nos dois últimos não sabemos se o relato de Yochanan (João) e de Lucas são na realidade trechos extraídos de Matitiyahu, ou se são simplesmente semelhantes ao mesmo. Assim sendo, é mais conveniente preservar os textos na posição tradicional, visto que o que importa é a mensagem, e não a posição onde se encontram nas Escrituras. Conclusão Deste pequeno estudo, podemos concluir que Matitiyahu foi escrito em hebraico. O texto foi traduzido para o aramaico e para o grego. O texto hebraico era também conhecido como “Evangelho dos Hebreus”, “Evangelho dos Emissários” ou ainda “Evangelho dos Nazarenos”. Aqui cabe uma observação que a edição de 1551 do manuscrito de DuTillet traz o título de “Torat HaMashiach” (A Torá do Messias). O texto também era usado por outras seitas judaicas, tal como os Ebionitas, todavia apresentando alterações textuais. O texto hebraico original, conforme atestado pelos chamados “pais da igreja” também possuía algumas importantes divergências textuais para com o texto tal qual tradicionalmente se conhece a partir do grego.

Efrayim A Plenitude das Nações

Palestra: Efrayim – A Plenitude das Nações (Material de Apoio) Por Romach Ben Tsabar 1- Plenitude das Nações: A Promessa aos Patriarcas - Multiplicação de semente e propriedade da terra. Bereshit (Gen.) 13:14-16, 15:1-6, 17:4, 22:07-18, 26:4, 28:3 (“como o pó da terra”, “as estrelas (...) assim será a tua descendência”, etc); Multidão de nações, hamon goyim; - Yitzchak abençoa o sêmen de Ya’akov para que chegue a ser um “Kehilah Amim”, ou seja, Assembléia de Nações; - Promessa eterna, um pacto perpétuo, sem volta; - Promessa real/física ou apenas de cumprimento espiritual? - Avraham como ‘Pai da Fé’, porque? Por crer na Palavra literal de YHWH. 2- A Bênção de Ya’akov a Efrayim - Ya’akov adota os filhos de Yossef; Bereshit (Gen.) 48:5; - A Benção de Ya’akov; Bereshit (Gen.) 48:19; - Ya’akov se confundiu? - O que é “M’lo HaGoyim”? Possibilidades de tradução: M’lo (multidão, plenitude) Goyim (nações/gentios) “Multidão de Nações” ou “Plenitude das Nações/Gentios”; - Você já leu em algum lugar “Plenitude dos Gentios”? 3- Yehudah e Efrayim: A Divisão do Reino - O Eterno anuncia a divisão do Reino; Melachim Alef (I Reis) 11:11-14; - Yeroboam recebe as 10 Tribos, e reina; Melachim Alef (I Reis) 11:31; No ano 921 A.C as 10 Tribos do Norte se separam da Bet Dawid; - Identificação dos Reinos: Reino de Yehudah: o mesmo que ‘Casa de Yehudah’, às vezes chamado de apenas ‘Yehudah’. Ao sul, formado pela tribo de ‘Yehudah’, ‘Binyamin’ mais parte dos levitas. Capital Yerushalayim (Jerusalém); Conhecidos como ‘judeus’; Reino de Israel: também conhecido como ‘Casa de Yisrael’, ‘Casa de Yossef’ (I Reis 11:28), ‘Efrayim’, e umas poucas vezes somente’ Israel’. Posicionado ao norte, formado pelas outras dez tribos. Capital Shomeron (Samaria); Conhecidos como ‘efraimitas’; Vide: Yermiahu (Jer.) 31:27; - Apos a divisão do Reino, o Eterno faz esta diferenciação entre a quem Ele esta se dirigindo. - Esta divisão vem do Eterno, é por Sua vontade, Melachim Alef (I Reis) 12:24; (... porque de Mim veio isto.); - Idolatria, Destruição e Assimilação de Efrayim: - “Pelo que o rei, tendo tomado conselho, fez dois bezerros de ouro, e disse ao povo: Basta de subires a Jerusalém; eis aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito. (...) Ora, isto se tornou em pecado; pois que o povo ia até Dan para adorar o ídolo”, Melachim Alef (I Reis) 12:26-33; - “Os seus sacerdotes violentam a Minha Torah, e profanam as Minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem ensinam a discernir entre o impuro e o puro; e de Meus Shabatot escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles”, Ez. 22:26 - Relato de Flavio Josefo: “Eis de que modo Yeroboam enganou o povo que a ele se tinha submetido e o levou a abandonar a Torah de Elohim e a religião de seus antepassados: o que foi causa dos males que os hebreus sofreram depois e da escravidão a que se encontram reduzidos, após terem sido vencidos por nações estrangeiras...” Antiguidades Judaicas Livro 8, Cap. 3; - Tiglat Pileser e Salmaneser (pai de Tiglat) destroem completamente o Reino de Israel (10 Tribos), no ano 721 AC. Efrayim é levado cativo para Assíria. E se misturam com os assírios (arameus); “Foi assim que as dez tribos que compunham o reino de Israel foram expulsas de seu país, (...) Foi assim que aquele infeliz povo foi castigado por ter desprezado a Torah de Elohim e a voz dos profetas, que lhes tinham tantas vezes predito as desgraças em que eles cairiam, se continuassem em tal impiedade. Yeroboam foi-lhes o ímpio e infeliz autor, quando tendo subido ao trono, levou o povo, a seu exemplo, à idolatria e atraiu contra si a cólera de Elohim que o castigou como merecia.” Antiguidades Judaicas Livro 9 Cap. 14; 4- Yehudah e Efrayim nos Profetas - Hoshea 8:12: “Escrevi para ele [Efrayim] miríades de coisas da Minha Torah; mas isso é para ele como coisa estranha”; - Hoshea 1: - Hoshea tem uma mulher de prostituição, mostrando o que Efrayim estava fazendo para o Eterno. Prostituição significa idolatria, se afastar da Torah. - Lo-Ruhammah: Lo (não), Ruhammah (misericórdia, compaixão); - Lo-Ami: Lo (não), Ami (povo); - Mesmo após Efrayim ser chamado “Lo-ami”, sendo um reino totalmente destruído, continua sendo areia do mar. (Hoshea 1:10); - Areia do mar? Soa familiar? A promessas aos Patriarcas. - Hoshea 7:8: “Quanto a Efrayim, ele se mistura com os povos; Efrayim é um bolo que não foi virado”; - Hoshea 8:8: “Israel foi devorado; agora está entre as nações como um vaso em que ninguém tem prazer”; - Hoshea 9:17: “O meu D-us os rejeitará, porque não O ouviram; e errantes andarão entre as nações”; - Efrayim ira voltar? E se unirá a Yehudah? “Assim diz o YHWH Tzevaot: Naquele dia sucederá que dez homens, de nações de todas as línguas, pegarão na orla [tzitzit] das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que o Eterno está convosco”, Zc. 8:23; “E os filhos de Yehudah e os filhos de Yisrael juntos se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça” Hoshea 1:11; Cabeça = Mashiach. Ver Efesios 5:23: “O Mashiach é a cabeça da Kehilah”, Kehilah = Judeus + Efraimitas + Estrangeiros; “E Eu mesmo recolherei o resto das Minhas ovelhas de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão, e se multiplicarão (...) Nos seus dias Yehudah será salvo, e Yisrael habitará seguro...”; Yermiahu (Jer.) 23:3-6; “Eis que os dias vêm, diz YHWH, em que farei um pacto novo com a Casa de Yisrael e com a Casa de Yehudah” Yermiahu (Jer.) 31:31-34. Efrayim sendo participante juntamente com Yehudah do Pacto Renovado. “Eis que tomarei o reino da tribo de Yossef, que esta na mão de Efrayim, e as tribos de Yisrael, seus companheiros; e ajuntá-los-ei ao reino da tribo de Yehudah, e deles farei um só reino, e serão um só na Minha mão”, Yekhezqel 37:19; Paralelos entre Yossef e Efrayim: Yossef Efrayim Yossef se separa de seus irmãos; Efrayim se separa das outras tribos; Vai para uma outra terra; Egito; É disperso para outras terras; Assíria, Egito, Etiópia, Bretanha, Espanha, França etc. É dado como morto, perdido; É tido como perdido, caído; Os seus irmãos não o reconhecem mais, pois se parece com um gentio; Os seus irmãos (judeus) não o reconhecem mais, pois não vive como israelita, mas como gentio; Quando fala em sua própria língua, retira as roupas de gentio, é reconhecido; Quando começa a falar sua própria língua hebraica, Torah, retira a roupagem pagã, é reconhecido; O encontro com seus irmãos é marcado por muito choro; Bereshit (Gen.) 42:24, 43:29, 45:2, 45:14-15; Ao retornarem com seus irmãos [Yehudah] virão chorando; Yermiahu (Jer.) 50:4; Vivem em paz, como uma família; Vivem como um só povo; 5- Yehudah e Efrayim no NT - Matitiyahu (Mat.) 15:24 – “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel”. Quem é Casa de Israel? - Yochanan (João) 10:16 – Outras ovelhas; - Matitiyahu (Mat.) 28:18-20 – A Grande Comissão, qual a sua função? - Atos 1:6 – “É neste tempo que restauras o reino a Israel?”; - Luka 24:21 – “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel” -> Yermiahu (Jer.) 23:3-6; - Atos 15:14-17 – Reconstruindo o Tabernáculo de Dawid; - Matitiyahu (Mat.) 19:28 – Olam Haba; - Yochanan 4:5-12 – A mulher samaritana diz nosso pai Ya’akov; - Atos 29: A busca de Rav. Shaul (Paulo) pelas ovelhas perdidas da Casa de Israel; Cartas dos Emissários: - Ya’akov 1:1: As doze tribos da Galut (dispersão); - I Kefah 1:1: Dispersão judaica? Ele ocorre somente anos mais tarde. - I Kefah 2:8-10: Ligação com Hoshea 1; Cartas de Rav. Shaul (Paulo) - Romanos 9:24-25 – Rav. Shaul (Paulo) cita Hoshea e Yeshayahu (Is.); Declara no vers. 24 que o Eterno chama a judeus e não-judeus. Identifica os “gentios salvos” como sendo a Casa de Israel no vers. 25 1. Cita a passagem de Lo-Ami de Hoshea e atribui aos “gentios salvos”, ou seja, a Casa de Efrayim como sendo os cumpridores da promessa da “areia do mar”. - Efesios 2:11 - “que outrora vós, goyim [nações/gentios]”; - Galut-Yah 3:29 – Semente espiritual? Filhos espirituais de Avraham? - I Cor. 10:1-4 – Rav. Shaul (Paulo) recorda aos efraimitas (israelitas não-judeus) que seus pais, ou seja, hebreus foram tirados do Egito e encontraram a Rocha, o Mashiach, tal como eles tinham feito. - I Cor. 5:7-8 – Efrayim celebrando Pêssach. - Os efraimitas no primeiro século, chamados de ‘arameus’ (por causa do exílio assírio) e “goyim” (“gentios”/nações) como vemos no Talmud, Yevamot 17a; 6- Como os Judeus Vêem a Questão de Efrayim - Grandes Rabinos: Rabbi Akiva: "As Dez Tribos não retornarão como foi dito (Devarim 29:27) 'E Ele os jogou a uma terra diferente como este dia'. Assim como o dia passa e jamais voltará, eles também serão exilados para nunca mais voltarem", Sanhedrin 110b; - Rabbi Eliezer: “Assim como o dia é seguido pela escuridão, e a luz mais tarde retorna, assim também ficará 'escuro' para as Dez Tribos. Elohim por fim os tirará de suas trevas”, Sanhedrin 110b; Esta é a opinião oficial do Judaísmo. - Rashi (Rabbi Shlomo Ben Yitzchak): “O primeiro exílio dos filhos de Israel que foram levados cativos das Dez Tribos a terra dos cananeus até Sarepta” Os exegetas dizem que Sarepta significa o Reino chamado ‘França’ na língua comum”. Ou seja, aqui Rashi afirma que as 10 Tribos foram estão na França; - Ramban (Rabbi Moshe Ben Nachman): “A visão de Abdias a Casa de Yossef se refere as Dez Tribos que foram exiladas e estão, todavia em seu lugar de exílio, o exílio de Sarepta e Canaã, que estão mais distantes ao norte”. - Dom Yitzchak Ben Yehudah Abarbanel: “Sarepta é França e também os exilados de Sefarad em Espanha e não te deixes enganar somente porque Sarepta [França] é mencionada e Anglaterre [Inglaterra] não é mencionada, porque ali também foram os exilados, porque eu tenho aqui, que esta ilha é considerada como uma parte de Sarepta, e ao principio pertencia a ela, e em seus livros antigos a chamam de ilha de Sarepta [França], no entanto mais tarde se separou de Sarepta [França], e se converteu em um reino de direito próprio. (...) "E, pode ser, a intenção também destes Filhos de Israel que abandonaram completamente a Religião devido aos problemas e perseguições, e seguem na França e Espanha por milhares e por dezenas de milhares, grandes comunidades. Eles voltarão e implorarão ao Senhor seu D-us”. - Rio Sambation: Segundo a tradição judaica, existe um rio, que no caso, estariam as 10 Tribos atrás dele; Ele ficaria seis dias se movimentando e no Shabat, ficaria parado. Uma lenda que tem origem no Estreito de Bosforo. - E se Efrayim retornar? (na visão judaica tradicional) Precisam se converter, e se tiverem circuncisão precisam fazer uma “nova” (Hatafat Dam Brit). - Quando um não-judeu se “converte” não é considerado uma conversão, mas sim um retorno! 7- Quem é Efrayim hoje? Para onde foi Efrayim e Yehudah? Há relatos históricos sobre isto? - Yair Davidiy: Segundo suas pesquisas históricas, arqueológicas e talmúdicas, as 12 Tribos teriam se dispersado da seguinte forma: Tribo Pais Efrayim Grã-Bretanha Menashe EUA Ruven França Shimon Europa céltica e judaica (Portugal/Espanha) Levy Onde quer que fossem os judeus Yehudah Em todos os paises praticamente Issachar Suíça/Finlândia Zevulun Holanda Gad Suécia Asher Escócia Biniamin Com os judaitas na Bélgica/Normandia Dan Dinamarca com os celtas Neftali Noruega - Relatos históricos diversos: Aarão Levy de Montesinos (1642): Viajante espanhol, de origem marrana. Encontrou na América do Sul, tribos que conheciam o Sh’mah. Ele fez esta afirmação sob juramento para um tribunal judaico em Amsterdã, perante o principal rabino, Menashe Bem Yisrael; Nicholas Delttsu (1587): Jesuíta enviado a América do Sul, para converter índios. Encontrou tribos incas que preservavam nomes hebraicos como Moshe e Avraham; James Adair (1709): Escreveu “Historia dos Índios Americanos”. Afirma que índios faziam circuncisão e outras práticas bíblicas; Roger Willians (1827): Descreve as línguas indígenas como semelhantes ao hebraico, em seu artigo “A Chave para linguagem da América”; Menashe Ben Yisrael (1698): Este rabino escreveu um livro (A Esperança de Israel) apos ouvir o relato de Aarão Levy de Montesinos. Ambrosio Fernandes Brandão (1618): Em seu livro, que descreve a terras brasileiras, afirma que indígenas brasileiros são descendentes de israelitas: “se acha entre eles muitas palavras e nomes pronunciados na língua hebréia e da mesma maneira (...) tenho por sem dúvida, descenderem estes moradores naturais do Brasil daqueles israelitas que navegaram primeiro pelos seus mares”; Diego de Duran (1585): Em “Historia das índias da Nova Espanha” afirma categoricamente que indígenas sul-americanos são descendentes das dez tribos da Casa de Efrayim: “Outra autoridade da Sagrada Escritura, se pode trazer para provar esta opinião, é que as estas dez tribos, que abaixo deixo dito, teria D-us prometido por Oseias, c. 1 e 2, e 3 até o 13, que os iria D-us multiplicar como as areias do mar, o qual claro e obviamente se vê quão grande se multiplicou, pois tem ocupado grande parte do mundo...”; Mas afinal, quem é Efrayim hoje? Quem é descendente de Ya’akov Avinu? - O que o Mashiach disse? - O que vemos hoje? - O que as profecias dizem? - Você crê?

O QUE SIGNIFICA “OBRAS DA LEI” E “DEBAIXO DA LEI”?

O QUE SIGNIFICA “OBRAS DA LEI” E “DEBAIXO DA LEI”? Por Tsadok Ben Derech Muitas pessoas se confundem com os escritos de Sha’ul (Paulo) acerca da Torá em razão de duas expressões que aparecem na B’rit Chadashá (“NT”), sendo que tais expressões somente existem nos escritos de Sha’ul (Romanos, Gálatas e 1ª Coríntios). As duas expressões, incompreendidas pelos teólogos cristãos, são “obras da lei” e “debaixo da lei”. Eis os textos em que constam as expressões: a) “obras da lei” - Rm 3:20, 28 e 9:32; Gl 2:16; 3:2,5 e10; b) “debaixo da lei” – Rm 2:12; 3:19; 6:14-15 e 7:23; Gl 3:23; 4:5; 4:21 e 5:18; I Co 9:20. O primeiro termo, “obras da lei”, é melhor compreendido por meio da passagem de Gálatas 2:16, em que Sha’ul escreveu: “Sabendo que o homem não é justificado pelas OBRAS DA LEI, mas pela fé em Yeshua HaMashiach, temos também crido em Yeshua HaMashiach, para sermos justificados pela fé do Mashiach e não pelas OBRAS DA LEI, porquanto pelas OBRAS DA LEI nenhuma carne será justificada”. Sha’ul usa a referida expressão para descrever o falso método de justificação que é diametralmente oposto à “fé em Yeshua HaMashiach”. Para Sha’ul, as “obras da lei” não são os mandamentos da Torá, porém uma heresia muito comum em sua época. A expressão “obras da lei” é um termo técnico-teológico usado em um dos Documentos do Mar Morto chamado MMT, que diz: “Agora NÓS ESCREVEMOS para você algumas das OBRAS DA LEI, aquelas que NÓS DETERMINAMOS que sejam benéficas para você... E vai ser creditada a você como justiça, naquilo que você tem feito o que é certo e bom diante dele...” (4QMMT (4Q394-399), Seção C, linhas 26b-31, grifei). Observe no texto citado que as “obras da lei” eram mandamentos criados pelos religiosos daquela época, ou seja, eram mandamentos de homens e não mandamentos do ETERNO. Tais regras humanas não estavam de acordo com a Torá de YHWH, porém, os religiosos afirmavam incorretamente que aqueles preceitos tinham origem nas Sagradas Escrituras. Com efeito, as descobertas arqueológicas do Mar Morto lançaram luzes para o entendimento do conceito de Sha’ul, visto que foram descobertos inúmeros manuscritos contendo a cláusula “obras da lei”. Por conseguinte, basta estudar estes manuscritos para se entender qual era a definição de “obras da lei” sob a ótica do Judaísmo do primeiro século. Os documentos sobre as “obras da lei” são conhecidos como “misquat ma’aseh haTorah”, tratando-se de cartas haláquicas nas quais se expõe de maneira sistemática a halachá do grupo gumrânico. Nos textos descobertos, há uma grande gama de normas que não estão nas Escrituras, mas são determinadas aos homens como se fossem capazes de trazer justificação. Ou seja, “obras da lei” são preceitos criados por homens e com a pretensão de causar a justificação, não encontrando respaldo nas Escrituras. Vamos dar um exemplo prático. Hoje em dia, muitos pastores evangélicos dizem: “A Bíblia proíbe que a mulher corte o cabelo e depile as axilas”. Onde tal preceito consta na Bíblia? Em lugar nenhum! Assim, os líderes religiosos da atualidade agem da mesma forma que seus pares no primeiro século: criam mandamentos de homens e obrigam que as pessoas os cumpram. Yeshua criticou abertamente as regras inventadas pelos homens contrárias às Escrituras (Mc 7: 1-13). Infere-se daí que a expressão “obras da lei” significa regras criadas pelos homens como se fossem mandamentos do ETERNO, mas que não constam das Escrituras, ou seja, trata-se de verdadeiro “legalismo”. Assim, conclui-se que, em Gálatas 2:16, Sha’ul estava criticando regras criadas por homens (“obras da lei” = “legalismo”) e não os mandamentos do ETERNO existentes na Torá. Deve-se, pois, fazer uma distinção entre duas expressões veiculadas por Sha’ul: Torá (ou Lei) e “obras da lei”. A Torá recebeu os aplausos de Sha’ul; as “obras da lei” não. Verifique como o emissário elogia a Torá e critica as “obras da lei”: a) sobre a Torá (Lei), cujos mandamentos provêm do ETERNO, escreveu que é santa, justa e boa (Rm 7:12); que nunca cometeu ofensa contra a Torá (At 25:8) e que confirma a validade da Torá (Rm 3:31); b) sobre as obras da lei (= mandamentos de homens/legalismo), redigiu que nenhum homem será justificado por elas (Rm 3:20 e 28) e que servem como pedra de tropeço (Rm 9:32). “Obras da lei” significa legalismo, definido como (1) o conjunto de regras criadas por homens sem respaldo nas Escrituras; ou (2) o pensamento de que alguém conseguirá obter a justificação perante o ETERNO mediante suas próprias forças no cumprimento dos mandamentos, sem depender da graça. Então, se “obras da lei” quer dizer legalismo, podemos retraduzir os textos bíblicos em que a expressão aparece, valendo-se dos manuscritos em aramaico (Peshitta): “porquanto pelo legalismo nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela Torá é o pleno conhecimento do pecado.” (Rm 3:20). “concluímos pois que o homem é justificado pela fé e não por ser legalista em sua observância da Torá.” (Rm 3:28). “Por quê? Porque não buscavam pela fé, mas por legalismo; e tropeçaram na pedra de tropeço.” (Rm 9:32). “sabendo, contudo, que o homem não é justificado pela observância legalista, mas sim, pela fé no Mashiach Yeshua, temos também crido no Mashiach Yeshua para sermos justificados pela fé no Mashiach, e não pela observância legalista; pois por legalismo nenhuma carne será justificada.” (Gl 2:16). “Só isto quero saber de vós: Foi pela observância legalista da Torá que recebestes a Ruach [Espírito], ou pelo ouvir pela fé?” (Gl 3:2) “Aquele pois que vos dá a Ruach [Espírito], e que opera milagres entre vós, acaso o faz pelo legalismo na observância da Torá, ou pelo ouvir com fé?” (Gl 3:5). “Pois todos os que confiam no legalismo de sua observância da Torá estão debaixo de maldição...” (Gl 3:10). Avalie o último texto: o legalismo é tratado como maldição (Gl 3:10), enquanto o cumprimento correto da Torá é uma benção (Dt 28:1-14). Insta repetir: Sha’ul sempre defendeu a Torá (Lei), mas lutou contra o legalismo (“obras da lei”). Agora, estudar-se-á uma segunda expressão, conhecida como “debaixo da lei”, que é muito deturpada pela teologia cristã, que não compreende o texto de Romanos 6:14: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais DEBAIXO DA LEI, mas debaixo da graça”. Sha’ul usa a expressão “debaixo da lei” como sendo diametralmente oposta à “debaixo da graça”. Alguns acham erroneamente que antes da vinda de Yeshua não havia graça. Afirmam que na época do “Antigo Testamento” o ETERNO não agia com graça. Será verdade? Em hebraico, a palavra “chessed” significa graça, e aparece pelo menos 240 vezes no Tanach (“AT”), apesar de algumas traduções substituírem o vocábulo “graça” por “misericórdia”. Citam-se apenas algumas passagens em que o texto original usa a palavra “graça”: “Noach [Noé], porém, encontrou graça aos olhos de YHWH.” (Gn 6: 8). “Moshé disse a YHWH: ‘Vê, tudo me disseste’: ‘Faça essas pessoas se moverem!’. No entanto, tu não me fizeste saber a quem enviarás comigo. Mesmo assim, tu dissestes: ‘Eu o conheço pelo nome’, e também: ‘Você encontrou graça em meus olhos’.” (Ex 33:12). “YHWH passou diante dele e anunciou: ‘YHWH é Elohim misericordioso e compassivo, lento para irar-se, cheio de graça e verdade, ele mostra graça até a milésima geração...’” (Ex 34: 6-7). “YHWH, tu és bondoso e perdoador, cheio de graça para com todos que clamam a ti.” (Sl 86: 5). “Cantarei a graça e a justiça; cantarei a ti, YHWH.” (Sl 101: 1). “Deem graças a YHWH, porque ele é bom, porque sua graça dura para sempre.” (Sl 136:1). “Eu, porém, posso entrar em tua casa por causa de tua grande graça e amor.” (Sl 5: 8 [7]). “Salva-me por tua graça.” (Sl 6:5 [4]). “Bondade e graça me acompanharão todos os dias de minha vida; e viverei na casa de YHWH por anos e anos vindouros.” (Sl 23: 6). “Lembra-te de tua compaixão e graça, YHWH...Não relembres meus pecados ou transgressões da juventude, mas lembra-te de mim de acordo com tua graça, por causa de tua bondade, YHWH...Todos os caminhos de YHWH são graça e verdade àqueles que guardam sua aliança e seus ensinamentos.” (Sl 25: 6, 7 e 10). Como vimos nos textos acima, todos extraídos do Tanach (“AT”), ou seja, antes da vinda de Yeshua, sempre existiu a graça do ETERNO! Yeshua não inaugurou a graça, mas foi a manifestação visível e poderosa da preexistente graça do ETERNO, graça esta que sempre foi derramada na vida daqueles que servem a Elohim. Logo, o ensino cristão de que antes de Yeshua vigorava a Lei e depois de Yeshua apareceu a graça é manifestamente falso! Eis a tradução correta de Yochanan (João) 1:17, que se extrai diretamente da versão Peshitta em aramaico: מֵטֻל דּנָמוּסָא בּיַד מוּשֵׁא אֵתִיהֵב שׁרָרָא דֵּין וטַיבּוּתָא בּיַד יֵשׁוּע משִׁיחָא הוָא “Porque a Torá foi dada por meio de Moshé. E ainda: a verdade e a graça existiram através de Yeshua HaMashiach”. Ora, se Yeshua HaMashiach é o ETERNO, deduz-se com absoluta certeza que a verdade e a graça sempre existiram desde a eternidade! Portanto, o homem sempre esteve debaixo da graça e nunca deveria estar “debaixo da lei” (legalismo humano). Consequentemente, “debaixo da lei” não significa estar debaixo da Torá, visto que a Torá (instrução, orientação do ETERNO) foi criada para o benefício do próprio homem. “Debaixo da lei” não significa os mandamentos da Torá, mas sim os falsos ensinos e regras criadas por homens (“legalismo”), bem como o pensamento de que o homem pode ser salvo por sua própria força. Curial lembrar: a Torá é perfeita (Sl 19:8 ou 19:7), porque foi instituída por YHWH. Em suma, deve o homem obedecer à Torá, e não ao legalismo. Com fundamento nos escólios apresentados, mister retraduzir os versículos que constam a expressão “debaixo da lei”, em conformidade com os manuscritos em aramaico: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo do legalismo mas debaixo da graça. Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo do legalismo, mas debaixo da graça? De modo nenhum!” (Rm 6:14-15) “mas vejo nos meus membros outra ‘lei’ guerreando contra a Torá do meu entendimento, e me levando cativo à ‘lei’ do pecado, que está nos meus membros.” (Rm 7:23). “Para os judeus eu me pus na posição de judeu, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo do legalismo como se estivesse eu debaixo legalismo (embora debaixo do legalismo eu não esteja), para ganhar os que estão debaixo do legalismo.” (I Co 9:20). “Mas, antes que viesse a fé, estávamos presos ao legalismo, encerrados até aquela fé que se havia de revelar.” (Gl 3:23). “Dize-me, os que quereis estar debaixo da observância legalista, não ouvis vós a Torá?” (Gl 4:21) “Mas, se sois guiados pela Ruach [Espírito], não estais debaixo da observância legalista da Torá.” (Gl 5:18). Não restam dúvidas de que as expressões “obras da lei” e “debaixo da lei” (= legalismo) são termos que indicam algo mal, ruim, nocivo. Obviamente, estas expressões não se referem à Torá do ETERNO, porque Sha’ul (Paulo) afirmou categoricamente que a Torá é “santa, justa e boa” (Romanos 7:12). Conclusão: não devemos nos sujeitar ao legalismo, que se traduz em regras criadas por homens e na falsa ideia de que é possível alcançar a salvação mediante a própria força. Por outro lado, devemos obedecer à Torá do ETERNO para desfrutarmos de sua graça. Os desobedientes que não se arrependerem não terão acesso à graça, e serão condenados, conforme ensinou Yeshua: “Então eu [Yeshua] lhes direi claramente: ‘Nunca vos conheci! Apartai-vos de mim, vós que praticais a transgressão à Torá” (Mt 7:23) Leia mais: http://www.judaismonazareno.org/news/o-que-significa-obras-da-lei-e-debaixo-da-lei-/

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A verdade sobre a origem da mezuzá

A Verdade sobre a Mezuzá I - Introdução " Após termos estudado o Shemá e o tefilin à luz das Escrituras, descobrindo as práticas originais e separando-as de mitos e sincretismos rabínicos, muitos se indagavam a respeito da mezuzá. " A seguir, apresentamos um estudo bastante detalhado da questão da mezuzá. Todavia, para não se tornar excessivamente extenso por repetição, este artigo parte da importante premissa de que o leitor já está familiarizado com os estudos supracitados, e os referencia como assuntos já esclarecidos. A quem ainda não o tenha feito, sugere-se que leia a ambos (nessa ordem) antes de dar sequência neste estudo. II - Análise das Escrituras " A mitsvá (mandamento) da mezuzá é derivada de duas passagens bíblicas. Todavia, antes de analisá-las, é importante que já se tenha lido o nosso artigo sobre o Shemá original, onde demonstramos que as “palavras” a que o texto de Devarim/Deuteronômio 6 se referem nada mais são do que as palavras dos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos.”) No artigo, demonstramos inclusive que esse era o entendimento do Judaísmo na antiguidade, conforme atestado por achados arqueológicos e pelas próprias fontes da literatura judaica. II.2 - Devarim/Deuteronômio 6 " Tendo isso em mente, analisemos a primeira passagem: “Ouve, Israel, YHWH nosso Elohim, YHWH é um. Amarás, pois, a YHWH teu Elohim de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Devarim/Deuteronômio 6:4-9) " Em nosso estudo sobre tefilin, vimos como a própria Torá nos demonstra que “atar na mão e colocar por frontal entre os olhos” são expressões simbólicas. Mas, fica a dúvida: Será que o texto referente à mezuzá é alegórico? " Por este trecho, pura e simplesmente, não é possível concluir que o texto seja alegórico. Vejamos o que nos revela o outro texto referente à mezuzá. II.3 - Devarim/Deuteronômio 11 “Ponde, pois, estas minhas palavras [et hadevarai] no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Devarim/ Deuteronômio 11:18-20) Primeiramente, é preciso compreender a que “palavras” o texto está se referindo. Para isso, voltemos um pouco no contexto. Lembremos que Moshe (Moisés) está recontando a trajetória do povo de Israel. Ele narra uma série de dados sobre a viagem de Israel, e faz uma série de recomendações, mas uma delas nos chama a atenção: “Naquele mesmo tempo me disse YHWH: Alisa duas tábuas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim ao monte, e faze-te uma arca de madeira; E naquelas tábuas escreverei as palavras que estavam nas primeiras tábuas, que quebraste, e as porás na arca. Assim, fiz uma arca de madeira de acácia, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão. Então escreveu nas tábuas, conforme à primeira escritura, os dez ditos [asseret hadevarim], que YHWH vos falara no dia da assembléia, no monte, do meio do fogo; e YHWH mas deu a mim; E virei-me, e desci do monte, e pus as tábuas na arca que fizera; e ali estão, como YHWH me ordenou.” (Devarim/Deuteronômio 10:1-5) " É possível perceber que o contexto é muito semelhante ao de Devarim/ Deuteronômio 6, e que portanto essas “palavras”, a exemplo do que ocorre no primeiro, refere-se aos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”). " Aqui temos um claro indicativo de alegoria no primeiro passuk (versículo), que fala sobre colocar as palavras na alma, no coração, na mão e entre os olhos. O termo aqui traduzido como “alma” refere-se à vida. O coração era o centro dos pensamentos, na cultura israelita. A mão indicava as ações. E os olhos indicavam o objetivo avistado, pois na cultura israelita os olhos serviam para enxergar o caminho. Sendo assim, a Torá deveria estar no dia-adia, no pensamento, nas ações e nos objetivos de todo israelita. " Logo depois, todavia, a Torá começa a falar de forma mais literal, ao dizer, por exemplo, que aquelas palavras deveriam ser ensinadas aos filhos. Mais uma vez, o contexto puro e simples da passagem torna difícil determinar se a orientação de escrever as palavras é alegórica ou literal. III - Outros Exemplos na Bíblia " Como podemos fazer para compreender se a passagem é alegórica ou literal? A resposta é bastante simples: Temos que nos fazer três perguntas básicas. 1) Existe algum exemplo de simbologia que possa ser analisado? 2) Existe algum exemplo de uso literal semelhante? 3) Caso a mitsvá (mandamento) seja literal, existe um objetivo claro? " A própria Bíblia interpreta a Bíblia. As respostas a essas perguntas nos definirão se a mezuzá é alegórica ou literal. III.1 Existem exemplos de uso simbólico? " O termo “mezuzá” (ou derivativo) aparece dezenove vezes no Tanach (Primeiro Testamento.) Praticamente todas as instâncias em que aparece são literais. Por razões de brevidade, apresentaremos apenas a lista de pʼssukim (versículos): Ex. 12:7,22,23, 21:6; Jz. 16:3; 1 Sm. 1:9; 1 Re. 6:31, 6:33, 7:5; Is. 57:8; Ez. 41:21, 43:8, 45:19, 46:2. " Em uma passagem apenas, o termo aparece de forma alegórica, em Mishlei/Provérbios 8:34, em que a sabedoria personificada descrita pro Shlomo (Salomão) diz: “Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras [mezuzot] da minha entrada. Porque o que me achar, achará a vida, e alcançará o favor de YHWH.” (Mishlei/Provérbios 8:34-35) " Qual o sentido aqui observado? Que bendito é o homem que busca a sabedoria incessantemente. O “esperar às portas” nos remete à imagem de uma pessoa esperando ansiosamente para que a outra saia de casa, de modo a encontrá-la logo. Porém, repare que mesmo dentro da alegoria, o sentido dado à palavra “mezuzá” (umbral) é literal. A palavra é usada para construir a imagem de alguém esperando à porta, e não para simbolizar algo que não seja propriamente um umbral. " Ou seja, não temos nenhum uso puramente simbólico do termo “mezuzá” nas Escrituras. III.2 Existem exemplos de uso literal semelhante? " Por outro lado, a resposta é afirmativa para o outro caso. Temos um exemplo de uso literal do termo mezuzá (umbral) para fins rituais. Vejamos o relato abaixo: “E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras [mezuzot], e na verga da porta, nas casas em que o comerem... Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras [mezuzot], do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque YHWH passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras [mezuzot], YHWH passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.” (Shemot/Êxodo 12:7,22-23) " A instrução supracitada era literal. Após sacrificarem o cordeiro, na ocasião da saída do Egito, o povo deveria passar o sangue do cordeiro sobre os umbrais (mezuzot) das suas casas, a fim de que Elohim os poupasse, quando da ocasião das pragas do Egito. " Ou seja, temos um precedente bíblico de uma instrução literal acerca dos umbrais das portas. III.3 Existiria um propósito para uma mitsvá (mandamento) literal? " O fato de termos na Torá um uso ritualístico literal, e não termos nas Escrituras nenhum uso simbólico já seriam praticamente razão suficiente para entendermos essa mitsvá (mandamento) como sendo literal. Todavia, é possível ir além e buscar confirmação no propósito da mitsvá (mandamento). " Por que o Eterno iria pedir aos israelitas que escrevessem os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais das portas? " Para entendermos isso, é preciso dar um passo anterior e compreender qual foi o propósito do Eterno ao destacar os Asseret HaDibrot, dando-os na forma das chamadas tábuas da lei. " Lembremos que o povo nos tempos primitivos não tinham acesso fácil às Escrituras. Rolos de escritura eram caríssimos, feitos de pele de animais, e copiados à mão num processo que poderia levar anos. Para se ter uma idéia, nos dias de hoje, um bom rolo de Torá custa o preço de um carro popular. E isso considerando-se todas as facilidades do mundo moderno para obtenção da matéria prima. Imagine, portanto, como seria naquela época. " Portanto, o povo não tinha acesso fácil aos ensinamentos da Torá. Na realidade, o povo ouvia as palavras da Torá somente uma vez a cada sete anos (!), quando da ocasião da festa de Sukot (Tabernáculos): “E ordenou-lhes Moshe, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na festa dos Sukot, quando todo o Israel vier a comparecer perante YHWH teu Elohim, no lugar que ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos. Ajunta o povo, os homens e as mulheres, os meninos e os estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam e aprendam e temam a YHWH vosso Elohim, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta Torá.” (Devarim/Deuteronômio 31:10-12) " Qual era, portanto, a função dos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”)? Eles funcionavam como uma espécie de resumo, ou compêndio, dos principais aspectos da Torá. Eles ajudariam o povo a viverem de acordo com a vontade de Elohim no seu dia-a-dia, bem como a compreenderem o propósito da Torá quando a ouvissem ao final de cada sete anos. " E se o povo não tinha acesso às Escrituras, faz sentido que escrevessem esse compêndio da Torá nos umbrais das portas, talhando-as na madeira ou na pedra, ou talvez fazendo selos de argila, como era costume na região da mesopotâmia. Essas palavras eram a única forma de contato mais direto das pessoas com as Escrituras! Portanto, além da confirmação contextual das Escrituras, trata-se de algo que tem um propósito bastante importante. " Mesmo para nós, que temos acesso fácil às Escrituras, o propósito da Torá permanece, uma vez que todos aqueles que passarem por nossas portas irão tomar contato com o testemunho e a mensagem da Palavra de Elohim. Além disso, todas as vezes que entramos ou saímos de nossos lares, lá estão as palavras do Altíssimo nos lembrando de como deve ser a nossa conduta. " O propósito, portanto, é semelhante ao da recitação do Shemá (vide artigo sobre o Shemá original), que era outra forma do povo memorizar o cerne da vontade de Elohim para nossa conduta. " Infelizmente, esse propósito do escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais (mezuzot) se perdeu quando a mitsvá (mandamento) foi reduzida à confecção de um amuleto, conforme veremos mais adiante. IV - Mudanças no Mandamento " Os próprios pʼrushim (fariseus) admitem que a mitsvá (mandamento bíblico) em dado momento sofreu modificações. Já vimos, conforme dito anteriormente, que a modificação textual tem relação com o banimento da proclamação dos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”.) Houve também uma modificação na forma, conforme afirma o rabino Steven M. Glazer: ! "As escrituras nos recomendam… escrever estas palavras nos umbrais de nossas casas e sobre os nossos portões. Eu não tenho dúvidas de que nos tempos antigos esse era literalmente o local [onde escreviam] mas em algum ponto na antiguidade, desconhecido a nós, compartimentos passaram a ser amplamente usados, ao invés de escrever as palavras diretamente nos umbrais." (Rabino Steven M. Glazer, The Mezuza - Série em vídeo) " Porém, o que aconteceu que levou essa mitsvá (mandamento) a passar de escrita nos próprios umbrais (mezuzot) da porta, a transformar-se numa caixinha afixada no umbral, ou ocultada numa fresta do mesmo? De onde surgiu esse costume? V - O Costume Babilônio ! É importante compreender que os babilônios viviam assombrados pela idéia de perseguição constante de espíritos malignos (não muito diferente de algumas seitas modernas.) Sobre isso, o acadêmico James Hastings escreve: ! "Mas uma porta fechada não é suficiente para afastar fantasmas e demónios, uma vez que na Babilônia eles passavam por frestas, umbrais e soquetes… por isso o valor dos amuletos para prevenirem isso." (James Hastings, "Encyclopedia of Religion and Ethics.") ! Esta era a razão pela qual os babilônios estavam constantemente cercados por encantamentos e amuletos. O temor era grande de que, sem tais elementos, eles seriam destruídos por esses espíritos malignos, ou ofenderiam aos deuses de seu panteão. " Em nosso material sobre “tefilin” citamos um texto de E. A. Wallis Budge acerca do costume babilônio do uso de amuletos. Porém, propositadamente deixamos para citar a passagem completa neste material , uma vez que a continuação tem justamente relação com o tema aqui estudado. Abaixo, a citação completa, com o texto complementar, em negrito: "Os sumérios inventaram e desenvolveram um sistema de escrita, e as inscrições que eles gravaram em tábuas de argila e pedra sugerem que eles viviam vidas ansiosas e tinham um medo perpétuo do ataque do exército de espíritos hostis e malignos que não perdiam a oportunidade de lhes fazer o mal. Para se protegerem contra esses, empregavam encantamentos e magias e feitiços, e para destruir as operações do olho mal, eles usavam amuletos de diversos tipos. E para proteger suas casas, eles enterravam pequenas figuras de argila nas fundações, e as inseriam nas paredes." VI - Análise da Literatura Farisaica " Esse tipo de costume também foi herdado pelos israelitas na diáspora babilônia, e legitimado pelos pʼrushim (fariseus), conforme veremos a seguir: 1) Magia à Porta " Os pʼrushim (fariseus) adotaram dos babilônios esse hábito de colocar amuletos e realizar encantamentos à porta das casas. Podemos ver alguns exemplos disso abaixo, com alguns dos rituais recomendados pelo Talmud: "Para cegueira noturna, ele deve tomar um cordão feito de fio de cabelo branco e com ele amarrar uma de suas próprias pernas à perna de um cão, e crianças devem fazer barulhos com cacos de cerâmica atrás dele dizendo: 'Cão velho, galo estúpido.' Ele deve também tomar sete pedaços de carne crua de sete casas e colocá-los no umbral, e [deixar o cão] comê-los no cinzeiro da cidade. Depois disso, ele deve desamarrar a corda e dizer: 'Cegueira de A, filho da mulher B, deixe A, filho da mulher B,' e eles devem soprar no olho do cão." (b. Guitin 69a) "Para enxaqueca, deve-se tomar um pica-pau e cortar sua garganta com uma moeda branca de prata sobre o lugar da cabeça onde ele tem dor, cuidando para que o sangue não o cegue, e deve pendurar o pássaro no seu umbral para que possa esfregar-se nele quando entrar e quando sair." (b. Guitin 68b) 2) Surge um Amuleto " " Não demorou para que a mitsvá (mandamento) do Eterno para que as suas leis fossem escritas nas portas – de modo a que todos pudessem lê-las e meditar sobre elas – fosse transformado em um amuleto. Em nosso estudo sobre “tefilin” demonstramos que os pʼrushim tinham por hábito fazerem amuletos a partir de textos bíblicos, costume importado dos babilônios que tinham por hábito fazerem amuletos com encantamentos. Assim sendo, ao invés da escrita à porta supracitada, os pʼrushim (fariseus) transformaram a mitsvá (mandamento) numa fabricação de um amuleto encapsulado – ao estilo dos demais que eles produziam – e que deveria ser afixado ou ocultado em receptáculo à porta. Exatamente como faziam os babilônios. Não é surpresa que o mesmo hábito babilônio relatado acima é encontrado na literatura farisaica. O rabino Geoffrey W. Dennis, por exemplo, afirma: "O Talmud Bavli distingue entre amuletos escritos e amuletos populares… Muitos amuletos escritos eram enrolados e inseridos em tubos de metal, de forma paralela à maneira como uma mezuzá é protegida e exibida. Amuletos eram considerados uma parte regular da resposta médica à enfermidade e os sábios falam de experientes fazedores de kamea que tinham um histórico provado de fazerem amuletos eficazes. Eles também discutem os critérios para julgarem um bom amuleto médico (Shabat 61b; Yomá 84a.) Das amostras de amuletos da antiguidade que foram encontrados, os mais interessantes são bacias de demônios, vasos de artesanato pintados com encantamentos e enterrados sob o umbral de uma porta para aprisionar os espíritos das profundezas que tentassem entrar." (Rabino Geoffrey W. Dennis, "Encyclopedia Mythica: Amulet.") 3) Superstição sobre um Poder Sobrenatural " A exemplo dos babilônios, os pʼrushim (fariseus) também atribuíram ao seu amuleto uma superstição de poder sobrenatural, capaz de afastar agouros e espíritos malignos. Sobre isso, o rabino Michael Leo Samuel afirma: "Os antigos criam que um amuleto é supostamente investido de poder mágico que pode afastar contratempo, doença, ou ataques de seres malignos - quer demoníacos ou humanos. Um talismã é um objeto similarmente usado para aumentar as potencialidades e sortes de uma pessoa. Amuletos e talismãs são dois lados de uma mesma moeda. Os primeiros são feitos para repelir o mal; os últimos, para atrair bênção e prosperidade. Historicamente, a mezuzá combina ambas as características no folclore e literatura rabínica. Desde a antiguidade remota, nossos ancestrais criam na habilidade da mezuzá de proteger sobrenaturalmente um judeu não importando onde ele ou ela estivesse. A mezuzá combina ambos os aspectos de um amuleto e de um talismã, como mencionamos acima. Em uma conhecida passagem talmúdica [b. Shabat 32a], descobrimos que alguns dos sábios criam que a promessa bíblica de uma vida longa depende da observância da mezuzá." (Rabino Michael Leo Samuel, "Is the Mezuzah an Amulet?") Vemos evidências disso no próprio Talmud: "Nenhuma cidade contendo mesmo uma única mezuzá pode ser condenada… porque está escrito, [e destruirás os nomes deles - isto é, dos ídolos - ] mas não farás isso a YHWH teu Elohim." (b. Sanhedrin 71a) ! "Rabá disse, a performance apropriada do preceito é afixar [a mezuzá] na distância de uma mão mais próxima da cidade. Por que? - Os rabinos dizem, para que alguém possa encontrar um preceito imediatamente [quando retorna para casa]; R. Hanina de Sura diz, para que proteja toda a casa." (b. Menachot 33b) 4) Uso Portátil do Amuleto Rabínico " A “mezuzá farisaica” (chamemos assim para diferenciar da mitsvá/ mandamento bíblico) não era usada exclusivamente para as casas. Os pʼrushim (fariseus) também tinham por hábito colocá-la em cajados, para que os protegesse durante o caminho. Sobre isso, a Mishná diz: " "Um cajado que tenha um receptáculo para dinheiro, uma bengala de um pedinte que tenha um receptáculo para água, e uma vara que tenha um receptáculo para uma mezuzá e para pérolas são susceptíveis à imundícia." (m. Kelim 17:101) " O Tosfot Yom Tov, comentário rabínico da Mishná, ao elaborar acerca da passagem acima, confirma que a intenção dos pʼrushim ao colocar esse amuleto no cajado era de fato a proteção pessoal, a exemplo da proteção que o amuleto oferecia aos lares. " Até os dias de hoje, os pʼrushim (fariseus) mantêm essa prática. O rabino Eli J. Mansour afirma: "É permitido colocar uma mezuzá em uma corrente e usá-la? Algumas pessoas desejam usar uma mezuzá para proteção como um amuleto, ou para proteger do Ayin Hará (olho mau.) Isso é permitido? Chacham Ovadia Yoseph faz essa pergunta em Halichot Olam, Helek 8, página 216, e Rav. Moshe Feinstein também fez essa pergunta em Igrot Moshe, Y"D, Helek Bet, Siman 141. Ambos saíram dizendo que é permitido colocar uma mezuzá em uma corrente e usá-la. É claro, ela deve estar contida em um compartimento. Novamente, eles legislaram que era permitido." (Rabino Eli J. Mansour, “Mezuzah- Is It Permissible To Wear A Mezuzah or Put A Mezuzah In A Car”) 5) O Misticismo do Judaísmo Moderno " Até hoje, a mezuzá-amuleto farisaica é objeto de grande misticismo. Talvez até mais do que nos tempos antigos. " Com o passar do tempo, a tinta do pergaminho da mezuzá rabínica pode apagar, ou borrar, e por isso os pʼrushim (fariseus) têm por hábito verificá-la em determinados intervalos de tempo. Todavia, acredita-se que uma mezuzá que esteja com problemas no texto - e que portanto não esteja “kasher” - pode trazer infortuito até mesmo doenças sobre as pessoas que vivem na casa. " No Judaísmo Rabínico, considera-se, semelhantemente, que o ajuste da mezuzá pode restaurar o equilíbrio ou a saúde de uma casa. Sobre isso, Alexander Poltorak afirma: “Os tefilin e mezuzot, as propriedades mais preciosas do homem, podem ser afetadas por perturbações na alma do seu dono. Uma inspeção cuidadosa desses objetos, e a devida correção de quaisquer defeitos, se encontrados, pode curar a alma, restaurando o equilíbrio e prevenindo aflições adicionais à pessoa.” (Alexander Poltorak, “Mezuzah: a Reflection of the Soul”) 6) Invocações no Pergaminho """"""""""A mezuzá ashkenazi moderna também traz uma invocação cabalista nas costas do pergaminho. Nela, conforme pode ser visto ao lado, encontramos escrita de cabeça para baixo a expressão Kuzu Bmuksz Kuzu” (“ (”כוזו במוכסז כוזו " Essa invocação cabalista é uma permutação de letras feita sobre o Nome do Eterno, baseada nos segredos místicos da Maʼasseh Merkavah (vide nosso artigo sobre Cabalá.) " Sobre ela, o rabino Moshe Idel afirma: ! “Em muitos manuscritos encontramos uma passagem que contém um pentagrama, e ao lado dele está escirto: Esta é a Maʼassei Merkavah Kuzu Bmuksz Kuzu, e sob essas letras está escrito: YHVH ELHYNU YHVH.” (Moshe Idel, “Language, Torah and Hermeneutics in Abraham Abulafia”) " Ou seja, trata-se de uma invocação mística diabólica, para dizer o mínimo. Alexander Poltorak afirma ainda que essa invocação é realizada para proteger contra demônios, e tem conexão com a astrologia: ! “Podemos sugerir que o fato das letras KUZU BMUKSZ KUZU estão escritas de cabeça para baixo pode ser interpretado como uma maneira de defletir influências malignas, espantando os maus tempos - como se mudasse a corrente. Assim pode-se dizer que a mezuzá cumpre o papel de ʻescudoʼ astrológico.” (Alexander Poltorak, “Mezuzah and Astrology”) " Mais uma vez, percebemos que para os pʼrushim (fariseus) de nada adiantou a proibição do Tanach (Primeiro Testamento) contra magia, encantamentos, e envolvimento com astrologia. 7) A Versão Rabínica não era Unanimidade " Essa versão-amuleto da mitsvá (mandamento) da mezuzá feita pelos pʼrushim (fariseus) não era unanimidade nos tempos antigos. O próprio Talmud afirma que ela não era utilizada em todas as sinagogas: ! "Se é assim, no caso de uma sinagoga e beit hamidrash onde também não há mezuzá, não damos prioridade? O que dizes deve ser, numa passagem de porta que é adequada para uma mezuzá." (b. Berachot 47a) " Certamente que a razão do Talmud afirmar tal coisa está no fato de que a mitsvá (mandamento) era interpretada de forma diferente por outros grupos. De fato, nem mesmo o Beit HaMikdash (Templo) possuía mezuzot rabínicas, exceto nas alas frequentadas pelos próprios pʼrushim (fariseus), conforme atesta o Talmud: "Nossos rabinos ensinavam: Todas as câmaras no Santuário não tinham mezuzá, com a exceção da câmara dos conselheiros, pois nela era a residência do sumo sacerdote. Acaso não havia um número de câmaras no Santuário que tinham compartimento para residência e não tinham mezuzá?" (b. Yomá 10a) VII - A Mitsvá e Outros Grupos Israelitas " Sempre é importante compreender que não se deve reinventar a roda. Tudo o que é feito precisa encontrar respaldo histórico. Se, conforme concluímos através da leitura, a prática bíblica era a de se escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais das portas, então algum resquício dessa prática deve ser encontrado - quer preservado na prática de algum grupo israelita atual, quer através de evidências e achados arquelógicos. " E a resposta é afirmativa: Temos sim evidências disso. Começaremos com os grupos atuais, e em seguida falaremos acerca dos grupos históricos 1) Os Samaritanos " Os samaritanos preservaram essa prática, e até hoje a chamada “mezuzá samaritana” pode ser vista nos seus lares em Israel. Sobre essa prática, o acadêmico judeu Dr. Alexander Poltorak afirma: ! "Os samaritanos, que não aceitam a tradição oral, não requerem que uma mezuzá seja afixada ao umbral. Às vezes eles afixam uma pedra com os Dez Mandamentos ou Dez Ditos… sobre a verga da entrada principal de sua casa, ou a colocam próxima às entradas." (Dr. Alexander Poltorak, "A Light unto My Path -- A Mezuzah Anthology) " " A prática samaritana pode ser vista na foto ao lado. Os escritos são postos na parte superior dos umbrais da casa. " Todavia, o fato único dos samaritanos adotarem tal prática não nos é suficiente em termos de comprovação. Mas, as confirmações não param por aí. 2) Os Caraítas " Os caraítas são divididos no quesito da mezuzá. Alguns acreditam que, como o texto sobre tefilin é claramente alegórico e simbólico, então a mezuzá também deve ser. Vimos que essa leitura não procede, dada a ausência de uso do termo “mezuzá” de forma simbólica nas Escrituras, e dada o uso anterior da mezuzá (umbral) para o rito do cordeiro do Pessach. " Alguns grupos caraítas, especialmente no Oriente Médio, todavia, também compreendem a mitsvá (mandamento) como sendo literal, e também afixam os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais. " Sobre esse hábito, o historiador Mikhail Kizilov escreve: ! "Os recém-modernos caraítas da Criméia e da Lituânia do século dezenove não seguiam a mitsvá de afixarem a mezuzá em absoluto. No Leste próximo, os caraítas locais afixavam em seus umbrais uma versão breve dos Dez Mandamentos." (Mikhail Kizilov, "The Karaites of Galicia: An Ethoreligious Minority among the Ashkenazim") ! Uma obra que relata a etnografia da região do Oriente Médio também observou o costume caraíta. Embora tenha-o classificado como “forma modificada”, tendo em vista o costume judaico tradicional. O importante, para nós, é a confirmação da prática: "Em Israel, contudo, os caraítas desenvolveram uma forma modificada (sic) de mezuzá na forma dos Dez Mandamentos." (Encyclopaedic Ethnography of Middle- East and Central Asia: A-I, Volume 1) Ao lado, uma imagem ilustra o exemplo da mezuzá caraí ta, de uma sinagoga em Yerushalayim (Jerusalém), extraída da obra “Jewish History and You”, de Sol Scharfstein. 3) Na Antiguidade: Os Judeus de Alexandria " Os judeus de Alexandria também mantiveram a prática de inscrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais de suas casas. Para eles, a prática de anexar um amuleto com pergaminho ao umbral também era desconhecida. Podemos ver isso pelo testemunho de Filon: " “Isto deve ser suficiente de dizer, sendo de fato tudo o que sou capaz de avançar, acerca das leis que sustentam no apetite e desejo para suprirem todo o corpo dos Dez Mandamentos, e das injunções subordinadas neles contidas... Além disso, ele ordena que aqueles que escreveram tais coisas devem posteriormente afixá-las a cada casa pertencente a um amigo, e aos portões que estão dentro de suas muralhas; para que todo o povo, quer entrando ou saindo, quer cidadãos ou estrangeiros, lendo a escritura assim afixada nos pilares perante os portões, possa ter uma incessante lembrança de tudo o que deve ser dito, ou que deve ser feito; e que cada um deve cuidar para que não cometa nem sofra injúria; e que todas as pessoas, quer adentrando suas casas ou delas saindo, homens e mulheres, crianças e servos, possam fazer tudo o que apropriado e adequado uns para com os outros, e a si próprios." (Filon, As Leis Especiais 4:25:132-4:26:142) " O texto inicial (antes dos três pontos) é apenas para ilustrar o contexto do que Filon estava dizendo. Exatamente como nós concluímos, Filon afirma que os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) eram uma espécie de compêndio da Torá, e que o restante da Torá dependia diretamente dessas categorias estabelecidas. " Pela narrativa de Filon, fica claro não apenas que o conteúdo eram os Asseret HaDibrot, como também é possível perceber que o objetivo da mitsvá (mandamento) era que as leis fossem lidas por aqueles que se achegassem ao local. Tanto que Filon afirma que elas seriam uma lembrança de “tudo o que deve ser dito” e de “tudo o que deve ser feito.” Algo que pressupõe um conteúdo de leis (o que diverge da prática farisaica) - e que o contexto deixa claro serem os Asseret HaDibrot. E algo que pressupõe que as pessoas fosse capazes de ler. " Podemos, portanto, concluir - como de fato concluem os acadêmicos que avaliam o texto de Filon - que os judeus de Alexandria observavam a mitsvá (mandamento) exatamente como uma leitura simples e objetiva da Torá indica. 4) Na Antiguidade: Os Israelitas da Diáspora " Nem todos sabem, mas existem indícios de presença israelita no continente americano, muito anterior à sua “descoberta oficial.” Tal fato, que era conhecido por judeus desde tempos bastante remotos, é parte da profecia de que Israel seria disperso pelos quatro cantos do mundo. " Menos conhecido ainda é o fato de que alguns remanescentes arqueológicos se encontram nas Américas. Um dos mais importantes deles é a chamada pedra de Los Lunas. Ao lado, uma imagem da pedra de Los Lunas, no México. " Escrita em paleohebraico, a pedra de Los Lunas contém justamente os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) escritos de forma ligeiramente abreviada. " Estudada por um acadêmico de culturas e línguas antigas, o judeu Cyrus Herzl Gordon, a conclusão é de que se tratava de uma mezuzá. Sobre isso, William Marder escreve: " "Em 1995 Cyrus Gordon propôs que o decálogo de los Lunas é, na realidade, uma mezuzá samaritana. (sic) A mezuzá judaica familiar é um pequeno pergaminho que é colocado em um pequeno compartimento montado na entrada de uma casa. A antiga mezuzá samaritana, por sua vez, era commumente uma grande placa de pedra colocada próxima à entrada de uma propriedade ou sinagoga, e contendo uma versão resumida do Decálogo… ! Em novembro de 1860, David Wyrick de Newark, Ohio, encontrou o Decálogo de Newark/Ohio inscrito numa pedra num túmulo adjacente à antiga fortificação de Hopewell. A pedra, inscrita em todos os lados, com uma versão condensada dos Dez Mandamentos em uma forma peculiar de letras hebraicas quadradas, pós-exílio… Cyrus Gordon cria que a pedra do Decálogo de Newark era uma mezuzá samaritana como a pedra do Decálogo de Los Lunas." (William Marder, "Indians in the Americas: the Untold Story") " O texto também menciona uma outra pedra, encontrada em Newark, que também contém o Decálogo (em forma ainda mais reduzida). Ao lado, uma imagem de um fragmento da pedra de Newark. ! ! A conclusão de Gordon baseava-se no hábito samaritano de que falamos anteriormente. Todavia, Gordon cometeu um importante equívoco ao concluir que essa mezuzá era de origem samaritana. " O fato é que os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) na Torá Samaritana sofreram uma alteração importante. Para justificar que o cerne de sua fé seria o monte Guerizim, ao invés do monte Tsiyon (Sião), os samaritanos unificaram dois dos dez ditos, e incluíram nos Asseret HaDibrot a instrução de adorar a Elohim no monte Guerizim. " Fosse essa uma mezuzá de origem samaritana, essa recomendação ao monte Guerizim estaria presente, indubitavelmente. Seria inconcebível uma mezuzá samaritana não conter esse trecho. Todavia, a pedra de Los Lunas não traz tal referência. Em outras palavras, essa é uma mezuzá de origem israelita, porém de outro grupo, que não os samaritanos. " Abaixo, uma tradução do texto da pedra de Los Lunas: "Eu sou YHWH tue Elohim que te tirou da terra do Egito, da casa da escravidão. Não deverá haver outros deuses perante a minha face. Não farás nenhum ídolo. Não tomarás o nome de YHWH em vão. Lembra-te do Shabat e o santifica. Honra teu pai e tua mãe para se prolonguem os teus dias na terra que YHWH teu Elohim te deu. Não assassinarás. Não adulterarás. Não roubarás. Não darás falso testemunho contra teu próximo. Não desejarás a esposa de teu próximo nem nada do que é dele." (Decálogo de Los Lunas) " A abreviação do texto é perfeitamente compreensível, visto que talhar algo em pedra não é tão trivial quanto escrever a tinta. É provável que nos tempos antigos, os israelitas de um modo geral fizessem uso desse recurso. " Como se pode ver, a mitsvá (mandamento) conforme a leitura simples da Torá especifica era prática amplamente difundida em Israel, antes da normatização rabínica sobre a prática farisaica, muitos séculos depois. Até hoje, grupos que não seguem a tradição rabínica a praticam da forma bíblica. VIII - Tefilin x Mezuzá: Resumo " No artigo sobre tefilin, demonstramos como a suposta mitsvá (mandamento) acerca de tefilin nada mais era do que um texto figurativo da Torá, tirado de seu contexto, e usado para justificar a criação de um amuleto. " Neste artigo, demonstramos a diferença entre o tefilin e a mezuzá nesse particular. Deixamos clara a razão pela qual o texto que supostamente se referiria ao tefilin na realidade é simbólico, e o porquê no caso da mezuzá é diferente. " Todavia, como os argumentos estão distribuídos ao longo de várias páginas, para facilitar a vida do leitor, abaixo apresentamos um resumo dos principais pontos. É preciso que já se tenha lido o material sobre tefilin para compreender o quadro abaixo: Mezuzá Tefilin Versículos usados para embasar a prática 2 (Dt. 6; Dt 11) 4 (Ex. 13 (2), Dt. 6, Dt. 11) Dos acima, quantos estão fora do contexto? Nenhum 2 (Ex. 13 (2)) Dos acima, quantos são claramente simbólicos? Nenhum 3 (Ex. 13 (2), Dt. 11) Uso simbólico das expressões no Tanach? Não Sim (Pr.1:8-9, 3:1-3, 7:2-3, etc.) Uso literal em outro contexto ritual? Sim (Ex. 12) Não Comprovadamente usado por grupos de origem não-farisaica? Sim (alguns caraítas, judeus de Alexandria, samaritanos, israelitas da diáspora) Não Possui propósito não-místico? Sim (servir de leitura) Não " Como podemos perceber, existe uma enorme diferença entre a prática do tefilin e a prática bíblica de escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais. " O detalhamento dos argumentos supracitados é encontrado ao longo tanto deste material, quanto do estudo sobre tefilin. O objetivo da tabela é ser apenas um breve resumo para auxiliar o leitor a ter uma visão global, e assim compreender o porquê em um caso a prática é literal, e no outro não. IX - Em que local? " Uma pergunta que o leitor certamente se fará é: Onde escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”). A Torá afirma que deve ser “al mezuzot beitecha uvisheareacha.” Ou seja, sobre os umbrais de tua casa e nos teus portões. """"""""""Dos dois grupos modernos que praticam o uso da mezuzá da forma bíblica, os samaritanos entendem “al mezuzot” como “acima dos umbrais”, ao invés de “sobre os umbrais.” E por isso a colocam sempre na parte de cima dos umbrais. Essa visão não é partilhada por aqueles dentre os caraítas que cumprem essa mitsvá (mandamento) literalmente. Esses últimos entendem que o termo “ על ” (al) indica “sobre” e não necessariamente “acima”, e afixam nas laterais, ao invés de no topo. " No hebraico, o termo pode ser entendido tanto de uma forma quanto de outra. Vejamos portanto um exemplo da Torá. " A Torá confirma que a leitura correta é a lateral, pois em Shemot (Êxodo) 12:7 há uma diferenciação entre mezuzot (umbrais) e o lintel (mashkof): ! “E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras (mezuzot), e na verga (mashkof) da porta, nas casas em que o comerem.” " Ou seja, as mezuzot são os umbrais laterais, e não o umbral do topo da porta. Isso faz sentido, porque a idéia é a de que sejamos capazes de ler os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) ao adentrarmos ou saírmos de um local. Se a Torá recomendasse que os escritos ficassem no topo, tornar-seiam ilegíveis em algumas circunstâncias. " Vimos historicamente diferentes formas de escrever. Alguns talhavam na pedra, outros na madeira, outros utilizavam argila. Enfim, não há uma especificação da Torá sobre a forma. O importante é que os Asseret HaDibrot sejam escritos em nossos umbrais. X - Definindo quais Umbrais " Existe ainda uma questão controversa acerca de que umbrais deve-se escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”). " Essa questão, nos tempos bíblicos, não era controversa. Sempre que a Torá falava em “mezuzot”, referia-se à entrada de uma casa. Como podemos ver no próprio contexto de Shemot (Êxodo) 12:22-23, que diz: “Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai a verga da porta e suas ombreiras com o sangue que estiver na bacia; nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã. Porque YHWH passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da entrada [petach] e em ambas as ombreiras, passará YHWH aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir.” " O texto acima trata as mezuzot especificamente como os umbrais da entrada de uma casa, e não como acesso a cômodos. Tanto que afirma que os israelitas não deveriam sair das portas de suas casas. O sangue do cordeiro era posto sobre os umbrais da entrada da casa, e não em cada cômodo. Tanto que a Torá utiliza o termo “petach”, que embora seja traduzido como “porta” em algumas bíblias, na realidade significa literalmente “entrada.” Ou seja, isso só reforça a idéia da entrada da casa. " Analogamente, quando a Torá diz “al mezuzot beitecha” (sobre os umbrais de vossa casa) podemos concluir que essa mitsvá (mandamento) de fato se refere à entrada (ou às entradas) de uma casa, e não a cômodos internos. Até porque, nas casas e tendas primitivas, não havia o grau de complexidade de divisão de cômodos, com batentes, umbrais e portas, tal como se tem hoje. As mezuzot (umbrais) eram, de fato, a própria entrada (ou, em alguns casos, as entradas) das casas. " Em todos os casos em que o termo “mezuzá” (ou derivativos) aparece no Tanach (Primeiro Testamento), o contexto indica a entrada de uma casa. E em um lugar, “mezuzá” chega a ser usado como sinônimo para a entrada da casa: “Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome santo, nem eles nem os seus reis, com as suas prostituições e com o cadáver dos seus reis, nos seus monumentos, pondo o seu limiar junto ao meu limiar e a sua ombreira [mezuzá], junto à minha ombreira [mezuzá], e havendo uma parede entre mim e eles. Contaminaram o meu santo nome com as suas abominações que faziam; por isso, eu os consumi na minha ira.” (Yehezkel/Ezequiel 43:7-8) " Portanto, podemos concluir pelo próprio Tanach (Primeiro Testamento), que na linguagem do hebraico antigo, “mezuzá” se referia contextualmente não a qualquer umbral, mas sim aos umbrais (ou ombreiras) das entradas das casas. Isso confirma o nosso entendimento sobre a mitsvá (mandamento) ser aplicável à entrada (ou entradas) de nossas casas. " Mas, existe alguma confirmação desse entendimento na literatura judaica? A resposta é afirmativa. " O Talmud confirma que a tese de que a mitsvá (mandamento) fosse extensiva a cada cômodo é rabínica. Nos tempos antigos, os rabinos não compreendiam que todos os aposentos requeriam “mezuzot”: " "Todos os portões [a ala leste] não tinham mezuzá, com exceção do portão de Nicanor, na qual a câmara dos conselheiros era situada. Aparentemente este ensinamento está de acordo com os rabinos e não com R. Judá. Pois se fosse pela opinião do R. Judá [certamente] ele mantém que [a mezuzá em cada aposento] propriamente dita é apenas uma ordem rabínica, devemos dar ordens de medidas preventivas para guardar outra medida preventiva?" (b. Yomá 11a) XI - Casas e Portões" " O texto se encerra dizendo “uvishearecha” (e nos teus portões.) Por que a Torá diz isso? O entendimento é unânime entre todos os que crêem que essa mitsvá (mandamento) seja literal: os portões referem-se a toda e qualquer construção que não seja uma casa. " Em outras palavras, se algum israelita tiver outro estabelecimento que não seja uma casa, deve também colocar as palavras dos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) nos umbrais desse local. Isso é válido para congregações, sinagogas, estabelecimentos comerciais, etc. " Mais uma vez, a exemplo do que ocorre nas casas, não é necessário que se faça tal coisa em cada cômodo, mas sim nos umbrais das portas de acesso. XII - Uma Lição Importante " Poucos se dão conta da importante lição que Yeshua nos deixa acerca dessa passagem do Shemá e dos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/ “Mandamentos”). " Compare as duas passagens abaixo: “Amarás, pois, a YHWH teu Elohim de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.” (Devarim/Deuteronômio 6:5) “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças...” (Marcus 12:30) " Por que Yeshua acrescenta a expressão “de todo o teu entendimento”? Será que Yeshua estaria fazendo um acréscimo à Torá? " Na realidade não, mas Yeshua estava enfatizando uma lição preciosíssima. Quando a Torá fala “de todo o coração”, é preciso lembrarmos que no jargão israelita, a expressão “coração” não representava apenas o centro das emoções, mas também de nossos pensamentos. " Sendo assim, quando a Torá afirma “de todo o teu coração”, isso já incluiria o “de todo o teu entendimento.” " Todavia, na época, os pʼrushim (fariseus) já levavam o povo a muitos ritos que eram realizados de forma mecânica, e sem que houvesse ênfase na compreensão da mitsvá (mandamento.) " Ou seja, não basta recitar o Shemá, ou escrever as mitsvot (mandamentos) nos umbrais. Yeshua está nos ensinando que é muito importante que tenhamos a total compreensão do que estamos fazendo. Ou seja, a frase de Yeshua enfatiza um ponto da Torá que ficou esquecido. " De todo o coração indica que nossos pensamentos e emoções devem ser governados pelas palavras da Torá. De toda a nossa alma não é a melhor tradução, pois “nefesh” tem o sentido de “vida” no hebraico bíblico. Sendo assim, devemos também entender que a Torá precisa estar no centro das nossas vidas, em termos de prática e de importância. E de toda a tua força significa que devemos nos esforçar ao máximo para andarmos segundo a vontade dEle. " Como se pode ver, o entendimento é parte fundamental da mitsvá (mandamento). Por esta razão, é importante que, ao cumprir essa mitsvá (mandamento), os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”), enquanto compêndio da Torá, sejam escritos em língua que a pessoa seja capaz de ler e compreender. Caso contrário, corremos o risco de cairmos no erro parush (farisaico) de mudar o propósito da Torá, criando outro amuleto. Ou seja, se o leitor deseja escrever em hebraico, por razão de identidade, não há nenhum problema. Desde que seja capaz de ler o conteúdo. Essa é a recomendação que se faz, baseada no entendimento do propósito da mitsvá (mandamento), e da lição deixada por Yeshua. " O hebraico, e a nossa identidade israelita, são muito importantes, e não devemos menosprezá-los jamais. Todavia, é preciso saber o limite e o grau adequado de importância que se dá a cada elemento da fé. E isso inclui saber que a total compreensão está acima de qualquer coisa. Já que a fé vem pelo ouvir, a compreensão é a base de tudo. XII - Conclusão " Abaixo, apresentamos um resumo dos principais pontos aqui abordados: ✓ Originalmente, a mitsvá (mandamento) da mezuzá se referia aos Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) ✓ Originalmente, a mitsvá (mandamento) se referia a ter um texto visível, que pudesse ser lido. Isto é, há um propósito claro e não-místico para a mitsvá (mandamento.) ✓ A mitsvá (mandamento) é claramente literal, diferentemente das passagens que alguns supõem se referirem ao amuleto do tefilin. ✓ Diversos grupos, tanto históricos quanto atuais, a praticavam e a praticam da forma original. ✓ Os pʼrushim (fariseus) transformaram esta mitsvá (mandamento) num amuleto. ✓ Desde os tempos antigos, e até hoje, os pʼrushim (fariseus) atribuem poderes mágicos à sua mezuzá/amuleto. ✓ A mezuzá tradicional não é adequada porque, além de não conter o texto certo, não é visível, é baseada em um amuleto babilônio, e na maioria das vezes contém no seu verso invocações cabalistas estranhas à fé bíblica. ✓ Originalmente, a mitsvá (mandamento) se referia aos umbrais de acesso à casa. A idéia de estender a cada cômodo é acréscimo rabínico. ✓ Além de nossos lares, devemos também escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”) em outros estabelecimentos. XIII - Recomendações Finais ! Se alguém deseja auxílio para cumprir esta mitsvá (mandamento), siga as quatro recomendações básicas abaixo. 1. Utilize uma das versões abaixo, da sua preferência, de acordo com o espaço que tiver. 2. Se você é capaz de ler hebraico (moderno ou paleo-hebraico), fique à vontade para imprimí-la na língua sagrada. Lembre-se, contudo, que o entendimento da mensagem é parte da mitsvá (mandamento), conforme instrução do próprio Mashiach. 3. Utilize o material que desejar para escrever os Asseret HaDibrot (Dez Ditos/“Mandamentos”), pois o importante é a mensagem, e não o material. 4. Mantenha os Asseret HaDibrot em local visível. Eles servirão de testemunho não apenas para você, mas para todos os que baterem à sua porta. " XIV - Adendo: Textos para as Mezuzot (Umbrais) " Escolha um dos abaixo, conforme sua preferência. Todos servem para cumprir a mitsvá (mandamento), sendo a primeira a versão mais longa, a segunda uma versão média, e a terceira e última uma versão abreviada. " O nome do Eterno aparece escrito com a fonte PaleoBora, para que possa ser escrito na sua forma original. Nos tempos antigos, mesmo em textos traduzidos (como nas primeiras cópias da Septuaginta), os israelitas mantinham o Nome do Eterno na sua forma original, de maneira a honrá-Lo. " Quem tiver alguma dificuldade de visualização deve buscar auxílio para instalar a fonte em questão. 1) Versão Extensa Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos, para que os aprendais e cuideis em os cumprirdes; Eu sou hwhy teu Elohim que te tirei do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim; Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu, hwhy teu Elohim, sou Elohim zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos; Não tomarás o Nome de hwhy teu Elohim em vão, porque hwhy não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão; Guarda o dia de Shabat, para o santificar, como te ordenou hwhy teu Elohim. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o Shabat de hwhy teu Elohim; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que hwhy teu Elohim te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que hwhy teu Elohim te ordenou que guardasses o dia de Shabat; Honra a teu pai e a tua mãe, como hwhy teu Elohim te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que hwhy teu Elohim te dá; Não assassinarás; Não adulterarás; Não furtarás; Não dirás falsidade contra o teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. Estas palavras falou hwhy a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz, e nada acrescentou. Tendoas escrito em duas tábuas de pedra, deu-mas a mim. Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou hwhy teu Elohim se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir; para que temas a hwhy teu Elohim, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados; Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te disse hwhy Elohim de teus pais; Ouve, Israel, hwhy nosso Elohim, hwhy é um; Amarás, pois, hwhy teu Elohim, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas. 2) Versão Média Eu sou hwhy teu Elohim que te tirei do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim; Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu, hwhy teu Elohim, sou Elohim zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos; Não tomarás o Nome de hwhy teu Elohim em vão, porque hwhy não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão; Guarda o dia de Shabat, para o santificar, como te ordenou hwhy teu Elohim. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o Shabat de hwhy teu Elohim; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que hwhy teu Elohim te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que hwhy teu Elohim te ordenou que guardasses o dia de Shabat; Honra a teu pai e a tua mãe, como hwhy teu Elohim te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que hwhy teu Elohim te dá; Não assassinarás; Não adulterarás; Não furtarás; Não dirás falsidade contra o teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. 3) Versão Curta "Eu sou hwhy teu Elohim que te tirou da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás nenhum ídolo. Não tomarás o nome de hwhy em vão. Lembra-te do Shabat e o santifica. Honra teu pai e tua mãe para se prolonguem os teus dias na terra que hwhy teu Elohim te deu. Não assassinarás. Não adulterarás. Não roubarás. Não darás falso testemunho contra teu próximo. Não desejarás a esposa de teu próximo nem nada do que é dele. Ouve, Israel, hwhy nosso Elohim, hwhy é um; Amarás, pois, hwhy teu Elohim, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força." 4) Adendo Opcional com as Palavras de Yeshua: " Se alguém desejar, pode acrescer a uma das versões supracitadas as palavras de Yeshua, quer após o texto integral, ou em substituição ao parágrafo de início semelhante (ie. “Ouve, Israel...”) Abaixo, seguem as palavras de Yeshua, extraídas de Marcus 12:29-30, com o Nome de YHWH em sua forma original: E disse Yeshua: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, hwhy nosso Elohim, hwhy é um; Amarás, pois, a hwhy teu Elohim de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças.

O que é Iniquidade - Anomia? O fardo dos fariseus era a “Lei de Elohim”!?

O Eterno sabia _ através da Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência _ que o inimigo de nossas almas se utilizaria de grupos que viriam ap...