domingo, 24 de setembro de 2017

Yeshua é YHWH

Yeshua é YHWH Introdução Muitas pessoas aceitam que Yeshua é o Messias, contudo negam a sua divindade. Este artigo visa listar um grande número de provas de que Yeshua é o Eterno manifesto em carne. Muitos dos atributos usados pela B’ rit Chadashá (Novo Testamento) para descrever Yeshua aplicam-se somente a YHWH. Vejamos alguns deles: 1 – Unidade com YHWH “ Eu e o Pai somos UM” (Yochanan 10:30 Jamais qualquer criatura pôde fazer tamanha alegação: ser UM com o Eterno! 2 – Ihieh-Asher-Ihieh “ Respondeu-lhes Yeshua: Amen, Amen, eu vos digo que antes que Avraham existisse, EU SOU.” Esta passagem, Yeshua usa a expressam “ Ena Na” no Aramaico, que é equivalente à “ Ihieh” no Hebraico, numa alusão ao nome com o qual o Eterno se revela a Moshe: Ihieh-Asher-Ihieh (Eu sou/serei o que sou/serei) Posteriormente, na mesma passagem, Yeshua é quase apedrejado porque os seus ouvintes entenderam que Ele estava se declarando como sendo YHWH manifesto em carne. 3 – Glória e Pré-Existência “ Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que Eu tinha contigo antes que o mundo existisse.” Somente YHWH é digno de glória. Somente YHWH existia antes da criação. 4 - Onipresença “ Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Poderia qualquer criatura estar em qualquer lugar onde estivessem os homens? Somente YHWH é onipresente! 5 – Digno de Confiança “ … Maldito o homem que confia no homem… ” (Yermiyahu 17:5) “ Não se turbe o vosso coração; credes em Elohim, crede também em mim.” (Yochanan 14:1) Aqui, neste contexto, o ‘ crer’ é usado como sinônimo de ‘ confiar’ . Como poderíamos confiar em um homem se este homem não fosse uma manifestação do Eterno? 6 – Autor da Vida “ Pois, assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem Ele quiser.” (Yochanan 5:21) “ e matastes o Autor da vida, a quem Elohim ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” (Atos 3:15) Só há UM que pode dar a vida: o Eterno nosso Criador. Se Yeshua é capaz de dar vida, então Ele só pode ser uma manifestação do Eterno. 7 - Juiz “ Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento” (Yochanan 5:22) Somente YHWH pode julgar. É YHWH quem julgará a humanidade no fim dos dias. Portanto, se é o Filho que julgará, então o Filho é uma manifestação do Eterno. 8 – Quem Pode Perdoar Pecados? “ E Yeshua, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados.” (Yochanan 2:5) Somente YHWH tem o poder de perdoar pecados. 9 – Autoridade sobre Céus e Terra “ E, aproximando-se Yeshua, falou-lhes, dizendo: Assim como meu Pai me enviou Eu também vos envio. Foi-me dada toda a semichá [autoridade] no céu e na terra.” Somente YHWH tem autoridade sobre os céus e a terra. 10 – Quantos Elohim Podemos Ter? “ Não terás outro Elohim diante de mim.” (Shemot / Êxodo 20:3) “ aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da Shechiná do nosso grande Elohim e Salvador o Mashiach Yeshua.” (Tito 2:13) Não podemos ter outro Elohim. Se o Eterno é nosso Elohim, e Yeshua é nosso Elohim, então Yeshua é uma manifestação do Eterno. 11 - Onisciência “ e ferirei de morte a seus filhos, e todas as kehilot saberão que Eu [Yeshua – vide verso 27] sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras.” (Apocalipse 2:23) Somente o Eterno é onisciente, e portanto capaz de nos esquadrinhar. 12 – Tudo Sujeito a Ele “ Mas a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos um Salvador, o Senhor Yeshua HaMashiach, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas.” (Filipenses 3:21) Somente YHWH tem poder para sujeitar a si todas as coisas. 13 – Resplendor da Glória de YHWH “ sendo Ele o resplendor da Sua Shechiná e a expressa imagem do Seu Ser, e El-Shadai pelo poder da Sua palavra, e em Sua essência realizou a purificação dos nossos pecados, e assentou-se à direita da Majestade nas alturas” (Hebreus 1:3) Nenhuma criatura poderia ser o resplendor da Shechiná. Além disto, somente o Eterno pode se assentar no Trono dos Céus. 14 – Imutável e Eterno “ Yeshua HaMashiach é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hebreus 13:8) Somente YHWH é o mesmo ontem, hoje, e eternamente. 15 – Manifestação de YHWH “ porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade,” (Colossenses 2:9) Aqui fica claro que Yeshua é a manifestação em carne de YHWH. 16 – Pastor de Israel O Tanach (Primeiro Testamento) nos revela que YHWH é o Pastor de Israel “ Porque assim diz AD-NAI Elohim: Eis que eu, eu mesmo, procurarei as minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas. Livrá-las-ei de todos os lugares por onde foram espalhadas, no dia de nuvens e de escuridão.” (Ezekiel 34:11-12) Sabemos também que Yeshua declarou: “ Eu sou o bom pastor, o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (Yochanan 10:11) porque o Cordeiro que está no meio, diante do trono, os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida; e Elohim lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Apocalipse 7:17) 17 – Aceitando Adoração Sabemos também que somente YHWH é digno de adoração. Yeshua certamente sabia disto. Mesmo assim, vemos que Ele aceitou adoração. Portanto, só pode ter sido YHWH manifesto em carne: “ E entrando na casa, viram o menino com Miriyam sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.” (Matitiyahu 2:11) “ Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Elohim.” (Matitiyahu 14:33) “ E eis que Yeshua lhes veio ao encontro, dizendo: Shalom. E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés, e o adoraram.” (Matitiyahu 28:9) “ Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.” (Matitiyahu 28:17) Yeshua é YHWH?-Parte II Por Sha'ul Bentsion Yeshua e o Tetragrama Uma das evidências internas claríssimas do chamado “ Novo” Testamento acerca da divindade do Messias é o uso do tetragrama em conexão com o seu nome. O tetragrama “ Yud-Hey-Vav-Hey” (transliterado aqui como YHWH) é o Nome Sagrado do Eterno YHWH de Israel. Na Peshitta aramaica, encontramos referências tanto diretas quanto indiretas a Yeshua utilizando o Nome Sagrado. Aqui, nos ateremos a apenas às referências mais diretas. O Testemunho do Tanach Mas como encontramos essas referências ao tetragrama? Simples: a Peshitta possui, além do texto neotestamentário, uma tradução do Tanach (Primeiro Testamento) para o aramaico. O Tanach da Peshitta traz a expressão MarYah toda vez que o texto hebraico original traz o tetragrama. A expressão nunca é usada no Tanach da Peshitta para se referir a qualquer outra coisa que não seja o tetragrama, isto é, o Nome Sagrado do Eterno. No texto neotestamentário não é diferente. MarYah jamais aparece em conexão a outra coisa que não ao Eterno e a Yeshua HaMashiach. Inclusive, onde há citações diretas do Tanach, e no Tanach temos o tetragrama YHWH, no texto neotestamentário também aparece MarYah. Análise Lingüística do Termo ‘ MarYah’ Uma análise linguística de MarYah também aponta para o tetragrama, pois MarYah é uma palavra composta. Os dois radicais são "Mar" (mesma raíz de "Maran" -repare que onde temos "Senhor" porque a Peshitta traz "Maran" ou “ Marah” , a forma enfática) e “ Yah” . “ Mar” significa "Senhor" e Yah, é uma alusão ao nome de YHWH, como em “ Hallelu Yah” (Louvai a YHWH) ou “ EliYah” (YHWH é o meu Elohim), e assim por diante. Logo, MarYah significa literalmente “ S-nhor Yah", e desta forma faz alusão ao tetragrama. Existe um estudo excelente a respeito do tema, feito pelo aramaicista teólogo messiânico Andrew Gabriel Roth. O estudo dele pode ser visto abaixo: http://aramaicnttruth.org/downloads/outside/AramaicJesusGodMaryahAlaha.pdf Resumo das Evidências Levando-se em conta os argumentos de que: 1 -No Tanach a Peshitta traz MarYah onde no hebraico temos o tetragrama; 2 -No Tanach, esta palavra aparece exclusivamente se referindo ao Eterno; 3 -No NT, esta palavra só aparece em referência direta a YHWH (cerca de 200), e em algumas poucas (cerca de 30~40) referências a Yeshua. 4 -A raiz linguística da palavra aponta para Senhor + Yah 5 -A palavra "Maran" é usada como "Senhor" em diversos outros pontos, distinguindo-se do uso de MarYah 6 – MarYah não é a forma enfática tradicional de “ Senhor” em aramaico, como algums pressupõe. A forma enfática é “ Mará” , que é utilizada em outros pontos da Peshitta Ocorrências onde Yeshua é chamado de YHWH Segue uma lista de ocorrências do tetragrama YHWH, o Nome Sagrado do Eterno, atribuído diretamente a Yeshua, e comentários a respeito. 1 – YHWH Manifesto como Messias “É que vos nasceu hoje, na cidade de David, o Salvador, que é YHWH o Mashiach.” (Lc 2:11) “antes santificai em seus corações a YHWH, o Mashiach, e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;” (1 Kefa 3:15) “Porque foi para isto mesmo que o Mashiach morreu e tornou a viver, para ser YHWH tanto de mortos como de vivos.” (Rm. 14:9) “Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Yeshua, a quem vós executastes, Elohim o fez YHWH e Mashiach.” (At. 2:36) “Sabendo que do Senhor recebereis como recompensa pela herança; pois vós servis a YHWH o Mashiach.” (Cl. 3:24) Nos textos supracitados, temos uma demonstração teológica por parte dos escritores de que o Mashiach seria uma manifestação do próprio YHWH. Na Torá, as diferentes manifestações de YHWH interagem entre elas. Temos um exemplo bem claro na destruição de Sodoma e Gomorra, onde a Torá diz que YHWH fez chover fogo de YHWH. De forma semelhante, aqui temos YHWH dando autoridade a YHWH. Isto é, são manifestações diferentes de uma mesma força divina. 2 – Aquele que Perdoa “Respondeu ela: Ninguém, YHWH. E disse-lhe Yeshua: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.” (Jo. 8:11) Esta passagem é bastante significativa. Aqui temos a mulher adúltera chamando a Yeshua de YHWH. Mas por que ela faria isso? Se pensarmos no contexto, essa mulher havia acabado de ser perdoada de seus pecados, pelo próprio Yeshua. Como toda judia bem instruída na Torá, ela sabia que somente YHWH teria o poder para perdoá-la. Ela percebe que o perdão que a salvou foi um milagre, e imediatamente reconhece o Pai encarnado. É irônico, porém totalmente coerente com a mensagem do NT, que uma mulher tida como “ pecadora” tenha reconhecido a YHWH, coisa que seus acusadores, apesar de toda a sua moral, não foram capazes de fazer. 3 – O Caráter Salvífico de YHWH “Kefá então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja imergido em nome de YHWH Yeshua para remissão de seus pecados; a fim de receber o dom da Ruach HaKodesh.” (At. 2:38) “Eu sei, e estou certo em YHWH Yeshua que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo.” (Rm. 14:14) “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amen; vem, YHWH Yeshua.” (Ap. 22:20) No Tanach, frequentemente temos o uso de dois ou três nomes do Eterno em sequência, pois cada nome do Eterno simboliza um aspecto da Sua natureza. Temos vários exemplos tais como “ YHWH Elohim” , “ YHWH Tseva'ot” , “ YHWH Shadai” , “ Adonai YHWH” , etc. Aqui, somos apresentados ao termo “ YHWH Yeshua” , expressando o caráter de YHWH que expressa a Sua salvação. 4 -Unicidade “todavia para nós há um só Elohim, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só YHWH, Yeshua HaMashiach, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também.” (1 Co. 8:6) Aqui Paulo demonstra dois aspectos do Eterno. O primeiro é o da sua unicidade (e não pluralidade, como a maioria entende), e o segundo é o das suas diferentes manifestações, pois ao mesmo tempo em que o identifica como Elohim, também o identifica como YHWH e como Mashiach. Ou seja, Paulo está nos ensinando que só há um Elohim cujas essências divinas podem se manifestar de forma distinta, sem entretanto deixarem de ser essências de um mesmo Ser Supremo. 5 – Uso Sinônimo “De modo que qualquer que comer do matsá, ou beber do cálice de YHWH indignamente, será culpado do corpo e do sangue de YHWH.” (1 Co 11:27) “Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo de YHWH.” (1 Co 11:29) Aqui Paulo usa YHWH como sinônimo para Yeshua, pois Yeshua é o próprio YHWH limitado em Sua glória e feito carne. O corpo e o sangue de Yeshua são chamados de corpo e sangue de YHWH. 6 – Declaração Explícita “Portanto vos quero fazer compreender que ninguém, falando pela Ruach Elohim, diz: Yeshua é amaldiçoado! e ninguém pode dizer: Yeshua é YHWH! senão pela Ruach HaKodesh.” (1 Co. 12:3) “A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Yeshua HaMashiach. Ele é YHWH sobre todos.” (At. 10:36) “para que ao nome de Yeshua se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Yeshua HaMashiach é YHWH, para glória de Seu Pai Elohim.” (Fp. 2:10- 11) As passagens acima são declarações explícitas de que Yeshua é YHWH e dispensam qualquer comentário. 7 – O Adam Kadmon “O primeiro homem, sendo da terra, foi terreno; o segundo homem foi o [próprio] YHWH celestial.” (1 Co. 15:47) Desde os primórdios de Israel, a Cabalá fala de uma crença no fato de que as Sefirot (luzes/essências/manifestações) do Eterno projetavam uma imagem delas mesmas. Tal imagem era o próprio Eterno, e era conhecida como Adam Kadmon, ao qual o Zohar chama de “ Homem Celestial” . A questão do Adam Kadmon é a seguinte: para que o homem fosse criado à imagem e semelhança de YHWH, o Eterno se manifestou através desta imagem das suas Sefirot. Ou seja, o Adam Kadmon é a manifestação do Eterno através da qual o homem foi criado. Yochanan (João) já havia dito que o homem fora criado através da essência do Filho. Paulo aqui vai mais além e diz que Yeshua é o Adam Kadmon. Ou seja, Ele é uma manifestação do Eterno. Yeshua é YHWH? (Parte 3) Por Sha'ul Bentsion 1 -Introdução As mesmas pessoas que costumam defender a tese de que Yeshua é divino, ou seja, é um deus mas não é YHWH, inadvertidamente colocam-se em um beco sem saída teológico, ao admitir corretamente que não existe um corpo chamado “igreja” distinto de Israel. Para demonstrar o erro ebionita, vamos primeiramente lidar com o erro da teologia das “entidades separadas.” 2 -Quem é o Corpo do Messias? “Ora, vós sois corpo do Mashiach, e individualmente seus membros.” (1 Co. 12:27) Aqui, Rav. Sha'ul (Paulo) deixa absolutamente explícito que existe uma entidade chamada de “Corpo do Messias.” Mas o que será esse corpo? Uma outra carta de Rav. Sha'ul (Paulo), aos romanos, deixa bem claro o que é o Corpo: “E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás então: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu pela tua fé estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme; porque, se Elohim não poupou os ramos naturais, não te poupará a ti. Considera pois a bondade e a severidade de Elohim: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Elohim, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado. E ainda eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Elohim para os enxertar novamente. Pois se tu foste cortado do natural zambujeiro, e contra a natureza enxertado em oliveira legítima, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira esses que são ramos naturais! Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos goyim haja entrado; e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Tsion o Libertador, e desviará de Ya'akov as impiedades;” (Rm. 11:17-26) Reparem que Rav. Sha'ul (Paulo) fala do povo de Elohim. Contudo, não fala da existência de uma nova entidade distinta, mas sim do fato de que o Corpo/Oliveira teve alguns de seus ramos naturais (a saber: boa parte da Casa de Yehudá) temporariamente cortados para que fossem enxertados os ramos bravos. Não há aqui menção a dois corpos. Inclusive, Rav. Sha'ul (Paulo) encerra com essa idéia, pois o Libertador veio para desviar as impiedades de Ya'akov (Israel). O Corpo do Messias, portanto, é Israel. 3 – O Primogênito Mas será que encontramos essa idéia também em outros trechos bíblicos? Certamente! Um dos trechos é Matitiyahu (Mateus) 2:14-15, que diz: “Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.E lá ficou até a morte de Herod, para que se cumprisse o que fora dito da parte de YHWH pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho.” Matitiyahu (Mateus) fez, que foi nada menos do que uma utilização brilhante das técnicas rabínicas de estudo das Escrituras. Matitiyahu (Mateus) montou uma alegoria baseada nos níveis "Remez" e "Drash" de interpretação das Escrituras. (Vide artigo sobre como interpretar as Escrituras como um judeu.) Primeiramente, ele usa o nível "Remez" para dar um indício de que há algo mais profundo na semelhança entre o Mashiach (citado no texto dele) e Israel (citado em Hoshea/Oséias). A chave primária para entendermos o "Remez" é a palavra "filho". Matitiyahu (Mateus) indica que há algo de semelhante na filiação do Mashiach e na filiação de Israel, e a chave secundária é o Egito. Quando fazemos uma busca por estas duas chaves, a primeira passagem que encontramos na Torá associada aos dois é: "... quando você voltar ao Egito... diga ao faraó: Israel é o meu primogênito" (Shemot/Êxodo 4:21-22, abreviado para facilitar nossa leitura) Podemos concluir que é este verso que Matitiyahu (Mateus) nos expõe. É aí que entra o nosso "Drash". Aqui, a Torá chama a Israel de "Primogênito de YHWH". Atribuindo esta definição ao Mashiach, Matitiyahu (Mateus) usa o texto de Hoshea (Oséias) para nos expor que, profeticamente, Yeshua é o Primogênito de YHWH. Em suma, Matitiyahu (Mateus) viu e apontou para um elemento que vários rabinos sempre indicam: por diversas vezes, os passos de Israel e dos patriarcas representam profeticamente os passos do Mashiach. Logo, como assim como YHWH fez sair Israel do deserto, também o estava fazendo com seu Primogênito. Ora, se Israel é o primogênito de YHWH, e Yeshua também o é, ou a Bíblia cometeu uma gafe (o que é impossível) ou então está nos revelando algo muito profundo: O Corpo do Messias é Israel. Outra passagem interessante é a de Yehudá (Judas) 1:9, que diz: “Mas quando Micha'el, chefe dos anjos, discutindo com o Acusador, disputava a respeito do corpo de Moshe, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda.” Aqui vemos um Corpo (Israel) sendo chamado de Corpo de Moshe (Moisés). Ora, essa passagem se refere claramente a Israel. Contudo, pelos próprios escritos de Romanos, vemos que não há 2 Corpos. Se não há dois corpos, então podemos concluir com segurança que o Corpo de Moshe = Corpo do Messias. 4 -Quem é o Corpo de Moshe? É a Assembléia que se com Ya'akov Avinu (Jacó, nosso Pai). Freqüentemente no Tanach, Israel é chamado de “A Assembléia de Israel”. Curiosamente, na Septiaginta, o termo “Assembléia” aparece como Ekklesia, que é justamente o termo que os cristãos traduzem por “Igreja”. E mais, em Ivrim (Hebreus) 12:23 chama o Corpo do Messias de “a Assembléia do Primogênito”. Ora, mas também vemos na Torá, em Ex. 4:22: “...Assim diz YHWH: Israel é meu filho, meu primogênito;“ Logo, a Assembléia do Primogênito é Israel. Portanto, o Corpo do Messias é Israel. 5 – Sobre esta pedra... Mas então, o que dizer da passagem abaixo? “Pois também eu te digo que tu és Kefá, e sobre esta pedra edificarei a minha Kehilá, e as portas do Tach'ti não prevalecerão contra ela;” (Mt. 16:18) Aqui dá a impressão de que o Messias começaria uma Nova Kehilá. Certo? Errado! Não há nada na Bíblia que indique que o Messias faria tal coisa. E mais, como vimos, o próprio NT fala de apenas 1 Corpo. Ora, se há apenas 1 Corpo, e se Israel não foi rejeitado (vide Rm. 11), então que Corpo é esse? Israel, é claro! Mas então como entender a passagem de Mt. 16:18? A própria Bíblia explica, em Amos 9:11 vemos a seguinte promessa feita por YHWH: “Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo de David, que está caído, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e as reedificarei como nos dias antigos; “ Ou seja, o Messias está dizendo que é a partir dEle que se reergueria o tabernáculo de David. É a restauração de Israel que começa em Yeshua, e não um novo corpo! Mas como saber se essa é a interpretação correta? Ora, quem mais qualificado para responder do que o próprio Shimon Kefa (Simão Pedro), a quem Yeshua direcionou a passagem de Mt. 16:18? E vejam o que ele diz: “Depois destas [coisas] voltarei, e reedificarei o tabernáculo de David, que está caído; reedificarei as suas ruínas, e tornarei a levantá-lo;” (At. 15:16) 6 – A Nova Aliança Para encerrar, e mostrar de vez que não existe um novo corpo, e que o Corpo do Messias é Israel, olhemos para os termos da Nova Aliança. Afinal, o Corpo do Messias é aquele que toma parte da Nova Aliança. Mas o que YHWH diz sobre a Nova Aliança: “Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma Nova Aliança com a casa de Israel e com a casa de Yehudá,” (Jr. 31:31) Ora, aqui está bem claro. O Corpo do Messias, o povo da Nova Aliança, é o próprio Israel! Não é à toa que a única saída teológica do Cristianismo para que toda a sua teologia não rua feito um castelo de cartas é a odiosa teologia da substituição, em que um corpo “substitui” a Israel nas promessas de YHWH. O problema é que não há base bíblica alguma para dizer tal coisa, especialmente porque a restauração de Israel é prometida pelos profetas. Até aqui, os neo-ebionitas também, no geral, concordam conosco. Porém, não percebem a enrascada teológica em que se colocam ao admitirem que o supracitado é verdadeiro. É aqui que, para eles, o problema começa: 7 -A Noiva Ao ser perguntado se ele era o Messias, Yochanan o Imersor (João Batista) diz o seguinte: “Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, alegra-se com grande júbilo com a voz do noivo. Assim, pois, esta minha alegria está completa.” (Jo. 3:29) Ora, ele menciona a existência de um noivo e de uma noiva. Não é difícil chegarmos à conclusão de que o noivo é Yeshua (isso é explícito pela frase de Yochanan), e que a noiva é o Corpo do Messias. Em Guilyana (Apocalipse), encontramos: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, eu te mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro.” (Ap. 21:9) O texto continua mostrando Yerushalayim (tipificando Israel) como a noiva do cordeiro. Ora, Yerushalayim é chamada de cidade de YHWH e de Sião em Is. 60:13. Não é difícil de mostrar, e é fato bem conhecido, que Yerushalayim/Sião tipificam Israel. Apenas para título de ilustração, vejamos o Sl. 74:2: “Lembra-te da tua congregação, que compraste desde a antiguidade; da vara da tua herança, que remiste; deste monte Sião, em que habitaste.” Ora, o próprio texto de Guilyana (Apocalipse) já nos diz quem é o noivo – fato esse que também fora dito por Yochanan, o Imersor – como vimos anteriormente. Acontece, que Israel é casada com YHWH. Apesar de YHWH tê-la repudiado temporariamente, vejamos o que diz Hoshea (Oséias) 2:19-20 acerca de Israel: “E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás a YHWH.” YHWH irá casar-se novamente com Israel! 8 – A Única Conclusão Possível Aqui, a doutrina ebionita/ariana cai completamente por terra. O Corpo do Messias é a Noiva O Messias é o Noivo O Corpo do Messias é a Assembléia do Primogênito Israel é o Corpo e o Primogênito Logo, Israel é a Noiva Mas Israel é a Noiva de YHWH Portanto, o Messias é YHWH. Fica escandalosamente claro aqui. 9 – Quem é Maldito? Agora vejam o problema que acontece se partirmos de pressupostos diferentes. Os neo-ebionitas (que se dizem messiânicos) costumam chegar até o ponto de que o Corpo é Israel. Ora, se isso é verdade, então Yeshua é culpado pela Torá de um pecado gravíssimo, que é desposar a esposa de seu Pai!!! Vejam o que diz a Torá sobre isso: “Maldito aquele que se deitar com a mulher de seu pai, porquanto descobriu a nudez de seu pai. E todo o povo dirá: Amém.” (Dt. 27:20) Os neo-ebionitas fazem de Yeshua maldito, sem perceberem! Mas, vamos então partir do pressuposto de que haja de fato 2 Corpos, 2 esposas. Vamos imaginar por um minuto (apesar de, como vimos, a Bíblia dizer o contrário) que de fato são dois casamentos distintos. Perguntamos então: como ficariam os judeus crentes no Messias? Poderiam desposar 2 maridos??? Sim, porque fazem parte de Israel e também fariam parte de um “Corpo do Messias”, se o mesmo fosse separado de Israel. Se o Corpo do Messias for parte de Israel, ou vice-versa, incorremos no mesmo erro: ou fazemos de Yeshua um adúltero, ou fazemos dos judeus crentes adúlteros. O resultado é o mesmo: maldição. 10 – Harmonizando as Escrituras A única forma de harmonizarmos as Escrituras é admitirmos aquilo que fica bem claro: Yeshua é YHWH feito carne. Não há 2 Corpos, mas sim 1 Corpo, Israel. Não há dois salvadores, mas sim 1 salvador, YHWH feito carne. Não há dois senhores, mas sim 1 Adonai, não há dois noivos, mas sim o mesmo esposo de sempre. “Há um só corpo e uma só Ruach, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só YHWH, uma só fé, um só mikveh;” (Efésios 4:4)

A verdade sobre a Torah

A verdade sobre a Torah - analisando posições extremistas Depois de quase dois mil anos de trevas e jugo romano, nós israelitas restaurados ainda temos dificuldades naturais em nosso relacionamento com a Torah. Ninguém pode supor que, depois de despertar de um torpor tão longo, o observar a Torah seja tarefa extremamente fácil e trivial. Principalmente, considerando-se que o Judaísmo normativo, embora tenha preservado boa parte da observância à Torah, também trouxe a ela um jugo de costumes e normas humanas (algumas até mesmo de origem pagã) que não faziam parte originalmente da fé que nos foi ensinada por Moshe Rabeinu. Por razão disto, duas posições extremistas extremamente perigosas têm surgido em nosso meio. A primeira é a de que somente o que a Torah diz é válido como regra de comportamento. A segunda alega que, além da Torah escrita, existe uma suposta “Torah Oral”. Este estudo pretende refutar essas duas posições, em defesa da verdade não apenas da Torah, como de todas as Escrituras. Primeira Posição Extremista: Só a Torah é Válida Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis as mitsvot de YHWH vosso Elohim, que eu vos mando. (Devarim/Deuteronômio 4:2) É possível para muitos de nós rapidamente termos a percepção de que a Torah é o fundamento da nossa fé. Nela, estão descritas nossa identidade, nossa história, nossas transgressões, e as promessas de YHWH para nós. Inclusive, a promessa de que YHWH pagaria pelos nossos pecados (Gn. 15:8-17) e de que deveríamos dar ouvidos à voz de Melech HaMashiach (Dt. 18:15). Contudo, alguns têm tomado essa posição a um extremismo, dizendo o seguinte: “Se não está na Torah, então determinado ato ou atitude não é pecado” ou “não é da vontade de YHWH”. Essa posição se baseia justamente no primeiro texto citado, de Devarim 4:2, que determina que Yisra'el não deveria fazer qualquer acréscimo ou diminuição da Torah. Tais pessoas chegam ao absurdo de dizer que Yeshua não poderia ter nos ensinado nada de novo acerca da vontade de YHWH, pois a Sua vontade estaria totalmente expressa na Torah. Ora, convém perguntar a tais pessoas por que Yeshua perdeu cerca de três anos de sua vida ensinando o povo, ao invés de ir direto ao madeiro. O fato é que a Torah contém a essência expressa da moral e da vontade de YHWH, indubitavelmente. Como tal, ela serve como parâmetro para verificarmos se algo está ou não de acordo com a vontade dEle. É por isso, por exemplo, que rejeitamos a interpretação anti-nomínia dada pelo Cristianismo aos escritos de Sha'ul (Paulo), pois vai totalmente contra aquilo que YHWH nos revelou nos primórdios. Se uma determinada vertente de interpretação das Escrituras fere frontalmente a Torah, então podemos ter a certeza e a convicção de que essa não é a interpretação correta da Palavra de YHWH. Todavia, isso não quer dizer que absolutamente tudo o que YHWH desejasse nos dizer esteja declarado de forma literal na Torah. Caso contrário, não haveria qualquer necessidade de outros textos bíblicos. E, hoje em dia, não existe nenhum grupo religioso que creia que apenas os Cinco primeiros livros da Bíblia sejam inspirados. O mais próximo disso são os samaritanos, que só aceitam, do Tanach, a porção da Torah. Contudo, até mesmo eles têm livros adicionais em suas escrituras. Isso significa que em Yisra'el nunca houve quem entendesse que a Torah almejava ser a totalidade da revelação de YHWH para nosso povo. Até porque, se somos um povo conduzido por YHWH, então isto significa que YHWH se revela a nós de forma contínua e constante. A Torah sempre foi, ou pelo menos sempre deveria ter sido, o parâmetro principal, para verificarmos se uma palavra dada por um navi (profeta) estava de acordo com a vontade de YHWH. E assim o é até os dias de hoje. Algumas pessoas, contudo, tomam o passuk (versículo) mencionado no início deste estudo como uma declaração literal de que nada mais possa ser revelado da vontade de YHWH. O curioso é que normalmente isto é mais utilizado para defender comportamentos moralmente estranhos, uma vez que a Torah se cala a respeito deles. Não é à toa que Yeshua nos recomenda olharmos os frutos. Se analisarmos essa questão, podemos perceber que quase sempre o que se tem é uma tentativa de servir a carne, ou de justificar um comportamento negativo. Um Princípio Essênio Recentemente, por exemplo, um líder alegou que a poligamia e o sexo entre duas mulheres não eram pecado, pois a Torah nada diz a respeito. Contudo, sabemos que Yeshua diz: Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? (Matitiyahu 19:4-5) Yeshua se refere a um princípio que os essênios chamavam de Yessod HaBeriá, ou “Fundação da Criação” _ isto significa que quando YHWH criou todas as coisas no Gan Eden, estabeleceu as condições ideais de existência. Assim sendo, tudo aquilo que foge dessas condições é em decorrência da transgressão humana. Assim sendo, a princípio, YHWH criou o homem e a mulher para formarem uma só carne, um único casal. Lembremo-nos que Yeshua também deixa claro em Matitiyahu (Mateus) 19 que nem tudo o que a Torah permitiu foi por vontade de YHWH. Isso é fácil de entendermos. Por exemplo, a Torah contempla sacrifícios pelo pecado. Contudo, a vontade de YHWH é que nunca tais sacrifícios ocorram. Como assim? É simples: YHWH não pode desejar que o homem peque! A Torah apenas prevê tal situação por conta da transgressão. Mas, temos que nos esforçarmos para não agirmos segundo os impulsos da carne. Para maiores informações, vide nosso material sobre poligamia. Com relação ao homossexualismo feminino, a Torah não se pronuncia, porque naquela época, em uma sociedade patriarcal onde as mulheres se casavam muito cedo e permaneciam na casa de seus esposos, tal prática era incomum. Contudo, Sha'ul (Paulo) nos revela qual a vontade de YHWH: Por isso Elohim os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. (Ruhomayah/Romanos 1:26-27) Semelhantemente, aqui Sha'ul (Paulo) também aplica o princípio essênio de Yessod HaBeriá (Fundação da Criação): No princípio, Elohim não criou as mulheres para se inflamarem sensualmente umas com as outras. Qualquer coisa que fira o princípio e a ordem natural criada por Elohim é, por definição, uma transgressão à mitsvá (mandamento) de Elohim! E, no entanto, esse líder diz que é lícito, porque a Torah nada fala a respeito. Ora, mas Torah nada fala a respeito, porque a Torah é um princípio estabelecido, e não uma enciclopédia de todas as possíveis e imagináveis transgressões e depravações comportamentais que o ser humano seja capaz de inventar. A Torah, por exemplo, nada fala contra inalarmos cocaína. Por causa disso, é lícito? É por isso que YHWH nos deu a Ruach HaKodesh: E porei dentro de vós a minha Ruach, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis. (Yechezkel/Ezequiel 36:27) Será que realmente podemos dizer que o passuk (versículo) de Devarim 4:2 questão se refere ao fato de que tudo o que YHWH quis dizer está no Pentateuco e que, fora do Pentateuco, nada é pecado? Analisemos o passuk (versículo) em questão e verifiquemos o que ele diz: Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis as mitsvot de YHWH vosso Elohim, que eu vos mando. A frase diz, essencialmente, que aquilo que YHWH nosso Elohim nos diz não deve ser distorcido: nem para mais, nem para menos. Repare que algumas pessoas entendem algo que a Torah NÃO diz: Que YHWH não daria qualquer outra palavra. A mitsvá (mandamento) é clara: Não distorça o que YHWH diz. Mas a mitsvá (mandamento) não amordaçou YHWH de modo que nada mais pudesse ser dito. Existem duas formas de entender esse passuk (versículo.) Uma delas é a de que ele se refira a um princípio geral de que não devemos distorcer o que YHWH nos ensina. Outro é o de que esta tenha sido uma forma de “selar” o livro da Torah, isto é, a partir daquele ponto, nada mais poderia ser dito ou ensinado acerca da vontade de YHWH, ou acerca do que são as mitsvot (mandamentos.) A segunda interpretação traz grandes problemas para seus propositores, os quais vamos listar aqui: Problema #1 – Cortar Devarim O primeiro problema que podemos perceber é o de que esse texto é dito em Devarim (Deuteronômio) 4, e nele, a totalidade da Torah não havia sido dada ainda. Se o texto for entendido como uma forma de sacramentar que, a partir daquele ponto, YHWH não daria mais qualquer ordem a Yisra'el, então a Torah deveria ser encerrada em Devarim 4. Tudo o que está além de Devarim 4 deveria ser ignorado, pois não faz parte da Torah. Contudo, isso gera um enorme problema: E Yeshua respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Shemá Yisra'el, YHWH Eloheinu, YHWH Echad. Amarás, pois, a YHWH teu Elohim de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. (Marcus 12:29-30) Ora, tanto Yeshua quanto o próprio Judaísmo normativo concordam que o Sh'má é talvez a mitsvá (mandamento) mais importante de todas, a partir do qual todo o restante da Torah deriva. Afinal, trata-se da declaração de que Yisra'el tem apenas 1 Senhor, a quem devemos todo amor e devoção. Porém, o Sh'má só aparece em Devarim (Deuteronômio) 6! Ou seja, se acharmos que Devarim 4 sacramenta a totalidade das palavras de YHWH, então o Sh'má fica de fora da Torah! Problema #2 – O Caso de Hizkiyahu (Ezequias) Em Divrei HaYamim Beit (2 Crônicas) cap. 29, lemos a narrativa de Hizkiyahu (Ezequias), que era reto aos olhos de YHWH e andava segundo os caminhos de David (2 Cr. 29:2) Hizkiyahu (Ezequias) tinha em seu coração o desejo de fazer regressar o povo a YHWH. A primeira coisa que ele ordena é que os Levi'im (levitas) purifiquem-se e purifiquem o Beit HaMikdash (Templo), removendo do mesmo toda a imundícia de adoração aos ídolos: E lhes disse: Ouvi-me, ó levi'im, tornai-vos k'doshim agora, e tornai kadosh a casa de YHWH nosso Elohim de vossos pais, e tirai do Kodesh a imundícia. Porque nossos pais transgrediram, e fizeram o que era mau aos olhos de YHWH nosso Elohim, e o deixaram, e desviaram os seus rostos do Mishkan de YHWH, e lhe deram as costas. (Divrei HaYamim Beit/2 Crônicas 29:5) O problema disso é que a limpeza acabou ao décimo-sexto dia, e com isso, a festa de Pessach já havia passado: Começaram, pois, a tornar kadosh no primeiro dia, do primeiro mês; e ao oitavo dia do mês vieram ao alpendre de YHWH, e santificaram a casa de YHWH em oito dias; e no dia décimo sexto do primeiro mês acabaram. (Divrei HaYamim Beit/2 Crônicas 29:17) Outro problema: Não havia cohanim (sacerdotes) suficientes para dar conta de todo o povo. Então, o que fazem? Os levi'im (levitas) ajudam a sacrificar os animais: Eram, porém, os cohanim mui poucos, e não podiam esfolar a todos os holocaustos; pelo que seus irmãos os levi'im os ajudaram, até a obra se acabar, e até que os outros cohanim se tornaram k'doshim; porque os levi'im foram mais retos de coração, para se tornarem k'doshim, do que os cohanim. (Divrei HaYamim Beit/2 Crônicas 29:34) Ora, se formos pelo raciocínio dos que acham que Devarim 4 sacramentou a totalidade das palavras de YHWH, então aqui vemos que Hizkiyahu (Ezequias) e os levi'im (levitas) cometeram grande transgressão. Afinal, os levi'im não poderiam, segundo a Torah, oferecer sacrifícios. Somente os filhos de Aharon poderiam fazer isso. A função dos levi'im era apenas a de servir os cohanim (sacerdotes) e não de realizar o trabalho deles: Então disse YHWh a Aharon: Tu, e teus filhos, e a casa de teu pai contigo, levareis sobre vós a iniqüidade do Mikdash; e tu e teus filhos contigo levareis sobre vós a iniqüidade da vossa kehuná. E também farás chegar contigo a teus irmãos, a tribo de Levi, a tribo de teu pai, para que se ajuntem a ti, e te sirvam; mas tu e teus filhos contigo estareis perante a tenda do testemunho. (Bamidbar/ Números 18:1-2) No entanto, se entendermos que esta era uma situação especial, e que eles buscaram a voz de YHWH, que deu uma instrução temporária para que a questão se normalizasse, então não há qualquer problema em aceitarmos o texto acima. Afinal, a Torah fala de uma situação ideal. Quando a Torah prescreve que os cohanim (sacerdotes) b'nei Aharon (filhos de Aarão) fariam os sacrifícios por todo o povo, evidentemente estava partindo de uma premissa: Os b'nei Aharon (filhos de Aarão) estariam todos disponíveis para realizar este serviço, pois seguiriam as palavras da Torah para se tornarem k'doshim (santos) ao serviço a YHWH. Contudo, aqui isto não ocorreu. Devido à transgressão, não havia cohanim (sacerdotes) suficientes. Então, YHWH dá uma determinação específica para aquela situação, uma determinação que jamais esteve explicitada na Torah! Mas, a coisa não pára por aí. Sigamos na história. Como a situação no Beit HaMikdash (Templo) só se regularizou a partir do décimo sexto mês, o que fez Hizkiyahu (Ezequias): convocou o povo para celebrar o Pessach no segundo mês: Depois disto Hizkiyahu enviou mensageiros por todo Yisra'el e Yehudá, e escreveu também cartas a Efrayim e a Menashe para que viessem à casa de YHWH em Yerushalayim, para celebrarem o Pessach a YHWH Elohim de Yisra'el. Porque o rei tivera conselho com os seus príncipes, e com toda a congregação em Yerushalayim, para celebrarem o Pessach no segundo mês. Porquanto não a puderam celebrar no tempo próprio, porque não se tinham tornado k'doshim cohanim em número suficiente, e o povo não se tinha ajuntado em Yerushalayim. (Divrei HaYamim Beit/2 Crônicas 30:1-3) Ora, se formos pelo raciocínio dos que acham que Devarim 4 sacramentou e selou tudo o que YHWH poderia ter a dizer, Hizkiyahu (Ezequias) e o povo teriam cometido um pecado enorme, visto que o Pessach Sheni, a “segunda páscoa”, não foi dada com esse objetivo. Vejamos o que a Torah diz: Então falou YHWH a Moshe, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém entre vós, ou entre as vossas gerações, for imundo por tocar corpo morto, ou achar-se em jornada longe de vós, contudo ainda celebrará o Pessach a YHWH. No mês segundo, no dia catorze à tarde, a celebrarão; com pães ázimos e ervas amargas a comerão. (Bamidbar/Números 9:9-11) Ora, repare aqui que o Pessach Sheni (Segundo Pessach) foi concedido por YHWH para duas situações: Pessoas que estivessem cerimonialmente impuras por contato com morto; Pessoas que estivessem em viagem; E só. O caso aqui de Hizkiyahu (Ezequias) era completamente diferente. Os motivos que levaram Hizkiyahu (Ezequias) a celebrar o Pessach Sheni no lugar do Pessach foram: O Mikdash só ficou totalmente kadosh no décimo-sexto dia; Não havia cohanim k'doshim suficientes para o abate do corban Pessach; O povo não havia se reunido em Yerushalayim; Pelo raciocínio dos que selam as palavras de YHWH através de Devarim 4 podemos concluir que eles cometeram pecado, pois teriam distorcido o propósito do Pessach Sheni. No entanto, podemos entender que a Torah nada dizia acerca de uma situação como a que Hizkiyahu (Ezequias) estava vivendo. Assim sendo, ele procurou de YHWH a orientação sobre o que fazer. Mas os problemas não param por aí. O povo não celebrou o Pessach Sheni apenas, mas também Chag HaMatsot (a Festa dos Pães Ázimos), conforme lemos: E ajuntou-se em Yerushalayim muito povo, para celebrar a festa dos pães ázimos, no segundo mês; uma congregação mui grande... E, tendo toda a congregação conselho para celebrarem outros sete dias, celebraram ainda sete dias com alegria. (Divrei HaYamim Beit/2 Crônicas 30:13,23) Repare que a Torah não diz que devemos celebrar Chag HaMatsot no segundo mês. Aqueles que perderam o Pessach, no relato supracitado, celebrariam apenas o Pessach Sheni. Contudo, isso ocorreu nos tempos de Hizkiyahu. Novamente, se formos radicais em afirmarmos que YHWH nada poderia ter dado de orientação após Devarim 4, então teremos que entender que houve grave pecado. Contudo, o que vemos é que a situação era totalmente atípica, e YHWH honrou a kavaná (intenção do coração) do povo e deu uma recomendação alternativa. Problema #3 – Contradição Direta A história de Hizkiyahu (Ezequias) se encerra com algo que contradiz diretamente a interpretação que temos comentado, pois muito mais do que apenas uma misericórdia de YHWH em aceitar “o melhor que eles poderiam fazer”, a história nos diz que YHWH deu uma mitsvá (mandamento) para que fosse feito daquela forma: E a mão de Elohim esteve com Yehudá, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos príncipes, conforme a Palavra de YHWH. (Divrei HaYamim Beit/2 Crônicas 30:12) O Cerne da Questão O cerne do problema descrito em Devarim 4 está em: Não levar em consideração as palavras de YHWH; Fazer acréscimos ao que YHWH diz; Remover do que YHWH diz; Três exemplos de posições históricas podem ser vistas como algo que fere a essa recomendação: A posição cristã de que a Torah foi abolida desmerece as palavras de YHWH e, portanto, contradiz Deverim 4; As leis de cerca do Judaísmo normativo, como por exemplo, não comer carne com leite (compare com Dt. 14:21) As exceções do Judaísmo normativo. Por exemplo, YHWH diz que devemos remover todo o fermento de nossos lares em Chag haMatsot (Ex. 12:15), mas o Judaísmo normativo diz que é lícito guardar o fermento em casa, desde que seja trancado num armário, e seja feito um documento vendendo o fermento para um estrangeiro durante Chag haMatsot e automaticamente o recomprando após Chag haMatsot. É justamente contra esse tipo de situação que Moshe alerta o povo, quando diz que as palavras de YHWH são inalteráveis. Como vimos pelos exemplos de Hizkiyahu (Ezequias), em momento algum Moshe diz que YHWH não poderia dar novas orientações ao povo. A Torah dá as cartas A verdade é que a própria Torah já nos ensina como devemos agir. Primeiramente, a Torah legitima a existência de profetas: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, YHWH, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. (Bamidbar/Números 12:6) Evidentemente que o teste sempre foi a Torah. Mas foi justamente dessa forma que o povo de Yisra'el pôde reconhecer que Escrituras ilustravam a vontade de YHWH. Sha'ul (Paulo) nos diz com clareza: Toda a Escritura é inspirada por Elohim, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; (Timoteus Beit/2 Timóteo 3:16) Não somente as Escrituras são inspiradas por YHWH, como também são proveitosas para instruir em justiça. Assim sendo, quando lemos uma Escritura que prescreve um dado comportamento, nossa posição jamais deve ser a de dizer que “não está na Torah”, afinal a própria Torah nos alerta que haveria profetas para nos revelarem a vontade de Elohim. Segunda Posição Extremista: Torah Oral? Podemos dizer, então, como dizem os judeus normativos, que existe uma Torah Oral? Certamente que não. O fato é que tudo aquilo que YHWH deu ao povo de Yisra'el foi descrito, segundo o próprio Yeshua, “na Torah e nos profetas”. Como vimos, para verificarmos se algo é verdadeiro, devemos utilizar a Torah como parâmetro. Para considerarmos a hipótese de uma Torah Oral, tal hipótese precisa ser possível mediante a Torah escrita. Vejamos se isso é possível. O Judaísmo Parush (farisaico), que posteriormente se transformou no Judaísmo normativo, alega que juntamente com o texto escrito da Torah, foi entregue uma “Torah Oral” a Moshe. Essa suposta “Torah Oral” teria sido passada de Moshe aos sábios, e preservada de geração em geração. Existem evidências históricas contrárias a isso, como, por exemplo, o próprio testemunho de Flavio Josefo (vide nossa palestra sobre o NT e a Lei.) Contudo, antes sequer considerarmos tal análise, é preciso verificar se a própria Torah “escrita” dá margem para isso. A questão é bem simples: Existe algo na Torah escrita que afirme que NÃO há uma Torah Oral? Ou existe algo que afirme que há? Ou, na ausência de um texto claro, há algum indício que possa levar à hipótese de uma Torah oral? A resposta para a maior parte dessas perguntas é “não.” Contudo, para uma delas, a resposta é “sim”. Vejamos exatamente o que diz a Torah. A primeira evidência aparece em Shemot (Êxodo) 24:12: Então disse YHWH a Moshe: Sobe a mim ao monte, e fica lá; e dar-te-ei as tábuas de pedra e a Torah, e as mitsvot que tenho escrito, para os ensinar. Aqui vemos que tudo o que YHWH deu a Moshe foi escrito. Mas há mais: E Moshe escreveu esta Torah, e a deu aos cohanim, filhos de Levi, que levavam a arca da aliança de YHWH, e a todos os anciãos de Yisra'el. E ordenou-lhes Moshe, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na festa de Sukkot, quando todo o Yisra'el vier a comparecer perante YHWH teu Elohim, no lugar que ele escolher, lerás esta Torah diante de todo Yisra'el aos seus ouvidos. Ajunta o povo, os homens e as mulheres, os meninos e os estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam e aprendam e temam a YHWH vosso Elohim, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta Torah; E que seus filhos, que não a souberem, ouçam e aprendam a temer a YHWH vosso Elohim, todos os dias que viverdes sobre a terra a qual ides, passando o Yarden, para a possuir. (Devarim/Deuteronômio 31:10-13) Novamente, vemos que aquilo que deveria ser ensinado ao povo era lido da Torah, e não transmitido via tradição oral. Mas será que há algo na Torah que diga que TUDO o que YHWH disse a Moshe, ele escreveu? A resposta é sim. Repare na instrução que Moshe deixa aos seus sucessores: E, havendo-o passado, escreverás nelas todas as palavras desta Torah, para entrares na terra que te der YHWH teu Elohim, terra que mana leite e mel, como te falou o YHWH Elohim de teus pais. (Devarim/Deuteronômio 27:3) Para sacramentar a questão, existe ainda o testemunho de Yahushua (Josué), sucessor de Moshe, que diz com total clareza que tudo o que Moshe deixou foi escrito: E depois leu em alta voz todas as palavras da Torah, a bênção e a maldição, conforme a tudo o que está escrito no livro da lei. Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moshe ordenara, que Yahushua não lesse perante toda a congregação de Yisra'el, e as mulheres, e os meninos, e os estrangeiros, que andavam no meio deles. (Yahushua/Josué 8:34-35) Portanto, podemos concluir com clareza que a Torah Oral é um acréscimo diabólico à Torah e que viola sim as determinações de Devarim (Deuteronômio) 4. Conclusão Como podemos perceber ambas as posições são equivocadas. YHWH deixou para Yisra'el não somente a Torah, como todo um conjunto de Escrituras, das quais a Torah é base de tudo. Além disso, podemos ver que Moshe não deixou qualquer conjunto de tradições orais, como complemento da Torah. Assim sendo, a Torah pura de YHWH não está isolada, pois é fundação para toda a Palavra, mas também não precisa de qualquer acréscimo, pois, como diz o salmista: A Torah de YHWH é perfeita, e refrigera a alma. (Tehilim/Salmos 19:7)

O que é nascer de novo?

O que é nascer de novo? Recentemente observei grande discussão a respeito da questão do “novo nascimento”, e do diálogo entre Yeshua e Nakdimon (Nicodemos). Resolvi, portanto, fazer este pequeno estudo. Essa é uma das expressões onde o Cristianismo faz a maior salada, sem necessidade, e devido simplesmente a ignorar por completo o contexto judaico das Escrituras. O “novo nascimento” se tornou para o Cristianismo praticamente um momento místico onde a pessoa “se converte” à nova religião, ou crê que foi “regenerada”, ou “salva”. Mas será que é isso que Yeshua veio ensinar? O estudo bíblico mais aprofundado mostra claramente que Yeshua não inventou nada. Ele veio legitimar tudo aquilo que YHWH já havia dito, veio corrigir distorções de interpretação e prática dentro do Judaísmo. E veio viver profeticamente toda a plenitude da revelação do plano de YHWH, descrito no Tanach. Isto posto, vamos analisar a questão entre Nakdimon (Nicodemos) e Yeshua. Temos o seguinte diálogo entre os dois: Respondeu-lhe Yeshua: Amen, Amen e Eu te digo que alguém que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Elohim. Perguntou-lhe Nakdimon: Como pode um homem nascer, sendo velho? Por acaso pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Amen, Amen, e Eu te digo que se alguém não nascer da água e da Ruach, não pode entrar no Reino de Elohim. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido da Ruach é espírito. Não te admires de Eu haver dito: Necessário vos é nascer de novo.” (Yochanan 3:3-7) A chave para entendermos esta passagem está em duas frases... A primeira frase-chave é a última passagem da citação acima. Repare que Nakdimon (Nicodemos) não riu de Yeshua nem achou que Yeshua estava louco dizendo que ele deveria nascer de novo. Os cristãos acham logo que a questão é superficial. Mas não devemos nos esquecer de que Yeshua estava perante um rabino, argumentando com um mestre. O que teria feito um grande rabino se admirar com a resposta de Yeshua? A segunda frase-chave é a frase que Yeshua diz quando Nakdimon (Nicodemos) demonstra estar confuso. Yeshua lhe diz: “Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?” (Yochanan 3:10) Yeshua não estava sendo sarcástico! Ele realmente esperava que Nakdimon (Nicodemos) o compreendesse. Se ele esperava isso, então isso significa que Ele estava usando conceitos com os quais Nakdimon deveria estar familiarizado. Se Yeshua estivesse ensinando este novo conceito místico certas vezes descrito nas igrejas, então é óbvio que Nakdimon (Nicodemos), por mais bem-preparado e sincero que fosse, não conheceria o conceito: a pergunta de Yeshua perderia o sentido. Fica bem claro então, pelo próprio texto, que Yeshua estava usando um conceito comum a um rabino do primeiro século. Mas que conceito seria esse? Afinal, o que Yeshuá quis dizer? A resposta está no que um rabino do 1º século entenderia por nascer de novo. É importante ressaltar que o Judaísmo do 1º século era, em alguns aspectos, muito distinto do Judaísmo atual. Uma das principais diferenças era o forte caráter proselitista do mesmo. O Judaísmo Parush (precursor do Judaísmo Ortodoxo moderno) era extremamente proselitista. Ora, Nakdimon (Nicodemos), como um rabino importante como pudemos ver anteriormente, certamente estaria familiarizado com os rituais judaicos de conversão. A questão do prosélito e o novo nascimento Para o Judaísmo Parush, e este conceito foi herdado pelo Judaísmo Ortodoxo, um gentio que se tornasse prosélito e se convertesse ao Judaísmo deveria “morrer” para a sua natureza gentílica e “renascer judeu”. O seu renascimento como judeu seria o primeiro passo para um relacionamento com o Reino do Eterno. Mas como era simbolizado este “renascimento espiritual”? Através da tevilá, isto é, da imersão nas águas do mikveh (o banho ritual) _ que posteriormente o Cristianismo passou a chamar de “batismo”. Até hoje, o conceito de que um prosélito precisa “nascer de novo nas águas” permanece no Judaísmo. Vejamos algumas evidências: O prosélito é considerado como uma criança recém-nascida... (vide Shulchan'Aruk, Yoreh De'ah, 269; 'Yad,' Issure Biah, xiv. 13)... O conceito do novo nascimento do prosélito (Yeb. 62a; Yer. Yeb. 4a) e de seu novo status com relação à sua antiga família é assunto de muitas discussões haláquicas (Yeb. xi. 2; Yer. Yeb. I.C., et al.) _ Enciclopédia Judaica (sobre 'Prosélitos') Que ato físico poderia uma pessoa realizar para simbolizar uma mudança radical de coração, um comprometimento total? Existe um sinal tão dramático, dinâmico e totalmente abrangente que poderia representar a mudança radical de um converso ao Judaísmo? ... Submergindo em um corpo de água pelo propósito não de usar as propriedades físicas de limpeza da água, mas para expressamente simbolizar uma mudança na alma é uma declaração tanto profundamente espiritual quanto imensamente inspiradora... A água do mikveh é concebida para limpar ritualmente uma pessoa dos atos do passado. O convertido é considerado pela lei judaica como sendo uma criança recém-nascida. Ao limpar espiritualmente o convertido, a água do mikveh o prepara para confrontar a o Eterno, a vida e as pessoas com um espírito renovado em com novos olhos. Ela [a água] limpa o passado, deixando somente o futuro. [Rabino Maurice Lamm]. O espanto de Nakdimon Agora podemos perceber claramente o porquê do espanto de Nakdimon (Nicodemos). Lá estava Yeshua perante um grande rabino _ possivelmente um dos maiores de Israel naquela época _ e Yeshua dizia a ele que ele precisava nascer de novo! A resposta de Nakdimon (Nicodemos) expressa este choque, e demonstra o quanto ele acreditava que sua mera condição racial o isentava na questão: Entrarei novamente no ventre da minha mãe? Ou seja, ele estava dizendo: “Ei, eu já nasci judeu! Vou então voltar ao ventre materno?!” Repare agora na última parte da citação selecionada do rabino Maurice Lamm. Veja que a imersão tinha como propósito demonstrar a disposição da pessoa a fazer teshuvá, isto é, um retorno dos seus maus caminhos. É preciso começar de novo, com uma “ficha limpa”. Daí a ideia da imersão “apagando o passado”. O que Nakdimon (Nicodemos) possivelmente não enxergava era que até mesmo um parush (fariseu), isto é, alguém super zeloso para com a Torah, poderia precisar de uma ficha limpa. A arrogância espiritual da auto-suficiência no zelo, possivelmente até despercebida, era o ponto fraco de Nakdimon (Nicodemos), ao qual Yeshua estava se referindo. Ele estava dizendo: “Até você, que se orgulha de viver na Torah, precisa se arrepender e se voltar a o Eterno!” Mas, será que o restante do contexto apoia a nossa conclusão? Nascido na água e da Ruach Em seguida, temos outra famosa frase de Yeshua em que Ele se refere ao fato de que só veremos o Reino de Elohim se nascermos da água e da Ruach (Espírito). Agora, o contraste entre água e espírito também não era nenhuma novidade para Nakdimon (Nicodemos). Vejamos o que diz Yechezkel HaNavi (o profeta Ezequiel): “Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.” (Yechezkel 36:25-26) Repare que o profeta compara o novo espírito com a questão da “circuncisão do coração”, que a Torah aborda e que Sha'ul [Paulo] reforça. A circuncisão do coração nada mais é do que a kavaná, isto é, a intenção do coração. Yeshua mesmo, em outras ocasiões, confirmou o conceito de que a origem de nossos atos e, portanto, a fonte de tudo está no coração. O paralelo de Yeshua Vemos aqui então o paralelo traçado por Yeshua. Ele vai além de sugerir uma imersão a Nakdimon (Nicodemos), ele sugere ainda uma teshuvá (retorno) do coração ao Eterno. Isso para um homem orgulhoso como Nakdimon (Nicodemos) era demais, e por isso ele não conseguiu entender algo que era tão claro: que ele, judeu observante da Torah, precisava se arrepender dos seus pecados e buscar a face do Eterno tanto quanto um helenista pagão. Afinal, este era um dos principais problemas de alguns p'rushim: atos externos de aparente santidade enquanto o interior estava distante do Eterno. Re-analisando portanto o paralelo de Yeshua, vemos que Ele disse que Nakdimon (Nicodemos) precisaria nascer da água (isto é, ter uma atitude de arrependimento e almejar “começar de novo”) e do espírito (isto é, ter um coração voltado para o Eterno). Agora começa a fazer sentido todo o contexto geral. E vemos que é exatamente isso que o Eterno vem pedindo de Israel desde os primórdios da Torah. Nada mudou quanto à expectativa dEle, porque Ele não muda. Yeshua encerra dizendo que quem é “nascido da carne é carne” e quem é “da Ruach é espírito”. Ou seja, ele diz a Nakdimon claramente: Nakdimon, não estamos aqui falando de descendência física, mas sim de uma regeneração do seu interior! Reconstruindo o dialogo entre Yeshuá & Nakdimon Se fôssemos reconstruir o diálogo entre Yeshua e Nakdimon, utilizando a linguagem de hoje e mantendo a mesma ideia, o mesmo seria mais ou menos da seguinte forma: Yeshua: [c/autoridade*], Eu te digo que se você não fizer uma imersão simbolizando que está deixando para trás os seus pecados, não verá o Reino de o Eterno; Nakdimon: Imersão? Como você pode dizer isso? Eu já sou judeu de nascimento! Como vou entrar de novo no ventre da minha mãe para renascer judeu? Yeshua: [c/autoridade*], Eu te digo que se você não demonstrar exteriormente que fez teshuvá (retorno) em seu coração, não vai entrar no Reino de o Eterno. Não estou falando de ser judeu fisicamente, mas sim de ser regenerado espiritualmente. Não fique surpreso se Eu te digo que você precisa fazer teshuvá (retorno). * O uso da expressão “ “Amen, Amen” representa a grande autoridade que Yeshua demonstrava nesta ocasião. O entendimento cristão versus o entendimento do Judaismo do Caminho Segue um pequeno resumo da diferença aqui demonstrada de como um cristão, que enxerga esta passagem desconectada de seu contexto judaico, encara a questão, e como um Israelita do Caminho vê a questão. Para um cristão: Yeshua se referia a uma experiência nova; O novo nascimento é o ato de “ser salvo aceitando a Yeshua”; Nakdimon não tinha como saber do que Yeshua estava falando (e provavelmente não era muito esperto se a pergunta dele sobre voltar ao ventre foi literal); Nascer da água é ser batizado e nascer da Ruach é ser “batizado no Espírito Santo”; O novo nascimento é um fenômeno puramente de fé. Para Isrealita do Caminho: Yeshua se referia ao mesmo objetivo que o Eterno sempre teve de que todos se voltem a Ele; O novo nascimento é a teshuvá, isto é, retorno ao Eterno. O novo nascimento não é a “salvação”. A salvação é consequência do novo nascimento; Nakdimon sabia do que Yeshua estava falando, mas sua arrogância espiritual o cegava quanto à necessidade de uma pessoa “religiosa” se arrepender; “Nascer da água e do espírito” é uma figura de linguagem usada por Yeshua para expressar os dois aspectos da teshuvá: a demonstração externa (água) de um processo interno (espírito), exatamente como é no caso de um prosélito do Judaísmo; O novo nascimento envolve fé e atitude de vida Conclusão: o que é o novo nascimento Em poucas palavras, nascer de novo é estar disposto a começar com uma “ficha limpa”. Isto é: deixar para trás uma vida de pecado e distanciamento do Eterno, e abraçar a pureza original. Ou seja: voltar a desejar viver uma vida reta, no serviço dEle. Contudo, o mais importante de tudo: por amor a Ele, com o coração circuncidado, isto é, voltado para a nossa aliança com Ele. O novo nascimento não é uma experiência transcendental, nem é “um momento” ou mesmo “um ato”, e sim uma atitude de vida. Esse novo nascimento nos conduz a Yeshua HaMashiach, que nos leva à vida eterna em YHWH.

A Origem Hebraica de Matitiyahu

A Origem Hebraica de Matitiyahu Registros Históricos Diversos relatos históricos dos chamados “pais da igreja” nos revelam que Matitiyahu (Mateus) originalmente compôs as suas boas novas no hebraico. Esse texto era usado de forma praticamente unânime entre todas as seitas judaicas de seguidores do Mashiach. Abaixo, alguns dos principais relatos históricos: Irineu - século II: “De fato, Mateus, dentre os hebreus em seu próprio dialeto, também produziu um evangelho...” (Contra Heresias 3:1:1) Orígenes - século III: “... o primeiro [evangelho] foi escrito foi o segundo aquele que era um publicano, mas depois um emissário de Yeshua o Messias, Mateus, que o publicou para aqueles do Judaísmo que haviam crido, ordenado e reunido em letras hebraicas.” (Comentário de Mateus) Eusébio - século IV: “Mas sobre Mateus, ele [Papias] diz o seguinte: Mateus, portanto no dialeto hebraico organizou os oráculos, e a cada um interpretou segundo sua capacidade.” (História da Igreja 3:39:116) Jerônimo - século V: “Mateus, que também é chamado Levi, o emissário ex-publicano, primeiramente compôs em letras hebraicas o evangelho do Messias na Judéia, para aqueles que vieram a crer dentre a circuncisão. Quem posteriormente o traduziu para o grego não é certo o suficiente. Além disso, este texto hebraico ainda é mantido até hoje na biblioteca de Cesaréia que Panfílio o mártir estudiosamente reuniu. Recebi uma oportunidade dos Nazarenos de copiar este volume, que é usado em Beroea, cidade da Síria. Em tal evangelho, deve-se notar que, quer o evangelista, quer por sua própria pessoa quer pelo Senhor e Salvador, faz uso dos testemunhos das escrituras antigas, ele não segue a autoridade dos setenta tradutores, mas o hebraico.” (Sobre Homens Famosos 3) “O primeiro de todos é Mateus, um publicano denominado Levi, que publicou um evangelho na Judéia na língua hebraica, especialmente em razão daqueles que creram em Yeshua dentre os judeus.” (Prólogo dos Quatro Evangelhos) “Por fim Mateus, que escreveu o evangelho na língua hebraica...” (Epístola a Damásio 20) Matitiyahu também chamado de “Evangelho dos Hebreus” Alguns consideram, e de fato por muito tempo seguimos tal suposição, que o chamado “Evangelho dos Hebreus” é uma obra perdida, um dos evangelhos originalmente utilizado como canônico, especialmente nos meios das seitas judaicas seguidoras do Mashiach, e que havia se perdido. Outros consideram que Matitiyahu teria escrito uma obra em hebraico, e outra, distinta, no grego. Todavia, uma análise mais cuidadosa das evidências históricas, podemos perceber que na realidade se trata de uma única obra. Vejamos algumas evidências: Epifânio - século IV: “E eles [seitas judaicas] próprios também aceitam o evangelho segundo Mateus... Mas eles o chamam 'segundo os Hebreus'.” (Panarion 30:3) Jerônimo - século V: “No evangelho hebraico segundo Mateus está assim: Nosso pão para amanhã nos dá hoje, isto é, o pão que Tu nos darás no Teu Reino nos dá hoje.” (Comentário do Sl. 135) Compare com: “No evangelho que é chamado segundo os Hebreus, eu encontrei ao invés do pão supersubstancial, eu encontrei mahar (מהר ), que significa “de amanhã”, de modo que o sentido seria: Nosso pão de amanhã, isto é, o [pão] futuro dá nos hoje.” (Comentário sobre Mt. 6:11) Podemos perceber que Jerônimo cita o mesmo texto. Rabanus Maurus - século IX: “Deve-se notar que no evangelho segundo os Hebreus que os Nazarenos e os Ebionitas usam, e que é chamado por muitos de o evangelho autêntico de Mateus...” Irineu – século II: Frequentemente, as citações do evangelho dos Hebreus, como a que vimos acima, identifica os Ebionitas como um grupo que utilizava tal obra. Irineu, no século II, todavia, nos afirma que os Ebionitas utilizam apenas o evangelho de Mateus: “[Os Ebionitas], contudo, utilizam apenas o evangelho que é segundo Mateus…” (Contra Heresias 1:26:2) Mais uma evidência de que se tratava do mesmo texto. Matitiyahu também chamado de “Evangelho dos Nazarenos” Identificado nas citações históricas como “o evangelho que os Nazarenos usam”, ou ainda simplesmente como o “Evangelho dos Nazarenos”, alguns acadêmicos o classificam como sendo uma obra à parte de Matitiyahu e do “Evangelho dos Hebreus”. Outros identificam o “Evangelho dos Nazarenos” como sendo idêntico ao “Evangelho dos Hebreus”, porém diferente de Matitiyahu. Todavia, novamente os relatos históricos apontam que se trata de uma outra forma de se referir à mesma obra. Vejamos algumas comprovações históricas: Jerônimo – século V: “No evangelho que os Nazarenos e os Ebionitas usam, que recentemente traduzimos do hebraico para o grego, e que é chamado por muitos de o autêntico de Mateus...” (Comentário sobre Mt. 12:13) “E [os Nazarenos] têm o evangelho segundo Mateus bem completo no hebraico. Pois dentre eles ainda é claramente preservado, assim como foi escrito desde o princípio em letras hebraicas.” (Panarion 29:9) “No evangelho segundo os Hebreus, que de fato é escrito na língua Caldéia e Siríaca, mas em letras hebraicas, os quais os Nazarenos usam até hoje, segundo os emissários, ou como a maioria se refere a ele: segundo Mateus, o qual também é preservado na biblioteca de Cesaréia...” (Contra os Pelagianos 3:2) Hebraico ou Aramaico? A citação acima de Jerônimo leva muitos a questionarem a língua original do texto de Matitiyahu. Teria Matitiyahu escrito em hebraico ou no aramaico? Alguns chegam a utilizar esta citação de Jerônimo para defender uma primazia aramaica. Todavia, se analisarmos os demais relatos dos chamados “pais da igreja”, vemos que, além de Jerônimo, a única citação ambígua é a de Orígenes, que diz que o texto foi composto “em letras hebraicas” (o que alguns poderiam considerar como sendo somente o alfabeto hebraico.) Os demais “pais da igreja”, incluindo Irineu, que é dono da citação mais antiga de todas, afirmam categoricamente que Matitiyahu escreveu não apenas no alfabeto hebraico, mas na língua hebraica. O próprio Jerônimo afirma tal coisa em sua epístola a Damásio. Portanto, está muito claro que Matitiyahu foi originalmente composto no hebraico. Porém, a citação de Jerônimo tem grande valor. Ela significa que, bem cedo na história, o texto foi traduzido para o aramaico. Até porque a tradução do hebraico para o aramaico é relativamente simples, como traduzir um texto no espanhol para o português, dada a semelhança entre as línguas. Isso explicaria o porquê do texto aramaico de Matitiyahu (Siríaco Antigo e Peshitta) frequentemente apresentarem variantes textuais que não encontram eco em qualquer dos manuscritos gregos de que se tem notícia. Porém, devemos ter muito claramente em questão o fato de que Matitiyahu foi originalmente escrito no hebraico. O Texto Nazareno x o Texto Ebionita Um ponto fundamental que devemos considerar é o de que o texto de Matitiyahu no hebraico era diferente entre Nazarenos e Ebionitas. Epifânio faz clara distinção entre ambos, em sua obra Panarion, onde comenta acerca de ambas as seitas judaicas: “E [os Nazarenos] têm o evangelho segundo Mateus bem completo no hebraico. Pois dentre eles ainda é claramente preservado, assim como foi escrito desde o princípio em letras hebraicas.” (Panarion 29:9) “No evangelho dentre eles chamado segundo Mateus, mas não totalmente completo, mas ilegítimo e adulterado...” (Panarion 30:13) Repare que, segundo Epifânio, o texto hebraico de Matitiyahu dos Nazarenos era bem preservado em sua originalidade. Já o texto dos Ebionitas havia sofrido alterações. Alguém poderia questionar tal afirmação de Epifânio, chamando-a de tendenciosa. Todavia, Epifânio na obra Panarion nos dá diversos exemplos de textos adulterados pelos Ebionitas. Não é escopo deste estudo introdutório aprofundar a questão do texto ebionita. Assim sendo, nos ateremos a resumir o relato de Epifânio: O evangelho dos Ebionitas mostra Yeshua como um vegetariano radical. Ele não teria cumprido os sacrifícios de expiação pelos pecados, e sim abolido tais sacrifícios devido ao derramamento de sangue de animais ser supostamente abominável a Elohim. O texto Ebionita, além de incompatível com a realidade judaica da época, faz questão de se opor frontalmente à Torá, e por isso pode ser descartado. Maiores informações sobre o texto ebionita podem ser obtidos na obra Panarion, capítulos 29 a 31. Variantes Textuais: Como Explicar? Uma questão que muitos apresentam, e com toda razão, é: Como podemos explicar tanta variação textual do texto hebraico, quer em seus manuscritos remanescentes, quer nas citações dos “pais da igreja”, para com o texto grego? Afinal, em alguns trechos, há divergências radicais entre os relatos. Depois de estudar profundamente a questão, apresento algumas hipóteses que devem ser consideradas: a) Incômodo Teológico: A incompreensão e/ou rejeição do Judaísmo certamente gerou incômodos teológicos, cuja resolução mais simples foi a omissão dos relatos. Talvez o exemplo mais claro e importante disso seja a forte ação da Ruach HaKodesh (Espírito Santo) enquanto Mãe da Elohut (“natureza enquanto Elohim”) de Yeshua, ao passo que Miriyam é apresentada apenas como mãe da natureza humana de Yeshua. A incompreensão do aspecto feminino de YHWH, a Ruach HaKodesh que, no hebraico, é termo feminino e associado ao chamado “Pilar da Mãe” do Ein Sof (Aquele que é Infinito) levou à completa eliminação dos trechos em questão. Até hoje vemos o resquício de tal incompreensão no meio cristão, que considera “o Espírito Santo” como um elemento masculino, ignorando inclusive que em Bereshit (Gênesis) 1:27, o ser humano é criado macho e fêmea à semelhança de YHWH. b) Incômodo Político: A marcante atuação de Ya’akov HaTsadik (Tiago, o Justo) nos acontecimentos que precederam e sucederam a morte de Yeshua também são omitidos. A justificativa mais provável de tal omissão é a posterior alegação romana (totalmente equivocada) de que Shimon Kefah (Simão Pedro) seria o líder do movimento de Yeshua – quando na realidade, o livro de Ma’assei haSh’lichim (Atos dos Emissários), e os relatos históricos, nos revelam que tal liderança pertencia de fato a Ya’akov. c) Glosa de Copista/Tradução: Não se pode ignorar a influência das glosas de copistas e tradutores. É comum que alguns pensem em uma teoria conspiratória que resultou em tais glosas. Todavia, deve-se levar em conta que os textos eram escritos de forma cursiva, com caligrafia que nem sempre favorecia, nem sempre em linhas tão retas ou com tinta de boa qualidade. Some-se a isso a ausência de pontuação e de vogais no texto hebraico e aramaico, e é fácil compreender que as chances de glosa não são nada pequenas. Copistas suprimiam textos acidentalmente, emendavam trechos de grafia semelhante, trocavam ou não compreendiam letras, e isso não era algo raro. Como também não eram raros os erros por parte dos tradutores, a partir de textos igualmente difíceis. Isso explica diversas variantes textuais, sem necessariamente contribuir para validar qualquer teoria conspiratória. d) Harmonização com outros Evangelhos: Vemos com relativa frequência que algumas variantes textuais sofreram a influência de outros evangelhos. Podemos citar especialmente o caso de Lucas. Marcus vem em segundo lugar, e Yochanan (João) também influenciou determinados trechos. O trecho onde isto é mais evidente é na parábola dos kikarim – conhecida no grego como parábola dos “talentos” – cujo original hebraico era muito diferente. O texto foi claramente modificado para harmonizar com a parábola dos “manim” – conhecida no grego como parábola das “minas” – embora fossem parábolas diferentes. Temos que ter com muita clareza em mente que, apesar das semelhanças, Matitiyahu e Lucas não são idênticos, e o motivo reside justamente no nível dos detalhes. Isso não é sem precedentes nas Escrituras onde, por exemplo, trechos da mesma narrativa são expostos em Shemot (Êxodo) e Devarim (Deuteronômio), ou de forma mais evidente em Melachim (Reis) e Divrei HaYamim (Crônicas). Os diferentes escritores nos possibilitam ter uma visão mais ampla do relato. Todavia, alguns consideravam as diferenças – e repare que aqui afirmo “diferenças” e não “divergências” pois não há contradições entre eles – como fonte de incômodo. Isso explica a tentativa de harmonizar o texto de Matitiyahu. Especialmente porque Matitiyahu, como vimos, era utilizado quase que de forma unânime pelos seguidores de Yeshua. e) Deslocamento Este é talvez o mais curioso dos motivos pelos quais há divergências textuais. Alguns trechos da narrativa de Matitiyahu no hebraico, talvez como forma de tentar harmonizar a cronologia com Marcus e/ou Lucas, foram removidas de seu local original, e postas em outros pontos do chamado Novo Testamento. Existem três narrativas que são mencionadas pelos chamados “pais da igreja” como pertencentes a Matitiyahu no hebraico, mas que atualmente encontramos em outros pontos. São elas: A Mulher Adúltera: A controvérsia sobre o texto de Yochanan (João) 7-8 sobre a mulher adúltera tem uma razão de ser. O texto não é encontrado nos manuscritos mais antigos, e, em alguns manuscritos, aparece como parte do evangelho de Lucas. Eusébio (século IV), em “História da Igreja 3:39:1”, relata que a narrativa fazia parte de Matitiyahu originalmente. A Lavagem dos Pés: O texto que se encontra na narrativa de Yochanan (João) sobre o Pessach é citado por um códice do século XIV (A História da Paixão do Senhor) como pertencente, originalmente, a Matitiyahu. A Escolha de Matitiyahu (Matatias): A história da escolha do substituto de Yehudá (Judas) é narrada em Atos, mas é citada por Dídimo, o cego (século IV) em seu comentário sobre o Sl. 34:1 como pertencente, originalmente, a Matitiyahu. Embora o primeiro caso seja mais evidente, nos dois últimos não sabemos se o relato de Yochanan (João) e de Lucas são na realidade trechos extraídos de Matitiyahu, ou se são simplesmente semelhantes ao mesmo. Assim sendo, é mais conveniente preservar os textos na posição tradicional, visto que o que importa é a mensagem, e não a posição onde se encontram nas Escrituras. Conclusão Deste pequeno estudo, podemos concluir que Matitiyahu foi escrito em hebraico. O texto foi traduzido para o aramaico e para o grego. O texto hebraico era também conhecido como “Evangelho dos Hebreus”, “Evangelho dos Emissários” ou ainda “Evangelho dos Nazarenos”. Aqui cabe uma observação que a edição de 1551 do manuscrito de DuTillet traz o título de “Torat HaMashiach” (A Torá do Messias). O texto também era usado por outras seitas judaicas, tal como os Ebionitas, todavia apresentando alterações textuais. O texto hebraico original, conforme atestado pelos chamados “pais da igreja” também possuía algumas importantes divergências textuais para com o texto tal qual tradicionalmente se conhece a partir do grego.

Efrayim A Plenitude das Nações

Palestra: Efrayim – A Plenitude das Nações (Material de Apoio) Por Romach Ben Tsabar 1- Plenitude das Nações: A Promessa aos Patriarcas - Multiplicação de semente e propriedade da terra. Bereshit (Gen.) 13:14-16, 15:1-6, 17:4, 22:07-18, 26:4, 28:3 (“como o pó da terra”, “as estrelas (...) assim será a tua descendência”, etc); Multidão de nações, hamon goyim; - Yitzchak abençoa o sêmen de Ya’akov para que chegue a ser um “Kehilah Amim”, ou seja, Assembléia de Nações; - Promessa eterna, um pacto perpétuo, sem volta; - Promessa real/física ou apenas de cumprimento espiritual? - Avraham como ‘Pai da Fé’, porque? Por crer na Palavra literal de YHWH. 2- A Bênção de Ya’akov a Efrayim - Ya’akov adota os filhos de Yossef; Bereshit (Gen.) 48:5; - A Benção de Ya’akov; Bereshit (Gen.) 48:19; - Ya’akov se confundiu? - O que é “M’lo HaGoyim”? Possibilidades de tradução: M’lo (multidão, plenitude) Goyim (nações/gentios) “Multidão de Nações” ou “Plenitude das Nações/Gentios”; - Você já leu em algum lugar “Plenitude dos Gentios”? 3- Yehudah e Efrayim: A Divisão do Reino - O Eterno anuncia a divisão do Reino; Melachim Alef (I Reis) 11:11-14; - Yeroboam recebe as 10 Tribos, e reina; Melachim Alef (I Reis) 11:31; No ano 921 A.C as 10 Tribos do Norte se separam da Bet Dawid; - Identificação dos Reinos: Reino de Yehudah: o mesmo que ‘Casa de Yehudah’, às vezes chamado de apenas ‘Yehudah’. Ao sul, formado pela tribo de ‘Yehudah’, ‘Binyamin’ mais parte dos levitas. Capital Yerushalayim (Jerusalém); Conhecidos como ‘judeus’; Reino de Israel: também conhecido como ‘Casa de Yisrael’, ‘Casa de Yossef’ (I Reis 11:28), ‘Efrayim’, e umas poucas vezes somente’ Israel’. Posicionado ao norte, formado pelas outras dez tribos. Capital Shomeron (Samaria); Conhecidos como ‘efraimitas’; Vide: Yermiahu (Jer.) 31:27; - Apos a divisão do Reino, o Eterno faz esta diferenciação entre a quem Ele esta se dirigindo. - Esta divisão vem do Eterno, é por Sua vontade, Melachim Alef (I Reis) 12:24; (... porque de Mim veio isto.); - Idolatria, Destruição e Assimilação de Efrayim: - “Pelo que o rei, tendo tomado conselho, fez dois bezerros de ouro, e disse ao povo: Basta de subires a Jerusalém; eis aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito. (...) Ora, isto se tornou em pecado; pois que o povo ia até Dan para adorar o ídolo”, Melachim Alef (I Reis) 12:26-33; - “Os seus sacerdotes violentam a Minha Torah, e profanam as Minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem ensinam a discernir entre o impuro e o puro; e de Meus Shabatot escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles”, Ez. 22:26 - Relato de Flavio Josefo: “Eis de que modo Yeroboam enganou o povo que a ele se tinha submetido e o levou a abandonar a Torah de Elohim e a religião de seus antepassados: o que foi causa dos males que os hebreus sofreram depois e da escravidão a que se encontram reduzidos, após terem sido vencidos por nações estrangeiras...” Antiguidades Judaicas Livro 8, Cap. 3; - Tiglat Pileser e Salmaneser (pai de Tiglat) destroem completamente o Reino de Israel (10 Tribos), no ano 721 AC. Efrayim é levado cativo para Assíria. E se misturam com os assírios (arameus); “Foi assim que as dez tribos que compunham o reino de Israel foram expulsas de seu país, (...) Foi assim que aquele infeliz povo foi castigado por ter desprezado a Torah de Elohim e a voz dos profetas, que lhes tinham tantas vezes predito as desgraças em que eles cairiam, se continuassem em tal impiedade. Yeroboam foi-lhes o ímpio e infeliz autor, quando tendo subido ao trono, levou o povo, a seu exemplo, à idolatria e atraiu contra si a cólera de Elohim que o castigou como merecia.” Antiguidades Judaicas Livro 9 Cap. 14; 4- Yehudah e Efrayim nos Profetas - Hoshea 8:12: “Escrevi para ele [Efrayim] miríades de coisas da Minha Torah; mas isso é para ele como coisa estranha”; - Hoshea 1: - Hoshea tem uma mulher de prostituição, mostrando o que Efrayim estava fazendo para o Eterno. Prostituição significa idolatria, se afastar da Torah. - Lo-Ruhammah: Lo (não), Ruhammah (misericórdia, compaixão); - Lo-Ami: Lo (não), Ami (povo); - Mesmo após Efrayim ser chamado “Lo-ami”, sendo um reino totalmente destruído, continua sendo areia do mar. (Hoshea 1:10); - Areia do mar? Soa familiar? A promessas aos Patriarcas. - Hoshea 7:8: “Quanto a Efrayim, ele se mistura com os povos; Efrayim é um bolo que não foi virado”; - Hoshea 8:8: “Israel foi devorado; agora está entre as nações como um vaso em que ninguém tem prazer”; - Hoshea 9:17: “O meu D-us os rejeitará, porque não O ouviram; e errantes andarão entre as nações”; - Efrayim ira voltar? E se unirá a Yehudah? “Assim diz o YHWH Tzevaot: Naquele dia sucederá que dez homens, de nações de todas as línguas, pegarão na orla [tzitzit] das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que o Eterno está convosco”, Zc. 8:23; “E os filhos de Yehudah e os filhos de Yisrael juntos se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça” Hoshea 1:11; Cabeça = Mashiach. Ver Efesios 5:23: “O Mashiach é a cabeça da Kehilah”, Kehilah = Judeus + Efraimitas + Estrangeiros; “E Eu mesmo recolherei o resto das Minhas ovelhas de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão, e se multiplicarão (...) Nos seus dias Yehudah será salvo, e Yisrael habitará seguro...”; Yermiahu (Jer.) 23:3-6; “Eis que os dias vêm, diz YHWH, em que farei um pacto novo com a Casa de Yisrael e com a Casa de Yehudah” Yermiahu (Jer.) 31:31-34. Efrayim sendo participante juntamente com Yehudah do Pacto Renovado. “Eis que tomarei o reino da tribo de Yossef, que esta na mão de Efrayim, e as tribos de Yisrael, seus companheiros; e ajuntá-los-ei ao reino da tribo de Yehudah, e deles farei um só reino, e serão um só na Minha mão”, Yekhezqel 37:19; Paralelos entre Yossef e Efrayim: Yossef Efrayim Yossef se separa de seus irmãos; Efrayim se separa das outras tribos; Vai para uma outra terra; Egito; É disperso para outras terras; Assíria, Egito, Etiópia, Bretanha, Espanha, França etc. É dado como morto, perdido; É tido como perdido, caído; Os seus irmãos não o reconhecem mais, pois se parece com um gentio; Os seus irmãos (judeus) não o reconhecem mais, pois não vive como israelita, mas como gentio; Quando fala em sua própria língua, retira as roupas de gentio, é reconhecido; Quando começa a falar sua própria língua hebraica, Torah, retira a roupagem pagã, é reconhecido; O encontro com seus irmãos é marcado por muito choro; Bereshit (Gen.) 42:24, 43:29, 45:2, 45:14-15; Ao retornarem com seus irmãos [Yehudah] virão chorando; Yermiahu (Jer.) 50:4; Vivem em paz, como uma família; Vivem como um só povo; 5- Yehudah e Efrayim no NT - Matitiyahu (Mat.) 15:24 – “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel”. Quem é Casa de Israel? - Yochanan (João) 10:16 – Outras ovelhas; - Matitiyahu (Mat.) 28:18-20 – A Grande Comissão, qual a sua função? - Atos 1:6 – “É neste tempo que restauras o reino a Israel?”; - Luka 24:21 – “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel” -> Yermiahu (Jer.) 23:3-6; - Atos 15:14-17 – Reconstruindo o Tabernáculo de Dawid; - Matitiyahu (Mat.) 19:28 – Olam Haba; - Yochanan 4:5-12 – A mulher samaritana diz nosso pai Ya’akov; - Atos 29: A busca de Rav. Shaul (Paulo) pelas ovelhas perdidas da Casa de Israel; Cartas dos Emissários: - Ya’akov 1:1: As doze tribos da Galut (dispersão); - I Kefah 1:1: Dispersão judaica? Ele ocorre somente anos mais tarde. - I Kefah 2:8-10: Ligação com Hoshea 1; Cartas de Rav. Shaul (Paulo) - Romanos 9:24-25 – Rav. Shaul (Paulo) cita Hoshea e Yeshayahu (Is.); Declara no vers. 24 que o Eterno chama a judeus e não-judeus. Identifica os “gentios salvos” como sendo a Casa de Israel no vers. 25 1. Cita a passagem de Lo-Ami de Hoshea e atribui aos “gentios salvos”, ou seja, a Casa de Efrayim como sendo os cumpridores da promessa da “areia do mar”. - Efesios 2:11 - “que outrora vós, goyim [nações/gentios]”; - Galut-Yah 3:29 – Semente espiritual? Filhos espirituais de Avraham? - I Cor. 10:1-4 – Rav. Shaul (Paulo) recorda aos efraimitas (israelitas não-judeus) que seus pais, ou seja, hebreus foram tirados do Egito e encontraram a Rocha, o Mashiach, tal como eles tinham feito. - I Cor. 5:7-8 – Efrayim celebrando Pêssach. - Os efraimitas no primeiro século, chamados de ‘arameus’ (por causa do exílio assírio) e “goyim” (“gentios”/nações) como vemos no Talmud, Yevamot 17a; 6- Como os Judeus Vêem a Questão de Efrayim - Grandes Rabinos: Rabbi Akiva: "As Dez Tribos não retornarão como foi dito (Devarim 29:27) 'E Ele os jogou a uma terra diferente como este dia'. Assim como o dia passa e jamais voltará, eles também serão exilados para nunca mais voltarem", Sanhedrin 110b; - Rabbi Eliezer: “Assim como o dia é seguido pela escuridão, e a luz mais tarde retorna, assim também ficará 'escuro' para as Dez Tribos. Elohim por fim os tirará de suas trevas”, Sanhedrin 110b; Esta é a opinião oficial do Judaísmo. - Rashi (Rabbi Shlomo Ben Yitzchak): “O primeiro exílio dos filhos de Israel que foram levados cativos das Dez Tribos a terra dos cananeus até Sarepta” Os exegetas dizem que Sarepta significa o Reino chamado ‘França’ na língua comum”. Ou seja, aqui Rashi afirma que as 10 Tribos foram estão na França; - Ramban (Rabbi Moshe Ben Nachman): “A visão de Abdias a Casa de Yossef se refere as Dez Tribos que foram exiladas e estão, todavia em seu lugar de exílio, o exílio de Sarepta e Canaã, que estão mais distantes ao norte”. - Dom Yitzchak Ben Yehudah Abarbanel: “Sarepta é França e também os exilados de Sefarad em Espanha e não te deixes enganar somente porque Sarepta [França] é mencionada e Anglaterre [Inglaterra] não é mencionada, porque ali também foram os exilados, porque eu tenho aqui, que esta ilha é considerada como uma parte de Sarepta, e ao principio pertencia a ela, e em seus livros antigos a chamam de ilha de Sarepta [França], no entanto mais tarde se separou de Sarepta [França], e se converteu em um reino de direito próprio. (...) "E, pode ser, a intenção também destes Filhos de Israel que abandonaram completamente a Religião devido aos problemas e perseguições, e seguem na França e Espanha por milhares e por dezenas de milhares, grandes comunidades. Eles voltarão e implorarão ao Senhor seu D-us”. - Rio Sambation: Segundo a tradição judaica, existe um rio, que no caso, estariam as 10 Tribos atrás dele; Ele ficaria seis dias se movimentando e no Shabat, ficaria parado. Uma lenda que tem origem no Estreito de Bosforo. - E se Efrayim retornar? (na visão judaica tradicional) Precisam se converter, e se tiverem circuncisão precisam fazer uma “nova” (Hatafat Dam Brit). - Quando um não-judeu se “converte” não é considerado uma conversão, mas sim um retorno! 7- Quem é Efrayim hoje? Para onde foi Efrayim e Yehudah? Há relatos históricos sobre isto? - Yair Davidiy: Segundo suas pesquisas históricas, arqueológicas e talmúdicas, as 12 Tribos teriam se dispersado da seguinte forma: Tribo Pais Efrayim Grã-Bretanha Menashe EUA Ruven França Shimon Europa céltica e judaica (Portugal/Espanha) Levy Onde quer que fossem os judeus Yehudah Em todos os paises praticamente Issachar Suíça/Finlândia Zevulun Holanda Gad Suécia Asher Escócia Biniamin Com os judaitas na Bélgica/Normandia Dan Dinamarca com os celtas Neftali Noruega - Relatos históricos diversos: Aarão Levy de Montesinos (1642): Viajante espanhol, de origem marrana. Encontrou na América do Sul, tribos que conheciam o Sh’mah. Ele fez esta afirmação sob juramento para um tribunal judaico em Amsterdã, perante o principal rabino, Menashe Bem Yisrael; Nicholas Delttsu (1587): Jesuíta enviado a América do Sul, para converter índios. Encontrou tribos incas que preservavam nomes hebraicos como Moshe e Avraham; James Adair (1709): Escreveu “Historia dos Índios Americanos”. Afirma que índios faziam circuncisão e outras práticas bíblicas; Roger Willians (1827): Descreve as línguas indígenas como semelhantes ao hebraico, em seu artigo “A Chave para linguagem da América”; Menashe Ben Yisrael (1698): Este rabino escreveu um livro (A Esperança de Israel) apos ouvir o relato de Aarão Levy de Montesinos. Ambrosio Fernandes Brandão (1618): Em seu livro, que descreve a terras brasileiras, afirma que indígenas brasileiros são descendentes de israelitas: “se acha entre eles muitas palavras e nomes pronunciados na língua hebréia e da mesma maneira (...) tenho por sem dúvida, descenderem estes moradores naturais do Brasil daqueles israelitas que navegaram primeiro pelos seus mares”; Diego de Duran (1585): Em “Historia das índias da Nova Espanha” afirma categoricamente que indígenas sul-americanos são descendentes das dez tribos da Casa de Efrayim: “Outra autoridade da Sagrada Escritura, se pode trazer para provar esta opinião, é que as estas dez tribos, que abaixo deixo dito, teria D-us prometido por Oseias, c. 1 e 2, e 3 até o 13, que os iria D-us multiplicar como as areias do mar, o qual claro e obviamente se vê quão grande se multiplicou, pois tem ocupado grande parte do mundo...”; Mas afinal, quem é Efrayim hoje? Quem é descendente de Ya’akov Avinu? - O que o Mashiach disse? - O que vemos hoje? - O que as profecias dizem? - Você crê?

O QUE SIGNIFICA “OBRAS DA LEI” E “DEBAIXO DA LEI”?

O QUE SIGNIFICA “OBRAS DA LEI” E “DEBAIXO DA LEI”? Por Tsadok Ben Derech Muitas pessoas se confundem com os escritos de Sha’ul (Paulo) acerca da Torá em razão de duas expressões que aparecem na B’rit Chadashá (“NT”), sendo que tais expressões somente existem nos escritos de Sha’ul (Romanos, Gálatas e 1ª Coríntios). As duas expressões, incompreendidas pelos teólogos cristãos, são “obras da lei” e “debaixo da lei”. Eis os textos em que constam as expressões: a) “obras da lei” - Rm 3:20, 28 e 9:32; Gl 2:16; 3:2,5 e10; b) “debaixo da lei” – Rm 2:12; 3:19; 6:14-15 e 7:23; Gl 3:23; 4:5; 4:21 e 5:18; I Co 9:20. O primeiro termo, “obras da lei”, é melhor compreendido por meio da passagem de Gálatas 2:16, em que Sha’ul escreveu: “Sabendo que o homem não é justificado pelas OBRAS DA LEI, mas pela fé em Yeshua HaMashiach, temos também crido em Yeshua HaMashiach, para sermos justificados pela fé do Mashiach e não pelas OBRAS DA LEI, porquanto pelas OBRAS DA LEI nenhuma carne será justificada”. Sha’ul usa a referida expressão para descrever o falso método de justificação que é diametralmente oposto à “fé em Yeshua HaMashiach”. Para Sha’ul, as “obras da lei” não são os mandamentos da Torá, porém uma heresia muito comum em sua época. A expressão “obras da lei” é um termo técnico-teológico usado em um dos Documentos do Mar Morto chamado MMT, que diz: “Agora NÓS ESCREVEMOS para você algumas das OBRAS DA LEI, aquelas que NÓS DETERMINAMOS que sejam benéficas para você... E vai ser creditada a você como justiça, naquilo que você tem feito o que é certo e bom diante dele...” (4QMMT (4Q394-399), Seção C, linhas 26b-31, grifei). Observe no texto citado que as “obras da lei” eram mandamentos criados pelos religiosos daquela época, ou seja, eram mandamentos de homens e não mandamentos do ETERNO. Tais regras humanas não estavam de acordo com a Torá de YHWH, porém, os religiosos afirmavam incorretamente que aqueles preceitos tinham origem nas Sagradas Escrituras. Com efeito, as descobertas arqueológicas do Mar Morto lançaram luzes para o entendimento do conceito de Sha’ul, visto que foram descobertos inúmeros manuscritos contendo a cláusula “obras da lei”. Por conseguinte, basta estudar estes manuscritos para se entender qual era a definição de “obras da lei” sob a ótica do Judaísmo do primeiro século. Os documentos sobre as “obras da lei” são conhecidos como “misquat ma’aseh haTorah”, tratando-se de cartas haláquicas nas quais se expõe de maneira sistemática a halachá do grupo gumrânico. Nos textos descobertos, há uma grande gama de normas que não estão nas Escrituras, mas são determinadas aos homens como se fossem capazes de trazer justificação. Ou seja, “obras da lei” são preceitos criados por homens e com a pretensão de causar a justificação, não encontrando respaldo nas Escrituras. Vamos dar um exemplo prático. Hoje em dia, muitos pastores evangélicos dizem: “A Bíblia proíbe que a mulher corte o cabelo e depile as axilas”. Onde tal preceito consta na Bíblia? Em lugar nenhum! Assim, os líderes religiosos da atualidade agem da mesma forma que seus pares no primeiro século: criam mandamentos de homens e obrigam que as pessoas os cumpram. Yeshua criticou abertamente as regras inventadas pelos homens contrárias às Escrituras (Mc 7: 1-13). Infere-se daí que a expressão “obras da lei” significa regras criadas pelos homens como se fossem mandamentos do ETERNO, mas que não constam das Escrituras, ou seja, trata-se de verdadeiro “legalismo”. Assim, conclui-se que, em Gálatas 2:16, Sha’ul estava criticando regras criadas por homens (“obras da lei” = “legalismo”) e não os mandamentos do ETERNO existentes na Torá. Deve-se, pois, fazer uma distinção entre duas expressões veiculadas por Sha’ul: Torá (ou Lei) e “obras da lei”. A Torá recebeu os aplausos de Sha’ul; as “obras da lei” não. Verifique como o emissário elogia a Torá e critica as “obras da lei”: a) sobre a Torá (Lei), cujos mandamentos provêm do ETERNO, escreveu que é santa, justa e boa (Rm 7:12); que nunca cometeu ofensa contra a Torá (At 25:8) e que confirma a validade da Torá (Rm 3:31); b) sobre as obras da lei (= mandamentos de homens/legalismo), redigiu que nenhum homem será justificado por elas (Rm 3:20 e 28) e que servem como pedra de tropeço (Rm 9:32). “Obras da lei” significa legalismo, definido como (1) o conjunto de regras criadas por homens sem respaldo nas Escrituras; ou (2) o pensamento de que alguém conseguirá obter a justificação perante o ETERNO mediante suas próprias forças no cumprimento dos mandamentos, sem depender da graça. Então, se “obras da lei” quer dizer legalismo, podemos retraduzir os textos bíblicos em que a expressão aparece, valendo-se dos manuscritos em aramaico (Peshitta): “porquanto pelo legalismo nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela Torá é o pleno conhecimento do pecado.” (Rm 3:20). “concluímos pois que o homem é justificado pela fé e não por ser legalista em sua observância da Torá.” (Rm 3:28). “Por quê? Porque não buscavam pela fé, mas por legalismo; e tropeçaram na pedra de tropeço.” (Rm 9:32). “sabendo, contudo, que o homem não é justificado pela observância legalista, mas sim, pela fé no Mashiach Yeshua, temos também crido no Mashiach Yeshua para sermos justificados pela fé no Mashiach, e não pela observância legalista; pois por legalismo nenhuma carne será justificada.” (Gl 2:16). “Só isto quero saber de vós: Foi pela observância legalista da Torá que recebestes a Ruach [Espírito], ou pelo ouvir pela fé?” (Gl 3:2) “Aquele pois que vos dá a Ruach [Espírito], e que opera milagres entre vós, acaso o faz pelo legalismo na observância da Torá, ou pelo ouvir com fé?” (Gl 3:5). “Pois todos os que confiam no legalismo de sua observância da Torá estão debaixo de maldição...” (Gl 3:10). Avalie o último texto: o legalismo é tratado como maldição (Gl 3:10), enquanto o cumprimento correto da Torá é uma benção (Dt 28:1-14). Insta repetir: Sha’ul sempre defendeu a Torá (Lei), mas lutou contra o legalismo (“obras da lei”). Agora, estudar-se-á uma segunda expressão, conhecida como “debaixo da lei”, que é muito deturpada pela teologia cristã, que não compreende o texto de Romanos 6:14: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais DEBAIXO DA LEI, mas debaixo da graça”. Sha’ul usa a expressão “debaixo da lei” como sendo diametralmente oposta à “debaixo da graça”. Alguns acham erroneamente que antes da vinda de Yeshua não havia graça. Afirmam que na época do “Antigo Testamento” o ETERNO não agia com graça. Será verdade? Em hebraico, a palavra “chessed” significa graça, e aparece pelo menos 240 vezes no Tanach (“AT”), apesar de algumas traduções substituírem o vocábulo “graça” por “misericórdia”. Citam-se apenas algumas passagens em que o texto original usa a palavra “graça”: “Noach [Noé], porém, encontrou graça aos olhos de YHWH.” (Gn 6: 8). “Moshé disse a YHWH: ‘Vê, tudo me disseste’: ‘Faça essas pessoas se moverem!’. No entanto, tu não me fizeste saber a quem enviarás comigo. Mesmo assim, tu dissestes: ‘Eu o conheço pelo nome’, e também: ‘Você encontrou graça em meus olhos’.” (Ex 33:12). “YHWH passou diante dele e anunciou: ‘YHWH é Elohim misericordioso e compassivo, lento para irar-se, cheio de graça e verdade, ele mostra graça até a milésima geração...’” (Ex 34: 6-7). “YHWH, tu és bondoso e perdoador, cheio de graça para com todos que clamam a ti.” (Sl 86: 5). “Cantarei a graça e a justiça; cantarei a ti, YHWH.” (Sl 101: 1). “Deem graças a YHWH, porque ele é bom, porque sua graça dura para sempre.” (Sl 136:1). “Eu, porém, posso entrar em tua casa por causa de tua grande graça e amor.” (Sl 5: 8 [7]). “Salva-me por tua graça.” (Sl 6:5 [4]). “Bondade e graça me acompanharão todos os dias de minha vida; e viverei na casa de YHWH por anos e anos vindouros.” (Sl 23: 6). “Lembra-te de tua compaixão e graça, YHWH...Não relembres meus pecados ou transgressões da juventude, mas lembra-te de mim de acordo com tua graça, por causa de tua bondade, YHWH...Todos os caminhos de YHWH são graça e verdade àqueles que guardam sua aliança e seus ensinamentos.” (Sl 25: 6, 7 e 10). Como vimos nos textos acima, todos extraídos do Tanach (“AT”), ou seja, antes da vinda de Yeshua, sempre existiu a graça do ETERNO! Yeshua não inaugurou a graça, mas foi a manifestação visível e poderosa da preexistente graça do ETERNO, graça esta que sempre foi derramada na vida daqueles que servem a Elohim. Logo, o ensino cristão de que antes de Yeshua vigorava a Lei e depois de Yeshua apareceu a graça é manifestamente falso! Eis a tradução correta de Yochanan (João) 1:17, que se extrai diretamente da versão Peshitta em aramaico: מֵטֻל דּנָמוּסָא בּיַד מוּשֵׁא אֵתִיהֵב שׁרָרָא דֵּין וטַיבּוּתָא בּיַד יֵשׁוּע משִׁיחָא הוָא “Porque a Torá foi dada por meio de Moshé. E ainda: a verdade e a graça existiram através de Yeshua HaMashiach”. Ora, se Yeshua HaMashiach é o ETERNO, deduz-se com absoluta certeza que a verdade e a graça sempre existiram desde a eternidade! Portanto, o homem sempre esteve debaixo da graça e nunca deveria estar “debaixo da lei” (legalismo humano). Consequentemente, “debaixo da lei” não significa estar debaixo da Torá, visto que a Torá (instrução, orientação do ETERNO) foi criada para o benefício do próprio homem. “Debaixo da lei” não significa os mandamentos da Torá, mas sim os falsos ensinos e regras criadas por homens (“legalismo”), bem como o pensamento de que o homem pode ser salvo por sua própria força. Curial lembrar: a Torá é perfeita (Sl 19:8 ou 19:7), porque foi instituída por YHWH. Em suma, deve o homem obedecer à Torá, e não ao legalismo. Com fundamento nos escólios apresentados, mister retraduzir os versículos que constam a expressão “debaixo da lei”, em conformidade com os manuscritos em aramaico: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo do legalismo mas debaixo da graça. Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo do legalismo, mas debaixo da graça? De modo nenhum!” (Rm 6:14-15) “mas vejo nos meus membros outra ‘lei’ guerreando contra a Torá do meu entendimento, e me levando cativo à ‘lei’ do pecado, que está nos meus membros.” (Rm 7:23). “Para os judeus eu me pus na posição de judeu, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo do legalismo como se estivesse eu debaixo legalismo (embora debaixo do legalismo eu não esteja), para ganhar os que estão debaixo do legalismo.” (I Co 9:20). “Mas, antes que viesse a fé, estávamos presos ao legalismo, encerrados até aquela fé que se havia de revelar.” (Gl 3:23). “Dize-me, os que quereis estar debaixo da observância legalista, não ouvis vós a Torá?” (Gl 4:21) “Mas, se sois guiados pela Ruach [Espírito], não estais debaixo da observância legalista da Torá.” (Gl 5:18). Não restam dúvidas de que as expressões “obras da lei” e “debaixo da lei” (= legalismo) são termos que indicam algo mal, ruim, nocivo. Obviamente, estas expressões não se referem à Torá do ETERNO, porque Sha’ul (Paulo) afirmou categoricamente que a Torá é “santa, justa e boa” (Romanos 7:12). Conclusão: não devemos nos sujeitar ao legalismo, que se traduz em regras criadas por homens e na falsa ideia de que é possível alcançar a salvação mediante a própria força. Por outro lado, devemos obedecer à Torá do ETERNO para desfrutarmos de sua graça. Os desobedientes que não se arrependerem não terão acesso à graça, e serão condenados, conforme ensinou Yeshua: “Então eu [Yeshua] lhes direi claramente: ‘Nunca vos conheci! Apartai-vos de mim, vós que praticais a transgressão à Torá” (Mt 7:23) Leia mais: http://www.judaismonazareno.org/news/o-que-significa-obras-da-lei-e-debaixo-da-lei-/

O que é Iniquidade - Anomia? O fardo dos fariseus era a “Lei de Elohim”!?

O Eterno sabia _ através da Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência _ que o inimigo de nossas almas se utilizaria de grupos que viriam ap...