A Origem do Cristianismo
1 Prelúdio: A Confusão dos Dias Atuais
- Em meio a tantas diferentes correntes doutrinárias na atualidade, como saber a verdade?
A Bíblia tem a resposta:
Assim diz YHWH: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas,
qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas;
(Yirmiyahu/Jeremias 6:16)
2 A Seita dos Nazarenos
- A origem do nome: netser, que significa ramo, numa alusão à profecia messiânica de
Yeshayahu (Isaías) 11:1
- Eram uma seita dentro do Judaísmo. Não se consideravam, nem eram considerados,
uma religião à parte.
- Liderados por concílios (vide Atos 15), tal qual era a estrutura organizacional judaica.
- Líderes:
- Yaakov HaTsadik (Tiago o Justo, irmão de Yeshua) - 62 a 98DC
- Shimon Ben Cleofas (primo de Yeshua) - 98DC a 112DC
- 13 líderes até a dispersão final da terra de Israel
3 Como eram as congregações?
Formadas por judeus e não-judeus
Para ser aceito na congregação: leis noéticas (Atos 15:20)
Gradualmente, os não-judeus aprendiam a guardar a Torá (Atos 15:21, Hebreus 6:1-6)
Reuniam-se para ler e estudar a Torá e as Boas Novas
Frequentavam também sinagogas tradicionais (Atos 13)
Após a cisão com os fariseus, passaram a se reunir em suas próprias sinagogas no
Shabat
Frequentavam assiduamente o Templo, até sua destruição (Atos 2:46)
4 Os Nazarenos e a Lei
- Como toda seita judaica, os nazarenos nunca deixaram de observar a Torá
- O problema com a Lei não era exatamente com a Lei do Eterno:
"O que eu agora explico é isto, que os fariseus têm conduzido as pessoas a um grande
número de observâncias pela sucessão de seus pais, que não estão escritas na Lei de
Moisés; e por esta razão os saduceus os rejeitam e dizem que nós devemos considerar
apenas as observâncias que são obrigatórias, as quais estão na Palavra escrita, mas não
devemos observar as que se derivam da tradição de nossos pais." (Flavio Josefo -
Antiguidades 13:10:6)
- Parêntesis: Sobre a Lei do Eterno, Yeshua deu o parecer definitivo em Mt. 5:17-19
5 Relatos dos Pais da Igreja sobre os Nazarenos
- Os nazarenos eram aqueles "... que aceitam o Messias de uma forma que não deixam de
observar a "velha Lei"..." (Jerônimo)
- "Mas estes sectários... não se chamavam de cristãos - mas de 'nazarenos'... contudo, são
simplesmente judeus completos. Eles não só usam o Novo Testamento como também o
Antigo Testamento, como o fazem os judeus... Eles não possuem diferentes idéias, mas
confessam tudo exatamente como a Torá descreve e na forma judaica - exceto, porém,
por sua crença no Messias. Pois eles reconhecem tanto a ressurreição dos mortos quanto a
criação divina de todas as coisas, e declaram que D-us é Um, e que o Seu Filho é Yeshua
o Messias. Eles são bem treinados no hebraico. Pois dentre eles a Torá inteira, os Nevi’im
(Profetas) e... os Ketuvim (Escritos)... são lidos em hebraico, como certamente o são
entre os judeus. Eles são diferentes dos judeus, e diferentes dos cristãos, apenas no
seguinte: Eles discordam dos judeus porque chegaram à fé no Messias; mas como eles
ainda estão na Torá -- circuncisão, o Shabat, e o restante -- eles não estão de acordo com
os cristãos... eles não são nada mais do que judeus... Eles possuem as Boas Novas de
acordo com Matitiyahu completamente em hebraico. Pois está claro que eles ainda
preservam-nas no alfabeto hebraico, tal qual foram escritas originalmente."
(Epifânio; Panarion 29)
6 - O Início da Cisão
- Do ponto de vista histórico, alguns eventos foram cruciais para que o Cristianismo
viesse a se tornar uma religião independente:
1 A morte de Yaakov HaTsadik (Tiago, o Justo) e dos apóstolos originais
2 O início da perseguição de Roma aos judeus (os nazarenos eram vistos como judeus)
3 A própria perseguição interna dos fariseus na revolta de Bar Kochba
4 A destruição do Templo, e a Diáspora
5 O grande crescimento da fé no estrangeiro, em meio a um momento de perseguição
dos nazarenos
Sobre o evento da morte de Yaakov HaTsadik e dos demais apóstolos, o nazareno
Hegésipo escreveu:
"Até aquele período (98 DC), a Assembléia havia permanecido como uma virgem pura e
incorrompida: pois, se havia quaisquer pessoas dispostas a alterar a regra completa da
proclamação da salvação, elas ainda vagavam em um lugar obscuro oculto ou outro. Mas,
quando o bando sagrado de Emissários havia de várias formas findado suas vidas, e a
geração dos homens havia sido confiado ouvir à Sabedoria inspirada com seus próprios
ouvidos passou, então a confederação do erro da iniquidade tomou ascenção através da
infidelidade dos falsos mestres que, vendo que nenhum dos emissários ainda sobrevivia,
levantaram suas cabeças para se opor à proclamação da verdade, proclamando algo
falsamente chamado de conhecimento." (Hegésipo, o Nazareno; c. 98 DC; citado por
Eusébio em Hist. Ecl. 3:32)
7 Lobos em Pele de Cordeiro
- Originalmente, os bispos eram líderes das congregações, que respondiam diretamente
ao concílio nazareno
- Com os nazarenos sendo perseguidos, surgiu a oportunidade para que alguns bispos
buscassem a independência, alimentando sua sede de poder. Dentre esses bispos, estava
Inácio, bispo de Antioquia. Nascia uma Igreja controlada pelo poder dos bispos.
8 O Poder dos Bispos
Sobre o poder dos bispos, Inácio escreve:
"...sujeitando-se ao seu bispo... andem juntos conforme a vontade do Eterno. Jesus... é
enviado pela vontade do Pai; Assim como os bispos... são [enviados] pela vontade de
Jesus Cristo." (Carta de Inácio aos Ef. 1:9,11)
"...seu bispo... penso que felizes são vocês que se unem a ele, assim como a igreja o é a
Jesus Cristo e Jesus Cristo o é ao Pai... Vamos portanto cuidar para que não nos
coloquemos contra o bispo, para que nos sujeitemos ao Eterno. Devemos olhar para o
bispo tal como olharíamos para o próprio S-nhor." (Carta de Inácio aos Ef. 2:1-4)
"...obedeça ao seu bispo..." (Carta de Inácio aos Mag. 1:7)
"Seu bispo está presidindo no lugar do Eterno... unam-se ao seu bispo..." (Carta de Inácio
aos Mag. 2:5,7)
"...aquele...que faz qualquer coisa sem o bispo... não é puro em sua consciência..." (Carta
de Inácio aos Tral. 2:5)
"...Não faça nada sem o bispo." (Carta de Inácio aos Fil. 2:14)
"Cuidem para que vocês sigam o seu bispo, Assim como Jesus Cristo ao Pai..." (Carta de
Inácio aos Esm. 3:1)
9 A Cartada Final
- Até então, os nazarenos sempre se sentiram parte de Israel (Jer. 31:31). Para consolidar
a separação do concílio de Jerusalém, bem como para se dissociar da perseguição a Israel
e estabelecer o seu poder, Inácio e outros bispos passaram a propor a separação entre
Igreja e Israel.
- E para combater tudo o que era israelita, era preciso ir contra o cerne da identidade de
Israel: A Torá.
- Inácio começa a pregar contra a observância da Torá:
"Não sejam enganados por doutrinas estranhas; nem por fábulas antigas sem valor. Pois
se continuarmos a viver conforme a Lei Judaica, estamos confessando que não recebemos
a graça..." (Carta de Inácio aos Mag. 3:1)
"Mas se alguém pregar a Lei Judaica a vocês, não lhe dêem ouvidos..." (Carta de Inácio
aos Fil. 2:6)
Importante: Com a morte dos apóstolos e a diáspora, não havia mais o entendimento
de que a Lei combatida por Paulo era a Lei Oral inventada pelos fariseus e tida por
eles como inspirada pelo Eterno. Com isso, bispos como Inácio passaram a
reinterpretar as cartas paulinas para justificar sua doutrina de repúdio a tudo o que
tivesse conexão com Jerusalém.
Inácio x Bíblia
- Dt 28:1-14 e Sl. 119
- Com Inácio e outros bispos, começa a surgir o Cristianismo como religião distinta da
seita judaica original dos nazarenos.
10 Surge uma Nova Tradição
Com a remoção de tudo o que era judaico das igrejas dos bispos supracitados, surge a
necessidade de incorporar um novo sistema de prática religiosa na vida das igrejas. Esse
sistema veio a partir da adaptação de rituais pagãos.
Uma das primeiras a adotar tais práticas foi a Igreja de Alexandria, que adotou elementos
da adoração egípcia à Isis, a rainha do céu e a seu filho. Acerca dela, o historiador
Samuel Dill escreve:
O ritual diário de Isis, que aparentemente era tão regular e complicado quanto o da
Igreja Católica, produziu um imenso efeito na mente romana. Todos os dias, havia dois
serviços solenes, nos quais sacerdotes com tonsuras e vestes brancas, com acólitos e
assistentes dos mais variados níveis oficiavam. A litania da manhã e o sacrifício era um
serviço impressionante. A multidão de adoradores lotava o lugar perante a capela logo ao
amanhecer. O sacerdote, subindo por uma escada oculta, levantava o véu do santuário e
adorava à imagem santa. Então ele circulava os altares, recitando a litania [ie. palavras
místicas de línguas estranhas], aspergindo água benta de uma fonte secreta (Roman
Socitey from Nero to Marcus Aurelius, páginas 577-578)
11 Nasce um Império Religioso
- O primeiro passo: Alexandre Severo constrói (entre 220 e 230DC) um santuário para
Jesus, junto aos santuários dos deuses pagãos romanos.
- Começa a proliferar uma espécie de sincretismo com o politeísmo romano, onde o Pai é
associado a Dyeus, chefe do panteão romano (equivalente a Zeus no panteão grego), e
Jesus e o Espírito Santo são tidos como deuses cristãos. Jesus é associado à figura do
deus-sol.
- O panteão romano e o pontifex maximvs (sumo pontífice)
- Gaivs Flavivs Valerivs Avrelivs Constantinvs (Constantino I 280DC a 337DC): a
conversão do primeiro papa. Constantino, adorador confesso do deus-sol, tem uma visão
antes de uma batalha. Alega ter visto a cruz e o sol invictus
- Na realidade, Constantino I enxerga o Cristianismo como uma grande oportunidade
política de unificar um império fadado á divisão.
- Constantino promove a fusão da adoração romana pagã com o Cristianismo, fazendo
um sincretismo entre o que sobrou da fé original de Yeshua, e a adoração ao deus-sol.
Surge o Catolicismo Romano.
Ele [Constantino I] continuou a usar linguagem monoteísta vaga que qualquer pagão
aceitaria. Durante os primeiros anos de sua supremacia, ele realizou pacientemente todo o
cerimonial que dele era requerido por ser o Pontifex Maximvs do tradicional culto
[pagão]. Ele restaurou templos pagãos [posteriormente transformados em igrejas]
Ele
usou tanto ritos cristãos quanto pagãos na dedicação de Constantinopla. Ele usava
fórmulas mágicas para proteger a colheita e curar doenças. Will Durant, historiador, na
obra Caesar and Christ, página 656
12 O Mitraísmo e o Império Romano
- A adoração ao deus-sol não era novidade no Império Romano. Veja a cronologia
abaixo:
- Entre 138 e 161, o imperador Antoninvs Pivs ergueu um templo a Mitra em Ostai, uma
cidade próxima a Roma. Mitra recebeu o título oficial de Sol Dominus Imperil Romani
(O Sol, Senhor do Império Romano) e o seu dia, domingo no calendário romano, foi
declarado Dominus Dei, o Dia do Senhor. Obs: Qual é o Dia do Senhor da Bíblia?
A própria Bíblia responde: - Ex. 20:10; Lev. 23:3; Dt. 5:14; Is. 58:13
- Entre 270 e 275, o imperador Aurelivs, cuja mãe era uma sacerdotiza do deus-sol,
tornou o mitraísmo a religião oficial do império.
13 O Édito de Constantino
- Em 321DC, Constantino proclamou o seu famoso édito acerca do Dominus Dei (Dia
do Senhor): Que todos os juízes e cidadãos e ocupações de todos os negócios
descansem no venerável dia do Sol
- Cinco outras leis acerca do Dominus Dei foram proclamadas nos anos seguintes para
reforçar a questão.
Ele [Constantino I] enviou às legiões, para ser recitado naquele dia [Dominus Dei] uma
forma de oração que poderia ser emprega por um adorador de Mitra, ou de Serapis, ou de
Apolo, bem como por qualquer crente cristão. Esta foi a sanção oficial do velho costume
de fazer uma prece ao sol nascente. Victor Duruy, historiador, na obra History of
Rome, vol. 7, pg. 489.
- Para os cristãos, Constantino I transferiu a adoração no Shabat definitivamente para o
domingo. Sobre esta transferência, Eusébio, bispo de Cesaréia e consultor pessoal de
Constantino I, escreveu:
Todas as coisas que se faziam no Shabat, estas nós [líderes de Roma] transferimos para
o Dia do Senhor Comentário sobre os Salmos, em Migne, patrologia graeca, vol. 23,
col. 1171.
Socrates, historiador do quinto século, escreveu acerca disto:
Apesar de quase todas as igrejas ao redor do mundo celebrarem os sagrados mistérios no
Shabat semanal, ainda assim os cristãos de Alexandria e Roma, em razão de algum tipo
de tradição antiga, cessaram esta prática. História Eclesiástica, Livros, capítulo 22.
14 O Concílio de Nicéia
O primeiro concílio cristão ocorreu em Nicéia, 325DC, a mando do imperador
Constantino I. Nele, já não houve a participação nazarena.
Nele, foram estabelecidas os seguintes principais pontos doutrinários:
- A Santíssima Trindade
- A Fórmula Batismal Católica
- A Mudança da Páscoa Bíblica para a Páscoa Católica
Nos próximos tópicos, vamos analisar cada um desses pontos
15 A Santíssima Trindade
- A forma judaica original de entender a Natureza do Eterno:
3 knumeh (essências) em 1 pessoa.
- A posição nestoriana das Igrejas do Oriente
- O politeísmo romano os fez entender de forma contrária: 3 pessoas em 1 essência.
Problemas com a Doutrina da Trindade
1 A Ruach HaKodesh (Espirito Santo) no hebraico é feminina
2 A Palavra Elohim significa exatamente o oposto: poderes/essências
3 Em diversos momentos, o Eterno se manifesta de maneira diferente: como 2 (Sl. 110)
e até mesmo como 7 (Ap. 4:5 e 5:6)
4 Não era encontrada nas Escrituras originais, sendo sua inserção em Mt. 28:19 e 1 Jo 5
um acréscimo posterior, admitido pela Igreja Católica
5 Beira perigosamente o politeísmo, criando 3 deuses, quando o Eterno nos disse
claramente que Ele é Um (vide Dt. 6)
6 Deriva do entendimento de que o Pai seria Dyeus (panteão romano) e Jesus seria o
deus-sol, e o Espírito Santo um 3o. deus.
16 A Fórmula Batismal Católica
- Em todas as instâncias de batismo no NT, encontramos sempre o mesmo feito em
nome de Jesus, exceto em Mt. 28:19, que foi usado pelo Concílio de Nicéia para
determinar a fórmula católica
- Antes do Concílio de Nicéia, Eusébio (265DC a 339DC) cita Mt. 28:19 sete vezes.
Em nenhuma delas, aparece a fórmula trinitária
Sobre Mt. 28:19, a Bíblia de Jerusalém (edição católica) admite abertamente:
"É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula reflita influência do uso litúrgico
posteriormente fixado na comunidade primitiva.Sabe-se que o livro dos Atos fala em
batizar 'em nome de Jesus' (cf.At 1,5+;2,38+). Mais tarde deve ter-se estabelecido a
associação do batizado às três pessoas da Trindade..." (Bíblia de Jerusalém - Nova
edição, revista e ampliada, pg. 1758 - comentário sobre Mt. 28:19)
17 A Mudança da Páscoa Bíblica para a Romana
- Dois grupos adversários: de um lado os chamados quartodecimanos (igrejas do oriente,
que desejavam seguir a Bíblia e celebrar a Páscoa no 14 do mês de Aviv/Nissan), de
outro Alexandria e Roma, que desejavam seguir o Equinócio
Vernal, quando era celebrada a festa da primavera, em homenagem à deusa Ishtar.
- Sobre a celebração a Ishtar, o monge católico Bede escreve: "Eosturmonat, que agora é
interpretado como mês pascal, tomou o seu nome da deusa Eostre [Ishtar], a qual deu o
seu nome ao festival."
- "... foi declarado impróprio seguir o costume dos judeus na celebração desta festa
sagrada poruqe as suas mãos estão manchadas de crime, as mentes desses homens
malignos estão necessariamente cegadas... portanto não tenhamos nada em comum com
os judeus, que são nossos adversários... um povo tão grandemente depravado... os
assassinos do nosso senhor..."
18 Dominus Dei
(Tradução do trecho abaixo: Hillel Ben Yishai)
Algumas declarações da própria Igreja Católica acerca do Dominus Dei (o domingo):
O próprio papa: "Lembrem-se todos os cristãos de que o sétimo dia foi consagrado pelo
Eterno, recebido e observado, não somente pelos judeus mas por todos os outros que
pretendiam adorar ao Eterno, embora nós, tenhamos mudado o Seu Sábado para o
domingo." [Thomas Morer, Discourse in Six Dialogues on the Name, Notion, and
Observation of the Lord's Day, pág. 281 e 282]
Concílio de Laodicéia (364 ad), Cânon 29: "Os cristãos não devem judaizar e descansar
no Sábado, mas sim trabalhar neste dia; devem honrar o dia do Snhor (domingo) e
descansar, se for possível, como cristãos. Se, entretanto, forem encontrados judaizando,
sejam excomungados por Cristo." [Hefele, History of the Councils of the Church, vol. II,
livro 6, sec. 93, pág. 318]
"O domingo é uma instituição católica e suas reivindicações de observância podem ser
definidas unicamente em princípios católicos... Desde o princípio até o fim das Escrituras
não há uma só passagem que autorize a mudança do dia de adoração pública semanal do
último dia da semana ao primeiro." The Catholic Press of Sidney, Austrália, 25 de agosto
de 1999]
"O protestantismo, ao descartar a autoridade da igreja (Católica), não tem boas razões
para sua teoria referente ao domingo e deve, naturalmente, guardar o Sábado como dia de
descanso." [John Gilmary Shea, American Catholic Quarterly Review, janeiro, 1883.]
"Fazemos bem em recordar aos presbiterianos, batistas, metodistas e todos os demais
cristãos que a Bíblia não os aprova em nenhum lugar em sua observância do domingo. O
domingo é uma instituição da Igreja Católica Romana, e aqueles que observam este dia
observam um mandamento da Igreja Católica." [Priest Brady, em um discurso relatado no
Elizabeth, N. J. News, 18 de marco de 1903]
"Pergunta: 'Tendes alguma outra maneira de provar que a Igreja (Católica) tem o poder
de instituir dias festivos por preceito?' Resposta: 'Se ela não tivesse semelhante poder,
não poderia ter feito tudo quanto os religiosos modernos estão de acordo. Não teria
substituído a observância do sábado do sétimo dia, pela observância do domingo, o
primeiro dia da semana, uma mudança para a qual não existe autoridade nas Escrituras.’"
[Stephan Keerran, em A Doctrinal Catechism, 176]
"A razão e o senso comum exigem a aceitação de uma outra destas alternativas: o
protestantismo e a observância e santificação do Sábado, ou o catolicismo e a observância
e santificação do domingo. Um compromisso ou acordo é impossível." The Catholic
Mirror, l3 de dezembro de 1893]
"O Eterno simplesmente concedeu à Sua Igreja (Católica) poder para dispor qualquer dia
ou dias que achar apropriado(s) como dia(s) sagrado(s). A Igreja escolheu o domingo,
primeiro dia da semana e, no decurso dos anos, adicionou outros como dias sagrados."
[Vicent J. Kelly, Forbidden Sunday and Feast-Day Occupations, pág. 2]
O papa Inocêncio III declarou que o pontífice romano é "o representante sobre a Terra,
não de um mero homem, mas do próprio Eterno." [Veja Decretals of the Lord Pope
Gregory IX, livro 1, tít. 7, cap. 3, Cop. Jur. Canon (2ª ed. de Leipzig, 1881), col. 99]
"Nós temos nesta Terra o lugar de Eterno Todo-Poderoso." [Papa Leo XIII, carta
encíclica Ad Extremas, 24 de junho de 1893]
"Não o Criador do Universo, em Gênesis 2:1-3; mas a Igreja Católica pode reivindicar
para si a honra de haver outorgado ao homem um repouso a cada sete dias." [S.D. Mosna,
Storia della Domenica, 1969, págs. 366 e 367]
"Se os protestantes seguissem a Bíblia, adorariam ao Eterno no dia de Sábado. Ao
guardar o domingo, estão seguindo uma lei da Igreja Católica." [Albert Smith, Chanceler
da Arquiocese de Baltimor, respondendo pelo Cardeal, numa carta datada em 10 de
fevereiro de 1920]
"Nós (o Vaticano) definimos a Santa Sé Apostólica, e o Pontífice Romano tem a
supremacia sobre todo o mundo." [Um decreto do Concílio de Trento, citado por Philippe
Labbe e Gabriel Cossart, em The Most Council]
"Foi a Igreja (Católica) que, pela autoridade de Jesus Cristo, transferiu este repouso (do
Sábado bíblico) para o domingo... Então, a observância do domingo pelos protestantes é
uma homenagem que rendem à autoridade da Igreja (Católica), apesar deles mesmos."
[Monsenhor Louis Segur, Plan Talk About the Protestantism of Today, pág. 213]
"Os protestantes... aceitam o domingo no lugar do Sábado como dia de pública adoração
após a Igreja Católica ter feito a mudança... Mas a mentalidade protestante não parece
perceber que observando o domingo, está aceitando a autoridade do porta-voz da igreja, o
papa." Our Sunday Visitor, 5 de fevereiro de 1950]
"Nós, os Católicos, então, temos precisamente a mesma autoridade para santificar o
domingo em vez do Sábado, como temos, para cada outro do nosso credo, vale dizer;
autoridade da Igreja... enquanto que vós os protestantes, realmente não têm nenhuma
autoridade; pois não têm autoridade para ele na Bíblia (o santificar o domingo), e vós não
permitis que possa haver autoridade para ele em outro lugar. Tanto vós como nós,
seguimos as tradições neste assunto; mas nós as seguimos crendo que são parte da
palavra de Deus e que a Igreja (Católica) tem sido divinamente nominada guardiã e
intérprete. Vós seguis a Igreja (Católica) ao mesmo tempo denunciando-a como uma guia
falível e falsa, que freqüentemente tem invalidado o mandamento de Deus pela tradição."
[Os irmãos de S. Paulo, The Clifton Tracts, vol. 4. Pág. 15]
"Podeis ler a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, e não encontrareis uma só linha a
autorizar a santificação do Domingo. As Escrituras exalta a observância religiosa do
Sábado, dia que nós nunca santificamos." [Cardeal James Gibbons, The Faith of Our
Fathers, Edição de 1893, pág. 111]
Não tivesse ela (igreja Católica) tal poder, não teria feito aquilo em que todas as
modernas religiões com ela concordam - a substituição da observância do Sábado, o
sétimo dia, pela observância do domingo, o primeiro dia da semana, mudança para a qual
não há nenhuma mudança escriturística." A Doctrinal Catechism, pág. 174]
"Observamos o domingo em lugar do Sábado porque a Igreja Católica, no Concílio de
Laodicéia (364 ad), transferiu a solenidade do sábado para o domingo." [Rev. Peter
Geiermann, CSR, The Convert's Catechism of Catholic Doctrine, segunda edição,
pág.50] - O livro The Convert's Catechism of Catholic Doctrine recebeu em 25 de janeiro
de 1919 a "bênção apostólica" do Papa Pio X e está a venda nesse site católico:
http://tiberriver.com/index.cfm/fuseaction/home.viewItem/SKU/1893/index.htm
"A Igreja (Católica) mudou a observância do Sábado para o domingo pelo direito divino
e a autoridade infalível concedida a ela pelo seu fundador, Jesus Cristo. O protestante,
propondo a Bíblia como seu único guia de fé, não tem razão para observar o domingo. "
Boletim Católico Universal, pág. 4, de 14 de agosto de 1942]
19 Outras Mudanças de Roma
Seguem alguns pontos doutrinários instituídos por Roma:
300DC Oração pelos mortos
321DC Eucaristia
375DC Veneração de anjos e santos mortos
375DC Uso de imagens
431DC Mariolatria
450DC - Natal
526DC Ritos de Extrema Unção
600DC Oração aos santos
786DC Adoração a objetos
1079DC Celibato
1090 DC Rosário
1190DC Indulgências
1229DC Proibição da leitura da Bíblia por leigos
Entre muitas outras
20 O Natal
- Nimrod, Semíramis e Tammuz: o Natalis Invicti Solis
- Em 230, Tertuliano, um dos líderes da igreja em formação escreve:
Por nós [cristãos] que somos estrangeiros aos sábados judaicos, e luas novas, e festivais,
uma vez aceitos pelo Eterno, a Saturnália, as festas de Janeiro, a Brumália, e a Matronália
estão sendo frequentados, com presentes sendo dados e recebidos.
- "O Natal era originalmente uma festã pagã sem sombra de dúvida. A época do ano, as
cerimônias com as quais ele é celebrado, provam sua origem. No Egito, o filho de Isis
(Isis é o título egípcio para a "rainha do céu") nasceu nesta exata época, por volta do
chamado "solstício de inverno". O próprio nome pelo qual o Natal é popularmente
conhecido entre nós - Yule Day [Nota do tradutor: este nome se refere à cultura
inglesa] - prova sua origem outrora pagã e babilônica. "Yule" é o nome caldeu para
"criança"; e como o dia 25 de Dezembro era chamado pelos nossos ancestrais anglosax
ônicos de "Yule day" ou "dia da criança", e a noite após esta era chamada de "Noitem
ãe", muito antes do nosso contato com o Cristianismo, isto é prova suficiente da sua
natureza verdadeira. Este "aniversário" era comemorado nas entranhas das dimensões do
paganismo - Alexander Hislop na obra As Duas Babilônias; pg. 93
- Portanto parece que a Igreja Cristã escolheu celebrar o aniversário do seu fundador no
dia 25 de Dezembro para transferir a devoção dos pagãos do sol para aquele que era
chamado de Sol da Justiça. Se foi este o caso, não pode haver improbabilidade intrínseca
na conjectura de que motivos da mesma natureza possam ter conduzido as autoridades
eclesiásticas a assimilar na Pascoa, festival da morte e ressurreição do S-nhor deles,
o festival da morte e ressurreição de um outro deus asiático, que caia na mesma estação.
Sir James Fraser na obra O Ramo Dourado
21 A Reforma Protestante
- Lutero x Carlstadt
- O historiador Draper comenta: "Próximo ao final da vida de Lutero, parecia que a única
perspectiva para o poder do papado era a ruína total. Porém atualmente, em 1930, de
trezentos milhões de cristãos, mais da metade jura fidelidade à Roma
Quase que por
mágica a Reforma parou de avançar. Roma não só conseguiu pôr em cheque a sua
proliferação como também reobteve uma boa porção daquilo que havia perdido"
(Desenvolvimento Intelectual, volume 2, página 216)
- A cartada da contra-reforma, do Arcebispo de Reggio: A profissão deles de se aterem
às Escrituras somente como base de fé é falsa. A prova: A palavra escrita determina de
forma explícita a observância do Shabbat. Eles não observam o Shabbat, mas o rejeitam.
Se eles realmente se ativessem somente às Escrituras como padrão, eles estariam
observando o Shabbat conforme é determinado ao longo das Escrituras. Porém eles não
só rejeitam a observância do Shabbat como determinado pela palavra escrita, mas
também adotaram, e praticam, a observância do domingo, para o qual eles têm apenas a
tradição da Igreja (Católica)."
Principais Acertos da Reforma Protestante
- Fim da idolatria às imagens
- Libertação da tirania papal
- Volta à prática de leitura da Bíblia
Principais Erros da Reforma Protestante
- Manutenção de tradições romanas de origem pagã ou extra-bíblica
- Anti-semitismo impediu o reconhecimento do corpo como Israel
- Anomia, especialmente por influência de Lutero
- A essência da doutrina permaneceu romana
- Excessiva negação da autoridade institucional, levando a um sem-número de seitas sem
precedentes na história
22 O Dispensacionalismo e o Desconforto Profético
- No século 19, o protestantismo, através de John Darby, desenvolve a doutrina do
dispensacionalismo, que é rápida e amplamente adotado.
- Em 1830, uma garota escocesa de 15 anos chamada de Margaret MacDonald tem uma
visão: surge a doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista e a solução mágica para o
problema do dispensacionalismo
23 Passos da Restauração
- Século 16 Reforma Protestante
- Século 19 Movimentos Sabatistas
- Século 19 A Questão da Casa de Efrayim
- Século 19 Início do Judaísmo Messiânico
- Século 20 Tradução dos Manuscritos Semitas do NT
- Século 20 Alguns grupos começam a questionar práticas/doutrinas de origem pagã
- Século 20 Estudo do Jesus Histórico revela a origem judaica da fé
- Século 20 Manifesto Judeu Messiânico contesta a anomia
- Século 21 Alguns messiânicos começam a retornar plenamente à prática bíblica
- Século 21 Reestabelecimento do movimento nazareno
24 Conclusão
- O Eterno nunca desejou que o Cristianismo se tornasse uma religião romana, e está
promovendo o retorno dos seus às veredas antigas.
Quem Somos Somos judeus e efraimitas nazarenos, observantes da Torá e crentes no Mashiach Yeshua, vivendo a fé do primeiro século. * Não somos cristãos * Não somos missionários * Não convertemos judeus * Não somos judeus tradicionais ou ortodoxos * Não nos preocupamos em agradar a homens * Somos 100% pró-Israel * Pregamos o amor entre os povos, e a adoração a YHWH, o Único e Verdadeiro Elohim
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Você Realmente Sabe
Quem Foi Yeshua?
Por Sha’ul Bentsion Ben Avraham
Parte I
Yeshua, o Judeu
I.1 - INTRODUÇÃO
Se alguém te perguntar quem é Paul McCartney você saberia responder?
Creio que a grande maioria saberia dizer que era um dos integrante dos Beatles. Outros lembrariam
que ele mora na Inglaterra, outros ainda que ele foi casado com Linda McCartney. A grande maioria das
pessoas pouco sabe sobre os detalhes da vida dele. Mas, se você perguntasse isto a um membro de um fãclube
dos Beatles? Você provavelmente esperaria que eles conhecessem muitas coisas a respeito do Paul
McCartney.
Agora, se alguém te perguntasse o que você sabe sobre quem foi Yeshua? Como ele viveu? A que
grupos sociais ele pertencia? Entre outras… Infelizmente, a realidade é que muitos dos que se dizem
seguidores dele mal o conhecem! E você, realmente sabe quem foi Yeshua? Esta série de artigos tem por
objetivo justamente isto: contar um pouco mais sobre Yeshua e a vida que ele levava.
I.2 – PODEMOS CUSTOMIZAR O MESSIAS?
Uma das grandes mentiras que a "Nova Era" propaga entre os povos é a idéia de que o Eterno pode
ser do jeito que você desejar que Ele seja. É como um verdadeiro supermercado espiritual onde as pessoas
escolhem aquilo no que crer. Infelizmente, muitos dos ditos seguidores de Yeshua fazem o mesmo com ele,
às vezes até mesmo sem perceber. O Yeshua que é apresentado nos Evangelhos não é uma pessoa mística
que se enquadra a qualquer gosto. Yeshua nasceu, cresceu, viveu e pregou entre judeus. Fez discípulos
judeus, que o descreveram nos livros do B'rit Chadashah (Novo Testamento) dentro de uma ótica judaica. Se
o removemos de Seu contexto judaico, jamais o entenderemos de fato.
O movimento iniciado por Yeshua cresceu tanto que hoje é encontrado em cada tribo e nação do
planeta. Tal fé rompeu todas as barreiras culturais e sociais. Em Yeshua, a mensagem do Eterno é para todos,
a salvação é para todos, e não há divisões étnicas ou barreiras raciais. Contudo, o centro da fé bíblica é
Yeshua, e Yeshua é um judeu.
I.3 – O NASCIMENTO DE UM JUDEU CHAMADO YESHUA
Ele nasceu de uma mãe judia, e pertenceu a uma típica família judaica. Como todo filho homem
judeu, fez o seu B'rit Milá, ou seja, foi circuncidado ao oitavo dia. De acordo com a tradição judaica, recebeu
o seu nome no dia em que foi circuncidado, como os judeus o fazem até hoje. Ele recebeu o nome de Yeshua.
O nome foi dado porque Yeshua significa "salvação". Yeshua recebeu a missão de salvar o Seu povo de
todos os seus pecados. Pergunta: Yeshua falhou em tal missão? Espero que ninguém responda que sim! Se
Yeshua não falhou, porque ainda há pessoas que insistem em dizer que os judeus não serão salvos? O povo
de Yeshua descende de Avraham (Abraão), Itschak (Isaque) e Ya'akov (Jacó). O povo de Yeshua é o povo
judeu.
I.4 – A VIDA COMUNITÁRIA DE YESHUA
Yeshua foi criado como judeu numa comunidade que seria equivalente ao que é hoje uma
comunidade judaico-ortodoxa. Você conhece uma comunidade judaico-ortodoxa? Não? Sem ao menos
sabermos como é, jamais entenderemos a Yeshua plenamente.
Natseret (Nazaré), cidade onde Ele cresceu, foi fundada pelos descendentes do Rei David, e ficava
na Galiléia, uma região totalmente judaica. Você conhece a história da Galiléia, berço de nosso Salvador?
Pois é, pouco se conta nas igrejas que a Galiléia era um dos maiores centros de estudos judaicos de Israel
naquela época. Yeshua não simplesmente "nasceu sabendo" tudo o que ele sabia. Lembre-se de que Ele se
desfez de Sua glória para se tornar humano. Não foi por acaso que o Pai o colocou naquele local. Yeshua
aprendeu de perto com alguns dos maiores rabinos daquela época. Você sabia que muitos de seus
ensinamentos são citações de tais rabinos? Pois é, caro leitor, como você pode ver, sem conhecermos o
trabalho de tal rabino, como compreender a educação que teve nosso Messias? Yeshua foi educado como um
parush (fariseu).
Certamente que tal educação influenciou suas disputas teológicas com algumas escolas farisaicas. Ao
contrário do que muitos crêem, Yeshua não era contra TODOS os fariseus, mas tinha disputas sérias com os
p'rushim (fariseus) da escola de Shamai, que eram extremamente legalistas.
Sua vida na comunidade judaica foi absolutamente normal. Conforme o costume judaico, ele
observava todas as festas bíblicas, e buscava ao Pai no Shabat, o dia que o Eterno desde a fundação do
mundo estabeleceu como Seu dia.
I.5 – A ALIMENTAÇÃO DE YESHUA
Yeshua tinha uma saudável alimentação kasher, segundo a Torá em Vayicra (Levítico) 11. Isto
significa que carnes como a de porco, coelho, répteis, camarão, etc., além de boa parte da gordura animal, não
faziam parte da sua dieta. Durante o Pessach (a "páscoa" judaica), Yeshua como todo bom judeu comia
apenas pães sem fermento. Yeshua também jejuava no Yom Kippur, o conhecido Dia da Expiação, quando o
Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) oferecia sacrifício pela expiação do pecado do povo.
I.6 – COMO YESHUA SE VESTIA?
Yeshua se vestia como judeu. Isto significa que não misturava lã com linho, conforme determinação
da Torá. Yeshua certamente usava talit, o sagrado manto de oração que contém os tsitsit, que são as franjas
que a Torá determina que usemos para nos lembrarmos de que devemos viver segundo os preceitos do
Eterno. Os tsitsiyot de Yeshua possuiam um fio azul, que simboliza o caminho de safira descrito em Shemot
(Êxodo) 24:10, ou seja o caminho do Eterno. Foi justamente nos tsitsit de Yeshua que a mulher que tinha
fluxo de sangue tocou e foi curada. Não foi um simples ato de tocar em Yeshua. Tocar nos tsitsit significava
que ela reconhecia nEle a autoridade de Messias.
Como todo judeu de seu tempo, Yeshua também certamente usava kippá. O kippá é uma cobertura
para a cabeça que representa nosso reconhecimento de que a Shechiná (Glória) do Eterno está sobre nós. É
uma vestimenta que deriva das vestes sacerdotais na Torá.
Yeshua também usava t'filim, popularmente conhecidos como filactérios. Os t'filim têm como
objetivo simbolizar que as leis do Eterno estão presentes em nossa mente (por isso é atado entre os olhos) e
em nossos atos (na mão). A Torá do Eterno nos guarda para que não pequemos em nossa mente nem em
nossos atos.
I.7 – YESHUA E A SINAGOGA
No Shabat, pela manhã, Yeshua ia à sinagoga. Ao contrário de muitos hoje em dia que fazem tudo
por um microfone, Yeshua sabia que antes de poder falar e questionar, era necessário aprender.
Provavelmente, como era de costume, aos cinco anos Yeshua começou a aprender a o hebraico (sua língua
nativa era o aramaico) e a estudar a Torá do Eterno. Por volta dos 13 anos, Yeshua provavelmente fez o seu
Bar Mitsvá, uma cerimônia que marca a passagem da criança para a vida adulta. Como todo judeu, aos 13
anos Yeshua tinha que saber de cor toda a Torá.
Fica a pergunta: nós que nos dizemos seguidores dele, quanto das Escrituras sabem nossos filhos aos
13 anos? Será que nós sabemos hoje tanto quanto um menino judeu sabia no tempo de Yeshua? Como
teremos uma fé sólida sem conhecermos as escrituras.
No Shabat, Yeshua não só aprendia a Torá como recitava bênçãos. Estas bênçãos não são como nas
igrejas pós-modernas. Não visavam prosperidade, mas sim darmos o devido reconhecimento ao Eterno da
soberania dEle sobre nossas vidas. Ao declararmos Sua majestade, fortalecemos nossa fé. Ao fortalecermos
nossa fé, nossa vida espiritual melhora. Com a vida espiritual melhor, somos mais felizes, mais preparados e
nos sentimos mais próximos ao Eterno. O menino Yeshua sabia disto ao ler o Sidur (livro de bênçãos) a cada
Shabat. Após sua maioridade, Yeshua também passou a participar da leitura do Tanach. É tradição judaica
até hoje ler-se muito os textos sagrados no Shabat. Foi desta forma que Yeshua pôde ler o rolo de Yesha'yahu
(Isaías) e declarar que Ele era o seu cumprimento. Yeshua sempre argumentava a partir das Escrituras,
expondo-as perante o questionador (uma técnica rabínica).
Ao final do Shabat, Yeshua participava do Kidush, que é o animado partir do pão onde damos
graças ao Eterno pelas provisões semanais. Os discípulos de Yeshua mantiveram esta prática após os
serviços, tanto que é mencionado o partir do pão diversas vezes no livro de Atos.
I.8 – YESHUA SE TORNA UM RABINO
Yeshua tornou-se um respeitado rabino. Para alguém se tornar um rabino, é necessário (até hoje)
muito estudo. Este foi certamente um dos motivos (ou talvez "o" motivo) de Seu ministério só ter se iniciado
por volta dos 30 anos. Ele ensinava a partir do Tanach (Tanach significa: Torá, Nevi'im / Profetas, e Ketuvim
/ Escritos). Ao contrário do que aparece nos filmes, a grande maioria dos discípulos de um rabino eram
meninos, bastante jovens. Com Yeshua não era diferente. Vemos até mesmo pela idade em que morreram
que os discípulos de Yeshua tinham entre 13 e 20 anos, no máximo. Eram meninos inexperientes.
Ao contrário da nossa cultura, onde vamos à escola por 4-5 horas e voltamos para casa, um discípulo
no judaísmo vivia com o seu rabino. Com os discípulos de Yeshua não era diferente. Eles não desviavam os
olhos de Yeshua um minuto sequer. Será que somos assim?
I.9 – YESHUA: ETERNAMENTE JUDEU
Infelizmente, ao longo dos séculos, a figura de Yeshua transformou-se no "Jesus anti-semita" que
encontramos primeiro na igreja de Roma, mas que depois foi herdada por muitas outras igrejas. A teologia
anti-judaica e a premissa de que não é importante vivermos conforme as leis do Eterno nada tinha de
semelhante com a pregação do rabino Yeshua, um grande judeu que viveu o pleno cumprimento da Torá.
Yeshua é um judeu, viveu como judeu, morreu como judeu, e de acordo com Ezequiel, continuará a
ser o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Malki Tsedek, oficiando no Templo (judaico) de Yerushalayim
(Jerusalém).
Tão precioso sangue de Yeshua, derramado por nossos pecados no madeiro, era sangue judeu. E a
placa acima de seu madeiro dizia: "Yeshua de Natseret, Rei dos Judeus"
Parte II
Com Quem Yeshua Estudou
II.1 – ONDE ESTUDOU YESHUA?
Segundo a tradição judaica, o Messias deveria ensinar ao povo a correta interpretação da Palavra do
Eterno. E foi isto que Yeshua fez. Para isto, antes de começar o seu ministério, Yeshua foi um aluno bastante
aplicado.
Yeshua demonstrou grande familiaridade tanto com a linha dos essênios (com a qual teve contato
através de seu primo Yochanan Bar Zachariá, popularmente conhecido como "João Batista") quanto com a
linha rabínica da escola de Hillel.
Mas seu conhecimento não se limitava às tais linhas. Yeshua, antes de mais nada, conhecia
profundamente as Escrituras e a sabedoria judaica.
II.2 - PARALELOS ENTRE YESHUA E A ESCOLA DE HILLEL
Os ensinamentos de Yeshua se assemelharam muito com a linha da escola de Hillel (embora
houvesse alguns itens de discordância, como questão do divórcio por exemplo). Hillel, que viveu pouco
tempo antes de Yeshua, foi um dos maiores judeus de toda a história, um grande rabino.
Veja o impressionante paralelo entre os ensinamentos de Yeshua e Escola de Hillel:
1) A Escola de Hillel disse: "se alguém busca te fazer o mal, farás bem em orar por ele" (Testamento
de Yossef XVIII.2)
Yeshua disse: "Eu vos digo ainda: Amai aos inimigos de vocês, e orai pelos que vos perseguem;" -
Matitiyahu (Mateus) 5:44
2) Em Menahot 4, no Talmud, encontramos o Rabino Shamai querendo fazer tsitsit mais largos do
que os seguidores da Escola de Hillel (Menahot 4)
Yeshua disse: "Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam as
tiras dos seus tefilin, e aumentam os tsitsiyot dos seus mantos;" – Matitiyahu (Mateus) 23:5
3) A Escola de Hillel disse: "Se o mundo inteiro estivesse reunido para destruir o yud, que é menor
letra da Torá, eles não seriam bem sucedidos" (Canticles Rabá 5.11; Leviticus Rabá 19). "Nenhuma letra da
Torá jamais será abolida" (Exodus Rabá 6.1).
Yeshua disse: "17 Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir.
18 Amen, e eu vos digo pois que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Torá um só
Yud ou um só traço, até que tudo seja cumprido." – Matitiyahu (Mateus) 5:17-18
4) A Escola de Hillel disse: "Aquele que é misericordioso para com os outros receberá misericórida
do Céu" (Talmud - Shabat 151b; - compare com);
Yeshua disse: "Benditos os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia." - Matitiyahu
(Mateus) 5:7 )
5) A Escola de Hillel disse: "Eles falam 'Remova o cisco do seu olho?' Ele retrucará, 'Remova trave
do seu próprio olho" (Talmud - Baba Bathra 15b).
Yeshua disse: "E por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu
olho?" – Matitiyahu (Mateus 7:3)
6) A Escola de Hillel disse: "É lícito violar um Shabat para que muitos outros possam ser
observados; as leis foram dadas para que o homem vivesse por elas, não para que o homem morresse por
elas." Todas as seguintes coisas eram lícitas no Shabat, segundo a escola de Hillel (os p'rushim que debatiam
com Yeshua certamente eram da escola de Shamai): salvar vidas, aliviar dores agudas, curar picadas de
cobra, e cozinhar para os doentes (Shabat 18.3; Tosefta Shabat 15.14; Yoma 84b; Tosefta Yoma 84.15)
Yeshua disse:"Então lhes perguntou: É lícito no Shabat fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida ou
matar? Eles, porém, se calaram." – Marcus 3:4
7) "o Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat," também aparece em material
rabínico (Mekilta 103b, Yoma 85b). Além disto, os Rabinos da escola de Hillel frequentemente citavam
Hoshea (Oséias) 6:6 para argumentar que ajudar os outros era mais importante do que observar ritos e
costumes (Suká 49b, Deuteronomy Raba em 16:18, etc.),
Yeshua disse:"E prosseguiu: O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do
Shabat." – Marcus 2:27
8) A respeito dos exageros nos rituais de purificação, um rabino da escola de Hillel, Yohanan ben
Zakai, contemporâneo de Yeshua, disse: "Na vida não são os mortos que te fazem impuros; nem é a água,
disse: "Na vida não são os mortos que te fazem impuros; nem é a água, mas a ordenança do Rei dos Reis, que
purifica." - compare com o relato de Marcus 7
9) Os rabinos da escola de Hillel também eram partidários da tese de que é pela graça do Eterno que
somos salvos, e não por mérito de obras: "Talvez Tu tenhas grande prazer em nossas boas obras? Mérito e
boas obras não temos; aja para conosco em graça." (Tehillim Rabá, on 119,123)
10) A Escola de Hillel também teve disputas com Saduceus a respeito da questão da ressurreição dos
mortos. Veja o que o rabino Gamaliel, neto de Hillel e contemporâneo de Yeshua, disse, referindo os
Saduceus a Devarim (Deuteronômio) 11:21 ou Shemot (Êxodo) 6:4, ". a terra que YHWH jurou dar aos seus
pais”,o argumento é lógico e convincente: “os mortos não podem receber, mas eles viverão novamente para
receber a terra” (Talmud – Sanhedrin 90b)
Yeshua disse: “Mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moshe o mostrou na passagem a
respeito da sarça, quando chama a YHWH: Elohim de Avraham, e Elohim de Yits’chak e Elohim de
Ya’akov. Ora, ele não é Elohim de mortos, mas de vivos; porque araEle todos vivem.” Lc 20:37-38
11) O rabino Yochanan ben Zakai também conta parábola semelhante à de Yeshua, a respeito de
convidados de um rei para o banquete Messiânico, ao comentar Yesha'yahu (Isaías) 65:13 e Eclesiastes 9:8
(vide Talmud – Shabat 153a).
12) O próprio Hillel disse: "Sejam discípulos de Aaron, amando a paz e perseguindo a paz, amando
as pessoas e as trazendo para perto da Torá" (m.Avot 1:12)
Yeshua disse: "9 Benditos os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Elohim."
Matitiyahu (Mateus) 5:9
"Uma nova mitsvá vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que
também vós vos ameis uns aos outros." Yochanan (João) 13:34
13) A "Regra de Ouro" de Hillel: "...e [Hillel] disse a ele "Não faça aos outros o que não deseja que
façam a você: esta é toda a Torá, enquanto o resto é comentário disto; vai e aprende isto." (b.Shab. 31a)
Esta regra, que era a base de todo talmid (discípulo) da escola de Hillel, é citada explicitamente por
Yeshua em: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque
esta é a Torá e os profetas." – Matitiyahu (Mateus) 7:12
II.3 - PARALELOS ENTRE YESHUA E OS ESSÊNIOS
Yeshua também demonstrou grande familiaridade com a teologia dos essênios, a qual muito
provavelmente aprendeu com Yochanan, seu primo (o qual pouca gente ousaria discordar do fato de que
pertenceu ao segmento dos essênios)
1)Os essênios promoviam a unidade (Yachad) em amor. (Philo; A Hipotética 11:2)
Yeshua disse: "para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também
eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." – Yochanan (João) 17:21
2) Os essênios estabeleciam um conselho de 12 para direcionar a comunidade (1Q58:1). Compare
isto com a autoridade dada a Yeshua para os 12 talmidim (discípulos), a fim de que eles pudessem gerenciar o
povo.
3) Os essênios eram frontalmente contra juramentos (Documento de Damasco - Geniza A; Col. 15;
Linhas 1-3) – compare com Matitiyahu (Mateus) 5:33-37
4) Sobre as viagens dos essênios para pregarem a Palavra do Eterno, veja o que diz o historiador
Flavius Josefus: "...e se alguém do segmento deles vem de outros lugares, o que eles têm permanece aberto a
eles, como se fossem um deles... como se fossem conhecidos deles de muito tempo. Por esta razão eles não
levam nada consigo quando viajam a lugares remotos, apesar de ainda levarem suas armas, por medo de
ladrões.Da mesma forma, existe em cada cidade onde eles vivem, alguém com a atribuição particular de
cuidar dos estranhos, e prover roupas e outras necessidades para eles." (Josephus; Guerras 2:8:4) – compare
com Matitiyahu (Mateus) 10:9-11 e Lucas 22:38
5) A questão do divórcio:
"... eles são pegos em duas armadilhas: fornicação, por pegarem duas esposas ao longo de suas vidas
apesar do princípio da criação ser: "macho e fêmea Ele os criou." (Documento de Damasco - Col. 4 - linha 20
a Col. 5 - linha 1)
Yeshua disse: "Respondeu-lhe Yeshua: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio
homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os
dois uma só carne? Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Elohim ajuntou, não o
separe o homem." – Matitiyahu (Mateus) 19:4-6
6) A Halacha sobre a questão de "Korban" (uma oferta) ser usada como desculpa para violar a Torá
(vide Matitiyahu / Mateus 15:1-8) – é encontrada de forma similar entre os essênios (Documento de Damasco
16:13)
7) No capítulo 4 de Yochanan (João) encontramos a alegoria da "Água Viva" saindo do poço de
Ya'akov (Jacó) e trazendo a salvação e a vida eterna. No Manual de Disciplina dos essênios, a lição da "água
viva" é encontrada e retirada simbolicamente do poço de Bamidbar (N meros) 21:8, identificado pelo
pergaminho como sendo a Torá. Podemos concluir que Yochanan (João) 4 é uma Midrash (interpretação
alegórica), baseada num conceito existente entre os essênios naquela época, para concluir que Yeshua é a
Torah Viva, nossa fonte de vida eterna (Compare Yochanan / João 4:10 e Documento de Damasco VI, 4-5;
VII, 9 - VII, 21).
8) O uso do Seder de Pessach (a ceia da "Páscoa Judaica") como sendo um banquete messiânico,
também era um conceito essênio (Josephus - Guerras 2:8:5; Manual de Disciplina 6:3-6 e 1QSa. 2, 17-21)
9) O conceito de serem 'Bnei Or' (Filhos da Luz - compare Lucas 16:8 e Yochanan / João 12:36 com
Manual de Disciplina 1,9: 2,24; 1QM)
10) Yeshua conhecia bem o Messias esperado pelos essênios. Veja a explicação que ele deu a
Yochanan Bar Zachariá (João Batista) em Lucas 7:22: "Então lhes respondeu: Ide, e contai a Yochanan o que
tens visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os
mortos são ressuscitados, e aos pobres são anunciadas as Boas Novas."
Agora compare com o critério do Messias esperado pelos essênios:
"[os céus] e a terra ouvirão ao Seu Messias, e ninguém se afastará dos mandamentos dos santos.
Vocês que buscam ao S-NHOR, fortaleçam-se no serviço dEle! Todos vocês esperançosos em (seu) coração,
vocês não encontrarão o S-NHOR nisto? Porque o S-NHOR considerará os hassidim (pios) e chamará os
justos pelo nome. Sobre os pobres o Seu espírito pairará e renovará os fiéis com o Seu poder. E Ele glorificará
os hassidim (pios) no trono do Reino Eterno. Ele que libera os cativos, restaura a visão dos cegos, endireita os
[tortos]... E o S-nhor fará coisas gloriosas que nunca houveram... Pois Ele curará os feridos, e reviverá os
mortos e trará as Boas Novas aos pobres..." (4Q521)
11) O conceito da "luz da vida" (Yochanan / João. 8:12 & Man. Disc. 3, 7)
II.4 - PARALELOS ENTRE YESHUA E OUTROS RABINOS
Vemos ainda alguns paralelos entre Yeshua e outros rabinos. Como a literatura rabínica é muito
extensa, é provável que encontremos ainda muitos outros, mas a idéia deste artigo é apenas a de demonstrar
como Yeshua foi muito bem instruído na sabedoria judaica:
1) Normalmente, Yeshua discordava fortemente dos p'rushim (fariseus) da escola de Shamai, os
quais eram extremamente legalistas em sua observância da Torá. Vemos apenas UMA situação em que
Yeshua concorda com a escola de Shamai, que é a questão do divórcio (repudiar a esposa) exposta em
Matitiyahu (Mateus) 5:31-32, semelhante à posição da escola de Shamai em m.Gittin 9:10).
2) Algumas expressões tais como "se teu olho direito de ofende, arranca-o" e "se a tua mão direita te
ofende, corta-a for a" (Mt. 5:29-30) são encontradas em discursos rabínicos semelhantes (vide Nidá 13b)
II.5 - CONCLUSÃO
"E crescia Yeshua em sabedoria, em estatura e em graça diante de Elohim e dos homens." – Lucas
2:52
As Escrituras deixam bem claro que Yeshua recebeu instrução. Porém, o espectro de conhecimento
apresentado pelo rabino Yeshua, tanto das Escrituras, quanto das técnicas de interpretação da mesma, da
tradição oral, e dos ensinamentos dos sábios e rabinos ao longo da história dos judeus, é simplesmente
inimaginável!
Tamanho conhecimento e habilidade jamais foram vistos em toda a história de Israel, e só poderiam
vir do Filho de Elohim!
Parte III
Yeshua, O Rabino
III.1 - INTRODUÇÃO
Para entender completamente o que Yeshua fazia, e também seus ensinamentos, é necessário
entendermos o que era ser rabino no primeiro século, como ensinavam, etc.
III.2 - O QUE FAZ UM RABINO?
Quando conhecemos alguém, uma das primeiras perguntas que fazemos é "Qual a sua profissão?"
Dependendo da profissão, pedimos também à pessoa para explicar um pouco do que ela faz. Ao conhecermos
mais sobre a profissão de uma pessoa, passamos a conhecer mais sobre a própria pessoa, pois ela passa grande
parte da vida dela naquela atividade. Por exemplo, se descobrimos que a pessoa que acabamos de conhecer é
um médico, esta informação nos diz bastante a respeito da educação da pessoa, do seu círculo social, do seu
status financeiro e até mesmo da sua rotina diária.
E se você tivesse a oportunidade de voltar no tempo e encontrar com o Yeshua dos Evangelhos, e
perguntasse: "O que você faz?" O que Ele te diria? Que tipo de educação um Salvador precisa ter? Qual era o
status social da profissão de Filho de YHWH? Quanto um Messias ganhava por mês? Qual era a rotina de um
Libertador? Pois é, estas perguntas não fazem sentido, não é mesmo? Porque o fato é que conhecemos muito a
respeito das definições teológicas de Yeshua (i.e. Salvador, Filho de YHWH, Messias, etc.), mas
normalmente as pessoas conhecem pouco sobre a vocação de Yeshua.
A vocação de Yeshua era ser rabino. Ele era um rabino de Galil (Galiléia), com muitos admiradores
e seguidores. Só estes fatos já nos dizem muita coisa sobre quem o rabino Yeshua realmente é.
Naqueles dias, o termo "rabino" ainda não tinha o significado de hoje. Hoje em dia, "rabino" é um
termo usado automaticamente para quem se forma em uma Yeshiva (instituição rabínica). O termo "rabino"
era um termo respeitoso para um grande professor. É neste contexto que devemos procurar entender o rabino
Yeshua.
Felizmente, a literatura judaica preservou para nós uma grande riqueza em termos de tradições,
ensinamentos, parábolas e histórias de grandes rabinos do Judaísmo da mesma era que Yeshua (isto é, da Era
do Segundo Templo). Ao compararmos as palavras, as vidas e as aventuras de outros rabinos
contemporâneos de Yeshua, conseguimos aprender bastante sobre o que significava ser um rabino no
Primeiro Século.
III.3 - QUAL ERA O SALÁRIO DE YESHUA?
Um rabino do Primeiro Século não era um clérigo ou ministro ordenado. Aliás, apesar de muitas
vezes serem vistos desta forma (devido principalmente à cultura ocidental), até hoje os rabinos não são
exatamente ministros. Os rabinos do Primeiro Século não recebiam salário de uma sinagoga ou denominação.
Ao invés disto, eles tipicamente praticavam alguma atividade comercial para sustentar o seu ministério de
ensino, ou viviam de doações. Por exemplo, Raban Gamliel aconselhava os seus alunos a combinar a prática
da instrução da Torá com uma atividade mundana (Avot 2:2). Seu aluno mais famoso,
o rabino Sha'ul HaBinyamin, mais popularmente conhecido como o apóstolo Paulo, escolheu
ser um fabricante de tendas ao invés de aceitar doações de seus talmidim (discípulos).
Outros professores, como Yeshua, ensinavam e faziam talmidim (discípulos) em tempo integral. Tais
professores dependiam de doações da comunidade e de seus alunos. (Lucas 8:3 menciona algumas mulheres
que apoiavam o ministério de Yeshua. Yochanan / João 12:6 lembra que havia uma sacola de doações levada
por Yeshua e seus talmidim / discípulos.) Quando um rabino decidia se dedicar em tempo integral ao
ministério, isto normalmente significava ter que levar um estilo de
vida bastante humilde. Por isto ele disse que as raposas tinham tocas e os pássaros tinham ninhos,
mas o Filho do Homem não tinha um lugar para recostar a cabeça.
III.4 - ONDE MORAVA E TRABALHAVA YESHUA?
Pelo Talmud, fica bem evidente que na maioria das vezes um rabino do Primeiro Século ensinava de
uma sinagoga local. As sinagogas eram normalmente chamadas de Beit Midrash (Casa de Estudo). Os alunos
que desejavam aprender daqueles rabinos frequentemente viajavam grandes distâncias e, se fossem aceitos
como talmidim (discípulos), eles dedicavam as suas vidas não só a estudar, mas também a viver com o seu
rabino. Por outro lado, muitos dos sábios do Judaísmo do Primeiro Século eram itinerantes, viajando de
cidade em cidade, de sinagoga em sinagoga, ensinando a Torá e fazendo talmidim (discípulos). O ministério
de Yeshua certamente era itinerante, embora ele também utilizasse Kfar Nachum (Cafarnaum) como sua base.
Tanto que nos Evangelhos vemos Kfar Nachum (Cafarnaum) sendo chamada de "Sua própria cidade."
(Matitiyahu / Mateus 9:1). Em Kfar Nachum (Cafarnaum), muito provavelmente ele se hospedava em um
quarto na casa de Kefá (Pedro). Contudo, ele certamente rejitou a oferta de se tornar um rabino residente de
Kfar Nachum (vide Lucas 4:43).
A maior parte do ministério de Yeshua consistiu das viagens dentre Yerushalayim (Jerusalém) e
Galil (Galiléia). Mas por que? Porque como todo judeu observante da Torá em Israel, ele tinha que ir a
Yerushalayim (Jerusalém) e ao Templo para cada uma das três festas de peregrinação: Pessach, Shavuot
(Pentecostes) e Sukot (Tabernáculos). O Talmud relata que os sábios aproveitavam as grandes multidões de
peregrinos para ensinar um grande número de pessoas nas alas do Templo durante os festivais. Até mesmo
aqueles rabinos que normalmente ficavam em uma só localidade faziam isto, por entenderem que era uma
grande oportunidade de ensinar às massas. É por isto que vemos nos Evangelhos Yeshua frequentemente
ensinando nas alas do Templo, sempre durante as Moedim (Festas Bíblicas).
III.5 - QUAL EXATAMENTE ERA A FUNÇÃO DE UM RABINO?
A função de um rabino no início do Judaísmo era a de transmitir os ensinamentos (ou seja, a Torá)
para a próxima geração. O livro de Pirkei Avot ("A Ética dos Pais") começa com estas palavras "Moshe
(Moisés) recebeu a Torá do Sinai e a transmitiu a seu talmid (discípulo) Yehoshua (Josué) e aos anciãos; os
anciãos aos profetas, e os profetas os homens da grande assembléia (geração de Ezra / Esdras)." (Avot 1:1)
O padrão de professor-discípulo para transmissão da Torá e do conhecimento do Eterno foi
estabelecido desde de o início da história, e temos como primeiro exemplo mais concreto a Moshe e
Yehoshua (Moisés e Josué). Aos professores de cada geração era confiada a tarefa de fazer talmidim
(discípulos) e formar futuros professores para a próxima geração. Geração após geração, de professor a
aluno, os ensinamentos da Torá eram transmitidos. Um rabino do Judaísmo do Primeiro Século era dedicado
exatamente a esta função (como é considerado função de um rabino até hoje): ensinar a Torá do Eterno. O
propósito de sua vida era explicar a Torá em termos práticos e comunicar o conhecimento do Eterno para a
geração seguinte.
III.6 - OS TRÊS CRITÉRIOS PARA UM RABINO
O Pirkei Avot continua "Os Homens da Grande Assembléia disseram três coisas `Seja deliberado
em seu julgamento, forme muitos talmidim (discípulos), e faça uma cerca para a Torá." Esta era a função de
um rabino do Primeiro Século.
I – Ser deliberado no julgamento: A função de um rabino era ser cuidadoso ao tomar uma decisão
legal ou ao interpretar as Escrituras. Ele tinha que cuidadosamente examinar todas as evidências. Quando lhe
era perguntado algo sobre as Escrituras, ou quando tinha que tomar uma decisão como ancião ou juiz em uma
corte, ou até mesmo ao tomar decisões sobre a observância da Torá (halacha), um rabino tinha que ser
cuidadoso e deliberado. Um rabino levava as Escrituras a sério, e as estudava cuidadosamente para ser
deliberado em seu julgamento.
II – Formar muitos talmidim (discípulos): A função de um rabino era a de formar muitos talmidim
(discípulos). Ele tinha que passar as instruções a muitos alunos. Se ele não o fizesse, não haveria
continuidade de geração em geração. Sem talmidim (discípulos), o estudo da Torá e o conhecimento do
bem desapareceriam em uma passagem de geração, e a próxima geração cairia em apostasia. A função de
um rabino era a de formar talmidim (discípulos) que por sua vez se tornariam professores e formariam
outros discípulos, para que a Torá não se perdesse.
III – Fazer uma Cerca para a Torá: A tarefa de um rabino era a de proteger a Torá, ou seja,
proteger os mandamentos para que o povo não caísse em pecado. Por exemplo, para que uma pessoa não
cometesse adultério, os sábios fizeram uma cerca, dizendo que um homem não deveria ficar sozinho com
uma mulher que não fosse sua esposa, para que não caísse na tentação do adultério. Alguns dizem que
Yeshua condenou o princípio da cerca, mas na realidade o que Yeshua condenou foi o excessivo
legalismo, e o peso que havia nos exageros sobre as leis de cerca. Como em tudo na vida, o ser humano
tem a tendência a cometer exageros, e as leis de cerca, que eram um conceito válido e muito interessante,
tornaram-se um peso muito grande.
Em seu ministério, Yeshua foi um rabino completo, cumprindo os três critérios acima. Ele foi
deliberado em sue julgamento, tomando decisões brilhantes a respeito da interpretação da Torá. Ele formou
muitos talmidim (discípulos), mais do que qualquer outro rabino jamais o fez. Além dos Doze Apóstolos, ele
tinha centenas de alunos devotos, e milhares de pessoas que ouviam aos seus ensinamentos. Ele fez cercas
para a Torá, por exemplo quando disse que alguém que sequer olha para uma mulher com desejo já cometeu
com ela adultério no coração. Ou quando disse para não fazermos juramentos, mas que o nosso sim seja sim e
o não seja não. Nestes dois exemplos, ele fez cercas para os mandamentos de adultério, e para alguns
mandamentos relacionados ao falar (i.e. não levantar falso testemunho, leis a respeito de juramentos, não
tomar o nome do Eterno em vão, etc.). Vemos então que Yeshua era um rabino completo.
III.7 - ENTENDENDO AS PALAVRAS DO RABINO YESHUA
Quando começamos a estudar os ensinamentos e metodologias de ensino dos primeiros rabinos,
fazemos uma descoberta fantástica. Logo percebemos que muitas das palavras e ensinamentos de Yeshua
refletem os ensinamentos de outros rabinos anteriores ou contemporâneos a ele. A metodologia,
hermenêutica, argumentação, pressuposições teológicas, e até mesmo os assuntos abordados nos
ensinamentos de Yeshua são fundamentalmente rabínicos. Até mesmo a sua forma de ensinar utilizando
parábolas era um método de ensino comum no Primeiro Século. Muitas de suas parábolas são derivadas de
parábolas de outros rabinos anteriores a ele, que Yeshua aproveitou e/ou reformulou para transmitir Sua
mensagem. Em poucas palavras, como rabino, ele utilizou as ferramentas de um rabino para transmitir
Suas idéias. Ele utilizou tanto técnicas rabínicas quanto materiais rabínicos, tal qual já demonstramos
brevemente no segundo artigo desta série.
A literatura judaica nos permite comparar Suas palavras com as palavras dos rabinos que vieram
antes dEle, ou mesmo dos rabinos contemporâneos a Ele. Assim, conseguimos compreender melhor
algumas expressões idiomáticas obscuras e elementos do estilo judaico que Yeshua empregou, ao fazermos
tais comparações. Através da literatura judaica, conseguimos entender melhor os pontos de conflito entre
Yeshua e o sistema do Judaísmo que existia no Primeiro Século. E o melhor de tudo é que,
consequentemente, conseguimos entender melhor a Yeshua e à Sua mensagem, dentro do seu contexto
original.
III.8 - CONCLUSÃO
Yeshua é um rabino. Seus ensinamentos são fundamentalmente rabínicos. Para entendermos melhor
quem Ele foi e o que Ele ensinou, é necessário explorarmos o material e as metodologias rabínicas de Sua
época.
Parte IV
Um Rabino Muito Especial
IV.1 - INTRODUÇÃO
As três primeiras partes deste estudo mostravam como Yeshua se encaixa na descrição normal de um
rabino do Primeiro Século Yeshua foi o único rabino com autoridade para questionar até mesmo as tradições
rabínicas anteriores. O próprio Judaísmo rabínico reconhece que o Messias tem autoridade para mudar a
Halacha (as decisões sobre como observar corretamente a Torá), e ensinar a observar propriamente a Lei do
Eterno. Yeshua não mudou a Torá, pois o Eterno não muda, mas questionou muitas tradições rabínicas
(embora tenha concordado com outras). Yeshua disse "Vocês têm ouvido… mas Eu lhes digo." Quando dizia
esta frase, Yeshua mostrava Sua autoridade absoluta. Por isto lemos "Ao concluir Yeshua este discurso, as
multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo semichá, e não como os seus
professores da Torá." (Matitiyahu / Mateus 7:28-29)
IV.4 – OS MILAGRES DO NOSSO RABINO
O ministério de ensinamento do rabino Yeshua foi complementado e validado pelas manifestações
dos milagres do Reino dos Céus que o acompanhavam. Os doentes foram curados, os que eram oprimidos
por demônios foram libertos, os famintos foram alimentados, os cegos voltaram a ver, os aleijados andaram,
os surdos ouviram, e os mortos voltaram à vida. Milagres desta magnitude eram muito raros dentre outros
rabinos. Mas no ministério do rabino Yeshua, os milagres eram a regra, e não a exceção.
IV.5 – UM RABINO SE TORNA MALDIÇÃO
Os rabinos do Primeiro Século conheciam muito bem a Torá. Sabiam que a Torá, como Palavra do
Eterno, é Ets Chayim, mas também pode trazer morte. Por que? Porque o conhecimento do bem não vem sem
o conhecimento do mal, e eles sabiam quais eram as consequências de não viverem segundo a Torá. Sabiam
de todas as terríveis maldições que viriam como consequência disto. Certamente encontraríamos no Primeiro
Século, e até mesmo hoje em dia, muitos rabinos que dariam sua vida para salvar a alguém.
No entanto, nenhum rabino que se preze aceitaria tomar sobre si todas as horríveis maldições que a
Torá descreve como sendo conseqüência da transgressão. Certamente que não aceitariam nem mesmo a
metade. Yeshua, como rabino, conhecia bem a Torá. Sabia de todas as horríveis maldições, tanto físicas
quanto espirituais, que estaria para sofrer, em nosso lugar. E em Seu grande amor, Yeshua decidiu nos salvar.
O maior rabino de todos os tempos também demonstrou o maior amor de todos os tempos, ao tomar sobre si
algo que todos os outros rabinos julgavam e ainda julgam impensável.
IV.6 – O RABINO QUE VOLTOU DOS MORTOS
Yeshua também foi o único rabino a ressurgir de dentre os mortos. Nenhum outro rabino na história
jamais fez, e jamais fará tal coisa. Se você ainda tem dúvidas sobre isto, imagine a seguinte situação: após a
sua morte, os seus talmidim (discípulos) estavam dispersos e completamente desnorteados. Eram pobres, sem
as doações que eram feitas ao ministério de Yeshua, não tinham como se sustentar. Estavam desapontados,
pois esperavam ver o seu rabino coroado como rei em Yerushalayim (Jerusalém), e no entanto seu rabino foi
preso, torturado, morto e nada fez para impedir. A grande maioria das multidões que o seguiam agora também
estavam desapontadas, se sentindo desiludidas pois também esperavam que Yeshua os libertasse de Roma.
Sem dinheiro, sem as multidões, sem rumo, sem o seu pastor, confusos, desiludidos, amedrontados,
dispersos, perseguidos por Roma e por muitos moradores da região de Yehudá: este era o quadro dos
talmidim (discípulos) de Yeshua. E no entanto, algo acontecesse. Eles passam de adolescentes amedrontados
a intrépidos proclamadores do Reino dos
Céus, ao ponto de levarem adiante a mensagem de Yeshua até os confins da Terra, dispostos a darem
suas vidas por esta mensagem. O que mudou? Justamente o fato de que Yeshua ressurgiu dos mortos, e
apareceu para eles. Sem isto seria impossível imaginar que os talmidim (discípulos) seriam capazes de
levarem sozinhos uma mentira adiante.
IV.7 – SEGUINDO O RABINO YESHUA
Uma coisa é saber que Yeshua foi um rabino e até chamá-lo de rabino Yeshua. Outra coisa bem
diferente fazer dEle o seu rabino. Tal como no Primeiro Século, até os dias de hoje existe uma grande
diferença entre aqueles que são curados ou salvos por Yeshua, e aqueles que decidem serem seus talmidim
(discípulos). Para realmente aprendermos de Yeshua como os primeiros talmidim (discípulos) faziam, temos
que entender como Ele vivia, e procurar viver da mesma forma, e seguí-lo. Pois o chamado de Yeshua é para
que nós o sigamos. Se desejamos conhecê-Lo como Ele realmente é, devemos experimentá-Lo não apenas
como Salvador, mas também como Mestre e S-nhor, e devemos dedicar nossas vidas ao discipulado dEle.
Assim como ocorria no contexto do Primeiro Século, devemos entender que ser discípulo de Yeshua
é estar aprendendo constantemente dEle. É um processo de uma vida inteira. O mesmo chamado de Yeshua
está disponível até hoje.
Quem Foi Yeshua?
Por Sha’ul Bentsion Ben Avraham
Parte I
Yeshua, o Judeu
I.1 - INTRODUÇÃO
Se alguém te perguntar quem é Paul McCartney você saberia responder?
Creio que a grande maioria saberia dizer que era um dos integrante dos Beatles. Outros lembrariam
que ele mora na Inglaterra, outros ainda que ele foi casado com Linda McCartney. A grande maioria das
pessoas pouco sabe sobre os detalhes da vida dele. Mas, se você perguntasse isto a um membro de um fãclube
dos Beatles? Você provavelmente esperaria que eles conhecessem muitas coisas a respeito do Paul
McCartney.
Agora, se alguém te perguntasse o que você sabe sobre quem foi Yeshua? Como ele viveu? A que
grupos sociais ele pertencia? Entre outras… Infelizmente, a realidade é que muitos dos que se dizem
seguidores dele mal o conhecem! E você, realmente sabe quem foi Yeshua? Esta série de artigos tem por
objetivo justamente isto: contar um pouco mais sobre Yeshua e a vida que ele levava.
I.2 – PODEMOS CUSTOMIZAR O MESSIAS?
Uma das grandes mentiras que a "Nova Era" propaga entre os povos é a idéia de que o Eterno pode
ser do jeito que você desejar que Ele seja. É como um verdadeiro supermercado espiritual onde as pessoas
escolhem aquilo no que crer. Infelizmente, muitos dos ditos seguidores de Yeshua fazem o mesmo com ele,
às vezes até mesmo sem perceber. O Yeshua que é apresentado nos Evangelhos não é uma pessoa mística
que se enquadra a qualquer gosto. Yeshua nasceu, cresceu, viveu e pregou entre judeus. Fez discípulos
judeus, que o descreveram nos livros do B'rit Chadashah (Novo Testamento) dentro de uma ótica judaica. Se
o removemos de Seu contexto judaico, jamais o entenderemos de fato.
O movimento iniciado por Yeshua cresceu tanto que hoje é encontrado em cada tribo e nação do
planeta. Tal fé rompeu todas as barreiras culturais e sociais. Em Yeshua, a mensagem do Eterno é para todos,
a salvação é para todos, e não há divisões étnicas ou barreiras raciais. Contudo, o centro da fé bíblica é
Yeshua, e Yeshua é um judeu.
I.3 – O NASCIMENTO DE UM JUDEU CHAMADO YESHUA
Ele nasceu de uma mãe judia, e pertenceu a uma típica família judaica. Como todo filho homem
judeu, fez o seu B'rit Milá, ou seja, foi circuncidado ao oitavo dia. De acordo com a tradição judaica, recebeu
o seu nome no dia em que foi circuncidado, como os judeus o fazem até hoje. Ele recebeu o nome de Yeshua.
O nome foi dado porque Yeshua significa "salvação". Yeshua recebeu a missão de salvar o Seu povo de
todos os seus pecados. Pergunta: Yeshua falhou em tal missão? Espero que ninguém responda que sim! Se
Yeshua não falhou, porque ainda há pessoas que insistem em dizer que os judeus não serão salvos? O povo
de Yeshua descende de Avraham (Abraão), Itschak (Isaque) e Ya'akov (Jacó). O povo de Yeshua é o povo
judeu.
I.4 – A VIDA COMUNITÁRIA DE YESHUA
Yeshua foi criado como judeu numa comunidade que seria equivalente ao que é hoje uma
comunidade judaico-ortodoxa. Você conhece uma comunidade judaico-ortodoxa? Não? Sem ao menos
sabermos como é, jamais entenderemos a Yeshua plenamente.
Natseret (Nazaré), cidade onde Ele cresceu, foi fundada pelos descendentes do Rei David, e ficava
na Galiléia, uma região totalmente judaica. Você conhece a história da Galiléia, berço de nosso Salvador?
Pois é, pouco se conta nas igrejas que a Galiléia era um dos maiores centros de estudos judaicos de Israel
naquela época. Yeshua não simplesmente "nasceu sabendo" tudo o que ele sabia. Lembre-se de que Ele se
desfez de Sua glória para se tornar humano. Não foi por acaso que o Pai o colocou naquele local. Yeshua
aprendeu de perto com alguns dos maiores rabinos daquela época. Você sabia que muitos de seus
ensinamentos são citações de tais rabinos? Pois é, caro leitor, como você pode ver, sem conhecermos o
trabalho de tal rabino, como compreender a educação que teve nosso Messias? Yeshua foi educado como um
parush (fariseu).
Certamente que tal educação influenciou suas disputas teológicas com algumas escolas farisaicas. Ao
contrário do que muitos crêem, Yeshua não era contra TODOS os fariseus, mas tinha disputas sérias com os
p'rushim (fariseus) da escola de Shamai, que eram extremamente legalistas.
Sua vida na comunidade judaica foi absolutamente normal. Conforme o costume judaico, ele
observava todas as festas bíblicas, e buscava ao Pai no Shabat, o dia que o Eterno desde a fundação do
mundo estabeleceu como Seu dia.
I.5 – A ALIMENTAÇÃO DE YESHUA
Yeshua tinha uma saudável alimentação kasher, segundo a Torá em Vayicra (Levítico) 11. Isto
significa que carnes como a de porco, coelho, répteis, camarão, etc., além de boa parte da gordura animal, não
faziam parte da sua dieta. Durante o Pessach (a "páscoa" judaica), Yeshua como todo bom judeu comia
apenas pães sem fermento. Yeshua também jejuava no Yom Kippur, o conhecido Dia da Expiação, quando o
Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) oferecia sacrifício pela expiação do pecado do povo.
I.6 – COMO YESHUA SE VESTIA?
Yeshua se vestia como judeu. Isto significa que não misturava lã com linho, conforme determinação
da Torá. Yeshua certamente usava talit, o sagrado manto de oração que contém os tsitsit, que são as franjas
que a Torá determina que usemos para nos lembrarmos de que devemos viver segundo os preceitos do
Eterno. Os tsitsiyot de Yeshua possuiam um fio azul, que simboliza o caminho de safira descrito em Shemot
(Êxodo) 24:10, ou seja o caminho do Eterno. Foi justamente nos tsitsit de Yeshua que a mulher que tinha
fluxo de sangue tocou e foi curada. Não foi um simples ato de tocar em Yeshua. Tocar nos tsitsit significava
que ela reconhecia nEle a autoridade de Messias.
Como todo judeu de seu tempo, Yeshua também certamente usava kippá. O kippá é uma cobertura
para a cabeça que representa nosso reconhecimento de que a Shechiná (Glória) do Eterno está sobre nós. É
uma vestimenta que deriva das vestes sacerdotais na Torá.
Yeshua também usava t'filim, popularmente conhecidos como filactérios. Os t'filim têm como
objetivo simbolizar que as leis do Eterno estão presentes em nossa mente (por isso é atado entre os olhos) e
em nossos atos (na mão). A Torá do Eterno nos guarda para que não pequemos em nossa mente nem em
nossos atos.
I.7 – YESHUA E A SINAGOGA
No Shabat, pela manhã, Yeshua ia à sinagoga. Ao contrário de muitos hoje em dia que fazem tudo
por um microfone, Yeshua sabia que antes de poder falar e questionar, era necessário aprender.
Provavelmente, como era de costume, aos cinco anos Yeshua começou a aprender a o hebraico (sua língua
nativa era o aramaico) e a estudar a Torá do Eterno. Por volta dos 13 anos, Yeshua provavelmente fez o seu
Bar Mitsvá, uma cerimônia que marca a passagem da criança para a vida adulta. Como todo judeu, aos 13
anos Yeshua tinha que saber de cor toda a Torá.
Fica a pergunta: nós que nos dizemos seguidores dele, quanto das Escrituras sabem nossos filhos aos
13 anos? Será que nós sabemos hoje tanto quanto um menino judeu sabia no tempo de Yeshua? Como
teremos uma fé sólida sem conhecermos as escrituras.
No Shabat, Yeshua não só aprendia a Torá como recitava bênçãos. Estas bênçãos não são como nas
igrejas pós-modernas. Não visavam prosperidade, mas sim darmos o devido reconhecimento ao Eterno da
soberania dEle sobre nossas vidas. Ao declararmos Sua majestade, fortalecemos nossa fé. Ao fortalecermos
nossa fé, nossa vida espiritual melhora. Com a vida espiritual melhor, somos mais felizes, mais preparados e
nos sentimos mais próximos ao Eterno. O menino Yeshua sabia disto ao ler o Sidur (livro de bênçãos) a cada
Shabat. Após sua maioridade, Yeshua também passou a participar da leitura do Tanach. É tradição judaica
até hoje ler-se muito os textos sagrados no Shabat. Foi desta forma que Yeshua pôde ler o rolo de Yesha'yahu
(Isaías) e declarar que Ele era o seu cumprimento. Yeshua sempre argumentava a partir das Escrituras,
expondo-as perante o questionador (uma técnica rabínica).
Ao final do Shabat, Yeshua participava do Kidush, que é o animado partir do pão onde damos
graças ao Eterno pelas provisões semanais. Os discípulos de Yeshua mantiveram esta prática após os
serviços, tanto que é mencionado o partir do pão diversas vezes no livro de Atos.
I.8 – YESHUA SE TORNA UM RABINO
Yeshua tornou-se um respeitado rabino. Para alguém se tornar um rabino, é necessário (até hoje)
muito estudo. Este foi certamente um dos motivos (ou talvez "o" motivo) de Seu ministério só ter se iniciado
por volta dos 30 anos. Ele ensinava a partir do Tanach (Tanach significa: Torá, Nevi'im / Profetas, e Ketuvim
/ Escritos). Ao contrário do que aparece nos filmes, a grande maioria dos discípulos de um rabino eram
meninos, bastante jovens. Com Yeshua não era diferente. Vemos até mesmo pela idade em que morreram
que os discípulos de Yeshua tinham entre 13 e 20 anos, no máximo. Eram meninos inexperientes.
Ao contrário da nossa cultura, onde vamos à escola por 4-5 horas e voltamos para casa, um discípulo
no judaísmo vivia com o seu rabino. Com os discípulos de Yeshua não era diferente. Eles não desviavam os
olhos de Yeshua um minuto sequer. Será que somos assim?
I.9 – YESHUA: ETERNAMENTE JUDEU
Infelizmente, ao longo dos séculos, a figura de Yeshua transformou-se no "Jesus anti-semita" que
encontramos primeiro na igreja de Roma, mas que depois foi herdada por muitas outras igrejas. A teologia
anti-judaica e a premissa de que não é importante vivermos conforme as leis do Eterno nada tinha de
semelhante com a pregação do rabino Yeshua, um grande judeu que viveu o pleno cumprimento da Torá.
Yeshua é um judeu, viveu como judeu, morreu como judeu, e de acordo com Ezequiel, continuará a
ser o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Malki Tsedek, oficiando no Templo (judaico) de Yerushalayim
(Jerusalém).
Tão precioso sangue de Yeshua, derramado por nossos pecados no madeiro, era sangue judeu. E a
placa acima de seu madeiro dizia: "Yeshua de Natseret, Rei dos Judeus"
Parte II
Com Quem Yeshua Estudou
II.1 – ONDE ESTUDOU YESHUA?
Segundo a tradição judaica, o Messias deveria ensinar ao povo a correta interpretação da Palavra do
Eterno. E foi isto que Yeshua fez. Para isto, antes de começar o seu ministério, Yeshua foi um aluno bastante
aplicado.
Yeshua demonstrou grande familiaridade tanto com a linha dos essênios (com a qual teve contato
através de seu primo Yochanan Bar Zachariá, popularmente conhecido como "João Batista") quanto com a
linha rabínica da escola de Hillel.
Mas seu conhecimento não se limitava às tais linhas. Yeshua, antes de mais nada, conhecia
profundamente as Escrituras e a sabedoria judaica.
II.2 - PARALELOS ENTRE YESHUA E A ESCOLA DE HILLEL
Os ensinamentos de Yeshua se assemelharam muito com a linha da escola de Hillel (embora
houvesse alguns itens de discordância, como questão do divórcio por exemplo). Hillel, que viveu pouco
tempo antes de Yeshua, foi um dos maiores judeus de toda a história, um grande rabino.
Veja o impressionante paralelo entre os ensinamentos de Yeshua e Escola de Hillel:
1) A Escola de Hillel disse: "se alguém busca te fazer o mal, farás bem em orar por ele" (Testamento
de Yossef XVIII.2)
Yeshua disse: "Eu vos digo ainda: Amai aos inimigos de vocês, e orai pelos que vos perseguem;" -
Matitiyahu (Mateus) 5:44
2) Em Menahot 4, no Talmud, encontramos o Rabino Shamai querendo fazer tsitsit mais largos do
que os seguidores da Escola de Hillel (Menahot 4)
Yeshua disse: "Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam as
tiras dos seus tefilin, e aumentam os tsitsiyot dos seus mantos;" – Matitiyahu (Mateus) 23:5
3) A Escola de Hillel disse: "Se o mundo inteiro estivesse reunido para destruir o yud, que é menor
letra da Torá, eles não seriam bem sucedidos" (Canticles Rabá 5.11; Leviticus Rabá 19). "Nenhuma letra da
Torá jamais será abolida" (Exodus Rabá 6.1).
Yeshua disse: "17 Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir.
18 Amen, e eu vos digo pois que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Torá um só
Yud ou um só traço, até que tudo seja cumprido." – Matitiyahu (Mateus) 5:17-18
4) A Escola de Hillel disse: "Aquele que é misericordioso para com os outros receberá misericórida
do Céu" (Talmud - Shabat 151b; - compare com);
Yeshua disse: "Benditos os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia." - Matitiyahu
(Mateus) 5:7 )
5) A Escola de Hillel disse: "Eles falam 'Remova o cisco do seu olho?' Ele retrucará, 'Remova trave
do seu próprio olho" (Talmud - Baba Bathra 15b).
Yeshua disse: "E por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu
olho?" – Matitiyahu (Mateus 7:3)
6) A Escola de Hillel disse: "É lícito violar um Shabat para que muitos outros possam ser
observados; as leis foram dadas para que o homem vivesse por elas, não para que o homem morresse por
elas." Todas as seguintes coisas eram lícitas no Shabat, segundo a escola de Hillel (os p'rushim que debatiam
com Yeshua certamente eram da escola de Shamai): salvar vidas, aliviar dores agudas, curar picadas de
cobra, e cozinhar para os doentes (Shabat 18.3; Tosefta Shabat 15.14; Yoma 84b; Tosefta Yoma 84.15)
Yeshua disse:"Então lhes perguntou: É lícito no Shabat fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida ou
matar? Eles, porém, se calaram." – Marcus 3:4
7) "o Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat," também aparece em material
rabínico (Mekilta 103b, Yoma 85b). Além disto, os Rabinos da escola de Hillel frequentemente citavam
Hoshea (Oséias) 6:6 para argumentar que ajudar os outros era mais importante do que observar ritos e
costumes (Suká 49b, Deuteronomy Raba em 16:18, etc.),
Yeshua disse:"E prosseguiu: O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do
Shabat." – Marcus 2:27
8) A respeito dos exageros nos rituais de purificação, um rabino da escola de Hillel, Yohanan ben
Zakai, contemporâneo de Yeshua, disse: "Na vida não são os mortos que te fazem impuros; nem é a água,
disse: "Na vida não são os mortos que te fazem impuros; nem é a água, mas a ordenança do Rei dos Reis, que
purifica." - compare com o relato de Marcus 7
9) Os rabinos da escola de Hillel também eram partidários da tese de que é pela graça do Eterno que
somos salvos, e não por mérito de obras: "Talvez Tu tenhas grande prazer em nossas boas obras? Mérito e
boas obras não temos; aja para conosco em graça." (Tehillim Rabá, on 119,123)
10) A Escola de Hillel também teve disputas com Saduceus a respeito da questão da ressurreição dos
mortos. Veja o que o rabino Gamaliel, neto de Hillel e contemporâneo de Yeshua, disse, referindo os
Saduceus a Devarim (Deuteronômio) 11:21 ou Shemot (Êxodo) 6:4, ". a terra que YHWH jurou dar aos seus
pais”,o argumento é lógico e convincente: “os mortos não podem receber, mas eles viverão novamente para
receber a terra” (Talmud – Sanhedrin 90b)
Yeshua disse: “Mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moshe o mostrou na passagem a
respeito da sarça, quando chama a YHWH: Elohim de Avraham, e Elohim de Yits’chak e Elohim de
Ya’akov. Ora, ele não é Elohim de mortos, mas de vivos; porque araEle todos vivem.” Lc 20:37-38
11) O rabino Yochanan ben Zakai também conta parábola semelhante à de Yeshua, a respeito de
convidados de um rei para o banquete Messiânico, ao comentar Yesha'yahu (Isaías) 65:13 e Eclesiastes 9:8
(vide Talmud – Shabat 153a).
12) O próprio Hillel disse: "Sejam discípulos de Aaron, amando a paz e perseguindo a paz, amando
as pessoas e as trazendo para perto da Torá" (m.Avot 1:12)
Yeshua disse: "9 Benditos os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Elohim."
Matitiyahu (Mateus) 5:9
"Uma nova mitsvá vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que
também vós vos ameis uns aos outros." Yochanan (João) 13:34
13) A "Regra de Ouro" de Hillel: "...e [Hillel] disse a ele "Não faça aos outros o que não deseja que
façam a você: esta é toda a Torá, enquanto o resto é comentário disto; vai e aprende isto." (b.Shab. 31a)
Esta regra, que era a base de todo talmid (discípulo) da escola de Hillel, é citada explicitamente por
Yeshua em: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque
esta é a Torá e os profetas." – Matitiyahu (Mateus) 7:12
II.3 - PARALELOS ENTRE YESHUA E OS ESSÊNIOS
Yeshua também demonstrou grande familiaridade com a teologia dos essênios, a qual muito
provavelmente aprendeu com Yochanan, seu primo (o qual pouca gente ousaria discordar do fato de que
pertenceu ao segmento dos essênios)
1)Os essênios promoviam a unidade (Yachad) em amor. (Philo; A Hipotética 11:2)
Yeshua disse: "para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também
eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." – Yochanan (João) 17:21
2) Os essênios estabeleciam um conselho de 12 para direcionar a comunidade (1Q58:1). Compare
isto com a autoridade dada a Yeshua para os 12 talmidim (discípulos), a fim de que eles pudessem gerenciar o
povo.
3) Os essênios eram frontalmente contra juramentos (Documento de Damasco - Geniza A; Col. 15;
Linhas 1-3) – compare com Matitiyahu (Mateus) 5:33-37
4) Sobre as viagens dos essênios para pregarem a Palavra do Eterno, veja o que diz o historiador
Flavius Josefus: "...e se alguém do segmento deles vem de outros lugares, o que eles têm permanece aberto a
eles, como se fossem um deles... como se fossem conhecidos deles de muito tempo. Por esta razão eles não
levam nada consigo quando viajam a lugares remotos, apesar de ainda levarem suas armas, por medo de
ladrões.Da mesma forma, existe em cada cidade onde eles vivem, alguém com a atribuição particular de
cuidar dos estranhos, e prover roupas e outras necessidades para eles." (Josephus; Guerras 2:8:4) – compare
com Matitiyahu (Mateus) 10:9-11 e Lucas 22:38
5) A questão do divórcio:
"... eles são pegos em duas armadilhas: fornicação, por pegarem duas esposas ao longo de suas vidas
apesar do princípio da criação ser: "macho e fêmea Ele os criou." (Documento de Damasco - Col. 4 - linha 20
a Col. 5 - linha 1)
Yeshua disse: "Respondeu-lhe Yeshua: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio
homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os
dois uma só carne? Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Elohim ajuntou, não o
separe o homem." – Matitiyahu (Mateus) 19:4-6
6) A Halacha sobre a questão de "Korban" (uma oferta) ser usada como desculpa para violar a Torá
(vide Matitiyahu / Mateus 15:1-8) – é encontrada de forma similar entre os essênios (Documento de Damasco
16:13)
7) No capítulo 4 de Yochanan (João) encontramos a alegoria da "Água Viva" saindo do poço de
Ya'akov (Jacó) e trazendo a salvação e a vida eterna. No Manual de Disciplina dos essênios, a lição da "água
viva" é encontrada e retirada simbolicamente do poço de Bamidbar (N meros) 21:8, identificado pelo
pergaminho como sendo a Torá. Podemos concluir que Yochanan (João) 4 é uma Midrash (interpretação
alegórica), baseada num conceito existente entre os essênios naquela época, para concluir que Yeshua é a
Torah Viva, nossa fonte de vida eterna (Compare Yochanan / João 4:10 e Documento de Damasco VI, 4-5;
VII, 9 - VII, 21).
8) O uso do Seder de Pessach (a ceia da "Páscoa Judaica") como sendo um banquete messiânico,
também era um conceito essênio (Josephus - Guerras 2:8:5; Manual de Disciplina 6:3-6 e 1QSa. 2, 17-21)
9) O conceito de serem 'Bnei Or' (Filhos da Luz - compare Lucas 16:8 e Yochanan / João 12:36 com
Manual de Disciplina 1,9: 2,24; 1QM)
10) Yeshua conhecia bem o Messias esperado pelos essênios. Veja a explicação que ele deu a
Yochanan Bar Zachariá (João Batista) em Lucas 7:22: "Então lhes respondeu: Ide, e contai a Yochanan o que
tens visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os
mortos são ressuscitados, e aos pobres são anunciadas as Boas Novas."
Agora compare com o critério do Messias esperado pelos essênios:
"[os céus] e a terra ouvirão ao Seu Messias, e ninguém se afastará dos mandamentos dos santos.
Vocês que buscam ao S-NHOR, fortaleçam-se no serviço dEle! Todos vocês esperançosos em (seu) coração,
vocês não encontrarão o S-NHOR nisto? Porque o S-NHOR considerará os hassidim (pios) e chamará os
justos pelo nome. Sobre os pobres o Seu espírito pairará e renovará os fiéis com o Seu poder. E Ele glorificará
os hassidim (pios) no trono do Reino Eterno. Ele que libera os cativos, restaura a visão dos cegos, endireita os
[tortos]... E o S-nhor fará coisas gloriosas que nunca houveram... Pois Ele curará os feridos, e reviverá os
mortos e trará as Boas Novas aos pobres..." (4Q521)
11) O conceito da "luz da vida" (Yochanan / João. 8:12 & Man. Disc. 3, 7)
II.4 - PARALELOS ENTRE YESHUA E OUTROS RABINOS
Vemos ainda alguns paralelos entre Yeshua e outros rabinos. Como a literatura rabínica é muito
extensa, é provável que encontremos ainda muitos outros, mas a idéia deste artigo é apenas a de demonstrar
como Yeshua foi muito bem instruído na sabedoria judaica:
1) Normalmente, Yeshua discordava fortemente dos p'rushim (fariseus) da escola de Shamai, os
quais eram extremamente legalistas em sua observância da Torá. Vemos apenas UMA situação em que
Yeshua concorda com a escola de Shamai, que é a questão do divórcio (repudiar a esposa) exposta em
Matitiyahu (Mateus) 5:31-32, semelhante à posição da escola de Shamai em m.Gittin 9:10).
2) Algumas expressões tais como "se teu olho direito de ofende, arranca-o" e "se a tua mão direita te
ofende, corta-a for a" (Mt. 5:29-30) são encontradas em discursos rabínicos semelhantes (vide Nidá 13b)
II.5 - CONCLUSÃO
"E crescia Yeshua em sabedoria, em estatura e em graça diante de Elohim e dos homens." – Lucas
2:52
As Escrituras deixam bem claro que Yeshua recebeu instrução. Porém, o espectro de conhecimento
apresentado pelo rabino Yeshua, tanto das Escrituras, quanto das técnicas de interpretação da mesma, da
tradição oral, e dos ensinamentos dos sábios e rabinos ao longo da história dos judeus, é simplesmente
inimaginável!
Tamanho conhecimento e habilidade jamais foram vistos em toda a história de Israel, e só poderiam
vir do Filho de Elohim!
Parte III
Yeshua, O Rabino
III.1 - INTRODUÇÃO
Para entender completamente o que Yeshua fazia, e também seus ensinamentos, é necessário
entendermos o que era ser rabino no primeiro século, como ensinavam, etc.
III.2 - O QUE FAZ UM RABINO?
Quando conhecemos alguém, uma das primeiras perguntas que fazemos é "Qual a sua profissão?"
Dependendo da profissão, pedimos também à pessoa para explicar um pouco do que ela faz. Ao conhecermos
mais sobre a profissão de uma pessoa, passamos a conhecer mais sobre a própria pessoa, pois ela passa grande
parte da vida dela naquela atividade. Por exemplo, se descobrimos que a pessoa que acabamos de conhecer é
um médico, esta informação nos diz bastante a respeito da educação da pessoa, do seu círculo social, do seu
status financeiro e até mesmo da sua rotina diária.
E se você tivesse a oportunidade de voltar no tempo e encontrar com o Yeshua dos Evangelhos, e
perguntasse: "O que você faz?" O que Ele te diria? Que tipo de educação um Salvador precisa ter? Qual era o
status social da profissão de Filho de YHWH? Quanto um Messias ganhava por mês? Qual era a rotina de um
Libertador? Pois é, estas perguntas não fazem sentido, não é mesmo? Porque o fato é que conhecemos muito a
respeito das definições teológicas de Yeshua (i.e. Salvador, Filho de YHWH, Messias, etc.), mas
normalmente as pessoas conhecem pouco sobre a vocação de Yeshua.
A vocação de Yeshua era ser rabino. Ele era um rabino de Galil (Galiléia), com muitos admiradores
e seguidores. Só estes fatos já nos dizem muita coisa sobre quem o rabino Yeshua realmente é.
Naqueles dias, o termo "rabino" ainda não tinha o significado de hoje. Hoje em dia, "rabino" é um
termo usado automaticamente para quem se forma em uma Yeshiva (instituição rabínica). O termo "rabino"
era um termo respeitoso para um grande professor. É neste contexto que devemos procurar entender o rabino
Yeshua.
Felizmente, a literatura judaica preservou para nós uma grande riqueza em termos de tradições,
ensinamentos, parábolas e histórias de grandes rabinos do Judaísmo da mesma era que Yeshua (isto é, da Era
do Segundo Templo). Ao compararmos as palavras, as vidas e as aventuras de outros rabinos
contemporâneos de Yeshua, conseguimos aprender bastante sobre o que significava ser um rabino no
Primeiro Século.
III.3 - QUAL ERA O SALÁRIO DE YESHUA?
Um rabino do Primeiro Século não era um clérigo ou ministro ordenado. Aliás, apesar de muitas
vezes serem vistos desta forma (devido principalmente à cultura ocidental), até hoje os rabinos não são
exatamente ministros. Os rabinos do Primeiro Século não recebiam salário de uma sinagoga ou denominação.
Ao invés disto, eles tipicamente praticavam alguma atividade comercial para sustentar o seu ministério de
ensino, ou viviam de doações. Por exemplo, Raban Gamliel aconselhava os seus alunos a combinar a prática
da instrução da Torá com uma atividade mundana (Avot 2:2). Seu aluno mais famoso,
o rabino Sha'ul HaBinyamin, mais popularmente conhecido como o apóstolo Paulo, escolheu
ser um fabricante de tendas ao invés de aceitar doações de seus talmidim (discípulos).
Outros professores, como Yeshua, ensinavam e faziam talmidim (discípulos) em tempo integral. Tais
professores dependiam de doações da comunidade e de seus alunos. (Lucas 8:3 menciona algumas mulheres
que apoiavam o ministério de Yeshua. Yochanan / João 12:6 lembra que havia uma sacola de doações levada
por Yeshua e seus talmidim / discípulos.) Quando um rabino decidia se dedicar em tempo integral ao
ministério, isto normalmente significava ter que levar um estilo de
vida bastante humilde. Por isto ele disse que as raposas tinham tocas e os pássaros tinham ninhos,
mas o Filho do Homem não tinha um lugar para recostar a cabeça.
III.4 - ONDE MORAVA E TRABALHAVA YESHUA?
Pelo Talmud, fica bem evidente que na maioria das vezes um rabino do Primeiro Século ensinava de
uma sinagoga local. As sinagogas eram normalmente chamadas de Beit Midrash (Casa de Estudo). Os alunos
que desejavam aprender daqueles rabinos frequentemente viajavam grandes distâncias e, se fossem aceitos
como talmidim (discípulos), eles dedicavam as suas vidas não só a estudar, mas também a viver com o seu
rabino. Por outro lado, muitos dos sábios do Judaísmo do Primeiro Século eram itinerantes, viajando de
cidade em cidade, de sinagoga em sinagoga, ensinando a Torá e fazendo talmidim (discípulos). O ministério
de Yeshua certamente era itinerante, embora ele também utilizasse Kfar Nachum (Cafarnaum) como sua base.
Tanto que nos Evangelhos vemos Kfar Nachum (Cafarnaum) sendo chamada de "Sua própria cidade."
(Matitiyahu / Mateus 9:1). Em Kfar Nachum (Cafarnaum), muito provavelmente ele se hospedava em um
quarto na casa de Kefá (Pedro). Contudo, ele certamente rejitou a oferta de se tornar um rabino residente de
Kfar Nachum (vide Lucas 4:43).
A maior parte do ministério de Yeshua consistiu das viagens dentre Yerushalayim (Jerusalém) e
Galil (Galiléia). Mas por que? Porque como todo judeu observante da Torá em Israel, ele tinha que ir a
Yerushalayim (Jerusalém) e ao Templo para cada uma das três festas de peregrinação: Pessach, Shavuot
(Pentecostes) e Sukot (Tabernáculos). O Talmud relata que os sábios aproveitavam as grandes multidões de
peregrinos para ensinar um grande número de pessoas nas alas do Templo durante os festivais. Até mesmo
aqueles rabinos que normalmente ficavam em uma só localidade faziam isto, por entenderem que era uma
grande oportunidade de ensinar às massas. É por isto que vemos nos Evangelhos Yeshua frequentemente
ensinando nas alas do Templo, sempre durante as Moedim (Festas Bíblicas).
III.5 - QUAL EXATAMENTE ERA A FUNÇÃO DE UM RABINO?
A função de um rabino no início do Judaísmo era a de transmitir os ensinamentos (ou seja, a Torá)
para a próxima geração. O livro de Pirkei Avot ("A Ética dos Pais") começa com estas palavras "Moshe
(Moisés) recebeu a Torá do Sinai e a transmitiu a seu talmid (discípulo) Yehoshua (Josué) e aos anciãos; os
anciãos aos profetas, e os profetas os homens da grande assembléia (geração de Ezra / Esdras)." (Avot 1:1)
O padrão de professor-discípulo para transmissão da Torá e do conhecimento do Eterno foi
estabelecido desde de o início da história, e temos como primeiro exemplo mais concreto a Moshe e
Yehoshua (Moisés e Josué). Aos professores de cada geração era confiada a tarefa de fazer talmidim
(discípulos) e formar futuros professores para a próxima geração. Geração após geração, de professor a
aluno, os ensinamentos da Torá eram transmitidos. Um rabino do Judaísmo do Primeiro Século era dedicado
exatamente a esta função (como é considerado função de um rabino até hoje): ensinar a Torá do Eterno. O
propósito de sua vida era explicar a Torá em termos práticos e comunicar o conhecimento do Eterno para a
geração seguinte.
III.6 - OS TRÊS CRITÉRIOS PARA UM RABINO
O Pirkei Avot continua "Os Homens da Grande Assembléia disseram três coisas `Seja deliberado
em seu julgamento, forme muitos talmidim (discípulos), e faça uma cerca para a Torá." Esta era a função de
um rabino do Primeiro Século.
I – Ser deliberado no julgamento: A função de um rabino era ser cuidadoso ao tomar uma decisão
legal ou ao interpretar as Escrituras. Ele tinha que cuidadosamente examinar todas as evidências. Quando lhe
era perguntado algo sobre as Escrituras, ou quando tinha que tomar uma decisão como ancião ou juiz em uma
corte, ou até mesmo ao tomar decisões sobre a observância da Torá (halacha), um rabino tinha que ser
cuidadoso e deliberado. Um rabino levava as Escrituras a sério, e as estudava cuidadosamente para ser
deliberado em seu julgamento.
II – Formar muitos talmidim (discípulos): A função de um rabino era a de formar muitos talmidim
(discípulos). Ele tinha que passar as instruções a muitos alunos. Se ele não o fizesse, não haveria
continuidade de geração em geração. Sem talmidim (discípulos), o estudo da Torá e o conhecimento do
bem desapareceriam em uma passagem de geração, e a próxima geração cairia em apostasia. A função de
um rabino era a de formar talmidim (discípulos) que por sua vez se tornariam professores e formariam
outros discípulos, para que a Torá não se perdesse.
III – Fazer uma Cerca para a Torá: A tarefa de um rabino era a de proteger a Torá, ou seja,
proteger os mandamentos para que o povo não caísse em pecado. Por exemplo, para que uma pessoa não
cometesse adultério, os sábios fizeram uma cerca, dizendo que um homem não deveria ficar sozinho com
uma mulher que não fosse sua esposa, para que não caísse na tentação do adultério. Alguns dizem que
Yeshua condenou o princípio da cerca, mas na realidade o que Yeshua condenou foi o excessivo
legalismo, e o peso que havia nos exageros sobre as leis de cerca. Como em tudo na vida, o ser humano
tem a tendência a cometer exageros, e as leis de cerca, que eram um conceito válido e muito interessante,
tornaram-se um peso muito grande.
Em seu ministério, Yeshua foi um rabino completo, cumprindo os três critérios acima. Ele foi
deliberado em sue julgamento, tomando decisões brilhantes a respeito da interpretação da Torá. Ele formou
muitos talmidim (discípulos), mais do que qualquer outro rabino jamais o fez. Além dos Doze Apóstolos, ele
tinha centenas de alunos devotos, e milhares de pessoas que ouviam aos seus ensinamentos. Ele fez cercas
para a Torá, por exemplo quando disse que alguém que sequer olha para uma mulher com desejo já cometeu
com ela adultério no coração. Ou quando disse para não fazermos juramentos, mas que o nosso sim seja sim e
o não seja não. Nestes dois exemplos, ele fez cercas para os mandamentos de adultério, e para alguns
mandamentos relacionados ao falar (i.e. não levantar falso testemunho, leis a respeito de juramentos, não
tomar o nome do Eterno em vão, etc.). Vemos então que Yeshua era um rabino completo.
III.7 - ENTENDENDO AS PALAVRAS DO RABINO YESHUA
Quando começamos a estudar os ensinamentos e metodologias de ensino dos primeiros rabinos,
fazemos uma descoberta fantástica. Logo percebemos que muitas das palavras e ensinamentos de Yeshua
refletem os ensinamentos de outros rabinos anteriores ou contemporâneos a ele. A metodologia,
hermenêutica, argumentação, pressuposições teológicas, e até mesmo os assuntos abordados nos
ensinamentos de Yeshua são fundamentalmente rabínicos. Até mesmo a sua forma de ensinar utilizando
parábolas era um método de ensino comum no Primeiro Século. Muitas de suas parábolas são derivadas de
parábolas de outros rabinos anteriores a ele, que Yeshua aproveitou e/ou reformulou para transmitir Sua
mensagem. Em poucas palavras, como rabino, ele utilizou as ferramentas de um rabino para transmitir
Suas idéias. Ele utilizou tanto técnicas rabínicas quanto materiais rabínicos, tal qual já demonstramos
brevemente no segundo artigo desta série.
A literatura judaica nos permite comparar Suas palavras com as palavras dos rabinos que vieram
antes dEle, ou mesmo dos rabinos contemporâneos a Ele. Assim, conseguimos compreender melhor
algumas expressões idiomáticas obscuras e elementos do estilo judaico que Yeshua empregou, ao fazermos
tais comparações. Através da literatura judaica, conseguimos entender melhor os pontos de conflito entre
Yeshua e o sistema do Judaísmo que existia no Primeiro Século. E o melhor de tudo é que,
consequentemente, conseguimos entender melhor a Yeshua e à Sua mensagem, dentro do seu contexto
original.
III.8 - CONCLUSÃO
Yeshua é um rabino. Seus ensinamentos são fundamentalmente rabínicos. Para entendermos melhor
quem Ele foi e o que Ele ensinou, é necessário explorarmos o material e as metodologias rabínicas de Sua
época.
Parte IV
Um Rabino Muito Especial
IV.1 - INTRODUÇÃO
As três primeiras partes deste estudo mostravam como Yeshua se encaixa na descrição normal de um
rabino do Primeiro Século Yeshua foi o único rabino com autoridade para questionar até mesmo as tradições
rabínicas anteriores. O próprio Judaísmo rabínico reconhece que o Messias tem autoridade para mudar a
Halacha (as decisões sobre como observar corretamente a Torá), e ensinar a observar propriamente a Lei do
Eterno. Yeshua não mudou a Torá, pois o Eterno não muda, mas questionou muitas tradições rabínicas
(embora tenha concordado com outras). Yeshua disse "Vocês têm ouvido… mas Eu lhes digo." Quando dizia
esta frase, Yeshua mostrava Sua autoridade absoluta. Por isto lemos "Ao concluir Yeshua este discurso, as
multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo semichá, e não como os seus
professores da Torá." (Matitiyahu / Mateus 7:28-29)
IV.4 – OS MILAGRES DO NOSSO RABINO
O ministério de ensinamento do rabino Yeshua foi complementado e validado pelas manifestações
dos milagres do Reino dos Céus que o acompanhavam. Os doentes foram curados, os que eram oprimidos
por demônios foram libertos, os famintos foram alimentados, os cegos voltaram a ver, os aleijados andaram,
os surdos ouviram, e os mortos voltaram à vida. Milagres desta magnitude eram muito raros dentre outros
rabinos. Mas no ministério do rabino Yeshua, os milagres eram a regra, e não a exceção.
IV.5 – UM RABINO SE TORNA MALDIÇÃO
Os rabinos do Primeiro Século conheciam muito bem a Torá. Sabiam que a Torá, como Palavra do
Eterno, é Ets Chayim, mas também pode trazer morte. Por que? Porque o conhecimento do bem não vem sem
o conhecimento do mal, e eles sabiam quais eram as consequências de não viverem segundo a Torá. Sabiam
de todas as terríveis maldições que viriam como consequência disto. Certamente encontraríamos no Primeiro
Século, e até mesmo hoje em dia, muitos rabinos que dariam sua vida para salvar a alguém.
No entanto, nenhum rabino que se preze aceitaria tomar sobre si todas as horríveis maldições que a
Torá descreve como sendo conseqüência da transgressão. Certamente que não aceitariam nem mesmo a
metade. Yeshua, como rabino, conhecia bem a Torá. Sabia de todas as horríveis maldições, tanto físicas
quanto espirituais, que estaria para sofrer, em nosso lugar. E em Seu grande amor, Yeshua decidiu nos salvar.
O maior rabino de todos os tempos também demonstrou o maior amor de todos os tempos, ao tomar sobre si
algo que todos os outros rabinos julgavam e ainda julgam impensável.
IV.6 – O RABINO QUE VOLTOU DOS MORTOS
Yeshua também foi o único rabino a ressurgir de dentre os mortos. Nenhum outro rabino na história
jamais fez, e jamais fará tal coisa. Se você ainda tem dúvidas sobre isto, imagine a seguinte situação: após a
sua morte, os seus talmidim (discípulos) estavam dispersos e completamente desnorteados. Eram pobres, sem
as doações que eram feitas ao ministério de Yeshua, não tinham como se sustentar. Estavam desapontados,
pois esperavam ver o seu rabino coroado como rei em Yerushalayim (Jerusalém), e no entanto seu rabino foi
preso, torturado, morto e nada fez para impedir. A grande maioria das multidões que o seguiam agora também
estavam desapontadas, se sentindo desiludidas pois também esperavam que Yeshua os libertasse de Roma.
Sem dinheiro, sem as multidões, sem rumo, sem o seu pastor, confusos, desiludidos, amedrontados,
dispersos, perseguidos por Roma e por muitos moradores da região de Yehudá: este era o quadro dos
talmidim (discípulos) de Yeshua. E no entanto, algo acontecesse. Eles passam de adolescentes amedrontados
a intrépidos proclamadores do Reino dos
Céus, ao ponto de levarem adiante a mensagem de Yeshua até os confins da Terra, dispostos a darem
suas vidas por esta mensagem. O que mudou? Justamente o fato de que Yeshua ressurgiu dos mortos, e
apareceu para eles. Sem isto seria impossível imaginar que os talmidim (discípulos) seriam capazes de
levarem sozinhos uma mentira adiante.
IV.7 – SEGUINDO O RABINO YESHUA
Uma coisa é saber que Yeshua foi um rabino e até chamá-lo de rabino Yeshua. Outra coisa bem
diferente fazer dEle o seu rabino. Tal como no Primeiro Século, até os dias de hoje existe uma grande
diferença entre aqueles que são curados ou salvos por Yeshua, e aqueles que decidem serem seus talmidim
(discípulos). Para realmente aprendermos de Yeshua como os primeiros talmidim (discípulos) faziam, temos
que entender como Ele vivia, e procurar viver da mesma forma, e seguí-lo. Pois o chamado de Yeshua é para
que nós o sigamos. Se desejamos conhecê-Lo como Ele realmente é, devemos experimentá-Lo não apenas
como Salvador, mas também como Mestre e S-nhor, e devemos dedicar nossas vidas ao discipulado dEle.
Assim como ocorria no contexto do Primeiro Século, devemos entender que ser discípulo de Yeshua
é estar aprendendo constantemente dEle. É um processo de uma vida inteira. O mesmo chamado de Yeshua
está disponível até hoje.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
O Caminho é a Vereda Antiga
Extraído do Manifesto Judaico do Caminho
Outra tentativa moderna de se responder aos anseios dos ser humano é
através de novas unções e revelações. Além das doutrinas que já foram criadas a
partir de tais conceitos, esses novos conceitos também são frequentemente usados
para atrair pessoas. O ser humano vive em busca de novidades. Existem livros,
músicas, ministérios e práticas das mais variadas referindo‐se, direta ou
indiretamente, a uma "nova unção".
Mas o que a Bíblia tem a dizer a respeito?
Primeiramente, a Bíblia diz:
"O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de
novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos
séculos passados, que foram antes de nós." (Cohelet/Eclesiastes 1:89)
O texto é claro: Não existe nada de novo debaixo do sol. Tudo o que temos e
vemos hoje nada mais é do que uma repetição do que o homem já realizou.
Considerando que nos tempos de Shlomo (Salomão) não havia, por exemplo, luz
elétrica, como podemos entender esse texto?
O texto se refere às tentativas do homem de responder aos anseios do seu
coração. As respostas que se tenta dar são as mesmas, os pecados são os mesmos,
enfim, os resultados são os mesmos. Assim sendo, fica difícil crer que exista uma
"nova unção" uma vez que a Bíblia nos afirma que nada há de novo debaixo do sol.
Ora, se uma unção é nova, ela certamente não é uma prática que foi realizada
nos tempos bíblicos. Pois todas as práticas realizadas nos tempos bíblicos estão
muito bem documentadas nos relatos das Escrituras, e de novo não têm nada.
Mas, se as práticas novas não são práticas bíblicas, e se não existe nada de
novo debaixo do sol, então podemos dizer que as outras nações já praticavam tais
coisas, fora da fé bíblica. Será à toa que muitas dessas "novas unções" são práticas
idênticas a cultos primitivos, como o xamanismo, os cultos afro, etc.? Ou em que
diferem das práticas antigas que buscavam dos deuses a prosperidade dando‐lhes
algo em troca, como "sacrifício"? Mudam‐se os termos; muda‐se a roupagem; mudase
o discurso, mas a essência é a mesma.
Sobre isso, a Bíblia nos adverte:
"Ouvi a palavra que YHWH vos fala a vós, ó casa de Israel. Assim diz YHWH: Não
aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com
eles se atemorizam as nações. Porque os costumes dos povos são vãos..."
(Yirmiyahu/Jeremias 10:13a)
Aqui, o profeta nos diz que as nações realizavam sinais assustadores, que
espantavam a quem quer que os visse. Porém, Elohim é enfático. Ele nos diz para
não nos impressionarmos com tais coisas, e diz que esses costumes são vãos.
Mas então, o que a Bíblia nos afirma que devemos buscar? A resposta está
nas veredas antigas! A Bíblia diz:
"Assim diz YHWH: Pondevos
nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas,
qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas
eles dizem: Não andaremos nele." (Yirmiyahu/Jeremias 6:16)
Mas, afinal, o que é a vereda antiga? E que caminho é esse de que o povo se desviou?
O profeta afirma:
"Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas
dizem: Não escutaremos. Portanto ouvi, vós, nações; e informate
tu, ó congregação, do
que se faz entre eles! Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio
fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras, e
rejeitam a minha Torá." (Yirmiyahu/Jeremias 6:1719)
O caminho que vemos relatado acima, em Yirmiyahu (Jeremias) não é o
caminho para uma nova religião, é para a fé do Sinai. Não é rejeitando a Torá, muito
pelo contrário, é voltando para ela.
Cada vez mais nos aproximamos do cumprimento de uma profecia que diz:
"Eis que vêm dias, diz Adonai YHWH, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de
pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras de YHWH. E irão errantes de um mar
até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a
palavra de YHWH, mas não a acharão. Naquele dia as virgens formosas e os jovens
desmaiarão de sede." (Amos 8:1113)
A fome aqui representada não é o desejo ardente, como alguns pensam. Aqui,
fome é escassez. De tanto o homem rejeitar a Palavra, o Eterno fará secar as fontes, e
prevalecerá a iniquidade, pois tem sido o desejo deste mundo.
Devemos nos conscientizarmos de nossa missão de alimentarmos o mundo
com a Palavra das veredas antigas, pois nenhum alimento é sólido se não tiver base
bíblica. E, certamente, essas novas unções só trarão o mal, a decepção, e levarão o
povo à apostasia. Muitos deixarão de crer nas Escrituras, porque aqueles que
deveriam ensiná‐la o fazem de forma distorcida, e é muito difícil para um povo que
conhece pouco da Palavra separar o que é a Palavra do que é doutrina de homens.
A Verdadeira Fé
Yehudá/Judas nos diz ainda:
"Meus amados, faço o meu melhor para vos escrever acerca de nossa vida interior. É
importante vos escrever, para vos persuadir a lutarem em prol da nossa fé, a qual uma
única vez entregue aos santos." (Yehudá/Judas 1:3)
O termo aqui traduzido como "uma única vez" é o aramaico " d’achda z’ban"
que significa literalmente "num único tempo". Isto significa que, desde os
primórdios, o plano de Elohim para o homem jamais mudou. A fé permanece a
mesma, desde os princípios. É por esta razão que Elohim nos recomenda buscarmos
as veredas antigas.
"Porque eu, YHWH, não mudo." (Malachi/Malaquias 3:6)
Se a fé bíblica começou com uma única revelação, e se hoje existem inúmeras
religiões e revelações afirmando serem bíblicas, é porque em alguns momentos
houve mudanças. E essas mudanças não podem ter sido introduzidas por Elohim,
pois Elohim não muda. O homem é o autor das mudanças.
Assim sendo, buscar o caminho da verdade passa pelo retorno às veredas
antigas. É preciso nos livrarmos de tudo aquilo que foi acrescido, adaptado ou
modificado pelo homem, e resgatarmos tudo aquilo que os homems deixaram de
lado. Isso inclui qualquer interpretação da Bíblia que a anule, revogue ou modifique
em sua essência, quer total ou parcialmente.
Extraído do Manifesto Judaico do Caminho
Outra tentativa moderna de se responder aos anseios dos ser humano é
através de novas unções e revelações. Além das doutrinas que já foram criadas a
partir de tais conceitos, esses novos conceitos também são frequentemente usados
para atrair pessoas. O ser humano vive em busca de novidades. Existem livros,
músicas, ministérios e práticas das mais variadas referindo‐se, direta ou
indiretamente, a uma "nova unção".
Mas o que a Bíblia tem a dizer a respeito?
Primeiramente, a Bíblia diz:
"O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de
novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos
séculos passados, que foram antes de nós." (Cohelet/Eclesiastes 1:89)
O texto é claro: Não existe nada de novo debaixo do sol. Tudo o que temos e
vemos hoje nada mais é do que uma repetição do que o homem já realizou.
Considerando que nos tempos de Shlomo (Salomão) não havia, por exemplo, luz
elétrica, como podemos entender esse texto?
O texto se refere às tentativas do homem de responder aos anseios do seu
coração. As respostas que se tenta dar são as mesmas, os pecados são os mesmos,
enfim, os resultados são os mesmos. Assim sendo, fica difícil crer que exista uma
"nova unção" uma vez que a Bíblia nos afirma que nada há de novo debaixo do sol.
Ora, se uma unção é nova, ela certamente não é uma prática que foi realizada
nos tempos bíblicos. Pois todas as práticas realizadas nos tempos bíblicos estão
muito bem documentadas nos relatos das Escrituras, e de novo não têm nada.
Mas, se as práticas novas não são práticas bíblicas, e se não existe nada de
novo debaixo do sol, então podemos dizer que as outras nações já praticavam tais
coisas, fora da fé bíblica. Será à toa que muitas dessas "novas unções" são práticas
idênticas a cultos primitivos, como o xamanismo, os cultos afro, etc.? Ou em que
diferem das práticas antigas que buscavam dos deuses a prosperidade dando‐lhes
algo em troca, como "sacrifício"? Mudam‐se os termos; muda‐se a roupagem; mudase
o discurso, mas a essência é a mesma.
Sobre isso, a Bíblia nos adverte:
"Ouvi a palavra que YHWH vos fala a vós, ó casa de Israel. Assim diz YHWH: Não
aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com
eles se atemorizam as nações. Porque os costumes dos povos são vãos..."
(Yirmiyahu/Jeremias 10:13a)
Aqui, o profeta nos diz que as nações realizavam sinais assustadores, que
espantavam a quem quer que os visse. Porém, Elohim é enfático. Ele nos diz para
não nos impressionarmos com tais coisas, e diz que esses costumes são vãos.
Mas então, o que a Bíblia nos afirma que devemos buscar? A resposta está
nas veredas antigas! A Bíblia diz:
"Assim diz YHWH: Pondevos
nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas,
qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas
eles dizem: Não andaremos nele." (Yirmiyahu/Jeremias 6:16)
Mas, afinal, o que é a vereda antiga? E que caminho é esse de que o povo se desviou?
O profeta afirma:
"Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas
dizem: Não escutaremos. Portanto ouvi, vós, nações; e informate
tu, ó congregação, do
que se faz entre eles! Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio
fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras, e
rejeitam a minha Torá." (Yirmiyahu/Jeremias 6:1719)
O caminho que vemos relatado acima, em Yirmiyahu (Jeremias) não é o
caminho para uma nova religião, é para a fé do Sinai. Não é rejeitando a Torá, muito
pelo contrário, é voltando para ela.
Cada vez mais nos aproximamos do cumprimento de uma profecia que diz:
"Eis que vêm dias, diz Adonai YHWH, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de
pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras de YHWH. E irão errantes de um mar
até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a
palavra de YHWH, mas não a acharão. Naquele dia as virgens formosas e os jovens
desmaiarão de sede." (Amos 8:1113)
A fome aqui representada não é o desejo ardente, como alguns pensam. Aqui,
fome é escassez. De tanto o homem rejeitar a Palavra, o Eterno fará secar as fontes, e
prevalecerá a iniquidade, pois tem sido o desejo deste mundo.
Devemos nos conscientizarmos de nossa missão de alimentarmos o mundo
com a Palavra das veredas antigas, pois nenhum alimento é sólido se não tiver base
bíblica. E, certamente, essas novas unções só trarão o mal, a decepção, e levarão o
povo à apostasia. Muitos deixarão de crer nas Escrituras, porque aqueles que
deveriam ensiná‐la o fazem de forma distorcida, e é muito difícil para um povo que
conhece pouco da Palavra separar o que é a Palavra do que é doutrina de homens.
A Verdadeira Fé
Yehudá/Judas nos diz ainda:
"Meus amados, faço o meu melhor para vos escrever acerca de nossa vida interior. É
importante vos escrever, para vos persuadir a lutarem em prol da nossa fé, a qual uma
única vez entregue aos santos." (Yehudá/Judas 1:3)
O termo aqui traduzido como "uma única vez" é o aramaico " d’achda z’ban"
que significa literalmente "num único tempo". Isto significa que, desde os
primórdios, o plano de Elohim para o homem jamais mudou. A fé permanece a
mesma, desde os princípios. É por esta razão que Elohim nos recomenda buscarmos
as veredas antigas.
"Porque eu, YHWH, não mudo." (Malachi/Malaquias 3:6)
Se a fé bíblica começou com uma única revelação, e se hoje existem inúmeras
religiões e revelações afirmando serem bíblicas, é porque em alguns momentos
houve mudanças. E essas mudanças não podem ter sido introduzidas por Elohim,
pois Elohim não muda. O homem é o autor das mudanças.
Assim sendo, buscar o caminho da verdade passa pelo retorno às veredas
antigas. É preciso nos livrarmos de tudo aquilo que foi acrescido, adaptado ou
modificado pelo homem, e resgatarmos tudo aquilo que os homems deixaram de
lado. Isso inclui qualquer interpretação da Bíblia que a anule, revogue ou modifique
em sua essência, quer total ou parcialmente.
ToraViva - O Evangelho de Gênesis
O Evangelho de Gênesis
Por Sha'ul Ben Tsion
(baseado em diversas fontes de sites messiânicos)
1 Introdução
Não, caro leitor, não precisa esfregar os olhos pra ver se leu direito: é isso mesmo! O assunto deste
artigo é o Evangelho de Bereshit (Gênesis)!
Bereshit?! Mas peraí! Toda criança sabe que o livro de Bereshit trata da criação e da origem do povo
de Israel. Onde estão as boas novas do evangelho de Yeshua?
Na realidade, o Evangelho pode ser encontrado no livro de Bereshit! A Palavra do Eterno é viva, pois
foi escrita pela Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Há muito tempo, existe na tradição judaica uma forma de
se pesquisar a Palavra para encontrar esta `assinatura' da Ruach.
2 – Aquilo Que Todo Mundo 'Pula'
Esta fantástica descoberta, utilizando o nivel Sod, que é um dos níveis de interpretação das escrituras
no Judaismo, utilizado para revelar mensagens 'escondidas', encontrase
numa das passagens mais puladas
de toda a Bíblia: a genealogia de Noah (Noé)!
3 – PanodeFundo
O pano de fundo é o seguinte: o mundo encontravase
à beira da corrupção total. Poucos eram os que
ainda de fato se relacionavam com Elohim. Exatamente como na ocasião da primeira vinda do Messias, e
também como na descrição de como estará o mundo antes da segunda vinda. Mas a Ruach (Espírito) queria
dar ao mundo a demonstração de que um dia o Amor de Elohim resgataria a todos os pecadores .
4 – O 'Segredo'
O segredo está em olharmos os nomes em hebraico da genealogia de Noach (Noé), pois cada nome em
hebraico possui um significado.
Eis a genealogia:
Adam >
Seth >
Enosh >
Kenan >
Mahalalel >
Jared >
Enoch >
Methuselah >
Lamech >
Noah
www.torahviva.org 1
ToraViva - O Evangelho de Gênesis
Vamos ao significado em hebraico:
Nome >
Significado
Adam >
Homem
Seth >
Apontado
Enosh >
Mortal
Kenan >
Aflição, Sofrimento
Mahalalel >
O Elohim Bendito
Jared >
Descerá
Enoch >
Ensinando, Ensinamento
Methuselah >
Sua morte trará
Lamech >
O desesperado
Noah >
Conforto, Descanso
A frase formada é fascinante:
`[AO] HOMEM É APONTADA MORTAL AFLIÇÃO, [MAS] O ELOHIM BENDITO DESCERÁ
ENSINANDO [QUE] SUA MORTE TRARÁ AO DESESPERADO [O] CONFORTO/DESCANSO'
Esta aí: o plano de salvação diretamente do livro de Bereshit (Gênesis)!!!!
Elohim é maravilhoso!!! Baruch HaShem (Bentido é O Nome do SNHOR)!
Shalom alechem, (Paz sobre vocês)
Sha'ul Bentsion
© 2005 Grupo
Torah Viva
Proibida a venda, modificação, ou impressão em larga escala, sem o prévio consentimento do autor.
www.torahviva.org 2
O Evangelho de Gênesis
Por Sha'ul Ben Tsion
(baseado em diversas fontes de sites messiânicos)
1 Introdução
Não, caro leitor, não precisa esfregar os olhos pra ver se leu direito: é isso mesmo! O assunto deste
artigo é o Evangelho de Bereshit (Gênesis)!
Bereshit?! Mas peraí! Toda criança sabe que o livro de Bereshit trata da criação e da origem do povo
de Israel. Onde estão as boas novas do evangelho de Yeshua?
Na realidade, o Evangelho pode ser encontrado no livro de Bereshit! A Palavra do Eterno é viva, pois
foi escrita pela Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Há muito tempo, existe na tradição judaica uma forma de
se pesquisar a Palavra para encontrar esta `assinatura' da Ruach.
2 – Aquilo Que Todo Mundo 'Pula'
Esta fantástica descoberta, utilizando o nivel Sod, que é um dos níveis de interpretação das escrituras
no Judaismo, utilizado para revelar mensagens 'escondidas', encontrase
numa das passagens mais puladas
de toda a Bíblia: a genealogia de Noah (Noé)!
3 – PanodeFundo
O pano de fundo é o seguinte: o mundo encontravase
à beira da corrupção total. Poucos eram os que
ainda de fato se relacionavam com Elohim. Exatamente como na ocasião da primeira vinda do Messias, e
também como na descrição de como estará o mundo antes da segunda vinda. Mas a Ruach (Espírito) queria
dar ao mundo a demonstração de que um dia o Amor de Elohim resgataria a todos os pecadores .
4 – O 'Segredo'
O segredo está em olharmos os nomes em hebraico da genealogia de Noach (Noé), pois cada nome em
hebraico possui um significado.
Eis a genealogia:
Adam >
Seth >
Enosh >
Kenan >
Mahalalel >
Jared >
Enoch >
Methuselah >
Lamech >
Noah
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ToraViva - O Evangelho de Gênesis
Vamos ao significado em hebraico:
Nome >
Significado
Adam >
Homem
Seth >
Apontado
Enosh >
Mortal
Kenan >
Aflição, Sofrimento
Mahalalel >
O Elohim Bendito
Jared >
Descerá
Enoch >
Ensinando, Ensinamento
Methuselah >
Sua morte trará
Lamech >
O desesperado
Noah >
Conforto, Descanso
A frase formada é fascinante:
`[AO] HOMEM É APONTADA MORTAL AFLIÇÃO, [MAS] O ELOHIM BENDITO DESCERÁ
ENSINANDO [QUE] SUA MORTE TRARÁ AO DESESPERADO [O] CONFORTO/DESCANSO'
Esta aí: o plano de salvação diretamente do livro de Bereshit (Gênesis)!!!!
Elohim é maravilhoso!!! Baruch HaShem (Bentido é O Nome do SNHOR)!
Shalom alechem, (Paz sobre vocês)
Sha'ul Bentsion
© 2005 Grupo
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Proibida a venda, modificação, ou impressão em larga escala, sem o prévio consentimento do autor.
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Série Chaves para o Reino (Para Quem está Começando na Restauração da Fé)
Parte 12 – A Chave do Nome da Salvação
Rav. Dani'el Rendelman
Traduzido e Adaptado por Sha'ul Bentsion
Introdução
Quando se trata de dar um nome a um bebê, muitos pais são bastante exigentes. Às vezes
um nome é escolhido para honrar a memória de uma pessoa amada. Outros nomes são
inspirados por filmes, amigos, ou simplesmente pelo som. O nome de um bebê
normalmente traz um significado ou uma memória especial. A cada ano, uma lista dos
nomes mais populares é compliada e então comparada aos anos anteriores. Recentemente,
nomes como Jacó, Josué, Abigail, Emília e Olivia estiveram entre os mais populares em
2006.
Cerca de dois mil anos atrás, um menininho recebeu um nome especial de seus pais. Ele
não recebeu o nome de uma estrela de novela, mas um nome em harmonia com a direção
dada por anjos. “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o
seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21). É claro que este versículo foi traduzido para o
português. Originalmente, os anjos falaram a esse casal judeu em hebraico. Na realidade, o
bebê recebeu um nome hebraico. (O português só veio a ser falado milhares de anos
depois). A criança foi chamada de “Yeshua”, que é a palavra exata no hebraico para
“salvação.” Este bebê veio trazer a salvação. Seu nome de fato significa salvação. Cada vez
que alguém usava o nome dele, estava na realidade falando a palavra “salvação.” Isto é
fácil de passar desapercebido, uma vez que a maioria das pessoas não lê nem escreve
hebraico. Isto prova que para adquirir uma plena compreensão, devemos estudar o hebraico
e aprender acerca da cultura hebréia que cerca a Bíblia. Usar o Seu verdadeiro Nome
hebraico O coloca de volta no verdadeiro contexto da Sua vida, o qual nos ajuda a entender
melhor as Suas ações e palavras.
O Significado do Hebraico e o Nome do Salvador
O hebraico é uma língua incrível. Ela parece mais com hieroglifos do que com o português,
no sentido de que cada letra hebraica é repleta de significado e simbolismo. No inglês, um
“a” é um “a” e nada mais. Porém no hebraico, cada palavra representa um número, e um
desenho baseado em grafias antigas. Uma palavra hebraica pode ser melhor entendida
examinando cada letra usada e comparando como elas correspondem e se relacionam uma
com a outra. Por exemplo, não há nada de especial na palavra portuguesa “cachorro.”
Contudo, no hebraico um cachorro é “kelev.” Este termo hebraico para “cachorro”
comunica profundidade e definição do que é um “kelev.” Kelev é uma palavra composta,
derivada de dois termos hebraicos básicos. “Ke” no hebraico significa “como” ou
“semelhante a”. Enquanto “lev” no hebraico significa “coração.” Kelev é uma palavra
hebraica que ilustra o fato de um cachorro ser “como o coração” de um homem. Isto é, o
cachorro é o melhor amigo do homem. Uau! (Ou melhor seria dizer auau?)
Logo, não é motivo de surpresa o fato do nome do Salvador também ser altamente
simbólico. Em seu sentido mais básico, o nome do Messias foi explicado quando foi dado
pelos anjos. “ela dará à luz um filho, e ela o chamará Yeshua; porque ele salvará o seu
povo de todos os seus pecados.” (Mateus 1:21). Claramente, “Yeshua” significa salvação.
Este significado é ainda expandido quando examinamos cada letra do nome do salvador.
No hebraico, “Yeshua” se escreve com as letras Yud-Shin-Vav-Ayin. Juntas, essas letras
exibem poderosamente a vida e o ministério do Salvador.
A Letra Yud
A primeira letra do Nome do Salvador é o “yud.” O yud também é a primeira letra do
Nome Sagrado do Pai, que se escreve Yud-Hey-Vav-Hey (YHWH). YHWH é o Nome que
foi dado a Moshe na sarça ardente. Este nome deve ser usado como um “memorial eterno”
(Êxodo 3:15) por todos os que crêem na Bíblia. YHWH significa “ser.” YHWH é, e
YHWH é o Seu Nome. Contudo, o Seu Nome tem ficado escondido por trás das palavras
“Senhor” e “Deus” nas Bíblias modernas. Hoje, contudo, pessoas do mundo todo estão
rejeitando títulos falsos e aceitando o verdadeiro Nome do Pai. A profecia de Sofonias 3:9
está se realizando: “Porque então darei uma linguagem pura aos povos, para que todos
invoquem o nome de YHWH, para que o sirvam com um mesmo consenso." YHWH está
restaurando a língua sagrada do hebraico e a majestade do Seu Nome, a começar pelo yud.
A escrita moderna da letra Yud parece com um til suspenso no ar. A palavra hebraica
“yud” significa “braço ou mão”. O “braço ou mão de YHWH” é uma expressão repetida
várias e várias vezes nas Escrituras. Esta expressão ilustra força e poder, apontando para
Yeshua, o Messias. Foi o braço de YHWH que venceu Faraó e o seu exército. E o salmista
declarou: “espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte.” (Sl. 89:10). O braço de
YHWH traz livramento e vitória. Sempre que você ler sobre a mão ou o braço de YHWH
na Bíblia, é uma referência profética a Yeshua.
A Letra Vav
Outra letra que existe tanto no Nome “YHWH” quanto em “Yeshua” é o vav. Esta letra
parece um gancho e significa “prego.” O vav também é o número 6, o número do homem.
Yeshua veio como Filho do Homem. Ele é YHWH feito carne. O que o vav nos ensina
sobre Yeshua? Lembre-se que as letras hebraicas são desenhos e símbolos. A conexão entre
estas letras é evidente. Yeshua (o Yud) veio como Filho do Homem (o Vav) para oferecer
Sua vida como sacrifício. As suas mãos (Yud) foram perfuradas por um prego (Vav) para
trazer yeshuah (salvação). Yeshua foi crucificado através de suas mãos e pés, conforme
profetisado no Salmo 22:16: “Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me
cercou, traspassaram-me as mãos e os pés.” As letras no Nome de Yeshua profetizam sobre
a Sua morte. Não há outro nome dado ao homem para salvação. Mas, por que Ele teve que
morrer uma morte tão cruel? Esta questão também é respondida por Seu Nome.
Yeshua veio oferecer a Sua vida para remediar o pecado e a morte. Contudo, quando você
lê o termo “salvação” (yeshuah) em uma Bíblia em português, é praticamente certo que seja
o Nome do Messias (acrescido de um Hey) traduzido do hebraico. De fato, Seu Nome pode
ser encontrado ao longo de todo o Primeiro Testamento. Quando o Patriarca Jacó
(Ya’akov, no hebraico) orou em Gênesis 49:18, na realidade ele usou o Nome do Salvador
que havia de vir. Ele disse: “A tua Yeshuah/salvação espero!” Ya’akov confiou em Yeshua
mesmo antes de Yeshua nascer neste mundo! No Salmo 62:6, David também proclama a
sua fé em Yeshua: “Só ele é a minha rocha e a minha Yeshuah/salvação; é a minha defesa;
não serei abalado.” As pessoas que viveram durante os tempos do Primeiro Testamento
foram redimidas ao depositarem a sua fé em Yeshua. O sistema sacrificial nunca salvou
ninguém. Em Hebreus 10:4 lemos: “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes
expie por pecados e iniquidades.” A Yeshuah/salvação sempre foi por meio da graça
através da fé na Yeshuah/salvação do Todo-Poderoso.
A Salvação e a Torá
O Seu próprio Nome não apenas significa salvação, mas é salvação! “E em nenhum outro
homem há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado aos filhos dos
homens pelo qual é certo que tenham vida.” (Atos 4:12). Yeshua veio para nos salvar dos
nossos pecados e para redimir o homem da maldição descrita na Lei (isto é, da maldição
resultante do pecado). Ele NÃO veio remover a Lei, ou “Torá” no hebraico. A Torá são os
cinco primeiros livros da Bíblia. Esses livros explicam como um crente deve viver a sua fé.
Instruções são dadas na Torá para cada aspecto da vida, inclusive como se relacionar com o
próximo e como adorar a YHWH corretamente. A desobediência aos mandamentos da
Torá é chamada de “pecado.” A Torá explica o que é o pecado. Mas a Torá em si não é o
pecado. Romanos 7:12: “ De modo que a Torá é santa, e a mitsvá santa, justa e boa.”
Yeshua não veio nos salvar da Lei, mas sim da nossa transgressão à Lei. No capítulo 5 de
Mateus, Ele disse: “Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas;” Yeshua pagou o
preço pela transgressão da humanidade à Torá. Ele sofreu as maldições da nossa
desobediência. As duas letras remanescentes no Nome de Yeshua demonstram como Ele
venceu a maldição do pecado.
As Letras Shin e Ayin
Essas duas últimas letras no maravilhoso Nome do Messias são o “shin” e o “ayin.” Essas
letras têm uma conexão especial, então serão analisadas em conjunto. O shin se assemelha
a um “w”, e é uma das letras mais comuns do hebraico. No paleo-hebraico, o shin se
assemelhava à figura de um dente. Hoje, a palavra hebraica “shin” significa “dente ou
mascar.”
A última letra do Nome de Yeshua é o “ayin.” Nos tempos antigos, essa letra tinha o
desenho semelhante a um olho. No hebraico moderno, a palavra ayin significa “olho.” O
olho e o dente, o ayin e o shin, mostram o poder do pecado. Combinados, o yud, shin, vav,
ayin mostram o poder de YHWH.
No direito, existe um princípio chamado “lex talionis.” Esta forma de direito diz que a
punição deve ser adequada ao crime. Na Lei de Moisés, a Torá, as punições são dadas por
diferentes ofensas contra YHWH ou homem. A Torá explica em termos exatos como uma
pessoa deve tratar o seu próprio e adorar a YHWH. O pecado vem quando a pessoa não
segue a Torá. “O pecado é a transgressão da Torá” diz 1 João. A punição para pecados,
grandes ou pequenos, é a separação de YHWH. Esta é a maldição descrita na Torá. “O
salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23). Todos pecaram e portanto estão em débito
quanto aos requisitos da Torá. Todos, à exceção de um – o Messias Yeshua. O Filho sem
pecado de YHWH pagou o preço do pecado e morreu a morte de um pecador. A Torá
requer justiça para todo pecado da humanidade. A Torá determina “olho por olho e dente
por dente.”
“Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por
mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.” (Êxodo
21:23-25). A Torá requer olho por olho – ayin por ayin, e dente por dente – shin por shin.
Aqui, a Torá chama por “lex talionis” ou punição exata pelo crime. O crime é o pecado. A
punição é a morte. Nós somos os acusados. Yeshua voluntariamente tomou a nossa punição
e morreu em nosso lugar. A justiça da Torá, que requeria o ayin (olho) e o dente (shin), foi
cumprida quando foi pregada (vav) a mão (yud) de Yeshua. A misericórdia pagou o preço
da justiça. Yeshua ofereceu a Sua vida por nós, cumprindo a demanda de “olho por olho,
dente por dente.” Colossenses 2:14 diz: “e havendo riscado, por sua ordenança, o escrito de
nossas dívidas que havia contra nós. Mas ele o removeu-o do meio de nós, firmando-o ao
seu madeiro;”
A Palavra Se Fez Carne
Nos é dito em João 1:17 que “a Palavra se fez carne e tabernaculou entre nós.” Este
versículo não é brincadeira. A Palavra à qual se refere este versículo é o Antigo
Testamento. Evidentemente, estes livros foram escritos no hebraico. Parafraseando,
podemos dizer que o alfabeto hebraico se fez carne e tabernaculou entre nós. A Palavra
Viva veio e deu a Sua vida, conforme o Seu Nome profetiza. “Mas agora, no Mashiach
Yeshua, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue do Mashiach chegastes perto.”
(Efésios 2:13)
O bebê que nasceu há mais de dois mil anos recebeu o nome adequado. O mundo é culpado
de pecado e portanto merece juízo e ira. Porém, uma pessoa pode ser salva do juízo e da ira
ao confiar em YHWH Yeshua, isto é, na salvação de YHWH. A Sua vida é um exemplo
vivo para seguirmos. Você confia em Yeshua para a sua salvação? A obediência à Torá não
te salva. As boas obras não te salvam. Linhagem judaica não te salva. Membrezia em uma
congregação não te salva. Somos salvos pela pessoa e pelo Nome de Yeshua! Bendito seja
o Seu maravilhoso Nome!
Parte 12 – A Chave do Nome da Salvação
Rav. Dani'el Rendelman
Traduzido e Adaptado por Sha'ul Bentsion
Introdução
Quando se trata de dar um nome a um bebê, muitos pais são bastante exigentes. Às vezes
um nome é escolhido para honrar a memória de uma pessoa amada. Outros nomes são
inspirados por filmes, amigos, ou simplesmente pelo som. O nome de um bebê
normalmente traz um significado ou uma memória especial. A cada ano, uma lista dos
nomes mais populares é compliada e então comparada aos anos anteriores. Recentemente,
nomes como Jacó, Josué, Abigail, Emília e Olivia estiveram entre os mais populares em
2006.
Cerca de dois mil anos atrás, um menininho recebeu um nome especial de seus pais. Ele
não recebeu o nome de uma estrela de novela, mas um nome em harmonia com a direção
dada por anjos. “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o
seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21). É claro que este versículo foi traduzido para o
português. Originalmente, os anjos falaram a esse casal judeu em hebraico. Na realidade, o
bebê recebeu um nome hebraico. (O português só veio a ser falado milhares de anos
depois). A criança foi chamada de “Yeshua”, que é a palavra exata no hebraico para
“salvação.” Este bebê veio trazer a salvação. Seu nome de fato significa salvação. Cada vez
que alguém usava o nome dele, estava na realidade falando a palavra “salvação.” Isto é
fácil de passar desapercebido, uma vez que a maioria das pessoas não lê nem escreve
hebraico. Isto prova que para adquirir uma plena compreensão, devemos estudar o hebraico
e aprender acerca da cultura hebréia que cerca a Bíblia. Usar o Seu verdadeiro Nome
hebraico O coloca de volta no verdadeiro contexto da Sua vida, o qual nos ajuda a entender
melhor as Suas ações e palavras.
O Significado do Hebraico e o Nome do Salvador
O hebraico é uma língua incrível. Ela parece mais com hieroglifos do que com o português,
no sentido de que cada letra hebraica é repleta de significado e simbolismo. No inglês, um
“a” é um “a” e nada mais. Porém no hebraico, cada palavra representa um número, e um
desenho baseado em grafias antigas. Uma palavra hebraica pode ser melhor entendida
examinando cada letra usada e comparando como elas correspondem e se relacionam uma
com a outra. Por exemplo, não há nada de especial na palavra portuguesa “cachorro.”
Contudo, no hebraico um cachorro é “kelev.” Este termo hebraico para “cachorro”
comunica profundidade e definição do que é um “kelev.” Kelev é uma palavra composta,
derivada de dois termos hebraicos básicos. “Ke” no hebraico significa “como” ou
“semelhante a”. Enquanto “lev” no hebraico significa “coração.” Kelev é uma palavra
hebraica que ilustra o fato de um cachorro ser “como o coração” de um homem. Isto é, o
cachorro é o melhor amigo do homem. Uau! (Ou melhor seria dizer auau?)
Logo, não é motivo de surpresa o fato do nome do Salvador também ser altamente
simbólico. Em seu sentido mais básico, o nome do Messias foi explicado quando foi dado
pelos anjos. “ela dará à luz um filho, e ela o chamará Yeshua; porque ele salvará o seu
povo de todos os seus pecados.” (Mateus 1:21). Claramente, “Yeshua” significa salvação.
Este significado é ainda expandido quando examinamos cada letra do nome do salvador.
No hebraico, “Yeshua” se escreve com as letras Yud-Shin-Vav-Ayin. Juntas, essas letras
exibem poderosamente a vida e o ministério do Salvador.
A Letra Yud
A primeira letra do Nome do Salvador é o “yud.” O yud também é a primeira letra do
Nome Sagrado do Pai, que se escreve Yud-Hey-Vav-Hey (YHWH). YHWH é o Nome que
foi dado a Moshe na sarça ardente. Este nome deve ser usado como um “memorial eterno”
(Êxodo 3:15) por todos os que crêem na Bíblia. YHWH significa “ser.” YHWH é, e
YHWH é o Seu Nome. Contudo, o Seu Nome tem ficado escondido por trás das palavras
“Senhor” e “Deus” nas Bíblias modernas. Hoje, contudo, pessoas do mundo todo estão
rejeitando títulos falsos e aceitando o verdadeiro Nome do Pai. A profecia de Sofonias 3:9
está se realizando: “Porque então darei uma linguagem pura aos povos, para que todos
invoquem o nome de YHWH, para que o sirvam com um mesmo consenso." YHWH está
restaurando a língua sagrada do hebraico e a majestade do Seu Nome, a começar pelo yud.
A escrita moderna da letra Yud parece com um til suspenso no ar. A palavra hebraica
“yud” significa “braço ou mão”. O “braço ou mão de YHWH” é uma expressão repetida
várias e várias vezes nas Escrituras. Esta expressão ilustra força e poder, apontando para
Yeshua, o Messias. Foi o braço de YHWH que venceu Faraó e o seu exército. E o salmista
declarou: “espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte.” (Sl. 89:10). O braço de
YHWH traz livramento e vitória. Sempre que você ler sobre a mão ou o braço de YHWH
na Bíblia, é uma referência profética a Yeshua.
A Letra Vav
Outra letra que existe tanto no Nome “YHWH” quanto em “Yeshua” é o vav. Esta letra
parece um gancho e significa “prego.” O vav também é o número 6, o número do homem.
Yeshua veio como Filho do Homem. Ele é YHWH feito carne. O que o vav nos ensina
sobre Yeshua? Lembre-se que as letras hebraicas são desenhos e símbolos. A conexão entre
estas letras é evidente. Yeshua (o Yud) veio como Filho do Homem (o Vav) para oferecer
Sua vida como sacrifício. As suas mãos (Yud) foram perfuradas por um prego (Vav) para
trazer yeshuah (salvação). Yeshua foi crucificado através de suas mãos e pés, conforme
profetisado no Salmo 22:16: “Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me
cercou, traspassaram-me as mãos e os pés.” As letras no Nome de Yeshua profetizam sobre
a Sua morte. Não há outro nome dado ao homem para salvação. Mas, por que Ele teve que
morrer uma morte tão cruel? Esta questão também é respondida por Seu Nome.
Yeshua veio oferecer a Sua vida para remediar o pecado e a morte. Contudo, quando você
lê o termo “salvação” (yeshuah) em uma Bíblia em português, é praticamente certo que seja
o Nome do Messias (acrescido de um Hey) traduzido do hebraico. De fato, Seu Nome pode
ser encontrado ao longo de todo o Primeiro Testamento. Quando o Patriarca Jacó
(Ya’akov, no hebraico) orou em Gênesis 49:18, na realidade ele usou o Nome do Salvador
que havia de vir. Ele disse: “A tua Yeshuah/salvação espero!” Ya’akov confiou em Yeshua
mesmo antes de Yeshua nascer neste mundo! No Salmo 62:6, David também proclama a
sua fé em Yeshua: “Só ele é a minha rocha e a minha Yeshuah/salvação; é a minha defesa;
não serei abalado.” As pessoas que viveram durante os tempos do Primeiro Testamento
foram redimidas ao depositarem a sua fé em Yeshua. O sistema sacrificial nunca salvou
ninguém. Em Hebreus 10:4 lemos: “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes
expie por pecados e iniquidades.” A Yeshuah/salvação sempre foi por meio da graça
através da fé na Yeshuah/salvação do Todo-Poderoso.
A Salvação e a Torá
O Seu próprio Nome não apenas significa salvação, mas é salvação! “E em nenhum outro
homem há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado aos filhos dos
homens pelo qual é certo que tenham vida.” (Atos 4:12). Yeshua veio para nos salvar dos
nossos pecados e para redimir o homem da maldição descrita na Lei (isto é, da maldição
resultante do pecado). Ele NÃO veio remover a Lei, ou “Torá” no hebraico. A Torá são os
cinco primeiros livros da Bíblia. Esses livros explicam como um crente deve viver a sua fé.
Instruções são dadas na Torá para cada aspecto da vida, inclusive como se relacionar com o
próximo e como adorar a YHWH corretamente. A desobediência aos mandamentos da
Torá é chamada de “pecado.” A Torá explica o que é o pecado. Mas a Torá em si não é o
pecado. Romanos 7:12: “ De modo que a Torá é santa, e a mitsvá santa, justa e boa.”
Yeshua não veio nos salvar da Lei, mas sim da nossa transgressão à Lei. No capítulo 5 de
Mateus, Ele disse: “Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas;” Yeshua pagou o
preço pela transgressão da humanidade à Torá. Ele sofreu as maldições da nossa
desobediência. As duas letras remanescentes no Nome de Yeshua demonstram como Ele
venceu a maldição do pecado.
As Letras Shin e Ayin
Essas duas últimas letras no maravilhoso Nome do Messias são o “shin” e o “ayin.” Essas
letras têm uma conexão especial, então serão analisadas em conjunto. O shin se assemelha
a um “w”, e é uma das letras mais comuns do hebraico. No paleo-hebraico, o shin se
assemelhava à figura de um dente. Hoje, a palavra hebraica “shin” significa “dente ou
mascar.”
A última letra do Nome de Yeshua é o “ayin.” Nos tempos antigos, essa letra tinha o
desenho semelhante a um olho. No hebraico moderno, a palavra ayin significa “olho.” O
olho e o dente, o ayin e o shin, mostram o poder do pecado. Combinados, o yud, shin, vav,
ayin mostram o poder de YHWH.
No direito, existe um princípio chamado “lex talionis.” Esta forma de direito diz que a
punição deve ser adequada ao crime. Na Lei de Moisés, a Torá, as punições são dadas por
diferentes ofensas contra YHWH ou homem. A Torá explica em termos exatos como uma
pessoa deve tratar o seu próprio e adorar a YHWH. O pecado vem quando a pessoa não
segue a Torá. “O pecado é a transgressão da Torá” diz 1 João. A punição para pecados,
grandes ou pequenos, é a separação de YHWH. Esta é a maldição descrita na Torá. “O
salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23). Todos pecaram e portanto estão em débito
quanto aos requisitos da Torá. Todos, à exceção de um – o Messias Yeshua. O Filho sem
pecado de YHWH pagou o preço do pecado e morreu a morte de um pecador. A Torá
requer justiça para todo pecado da humanidade. A Torá determina “olho por olho e dente
por dente.”
“Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por
mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.” (Êxodo
21:23-25). A Torá requer olho por olho – ayin por ayin, e dente por dente – shin por shin.
Aqui, a Torá chama por “lex talionis” ou punição exata pelo crime. O crime é o pecado. A
punição é a morte. Nós somos os acusados. Yeshua voluntariamente tomou a nossa punição
e morreu em nosso lugar. A justiça da Torá, que requeria o ayin (olho) e o dente (shin), foi
cumprida quando foi pregada (vav) a mão (yud) de Yeshua. A misericórdia pagou o preço
da justiça. Yeshua ofereceu a Sua vida por nós, cumprindo a demanda de “olho por olho,
dente por dente.” Colossenses 2:14 diz: “e havendo riscado, por sua ordenança, o escrito de
nossas dívidas que havia contra nós. Mas ele o removeu-o do meio de nós, firmando-o ao
seu madeiro;”
A Palavra Se Fez Carne
Nos é dito em João 1:17 que “a Palavra se fez carne e tabernaculou entre nós.” Este
versículo não é brincadeira. A Palavra à qual se refere este versículo é o Antigo
Testamento. Evidentemente, estes livros foram escritos no hebraico. Parafraseando,
podemos dizer que o alfabeto hebraico se fez carne e tabernaculou entre nós. A Palavra
Viva veio e deu a Sua vida, conforme o Seu Nome profetiza. “Mas agora, no Mashiach
Yeshua, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue do Mashiach chegastes perto.”
(Efésios 2:13)
O bebê que nasceu há mais de dois mil anos recebeu o nome adequado. O mundo é culpado
de pecado e portanto merece juízo e ira. Porém, uma pessoa pode ser salva do juízo e da ira
ao confiar em YHWH Yeshua, isto é, na salvação de YHWH. A Sua vida é um exemplo
vivo para seguirmos. Você confia em Yeshua para a sua salvação? A obediência à Torá não
te salva. As boas obras não te salvam. Linhagem judaica não te salva. Membrezia em uma
congregação não te salva. Somos salvos pela pessoa e pelo Nome de Yeshua! Bendito seja
o Seu maravilhoso Nome!
O Dia de Yokhanan (João) - ^ Topo
O Aramaico Esclarece o Apocalipse
Por Sha’ul Bentsion
Baseado em material de Joe Vial
1 - Introdução
Em meu estudo recente do manuscrito Crawford de Apocalipse (em aramaico), encontrei uma situação inusitada logo de cara.
Em Ap. 1:10, na qual Yokhanan (João) diz em que dia ele teve a visão, encontramos a expressão "yomá d'khad'bsába".
0bsb9dxd 0mwy
2 – Quando Foi Yokhanan Tomado Pela Ruach?
Essa expressão significa literalmente "Primeiro Dia do Sétimo". Alguns tentam supor que esta leitura significaria "no primeiro dia da semana", mas seria uma leitura pouco usual no aramaico. O mais correto seria traduzir como "Primeiro Dia do 7o. Mês" - Mas será que isso tem fundamento na Torá? O que diz a Torá sobre esta época?
"Semelhantemente, tereis santa convocação no sétimo mês, no primeiro dia do mês; nenhum trabalho servil fareis; será para vós dia de soar o shofar." (Bamidbar/Números 25:1)
Sabemos que este é um dia em que se soa o shofar, conhecido como Yom Teruá. Agora, o que mais podemos achar sobre o soar o shofar na Palavra?
"Por isso se expiará a iniqüidade de Ya’akov (Jacó), e este será todo o fruto de se haver tirado seu pecado... E será naquele dia que se tocará um shofar gadol, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria, e os que foram desterrados para a terra do Egito, tornarão a vir, e adorarão a YHWH no monte santo em Yerushalayim." (Yeshayahu/Isaías 27:9-13)
Então este será o dia do chamado "arrebatamento" de Israel, o dia em que todos seremos levados à nova Yerushalayim. E o que mais dizem as Escrituras sobre este dia?
"Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro." (1 Tess. 4:16)
Não é difícil perceber que Yom Teruá (o “Dia do Toque do Shofar”) é uma festa profética que aponta para o dia em que o Mashiach retornará à terra.
3 – A Confirmação de Apocalipse
Mas como podemos ter certeza de que Yokhanan se refere a Yom Teruá?
Se continuarmos no livro de Apocalipse, perceberemos que a temática do livro é idêntica à mística judaica que envolve a época das festas bíblicas de outono. As vestes de Yeshua em Apocalipse 1 são idênticas a Daniel 7, onde a temática também é o julgamento. Na tradição judaica esta época é associada ao juízo, pois o Yom Kipur, o décimo-quinto dia do sétimo mês, é o “Dia da Expiação”. A temática de Apocalipse é cheia destes elementos: portas, selos e livros sendo abertos e fechados, julgamento e redenção, etc.
Agora vamos para outra questão: será que Yokhanan está falando do dia em que ele teve a visão? O aramaico permite duas leituras:
- A primeira delas seria a de que Yokhanan teria sido tomado em mistério no próprio Yom Teruá, quando Yeshua teria então revelado a ele o verdadeiro significado profético do Yom Teruá.
- A segunda seria a de que Yokhanan teria sido tomado pela Ruach e teria sido “levado” até o Yom Teruá final, o Dia de Yeshua.
Pela forma em que o texto é escrito, a segunda opção é a mais viável, embora a primeira não deixe de ser possível
4 - O Dia do S-nhor
Fazendo uma análise do aramaico, não é difícil perceber por que o grego traduz a expressão "yomá d'khad'bsába" (0bsb9dxd 0mwy)como “kurios hemera” (kurioj hmera), Dia do S-nhor. Possivelmente, quem leria o grego não entenderia a referência ao Yom Teruá. Portanto, o tradutor optou pela clareza do sentido, simbolizando que Yokhanan teria visto “o Dia do
S-nhor”, isto é, o Dia da volta do Messias.
Munidos da cultura romana de muitos séculos depois, alguns passaram a tentar propor que este “Dia do S-nhor” seria o domingo. Contudo esta leitura não faz o menor sentido por três motivos:
- Primeiramente porque não existia o domingo na sociedade judaica. O “primeiro dia” ao qual Yeshua ressuscitou é Yom Rishon, o primeiro dia semana no calendário judaico, que começa ao pôr-do-sol de sábado
- Em segundo lugar, porque a associação do domingo como sendo o “Dia do S-nhor” é criação da igreja já paganizada, e não uma idéia original
- Em terceiro e último lugar, porque jamais “kurios hemera” poderia ter sido traduzido para o aramaico (supondo uma falsa premissa de primazia grega) como “primeiro do sétimo” – não faria o menor sentido
Não é difícil verificarmos que, na Bíblia, não existe referência alguma ao domingo como “Dia do S-nhor”.
5 - O Nível SOD
O mais interessante desta análise é que podemos ver claramente que o livro inteiro de Apocalipse é uma leitura nível SOD (vide artigo sobre como interpretar as Escrituras como um judeu) dos eventos que se sucedem entre Rosh HaShaná (Yom Teruá) e Yom Kipur.
Ou seja, para entendermos corretamente este livro, precisamos conhecer bem a tradição judaica a respeito de Rosh HaShaná, do Yom Kipur, e do julgamento que há entre eles.
6 - Conclusão
A leitura mais provável, embora um pouco interpretativa, de Apocalipse 1:10 é:
“Eu fui levado [em visão] pela Ruach até o Yom Teruá [Final]...”
E nos indica que, para entendermos tanto a cronologia quanto o simbolismo de Apocalipse, é fundamental estudarmos a Torá com relação às Festas Bíblicas de Outono, bem como conhecermos a tradição judaica referente a este período, para podermos entender a figura de linguagem aplicada por Yokhanan.
O Aramaico Esclarece o Apocalipse
Por Sha’ul Bentsion
Baseado em material de Joe Vial
1 - Introdução
Em meu estudo recente do manuscrito Crawford de Apocalipse (em aramaico), encontrei uma situação inusitada logo de cara.
Em Ap. 1:10, na qual Yokhanan (João) diz em que dia ele teve a visão, encontramos a expressão "yomá d'khad'bsába".
0bsb9dxd 0mwy
2 – Quando Foi Yokhanan Tomado Pela Ruach?
Essa expressão significa literalmente "Primeiro Dia do Sétimo". Alguns tentam supor que esta leitura significaria "no primeiro dia da semana", mas seria uma leitura pouco usual no aramaico. O mais correto seria traduzir como "Primeiro Dia do 7o. Mês" - Mas será que isso tem fundamento na Torá? O que diz a Torá sobre esta época?
"Semelhantemente, tereis santa convocação no sétimo mês, no primeiro dia do mês; nenhum trabalho servil fareis; será para vós dia de soar o shofar." (Bamidbar/Números 25:1)
Sabemos que este é um dia em que se soa o shofar, conhecido como Yom Teruá. Agora, o que mais podemos achar sobre o soar o shofar na Palavra?
"Por isso se expiará a iniqüidade de Ya’akov (Jacó), e este será todo o fruto de se haver tirado seu pecado... E será naquele dia que se tocará um shofar gadol, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria, e os que foram desterrados para a terra do Egito, tornarão a vir, e adorarão a YHWH no monte santo em Yerushalayim." (Yeshayahu/Isaías 27:9-13)
Então este será o dia do chamado "arrebatamento" de Israel, o dia em que todos seremos levados à nova Yerushalayim. E o que mais dizem as Escrituras sobre este dia?
"Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro." (1 Tess. 4:16)
Não é difícil perceber que Yom Teruá (o “Dia do Toque do Shofar”) é uma festa profética que aponta para o dia em que o Mashiach retornará à terra.
3 – A Confirmação de Apocalipse
Mas como podemos ter certeza de que Yokhanan se refere a Yom Teruá?
Se continuarmos no livro de Apocalipse, perceberemos que a temática do livro é idêntica à mística judaica que envolve a época das festas bíblicas de outono. As vestes de Yeshua em Apocalipse 1 são idênticas a Daniel 7, onde a temática também é o julgamento. Na tradição judaica esta época é associada ao juízo, pois o Yom Kipur, o décimo-quinto dia do sétimo mês, é o “Dia da Expiação”. A temática de Apocalipse é cheia destes elementos: portas, selos e livros sendo abertos e fechados, julgamento e redenção, etc.
Agora vamos para outra questão: será que Yokhanan está falando do dia em que ele teve a visão? O aramaico permite duas leituras:
- A primeira delas seria a de que Yokhanan teria sido tomado em mistério no próprio Yom Teruá, quando Yeshua teria então revelado a ele o verdadeiro significado profético do Yom Teruá.
- A segunda seria a de que Yokhanan teria sido tomado pela Ruach e teria sido “levado” até o Yom Teruá final, o Dia de Yeshua.
Pela forma em que o texto é escrito, a segunda opção é a mais viável, embora a primeira não deixe de ser possível
4 - O Dia do S-nhor
Fazendo uma análise do aramaico, não é difícil perceber por que o grego traduz a expressão "yomá d'khad'bsába" (0bsb9dxd 0mwy)como “kurios hemera” (kurioj hmera), Dia do S-nhor. Possivelmente, quem leria o grego não entenderia a referência ao Yom Teruá. Portanto, o tradutor optou pela clareza do sentido, simbolizando que Yokhanan teria visto “o Dia do
S-nhor”, isto é, o Dia da volta do Messias.
Munidos da cultura romana de muitos séculos depois, alguns passaram a tentar propor que este “Dia do S-nhor” seria o domingo. Contudo esta leitura não faz o menor sentido por três motivos:
- Primeiramente porque não existia o domingo na sociedade judaica. O “primeiro dia” ao qual Yeshua ressuscitou é Yom Rishon, o primeiro dia semana no calendário judaico, que começa ao pôr-do-sol de sábado
- Em segundo lugar, porque a associação do domingo como sendo o “Dia do S-nhor” é criação da igreja já paganizada, e não uma idéia original
- Em terceiro e último lugar, porque jamais “kurios hemera” poderia ter sido traduzido para o aramaico (supondo uma falsa premissa de primazia grega) como “primeiro do sétimo” – não faria o menor sentido
Não é difícil verificarmos que, na Bíblia, não existe referência alguma ao domingo como “Dia do S-nhor”.
5 - O Nível SOD
O mais interessante desta análise é que podemos ver claramente que o livro inteiro de Apocalipse é uma leitura nível SOD (vide artigo sobre como interpretar as Escrituras como um judeu) dos eventos que se sucedem entre Rosh HaShaná (Yom Teruá) e Yom Kipur.
Ou seja, para entendermos corretamente este livro, precisamos conhecer bem a tradição judaica a respeito de Rosh HaShaná, do Yom Kipur, e do julgamento que há entre eles.
6 - Conclusão
A leitura mais provável, embora um pouco interpretativa, de Apocalipse 1:10 é:
“Eu fui levado [em visão] pela Ruach até o Yom Teruá [Final]...”
E nos indica que, para entendermos tanto a cronologia quanto o simbolismo de Apocalipse, é fundamental estudarmos a Torá com relação às Festas Bíblicas de Outono, bem como conhecermos a tradição judaica referente a este período, para podermos entender a figura de linguagem aplicada por Yokhanan.
ARREBATAMENTO PRE-TRIBULACIONISTA: UMA PERIGOSA HERESIA
Por Dr. James S. Trimm
Traduzido e Adaptado por Sha’ ul Bentsion
1 - INTRODUÇÃO
A doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista é uma doutrina cristã tardia que tem ameaçado o
Judaísmo Messiânico. Esta doutrina cristã só teve início no século dezenove. Tal teologia tem agora ameaçado
encontrar eco no movimento messiânico. Este artigo provará que a doutrina do arrebatamento prétribulacionista
é:
1 – Uma invenção moderna do Cristianismo que NÃO TEM NENHUMA raiz judaica de qualquer
tipo
2 – Uma doutrina que vai totalmente contra as Escrituras
3 – Uma doutrina de “ paz e segurança” que pode futuramente vir a destruir a fé de muitos
2 - Glossário dos Termos deste Artigo
Antes de começarmos, vamos definir alguns termos básicos que usaremos:
ARREBATAMENTO – Este termo se tornou bastante polêmico. No ocultismo, este termo foi usado
durante muitos séculos para se referir a levitação. Na Bíblia, a origem do termo está em 1 Tess. 4:17 onde
lemos a palavra “ arrebatados” .
NATZAL – Palavra no hebraico que significa “ livramento” . Esta palavra tem sido usada nos meios
messiânicos numa tentativa de convencê-los sobre a teoria do arrebatamento pré-tribulacionista
KH’ TAF – Palavra aramaica para “ arrebatados” no texto aramaico de 1 Tess. 4:17
PÓS-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o KH’ TAF (arrebatamento) é simplesmente parte
da segunda vinda do Messias e portanto ocorrerá no fim da tribulação, isto é, no início do Reino do Milênio.
PRÉ-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento seria um evento separado da
segunda vinda do Messias e que ocorreria sete anos antes, imediatamente antes da tribulação
MID-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento é um evento separado da segunda
vinda do Messias e que ocorreria 3 anos e meio antes, no meio da tribulação, durante o tempo do “ sacrilégio
terrível” (a revelação do Anti-Messias)
ARREBATAMENTO-PREMATURO – É qualquer visão de que o arrebatamento e a segunda vinda
do Messias são eventos separados e que o arrebatamento precederá por um período de tempo a segunda vinda
do Messias.
ARREBATAMENTO PARCIAL – É a visão de que apenas uma parte do Corpo do Messias será
arrebatada.
PASHAT – O sentido simples, literal de um texto segundo a Midrash Judaica (vide artigo sobre como
interpretar as Escrituras como um judeu)
3 - ONDE ESTÁ O PASHAT?
Um dos maiores problemas com a doutrina cristã do arrebatamento pré-tribulacionista é que já de cara
fere a Midrash. Segundo a Midrash, que é o sistema mais antigo de interpretação das Escrituras, um texto
nunca perde o seu Pashat. Contudo, esta doutrina em particular não tem base de Pashat. Apesar dos prétribulacionistas
frequentemente alegarem que as suas crenças são baseadas numa leitura simples e literal das
Escrituras, o fato é que uma leitura literal das Escrituras é incapaz de produzir uma crença no arrebatamento
pré-tribulacionista.
3.1 – SEM BASE BíBLICA
Até mesmo Hal Lindsey, o mais famoso defensor do pré-tribulacionismo, admite que a sua crença não
se baseia no sentido simples e literal das Escrituras. Lindsey admite que ele não consegue “ mostrar nenhum
versículo que diga claramente que o arrebatamento ocorrerá antes… da tribulação.” (O Arrebatamento por Hal
Lindsey pág. 32). Ao invés disto, Lindsey alega que “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em
argumentos de inferência e silêncio.” (ibid p. 31)
Se o pré-tribulacionismo não vem de um entendimento do Pashat das Escrituras, devemos então nos
perguntar de onde ele se originou, e porque tanta gente acredita nisto.
4 - O DISPENSASIONALISMO: UMA HERESIA GERA OUTRA
Durante as décadas de 1820 e 1830, um teólogo cristão chamado John Darby (fundador da Irmandade
de Plymoth) desenvolveu uma nova teologia sistemática chamada Dispensasionalismo. Esta doutrina desde
então tornou-se muito popular no Cristianismo. É muito curioso que tal doutrina ainda encontre eco entre os
crentes que estão retornando às raízes judaicas dos seguidores originais de Yeshua. É fato incontestável que o
Dispensasionalismo não existiu até o século dezenove. Não tem nenhuma raíz judaica e nem existia no
Cristianismo até o século em questão
5 - A ORIGEM DE UMA GRANDE MENTIRA
Como a maioria dos teólogos do século 19, John Darby era anti-nomiano, isto é, acreditava que Lei de
Moshe (Moisés) tinha desaparecido na cruz. Darby se sentia incomodado com os sérios problemas trazidos por
esta doutrina. Darby percebeu que durante os sete anos da última semana profética de Daniel, os sacrifícios
estariam sendo feitos no Templo. Como a Lei de Moshe (Moisés) estava CLARAMENTE sendo cumprida
durante os sete anos da tribulação, Darby concluiu que a Lei voltaria a ter validade no início da tribulação. Esta
linha de raciocínio fez Darby segregar as histórias bíblicas e proféticas em períodos compartimentadas. Darby
teorizou que a “ idade da Lei” tinha acabado na cruz e que a “ idade da graça” ou “ idade da igreja” tinha
começado na cruz. Então com a tribulação, a “ idade da Lei” volta e a “ idade da graça” termina. Isto criou um
problema grande para a teoria de Darby. Como poderia a “ idade da Lei” retornar se a igreja ainda estaria na
terra? Darby achava que na “ idade da Lei” o Eterno lidava com Israel e na tribulação o Eterno voltaria a lidar
com Israel. Então o que aconteceria com a igreja? Certamente que a igreja não sairia da “ idade da graça” pra
voltar pra Lei de Moshe (Moisés). Como consequência desta linha de raciocíonio absurda, Darby adotou a
idéia de um arrebatamento pré-tribulacionista que havia se tornado tão popular entre os Irvingitas. Esta idéia
dizia que a Igreja sairia da terra no início da tribulação, deixando Israel pra trás para sofrer na tribulação
durante o período da “ volta da Lei” . Darby agora tinha um outro problema: se a igreja fosse arrebatada
deixando Israel pra trás, o que dizer dos judeus crentes? Eles seria arrebatados juntamente com a Igreja ou
ficariam para trás com Israel? Darby inventou outra solução completamente louca: a dicotomia Igreja/Israel.
Esta teoria ensinava que um judeu que se tornava crente no Messias passava a fazer parte da Igreja e não era
mais parte de Israel. Como resultado disto, ninguém poderia ser parte tanto da Igreja quanto de Israel. Segundo
esta teoria, judeus crentes deixariam de ser judeus e se tornariam parte da Igreja de Elohim, que ele ensinava
conter pessoas que não eram nem judeus nem gentios.
Portanto, as três mentiras que se tornaram pilares do Dispensasionalismo são:
1 – A Lei não seria para hoje
2 – O arrebatamento pré-tribulacionista
3 – A dicotomia Igreja/Israel
Obviamente, os messiânicos não podem aceitar nem a número 1 nem a número 3. A número 2 só seria
necessária por causa de uma crença na número 1. A número 2 não funciona sem a número 3, que foi criada
para resolver os problemas da número 2. Como resultado, o Judaísmo Messiânico é incompatível com o
Dispensasionalismo. Dois de seus três pilares fundamentais não são compatíveis com a teologia bíblica
original, adotada pelo movimento messiânico. Além disto, o único pilar remanescente não se sustenta sozinho.
Quando examinada à luz da Bíblia, toda a estrutura do Dispensasionalismo é destruída. É uma doutrina do
século 19 que foi inventada pelo Cristianismo e não tem NENHUMA raiz na fé do primeiro século.
6 - QUANTAS VINDAS DO MESSIAS?
O Tanach (Primeiro Testamento) aponta claramente para duas vindas do Messias: uma como servo e
outra como rei. Contudo, fica evidente que os acreditam no arrebatamento-prematuro vão contra as Escrituras
por crerem em três vindas do Messias. Uma vez que o retorno do Messias tem sido entendido por séculos como
sendo a “ Segunda Vinda do Messias” , os que crêem no arrebatamento-prematuro devem mudar a expressão
acima para “ Terceira Vinda do Messias” ou insistir, como a maioria faz, de que o arrebatamento-prematuro
não é de fato uma vinda do Messias. Se a teoria do arrebatamento-prematuro fosse verdadeira, então as
Escrituras deveriam ensinar sobre um “ aparecimento” pré-tribulacionista do Messias que não é uma “ vinda do
Messias” propriamente dita, seguida de uma “ vinda do Messias” após a tribulação. E mais: as Escrituras não
poderiam identificar o KH’ TAF (arrebatamento) como se referindo à “ vinda” do S-nhor nas Escrituras. Não
deveríamos também esperar que a vinda pós-tribulacionista do Messias fosse chamada de “ aparecimento” .
Agora vamos examinar estas mentiras à luz das Escrituras:
“ Conjuro-te diante de Elohim e do Mashiach Yeshua, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua
vinda e pelo seu reino;” (2 Tim. 4:1)
Aqui vemos claramente que no final da tribulação e no início do Reino teremos a vinda do Messias.
“ assim também o Mashiach, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá
segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Yehudim / Hebreus 9:28)
Aqui o texto fala claramente da vinda pós-tribulacionista do Messias. Se o arrebatamento-prematuro
estivesse correto, este texto deveria dizer “ aparecerá uma terceira vez” .
“ Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda de ADONAI.” (Ya’ akov / Tiago 5:7a)
Este texto nos instrui claramente que a nossa esperança deve ser na vinda do S-nhor, e não em um “
aparecimento do S-nhor” .
“ Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do
Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande
brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro.
Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do
Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Tess. 4:15-17)
Esta é a passagem que fala do arrebatamento. Mas esta passagem também se refere à “ vinda do Snhor”
e não de um aparecimento.
Vemos portanto que a teoria do arrebatamento-prematuro que crê em “ três vindas” ou em “ duas
vindas e um aparecimento” do Messias é completamente contrária às Escrituras, que falam apenas de duas
vindas do Messias.
7 - O LADRÃO DA NOITE
Um dos chavões dos pré-tribulacionistas é a expressão “ ladrão da noite” . Os pré-tribulacionistas
usam este termo para descrever o arrebatamento-prematuro como um “ arrebatamento secreto” no qual a Igreja
é removida da terra secretamente. Isto contudo é tirar a expressão completamente de seu contexto e usá-la
erradamente. A parábola do “ ladrão da noite” é uma das diversas parábolas contadas por Yeshua (vide Mt.
24:42-51) e é mencionada em três outros lugares: 1 Tess. 5:2-10, 2 Kefah (Pedro) 3:10, Ap. 3:3 e 16:15). Uma
análise verídica desta expressão tal qual é usada nas Escrituras revela justamente o extremo oposto: um
arrebatamento pós-tribulacionista.
Primeiramente vamos analisar a parábola em si. Eis o texto de Mt. 24:42:
“ Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da
casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso ficai
também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.”
Existe um grande número de elementos importantes nesta parábola. Primeiramente devemos perceber
que o “ ladrão” nesta parábola refere-se ao Messias. Contudo, o ladrão nesta parábola não está “ roubando a
igreja do mundo” (isto seria absurdo), mas sim o termo ladrão é usado para identificar que o Messias virá num
momento inesperado. Em segundo lugar, percebemos claramente que a Igreja não estava esperando que Ele
viesse naquele momento. E finalmente é extremamente significativo que o ladrão vem num momento posterior,
no qual a Igreja é esperada e é encontrada dormindo (vide Matitiyahu / Mateus 25).
7.1 - O SONO DA APOSTASIA DA IGREJA
Ao longo das Escrituras, vemos que “ dormir” é um eufemismo para apostasia (vide Yeshayahu /
Isaías 29:10 e Romanos 11:8)
A parábola do ladrão da noite é parte de uma seção das Escrituras que começa em Mt. 24:42 e termina
em Mt. 25:13, onde Yeshua ilustra o fato de que o Messias virá mais tarde do que o esperado e pegará a Igreja
dormindo pois esperava que ele viesse antes. Este tema é primeiramente apresentado por Yeshua no versículo
42. Depois em Mt. 24:43 Yeshua dá a parábola do ladrão da noite. Então no versículo 44 Yeshua reforça o
tema. Em Mt. 24:45-51 Yeshua dá a parábola do “ servo fiel e prudente” . Nesta parábola o Messias também
vem depois do esperado pelo servo (versículos 48 & 50) para encontrar um servo apóstata (versículos 48-49).
Finalmente, Yeshua dá a ilustração das “ dez virgens” (Mt. 25:1-12) na qual o noivo vem depois do que as
virgens esperavam. As virgens (pelo menos algumas delas) são nitidamente crentes pois cinco delas têm óleo
na lâmpada. O noivo vem e encontra as virgens dormindo. Apesar de muitas delas ainda terem óleo nas
lâmpadas, elas pensaram que o Messias viria antes e cairam no sono da apostasia.
7.2 – O GRAVÍSSIMO PERIGO DA HERESIA PRÉ-TRIBULACIONISTA
Ao contrário de ensinar um arrebatamento pré-tribulacionista, esta seção das Escrituras nos avisa que
muitos da igreja esperarão pelo Messias antes dEle vir (pré-tribulacionismo) e que quando o Messias na
realidade vem após a tribulação, isto é, depois do esperado, eles caem em apostasia. Os pré-tribulacionistas têm
sido enganados por alguns mestres dentro do Cristianismo (não são todos) de que a Bíblia ensina que o
Messias os resgatará da tribulação antes da mesma acontecer. Quando a tribulação chegar e eles perceberem
que isto não ocorreu, muitos perderão a fé e acharão que o Eterno desistiu deles, e por isto não foram
arrebatados. Ou ainda pior: que as Escrituras mentiram. Ou seja, a decepção deles os fará se desviarem: cairão
no sono da apostasia.
Em Apocalipse 3:3 lemos:
“ Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares,
virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.”
Esta passagem claramente se refere ao texto de Mt. 24:42-44. Aqui o Messias está se referindo à
Igreja de Sardis (ou seja, crentes genuínos) e indica que Ele virá em um momento em que a Igreja não espera.
A implicação da expressão “ se não vigiares… ” é a de que o Messias virá após a tribulação, ou seja, depois do
esperado e encontrará crentes dormindo/apóstata.
7.3 – O MILÊNIO E A VINDA DO LADRÂO DA NOITE
Em 2 Kefah (Pedro) 3:10 lemos: “ Virá, pois, como ladrão o dia de ADONAI, no qual os céus
passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão
descobertas.”
Aqui, o “ dia” em questão refere-se ao dia de 1,000 anos do Reino do Milênio (vide 2 Pe. 3:8; Sl.
90:4; Ap. 20:2,7). Este “ dia de 1,000 anos” começa com a segunda vinda do Messias (Ap. 19:11 – 20:2) e
termina com a destruição da terra por fogo (Ap. 20:7-21:1). Aqui a expressão “ o dia do S-nhor virá como um
ladrão” (2 Pe. 3:10) definitivamente se refere à segunda vinda do Messias e ao final da tribulação e ao início
dos 1,000 anos. Este não é um “ ladrão” que virá sorrateiramente e em silêncio. É um “ ladrão” que fará os
céus se passarem com um “ rugido” .
Em Ap. 16:15 lemos: “ Eis que venho como ladrão. Bendito aquele que vigia, e guarda as suas vestes,
para que não ande nu, e não se veja a sua nudez.”
Esta passagem ocorre no contexto dos eventos do dia de 1,000 anos mencionado acima. Além disto,
esta passagem também reflete um ladrão que chega depois do esperado e encontra uma igreja apóstata.
7.4 -O ALERTA DE PAULO: A PROFECIA SOBRE A HERESIAPRÉ-TRIBULACIONISTA
Finalmente em 1 Tess. 5:2-10 lemos:
“ porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois
quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto
àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele
dia, como ladrão, vos surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite
nem das trevas; não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que
dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite; mas nós, porque somos do dia,
sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação;
porque Elohim não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Yeshua
HaMashiach, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.”
Agora na leitura desta passagem devemos relembrar a passagem do ladrão da noite, à qual esta
passagem claramente faz alusão. Vemos aqui uma profecia sobre o surgimento da heresia do prétribulacionismo!
Aqui aprendemos que os que apostatarem da fé ficarão entorpecidos pela doutrina da “ paz e
segurança” e vão cair em apostasia quando o Messias não chegar tão breve quanto
o esperado mas ao invés disto vier sobre eles a “ repentina destruição” – algo que eles aparentemente
acreditavam que iriam “ escapar” . Neste ponto eles parecem ter caído no sono da apostasia. Muitos deixarão a
fé quando os pré-tribulacionistas ficarem desapontados ao perceberem que entraram a tribulação ao invés de
escapar dela em um “ arrebatamento pré-tribulacionista.” Mas espere! Veja 1 Tess. 5:1! Esta seção inteira das
Escrituras se refere ao momento em que acontecerá o arrebatamento de 1 Tes. 4:16-18. Na realidade, este
capítulo muda de 1Tess.4:18 para 5:1 no meio de um parágrafo!
7.5 - O LADRÃO DA NOITE E OS DIAS DE NOACH
A referência à parábola do ladrão da noite em 1 Tess. 4:16-5:10 também é muito importante por outro
motivo. Esta referência nos dá um certo contexto para o acontecimento do “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:16-
17. A parábola do ladrão da noite em Mt. 24:43 acontece num grande segmento de Matitiyahu / Mateus (Mt.
24:29-25:46) o qual claramente discute a vinda do Messias após a tribulação (Mt. 24:29). O ladrão da noite de
Mt. 24:42-44 vem num momento que é como “ os dias de Noach (Noé)… antes do dilúvio” (Mt. 24:37-41 com
Mt 24:42-51). Lucas também discute este tempo como os dias de Noach / Noé (Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36).
Lucas continua dizendo que aqueles que são “ levados” em Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36 serão consumidos por
aves de rapina (vide Lc. 17:37 = Mt. 24:28). Estes homens consumidos por aves de rapina serão aqueles que se
levantarão contra Israel e serão destruídos na segunda vinda (vide Ap. 19:11-21, especialmente 19:17,18 e 21).
O momento da vinda do “ ladrão” é portanto a segunda vinda do Messias descrita em Ap. 19:11-21. Uma vez
que o momento do evento do “ ladrão” em 1 Tess. 5:2-10 é parte do evento de 1 Tess. 4:16-18 (1 Tess 5:1
claramente diz que 1 Tess. 5:2-10 se refere ao momento de 1 Tess. 4:16-18), então o “ arrebatamento” de 1
Tess. 4:16-18 é simplesmente parte da vinda do Messias, e após a tribulação, e não antes dela.
8 – IMEDIATAMENTE APÓS O ARREBATAMENTO
Para termos uma boa idéia do que é o KH’ TAF (arrebatamento) descrito em 1 Tess. 4:16-17
devemos deixar as Escrituras interpretarem as próprias Escrituras. Este é um conceito na hermenêutica judaica
chamado G’ ZARAH SHEVAH (equivalência de expressões). Esta é a segunda das leis de Hillel (vide o
segundo artigo da série sobre como interpretar a Bíblia como um judeu). A primeira passagem que devemos
comparar é 1 Tess. 4:16-17 com 1 Cor. 15:52.
Agora, 1 Tess. 4:13-17 diz:
“ Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos
entristeçais como os outros que não têm esperança. Porque, se cremos que Yeshua morreu e ressurgiu, assim
também aos que dormem, Elohim, mediante Yeshua, os tornará a trazer juntamente com ele. Dizemo-vos,
pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum
precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo,
ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que
ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim
estaremos para sempre com o Senhor.”
Agora comparemos esta passagem com 1 Cor. 15:50-55:
“ Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Elohim; nem a corrupção
herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos
transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som do último shofar; porque o shofar soará, e
os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é
corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto
que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se
cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu ferrão? Onde
está, ó She'ol, a tua vitória?”
Certamente estas duas passagens obviamente falam do mesmo evento. A questão é que tipo de
contexto 1 Cor. 15:50-55 dá ao arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17?
1 – O evento de 1 Cor. 15:50-55 facilita a herança do Reino
2 – 1 Cor. 15:54b cita Yeshayahu (Isaías) 25:8
3 – 1 Cor. 15:55 cita Hoshea (Oséias) 13:14
Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14 falam claramente do início do Reino. Lidos em
conjunto, 1 Cor. 15:50-55 coloca o arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 no contexto do início do Reino do
Milênio.
9 – COMPARANDO O ARREBATAMENTO COM A SEGUNDA VINDA
Agora, 1 Tess. 4:13-18 e 1 Cor. 15:50-55 normalmente são vistos como as passagens do “
arrebatamento” . Agora vamos comparar estes com tais versículos com os que são comumente aceitos como
versículos da “ segunda vinda” .
9.1 – VERSÍCULOS QUE FALAM DA SEGUNDA VINDA
Alguns dos versículos normalmente aceitos como sendo passagens que se referem à segunda vinda
são: Daniel 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap. 11:15 e 20:4-6. Nestas passagens é possível
imediatamente identificar quatro elementos:
1 – O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural(Dan. 7:13-14; Mt. 24:30; Mc. 13:26)
2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27)
3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos sete anjos que estão perante YHWH
.(Ap. 8:2 e 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13)
4 – A (primeira) ressurreição dos justos(Ap. 20:4-6)
9.2 – VERSÍCULOS QUE FALAM DO ARREBATAMENTO
Agora vamos comparar estes quatro elementos com as passagens sobre o arrebatamento em 1 Tess.
4:13-18 e1 Cor. 15:50-55:
1 -O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural(1 Tess. 4:16-17)
2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(1 Tess. 4:17)
3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos arcanjos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52)
4 – A (primeira) ressurreição dos justos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52)
Ao comparar estes quatro elementos fica bem evidente que o “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:13-18 e 1
Cor.15:50-55 é idêntico à segunda vinda do Messias em: Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap.
11:15 e 20:4-6. Esta conclusão também é compartilhada por muitos comentaristas. Por exemplo, o guia da
Bíblia de Halley diz o seguinte a respeito de 1 Tess. 4:13-18:
“ [O evento de 1 Tess. 4:16-17] é mencionado e referido em diversos momentos em quase todos os
livros do Novo Testamento. Os capítulos nos quais é explicado de forma mais plena são Mateus 24, 25; Lucas
31; 1 Tessalonissences 4, 5; 2 Pedro 3” . (o Guia da Bíblia de Halley pág. 626 sobre 1 Tess. 4:13-18) (vide
também os comentários de Halley sobre Mt. 24:31 na pág. 447)
E também no seu livro MESSIAS: Um Ponto de Vista Rabínico e Escriturístico, o autor judeu
messiânico Burt Yellin escreve a respeito de 1 Tess. 4:16:
‘ Em 1 Tessalonissences 4:16, Paulo nos fala a respeito do retorno do Messias: “ Porque o Senhor
mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram
no Mashiach ressuscitarão primeiro.” Quando lemos isto juntamente com Apocalipse 11:15-17 vemos que
esta ressurreição ocorrerá no tocar da sétima trombeta.’ (pág. 99)
10 – PROBLEMAS CRONOLÓGICOS DO PRÉ-TRIBULACIONISMO
Se considerássemos as passagens do arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 e 2 Cor. 15:50-55 como sendo
um evento separado das passagens da “ segunda vinda” de Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap.
11:15 e 20:4-6, como o fazem os pré-tribulacionistas, teríamos grandes problemas cronológicos.
1 -Tal cronologia teria a primeira trombeta de Ap. 11:15 e Mt. 24:31 sendo tocada depois da “ última
trombeta” de 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52.
2 -Tal cronologia também significaria que a ressurreição geral dos justos em 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52
aconteceria antes da “ primeira ressurreição” de Ap. 20:4-6).
3 - O evento do KH’ TAF (arrebatamento) é claramente algo que Mt. 24:29 diz ocorrer “ imediatamente após
a tribulação daqueles dias… ”
11 -O PASHAT E O ERRO DE LINDSEY
Hal Lindsey, um dos maiores apologistas do arrebatamento pré-tribulacionista alega:
A verdade é que nem um pós, mid, ou pré-tribulacionista pode indicar um versículo isolado que
claramente diz que o arrebatamento ocorrerá antes, no meio da, ou depois da tribulação. (O Arrebatamento
por Hal Lindsey p.32)
Concordamos com Lindsey que nenhum versículo sequer indica que o arrebatamento ocorreria antes
da Tribulação. Contudo, Lindsey está claramente enganado quando diz que nenhuma visão pode apresentar
um versículo sequer. Este artigo já demonstrou claramente que as Escrituras ensinam um KH’ TAF
(arrebatamento) pós-tribulacionista. Os seguintes versículos isolados indicam CLARAMENTE que o
Arrebatamento ocorrerá após a tribulação:
“ Porque David não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse ADONAI ao meu Senhor:
Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.” (Atos 2:34-35 –
citando Sl. 110:1) (veja também Heb. 1:13; Mt. 22:44; Mc. 12:36)
Esta passagem indica claramente que o Messias permanecerá à direita do Pai até que os seus
inimigos sejam feitos seu escabelo no Reino do Milênio. Esta passagem claramente ensina que o
arrebatamento não ocorrerá até após a tribulação, no início do Reino do Milênio.
“ e envie Ele o Mashiach, que já dantes vos foi indicado, Yeshua, ao qual convém que o céu receba
até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Elohim falou pela boca dos seus santos profetas,
desde o princípio.” (Atos 3:20-21 -veja também Ap. 10:7 e 11:15)
Esta passagem também ensina que o Messias ficará no céu até a vinda do Reino.
“ Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Yeshua HaMashiach e à nossa reunião com ele, rogamo-vos,
irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer
por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de
modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o
homem do pecado, o filho da perdição, o Adversário que é exaltado sobre tudo e se chama de deus e é objeto
de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Elohim, apresentando-se como Elohim.” (2 Tess. 2:1-4)
Esta passagem claramente ensina que o arrebatamento NÃO PODE OCORRER ANTES da
revelação do anti-messias, o que só ocorrerá no meio do período da tribulação de sete anos (vide Mt. 24:15;
Mc. 13:14 e Dan. 9:27)
12 -PASSAGENS NORMALMENTE MAL-COMPREENDIDAS
Sem poder encontrar suporte para a sua teoria de um arrebatamento pré-tribulacionista no Pashat
(sentido simples/literal) de qualquer passagem das Escrituras, os pré-tribulacionistas tentam usar
interpretações Remez (sentido implícito) e Drash (sentido alegórico). Tal como Lindsey admite em seu livro
O ARREBATAMENTO, ao dizer: “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em argumentos de
inferência e silêncio.” (p. 31)
12.1 -O ARGUMENTO DA IRA VINDOURA
Os pré-tribulacionistas tentam argumentar que a igreja não passará pela tribulação, o que eles dizem
dar indícios de um arrebatamento pré-tribulacionista. Os pré-tribulacionistas argumentam que a tribulação é a
“ ira de YHWH” e que a igreja não sofrerá a “ ira de YHWH” (Rom. 5:9; 1 Tess. 1:10 e 5:9-10; Jo 5:24). Ao
usar este argumento, os pré-tribulacionistas ignoral o fato de que o anti-messias, uma das maiores figuras da
tribulação, é a ira do demônio (Ap. 12:12; 13:2). Eles também ignoram o fato de que o Messias nos salvará
desta ira ao destruir o anti-messias em sua segunda vinda. Além disto, ignoram ainda o fato de que pelo
contexto, a ira da qual o Messias nos salva é através da justificação em seu sangue para que possamos ser
salvos (Rom. 5:9). Aqui, claramente a ira é o Lago de Fogo, e não a tribulação. (Jo. 5:24 usa a palavra “
condenação” mas o mesmo argumento também se aplica.)
12.2 -O ARGUMENTO DE LUCAS 21:36
Este argumento foi usado primeiramente da inventora do arrebatamento-prematuro, uma menina de
15 anos, que distorceu este versículo em sua discussão com Darby. O versículo diz “ … em todo o tempo,
orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do
Filho do homem.”
Mesmo que partíssemos do pressuposto de que “ todas estas coisas” se referisse à tribulação, ainda
assim teríamos erros. Primeiramente, se o pré-tribulacionismo fosse correto, não seria necessário orarmos
para escaparmos destas coisas. Em segundo lugar, a passagem simplesmente diz “ escapar” e não “ ser tirado
da terra” , e muito provavelmente refere-se à sobrevivência.
Porém, na realidade, “ escapar de todas estas coisas” é simplesmente escapar dos pecados que
poderiam fazer alguém estar em apostasia na ocasião da segunda vinda (vide como Lucas 21:34-36 fala
claramente disto) e não da tribulação.
12.3 -O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 3:10
Pré-tribulacionistas apontam para Ap. 3:10:
“ Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação
que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra.”
Contudo, a palavra “ guardar” não significa “ remover da terra” . Muito pelo contrário, a própria
escolha desta palavra indica uma sobrevivência auxiliada/facilitada/garantida pelo Eterno.
12.4 -A RUACH HAKODESH REMOVIDA DO CAMINHO?
Este argumento também foi usado pela menina de 15 anos que inventou o arrebatamento-prematuro.
Este argumento insere idéias no texto, ao invés de extraí-las do texto. Neste caso, os pré-tribulacionistas supõe
que
o “ um” em 2 Tess. 2:7 é a Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Ora, isto é uma pura suposição em
todos os aspectos! Por esta leitura maluca, o anti-messias seria revelado (2 Tess. 2:8) e a tribulação começaria
após a igreja (com a Ruach HaKodesh dentro dela) ser removida em um arrebatamento pré-tribulacionista. A
inventora do arrebatamento-prévio propôs esta idéia após ter uma esquisita “ visão” na qual ela recebeu uma “
revelação” (exatamente como acontece com todas as grandes seitas), de que “ e então será revelado esse
iníquo” vem imediatamente após “ estarão dois numa cama; um será tomado, e o outro será deixado… ” (Lc.
17:34; Mt. 24:40-41). A inventora do arrebatamento-prévio ensinava que um arrebatamento-parcial ocorreria
com quem estivesse “ cheio do Espírito Santo” . Ela falsamente identificou o “ tomado” de Lc. 17:34-35 e Mt.
24:40-41 com o “ tomado” de 2 Tess. 2:7.
O grande absurdo disto está no fato de que aqueles que são “ tomados” em Lc. 17:34-35 e Mt. 24:40-
41 não tem nada de “ cheios do Espírito Santo” como alega a falsa profetisa, muito pelo contrário! São
comparados aos que foram “ tomados” pelo dilúvio nos dias de Noach / Noé (Mt. 24:39). O problema é que as
pessoas não continuam a ler o texto de Mt. 24, caso contrário veriam que esta passagem indica que os que
serão “ tomados” , o serão pela ira, como foi no dilúvio. Ou seja, são os iníquos que serão “ tomados” e não a
igreja. Seus corpos alimentarão as aves de rapina (Lc. 17:37) na segunda vinda do Messias (Ap. 19:17-18,21).
Apesar do impedimento ser de alguma forma removido em 2 Tess. 2:7, não há absolutamente NADA
que aponte para a remoção da Ruach HaKodesh (Espírito Santo).
12.5 -O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 4:1
Ao não conseguirem provar seus argumentos com uma leitura literal das Escrituras, os prétribulacionistas
tentam basear seus argumentos puramente em alegorias. Neste argumento, os prétribulacionistas
dizem que Yochanan (João) representa a igreja e que ele está sendo “ arrebatado” antes da
descrição da tribulação. Além de completamente absurda, esta alegoria não tem a menor base textual.
12.6 -O ARGUMENTO DE CHENOCH
Este argumento também é pura alegoria. É um argumento que diz que Chenoch (Enoque) foi
transladado antes do dilúvio. Os pré-tribulacionistas dizem que Chenoch (Enoque) = a igreja e o dilúvio = a
tribulação. Porém tanto a Bíblia quanto o próprio livro de Chenoch (Enoque) identificam que o dilúvio
representa o Dia do Julgamento e os dias que antecedem ao dilúvio (os chamados dias de Noach / Noé)
representam a tribulação. Além disto, este argumento tem outro problema: Eliyahu (Elias) também foi
transladado, só que DEPOIS de sobreviver um período de tribulação (2 Re. 2:9-11) dos quais 3 anos e meio
são muitas vezes usados em analogia ao segundo período da tribulação de 7 anos.
12.7 -COSTUMES JUDAICOS
Alguns acadêmicos messiânicos têm lutado para tentar encontrar evidências de um arrebatamento
pré-tribulacionista alegorica e supostamente presente em costumes judaicos. Um deles envolve Rosh
HaShannah e o Yom Kippur, outro ainda o casamento judaico. Estas são fracas tentativas de encontrar uma
alegoria para algo que não tem NENHUM suporte no Pashat (sentido literal) da interpretação de qualquer
passagem, o que não pode acontecer segundo o próprio Judaísmo. É bem claro que este conceito não é um
conceito que tem raízes judaicas, tendo sido inventado no Cristianismo do século 19.
13 - ARREBATAMENTO DA IGREJA OU REAJUNTAMENTO DE ISRAEL?
Para entender a verdade sobre o KH’ TAF (arrebatamento) é importante entender exatamente que
evento é esse. O Cristianismo geralmente ensina que o Arrebatamento é da Igreja, mas a verdade é que o KH’
TAF (arrebatamento) é o reajuntamento sobrenatural de Israel na volta do Messias. Um exame sério das
Escrituras deixa isso bem claro.
O Tanach prevê um tempo em que HaShem reajuntará Israel “ dos quatro cantos da terra”
(Yeshayahu / Isaías 11:12) e “ das partes mais longínquas debaixo dos céus” (Devarim / Deuteronômio 30:4).
A Torah diz que o Messias os “ tirará” das outras nações (Devarim / Deuteronômio 30:4). A palavra “ trazer”
aqui no hebraico significa uma ação de força.
13.1 – PROMESSA A ISRAEL: REAJUNTAMENTO PELA MÃO DO MESSIAS
O Targum Yerushalayim (tradução comentada da Torah para o aramaico) interpreta esta passagem
como HaShem “ vos ajuntará pela mão de Eliayahu (Elias)… e então Ele vos trará pela mão do Rei Messias.”
De acordo com os comentários do Rashi, isto significa que eles serão arrastados através do ar pela mão do
Messias para a terra. Será este evento o KH’ TAF (arrebatamento)?
14 – EVIDÊNCIAS DE QUE O ARREBATAMENTO SE REFERE A ISRAEL
A primeira evidência de que o “ trazer” em Devarim (Deuteronômio) 30:4 é justamente o KH’ TAF
(arrebatamento) é encontrada nas palavras de Matitiyahu (Mateus) 24:31:
“ E ele enviará os seus anjos com grande clangor do shofar, os quais lhe ajuntarão os escolhidos
desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.”
Este versículo também se assemelha a Mc. 13:27, e identifica aqueles que são “ ajuntados” como
sendo “ os Eleitos” . O termo “ Os Eleitos” nas Escrituras é um eufemismo, uma referência a Israel.
Encontramos o termo “ Os Eleitos” se referindo à Israel nos seguintes versículos:
1 - Dt. 7:6, 10:15 e 14:2;
2 - Is. 41:8-9, 42:1, 43:2f, 45:4 e 65:9-22;
3 – Sl. 135:4;
4 – 1 Pe. 2:9 = Is. 43:20f e Dt. 10:15;
Fica bem claro pelas 10 passagens acima que “ Os Eleitos” refere-se a Israel. Em 1 Tess. 4:17, Paulo
usa o termo “ nós” , termo o qual ele costuma usar para se referir a ele e aos seus compatriotas judeus (vide
Atos 17:1-4)
14.1 – ISRAEL E A TROMBETA FINAL
Mais uma evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) se refere ao reajuntamento de Israel é a da
trombeta.
Uma trombeta é soada no KH’ TAF (arrebatamento) em 1 Tess. 4:16-17 e 1 Cor. 15:50-55, tal como
em Mt 24:31 e Ap. 11:15. De acordo com o Tanach uma trombeta é também tocada no reajuntamento de
Israel:
“ Naquele dia ADONAI debulhará as suas espigas desde as margens do Eufrates até o ribeiro do
Egito, e vocês, israelitas, serão ajuntados um a um. E naquele dia soará uma grande trombeta. Os que estavam
perecendo na Assíria e os que estavam exilados virão e adorarão a ADONAI no monte santo, em
Yerushalayim.” (Yeshayahu / Isaías 27:12-13)
14.2 – A RESSURREIÇÂO DOS MORTOS
Outra evidência que identifica o KH’ TAF (arrebatamento) como sendo na realidade o reajuntamento
de Israel é o da ressurreição dos mortos. O KH’ TAF é acompanhado pela ressurreição (vide 1 Tess. 4:16-17 e
1 Cor 15:50-55). O reajuntamento de Israel também inclui a ressurreição dos mortos, conforme visto nas
passagens abaixo:
1 – Yechezkel (Ezequiel) 37:1-14;
2 – Yeshayahu (Isaías) 25:1-12;
3 – Hoshea (Oséias) 13:9-14:9);
Na realidade, 1 Cor. 15:54-55 cita Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14. O uso destes
versículos em 1 Cor. 15:54-55 é também importante por causa de sua finalidade. Como podem os prétribulacionistas
crerem que a morte chega ao fim antes do início da Tribulação?
14.3 – MORTAIS E IMORTAIS
Existe ainda, como evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) é o reajuntamento de Israel:
aqueles que são “ arrebatados” em 1 Cor. 15:53 tornam-se imortais, mas no reinado do Milênio também
haverá mortais (Yeshayahu / Isaías 65:20). Se a igreja é arrebatada em 1 Cor. 15:53 e torna-se imortal, então
quem são os mortais de Yeshayahu (Isaías) 65:20?
14.4 – A B’ RIT CHADASHAH E O REAJUNTAMENTO DE ISRAEL
A prova final de que o KH’ TAF (arrebatamento) é na realidade o reajuntamento de Israel no retorno
do Messias e é encontrado no texto de Matitiyahu (Mateus) 24:31 e em Mc. 13:27, o texto cita as expressões “
dos quatro cantos da terra” (Yeshayahu / Isaías 11:12) e “ das partes mais longínquas debaixo dos
céus”(Devarim / Deuteronômio 30:4) exatamente das passagens do Tanach que descrevem o reajuntamento de
Israel.
15 - O QUE REALMENTE VAI ACONTECER
Aqui está um resumo cronológico dos eventos descritos neste artigo:
1 – Imediatamente após a tribulação (Mt. 24:29; Mc. 13:24), o Messias aparecerá no céu (Dan. 7:13-14; Mt.
24:29-31; Mc. 13:24-27; 1Tess. 4:16-17)
2 – Haverá o toque da trombeta final (Ap. 8:2; Ap. 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13; 1Tess. 4:16-17; 1 Cor. 15:52)
3 – Haverá a ressurreição (1Cor. 15:50-55; 1Tess. 4:16; Ap. 20:4-6; Is. 25:8; Os. 13:14; Ez. 37:1-14)
4 – Haverá o reajuntamento ao Messias no céu (Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; 2 Tess. 2:1; 1 Tess. 4:17)
5 – Logo após isto o Messias irá em direção à Terra Prometida com muitos dos seus santos (Jd. 1:14-15; 1
Tess. 3:13; Ap. 19:11-16; Zc. 14:4-5)
6 – Depois disto, é estabelecido o Reino do Milênio (Ap. 20:1-3,7)
16 – CONCLUSÃO
Fica BEM CLARO pelas Escrituras que o evento KH’ TAF, conhecido como arrebatamento, nada
mais é do que o reajuntamento de Israel na Terra Prometida, na ocasião do retorno do Messias, e não um
(falso) arrebatamento pré-tribulacionista da Igreja.
Por Dr. James S. Trimm
Traduzido e Adaptado por Sha’ ul Bentsion
1 - INTRODUÇÃO
A doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista é uma doutrina cristã tardia que tem ameaçado o
Judaísmo Messiânico. Esta doutrina cristã só teve início no século dezenove. Tal teologia tem agora ameaçado
encontrar eco no movimento messiânico. Este artigo provará que a doutrina do arrebatamento prétribulacionista
é:
1 – Uma invenção moderna do Cristianismo que NÃO TEM NENHUMA raiz judaica de qualquer
tipo
2 – Uma doutrina que vai totalmente contra as Escrituras
3 – Uma doutrina de “ paz e segurança” que pode futuramente vir a destruir a fé de muitos
2 - Glossário dos Termos deste Artigo
Antes de começarmos, vamos definir alguns termos básicos que usaremos:
ARREBATAMENTO – Este termo se tornou bastante polêmico. No ocultismo, este termo foi usado
durante muitos séculos para se referir a levitação. Na Bíblia, a origem do termo está em 1 Tess. 4:17 onde
lemos a palavra “ arrebatados” .
NATZAL – Palavra no hebraico que significa “ livramento” . Esta palavra tem sido usada nos meios
messiânicos numa tentativa de convencê-los sobre a teoria do arrebatamento pré-tribulacionista
KH’ TAF – Palavra aramaica para “ arrebatados” no texto aramaico de 1 Tess. 4:17
PÓS-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o KH’ TAF (arrebatamento) é simplesmente parte
da segunda vinda do Messias e portanto ocorrerá no fim da tribulação, isto é, no início do Reino do Milênio.
PRÉ-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento seria um evento separado da
segunda vinda do Messias e que ocorreria sete anos antes, imediatamente antes da tribulação
MID-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento é um evento separado da segunda
vinda do Messias e que ocorreria 3 anos e meio antes, no meio da tribulação, durante o tempo do “ sacrilégio
terrível” (a revelação do Anti-Messias)
ARREBATAMENTO-PREMATURO – É qualquer visão de que o arrebatamento e a segunda vinda
do Messias são eventos separados e que o arrebatamento precederá por um período de tempo a segunda vinda
do Messias.
ARREBATAMENTO PARCIAL – É a visão de que apenas uma parte do Corpo do Messias será
arrebatada.
PASHAT – O sentido simples, literal de um texto segundo a Midrash Judaica (vide artigo sobre como
interpretar as Escrituras como um judeu)
3 - ONDE ESTÁ O PASHAT?
Um dos maiores problemas com a doutrina cristã do arrebatamento pré-tribulacionista é que já de cara
fere a Midrash. Segundo a Midrash, que é o sistema mais antigo de interpretação das Escrituras, um texto
nunca perde o seu Pashat. Contudo, esta doutrina em particular não tem base de Pashat. Apesar dos prétribulacionistas
frequentemente alegarem que as suas crenças são baseadas numa leitura simples e literal das
Escrituras, o fato é que uma leitura literal das Escrituras é incapaz de produzir uma crença no arrebatamento
pré-tribulacionista.
3.1 – SEM BASE BíBLICA
Até mesmo Hal Lindsey, o mais famoso defensor do pré-tribulacionismo, admite que a sua crença não
se baseia no sentido simples e literal das Escrituras. Lindsey admite que ele não consegue “ mostrar nenhum
versículo que diga claramente que o arrebatamento ocorrerá antes… da tribulação.” (O Arrebatamento por Hal
Lindsey pág. 32). Ao invés disto, Lindsey alega que “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em
argumentos de inferência e silêncio.” (ibid p. 31)
Se o pré-tribulacionismo não vem de um entendimento do Pashat das Escrituras, devemos então nos
perguntar de onde ele se originou, e porque tanta gente acredita nisto.
4 - O DISPENSASIONALISMO: UMA HERESIA GERA OUTRA
Durante as décadas de 1820 e 1830, um teólogo cristão chamado John Darby (fundador da Irmandade
de Plymoth) desenvolveu uma nova teologia sistemática chamada Dispensasionalismo. Esta doutrina desde
então tornou-se muito popular no Cristianismo. É muito curioso que tal doutrina ainda encontre eco entre os
crentes que estão retornando às raízes judaicas dos seguidores originais de Yeshua. É fato incontestável que o
Dispensasionalismo não existiu até o século dezenove. Não tem nenhuma raíz judaica e nem existia no
Cristianismo até o século em questão
5 - A ORIGEM DE UMA GRANDE MENTIRA
Como a maioria dos teólogos do século 19, John Darby era anti-nomiano, isto é, acreditava que Lei de
Moshe (Moisés) tinha desaparecido na cruz. Darby se sentia incomodado com os sérios problemas trazidos por
esta doutrina. Darby percebeu que durante os sete anos da última semana profética de Daniel, os sacrifícios
estariam sendo feitos no Templo. Como a Lei de Moshe (Moisés) estava CLARAMENTE sendo cumprida
durante os sete anos da tribulação, Darby concluiu que a Lei voltaria a ter validade no início da tribulação. Esta
linha de raciocínio fez Darby segregar as histórias bíblicas e proféticas em períodos compartimentadas. Darby
teorizou que a “ idade da Lei” tinha acabado na cruz e que a “ idade da graça” ou “ idade da igreja” tinha
começado na cruz. Então com a tribulação, a “ idade da Lei” volta e a “ idade da graça” termina. Isto criou um
problema grande para a teoria de Darby. Como poderia a “ idade da Lei” retornar se a igreja ainda estaria na
terra? Darby achava que na “ idade da Lei” o Eterno lidava com Israel e na tribulação o Eterno voltaria a lidar
com Israel. Então o que aconteceria com a igreja? Certamente que a igreja não sairia da “ idade da graça” pra
voltar pra Lei de Moshe (Moisés). Como consequência desta linha de raciocíonio absurda, Darby adotou a
idéia de um arrebatamento pré-tribulacionista que havia se tornado tão popular entre os Irvingitas. Esta idéia
dizia que a Igreja sairia da terra no início da tribulação, deixando Israel pra trás para sofrer na tribulação
durante o período da “ volta da Lei” . Darby agora tinha um outro problema: se a igreja fosse arrebatada
deixando Israel pra trás, o que dizer dos judeus crentes? Eles seria arrebatados juntamente com a Igreja ou
ficariam para trás com Israel? Darby inventou outra solução completamente louca: a dicotomia Igreja/Israel.
Esta teoria ensinava que um judeu que se tornava crente no Messias passava a fazer parte da Igreja e não era
mais parte de Israel. Como resultado disto, ninguém poderia ser parte tanto da Igreja quanto de Israel. Segundo
esta teoria, judeus crentes deixariam de ser judeus e se tornariam parte da Igreja de Elohim, que ele ensinava
conter pessoas que não eram nem judeus nem gentios.
Portanto, as três mentiras que se tornaram pilares do Dispensasionalismo são:
1 – A Lei não seria para hoje
2 – O arrebatamento pré-tribulacionista
3 – A dicotomia Igreja/Israel
Obviamente, os messiânicos não podem aceitar nem a número 1 nem a número 3. A número 2 só seria
necessária por causa de uma crença na número 1. A número 2 não funciona sem a número 3, que foi criada
para resolver os problemas da número 2. Como resultado, o Judaísmo Messiânico é incompatível com o
Dispensasionalismo. Dois de seus três pilares fundamentais não são compatíveis com a teologia bíblica
original, adotada pelo movimento messiânico. Além disto, o único pilar remanescente não se sustenta sozinho.
Quando examinada à luz da Bíblia, toda a estrutura do Dispensasionalismo é destruída. É uma doutrina do
século 19 que foi inventada pelo Cristianismo e não tem NENHUMA raiz na fé do primeiro século.
6 - QUANTAS VINDAS DO MESSIAS?
O Tanach (Primeiro Testamento) aponta claramente para duas vindas do Messias: uma como servo e
outra como rei. Contudo, fica evidente que os acreditam no arrebatamento-prematuro vão contra as Escrituras
por crerem em três vindas do Messias. Uma vez que o retorno do Messias tem sido entendido por séculos como
sendo a “ Segunda Vinda do Messias” , os que crêem no arrebatamento-prematuro devem mudar a expressão
acima para “ Terceira Vinda do Messias” ou insistir, como a maioria faz, de que o arrebatamento-prematuro
não é de fato uma vinda do Messias. Se a teoria do arrebatamento-prematuro fosse verdadeira, então as
Escrituras deveriam ensinar sobre um “ aparecimento” pré-tribulacionista do Messias que não é uma “ vinda do
Messias” propriamente dita, seguida de uma “ vinda do Messias” após a tribulação. E mais: as Escrituras não
poderiam identificar o KH’ TAF (arrebatamento) como se referindo à “ vinda” do S-nhor nas Escrituras. Não
deveríamos também esperar que a vinda pós-tribulacionista do Messias fosse chamada de “ aparecimento” .
Agora vamos examinar estas mentiras à luz das Escrituras:
“ Conjuro-te diante de Elohim e do Mashiach Yeshua, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua
vinda e pelo seu reino;” (2 Tim. 4:1)
Aqui vemos claramente que no final da tribulação e no início do Reino teremos a vinda do Messias.
“ assim também o Mashiach, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá
segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Yehudim / Hebreus 9:28)
Aqui o texto fala claramente da vinda pós-tribulacionista do Messias. Se o arrebatamento-prematuro
estivesse correto, este texto deveria dizer “ aparecerá uma terceira vez” .
“ Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda de ADONAI.” (Ya’ akov / Tiago 5:7a)
Este texto nos instrui claramente que a nossa esperança deve ser na vinda do S-nhor, e não em um “
aparecimento do S-nhor” .
“ Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do
Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande
brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro.
Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do
Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Tess. 4:15-17)
Esta é a passagem que fala do arrebatamento. Mas esta passagem também se refere à “ vinda do Snhor”
e não de um aparecimento.
Vemos portanto que a teoria do arrebatamento-prematuro que crê em “ três vindas” ou em “ duas
vindas e um aparecimento” do Messias é completamente contrária às Escrituras, que falam apenas de duas
vindas do Messias.
7 - O LADRÃO DA NOITE
Um dos chavões dos pré-tribulacionistas é a expressão “ ladrão da noite” . Os pré-tribulacionistas
usam este termo para descrever o arrebatamento-prematuro como um “ arrebatamento secreto” no qual a Igreja
é removida da terra secretamente. Isto contudo é tirar a expressão completamente de seu contexto e usá-la
erradamente. A parábola do “ ladrão da noite” é uma das diversas parábolas contadas por Yeshua (vide Mt.
24:42-51) e é mencionada em três outros lugares: 1 Tess. 5:2-10, 2 Kefah (Pedro) 3:10, Ap. 3:3 e 16:15). Uma
análise verídica desta expressão tal qual é usada nas Escrituras revela justamente o extremo oposto: um
arrebatamento pós-tribulacionista.
Primeiramente vamos analisar a parábola em si. Eis o texto de Mt. 24:42:
“ Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da
casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso ficai
também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.”
Existe um grande número de elementos importantes nesta parábola. Primeiramente devemos perceber
que o “ ladrão” nesta parábola refere-se ao Messias. Contudo, o ladrão nesta parábola não está “ roubando a
igreja do mundo” (isto seria absurdo), mas sim o termo ladrão é usado para identificar que o Messias virá num
momento inesperado. Em segundo lugar, percebemos claramente que a Igreja não estava esperando que Ele
viesse naquele momento. E finalmente é extremamente significativo que o ladrão vem num momento posterior,
no qual a Igreja é esperada e é encontrada dormindo (vide Matitiyahu / Mateus 25).
7.1 - O SONO DA APOSTASIA DA IGREJA
Ao longo das Escrituras, vemos que “ dormir” é um eufemismo para apostasia (vide Yeshayahu /
Isaías 29:10 e Romanos 11:8)
A parábola do ladrão da noite é parte de uma seção das Escrituras que começa em Mt. 24:42 e termina
em Mt. 25:13, onde Yeshua ilustra o fato de que o Messias virá mais tarde do que o esperado e pegará a Igreja
dormindo pois esperava que ele viesse antes. Este tema é primeiramente apresentado por Yeshua no versículo
42. Depois em Mt. 24:43 Yeshua dá a parábola do ladrão da noite. Então no versículo 44 Yeshua reforça o
tema. Em Mt. 24:45-51 Yeshua dá a parábola do “ servo fiel e prudente” . Nesta parábola o Messias também
vem depois do esperado pelo servo (versículos 48 & 50) para encontrar um servo apóstata (versículos 48-49).
Finalmente, Yeshua dá a ilustração das “ dez virgens” (Mt. 25:1-12) na qual o noivo vem depois do que as
virgens esperavam. As virgens (pelo menos algumas delas) são nitidamente crentes pois cinco delas têm óleo
na lâmpada. O noivo vem e encontra as virgens dormindo. Apesar de muitas delas ainda terem óleo nas
lâmpadas, elas pensaram que o Messias viria antes e cairam no sono da apostasia.
7.2 – O GRAVÍSSIMO PERIGO DA HERESIA PRÉ-TRIBULACIONISTA
Ao contrário de ensinar um arrebatamento pré-tribulacionista, esta seção das Escrituras nos avisa que
muitos da igreja esperarão pelo Messias antes dEle vir (pré-tribulacionismo) e que quando o Messias na
realidade vem após a tribulação, isto é, depois do esperado, eles caem em apostasia. Os pré-tribulacionistas têm
sido enganados por alguns mestres dentro do Cristianismo (não são todos) de que a Bíblia ensina que o
Messias os resgatará da tribulação antes da mesma acontecer. Quando a tribulação chegar e eles perceberem
que isto não ocorreu, muitos perderão a fé e acharão que o Eterno desistiu deles, e por isto não foram
arrebatados. Ou ainda pior: que as Escrituras mentiram. Ou seja, a decepção deles os fará se desviarem: cairão
no sono da apostasia.
Em Apocalipse 3:3 lemos:
“ Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares,
virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.”
Esta passagem claramente se refere ao texto de Mt. 24:42-44. Aqui o Messias está se referindo à
Igreja de Sardis (ou seja, crentes genuínos) e indica que Ele virá em um momento em que a Igreja não espera.
A implicação da expressão “ se não vigiares… ” é a de que o Messias virá após a tribulação, ou seja, depois do
esperado e encontrará crentes dormindo/apóstata.
7.3 – O MILÊNIO E A VINDA DO LADRÂO DA NOITE
Em 2 Kefah (Pedro) 3:10 lemos: “ Virá, pois, como ladrão o dia de ADONAI, no qual os céus
passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão
descobertas.”
Aqui, o “ dia” em questão refere-se ao dia de 1,000 anos do Reino do Milênio (vide 2 Pe. 3:8; Sl.
90:4; Ap. 20:2,7). Este “ dia de 1,000 anos” começa com a segunda vinda do Messias (Ap. 19:11 – 20:2) e
termina com a destruição da terra por fogo (Ap. 20:7-21:1). Aqui a expressão “ o dia do S-nhor virá como um
ladrão” (2 Pe. 3:10) definitivamente se refere à segunda vinda do Messias e ao final da tribulação e ao início
dos 1,000 anos. Este não é um “ ladrão” que virá sorrateiramente e em silêncio. É um “ ladrão” que fará os
céus se passarem com um “ rugido” .
Em Ap. 16:15 lemos: “ Eis que venho como ladrão. Bendito aquele que vigia, e guarda as suas vestes,
para que não ande nu, e não se veja a sua nudez.”
Esta passagem ocorre no contexto dos eventos do dia de 1,000 anos mencionado acima. Além disto,
esta passagem também reflete um ladrão que chega depois do esperado e encontra uma igreja apóstata.
7.4 -O ALERTA DE PAULO: A PROFECIA SOBRE A HERESIAPRÉ-TRIBULACIONISTA
Finalmente em 1 Tess. 5:2-10 lemos:
“ porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois
quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto
àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele
dia, como ladrão, vos surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite
nem das trevas; não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que
dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite; mas nós, porque somos do dia,
sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação;
porque Elohim não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Yeshua
HaMashiach, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.”
Agora na leitura desta passagem devemos relembrar a passagem do ladrão da noite, à qual esta
passagem claramente faz alusão. Vemos aqui uma profecia sobre o surgimento da heresia do prétribulacionismo!
Aqui aprendemos que os que apostatarem da fé ficarão entorpecidos pela doutrina da “ paz e
segurança” e vão cair em apostasia quando o Messias não chegar tão breve quanto
o esperado mas ao invés disto vier sobre eles a “ repentina destruição” – algo que eles aparentemente
acreditavam que iriam “ escapar” . Neste ponto eles parecem ter caído no sono da apostasia. Muitos deixarão a
fé quando os pré-tribulacionistas ficarem desapontados ao perceberem que entraram a tribulação ao invés de
escapar dela em um “ arrebatamento pré-tribulacionista.” Mas espere! Veja 1 Tess. 5:1! Esta seção inteira das
Escrituras se refere ao momento em que acontecerá o arrebatamento de 1 Tes. 4:16-18. Na realidade, este
capítulo muda de 1Tess.4:18 para 5:1 no meio de um parágrafo!
7.5 - O LADRÃO DA NOITE E OS DIAS DE NOACH
A referência à parábola do ladrão da noite em 1 Tess. 4:16-5:10 também é muito importante por outro
motivo. Esta referência nos dá um certo contexto para o acontecimento do “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:16-
17. A parábola do ladrão da noite em Mt. 24:43 acontece num grande segmento de Matitiyahu / Mateus (Mt.
24:29-25:46) o qual claramente discute a vinda do Messias após a tribulação (Mt. 24:29). O ladrão da noite de
Mt. 24:42-44 vem num momento que é como “ os dias de Noach (Noé)… antes do dilúvio” (Mt. 24:37-41 com
Mt 24:42-51). Lucas também discute este tempo como os dias de Noach / Noé (Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36).
Lucas continua dizendo que aqueles que são “ levados” em Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36 serão consumidos por
aves de rapina (vide Lc. 17:37 = Mt. 24:28). Estes homens consumidos por aves de rapina serão aqueles que se
levantarão contra Israel e serão destruídos na segunda vinda (vide Ap. 19:11-21, especialmente 19:17,18 e 21).
O momento da vinda do “ ladrão” é portanto a segunda vinda do Messias descrita em Ap. 19:11-21. Uma vez
que o momento do evento do “ ladrão” em 1 Tess. 5:2-10 é parte do evento de 1 Tess. 4:16-18 (1 Tess 5:1
claramente diz que 1 Tess. 5:2-10 se refere ao momento de 1 Tess. 4:16-18), então o “ arrebatamento” de 1
Tess. 4:16-18 é simplesmente parte da vinda do Messias, e após a tribulação, e não antes dela.
8 – IMEDIATAMENTE APÓS O ARREBATAMENTO
Para termos uma boa idéia do que é o KH’ TAF (arrebatamento) descrito em 1 Tess. 4:16-17
devemos deixar as Escrituras interpretarem as próprias Escrituras. Este é um conceito na hermenêutica judaica
chamado G’ ZARAH SHEVAH (equivalência de expressões). Esta é a segunda das leis de Hillel (vide o
segundo artigo da série sobre como interpretar a Bíblia como um judeu). A primeira passagem que devemos
comparar é 1 Tess. 4:16-17 com 1 Cor. 15:52.
Agora, 1 Tess. 4:13-17 diz:
“ Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos
entristeçais como os outros que não têm esperança. Porque, se cremos que Yeshua morreu e ressurgiu, assim
também aos que dormem, Elohim, mediante Yeshua, os tornará a trazer juntamente com ele. Dizemo-vos,
pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum
precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo,
ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que
ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim
estaremos para sempre com o Senhor.”
Agora comparemos esta passagem com 1 Cor. 15:50-55:
“ Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Elohim; nem a corrupção
herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos
transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som do último shofar; porque o shofar soará, e
os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é
corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto
que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se
cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu ferrão? Onde
está, ó She'ol, a tua vitória?”
Certamente estas duas passagens obviamente falam do mesmo evento. A questão é que tipo de
contexto 1 Cor. 15:50-55 dá ao arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17?
1 – O evento de 1 Cor. 15:50-55 facilita a herança do Reino
2 – 1 Cor. 15:54b cita Yeshayahu (Isaías) 25:8
3 – 1 Cor. 15:55 cita Hoshea (Oséias) 13:14
Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14 falam claramente do início do Reino. Lidos em
conjunto, 1 Cor. 15:50-55 coloca o arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 no contexto do início do Reino do
Milênio.
9 – COMPARANDO O ARREBATAMENTO COM A SEGUNDA VINDA
Agora, 1 Tess. 4:13-18 e 1 Cor. 15:50-55 normalmente são vistos como as passagens do “
arrebatamento” . Agora vamos comparar estes com tais versículos com os que são comumente aceitos como
versículos da “ segunda vinda” .
9.1 – VERSÍCULOS QUE FALAM DA SEGUNDA VINDA
Alguns dos versículos normalmente aceitos como sendo passagens que se referem à segunda vinda
são: Daniel 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap. 11:15 e 20:4-6. Nestas passagens é possível
imediatamente identificar quatro elementos:
1 – O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural(Dan. 7:13-14; Mt. 24:30; Mc. 13:26)
2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27)
3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos sete anjos que estão perante YHWH
.(Ap. 8:2 e 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13)
4 – A (primeira) ressurreição dos justos(Ap. 20:4-6)
9.2 – VERSÍCULOS QUE FALAM DO ARREBATAMENTO
Agora vamos comparar estes quatro elementos com as passagens sobre o arrebatamento em 1 Tess.
4:13-18 e1 Cor. 15:50-55:
1 -O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural(1 Tess. 4:16-17)
2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(1 Tess. 4:17)
3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos arcanjos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52)
4 – A (primeira) ressurreição dos justos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52)
Ao comparar estes quatro elementos fica bem evidente que o “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:13-18 e 1
Cor.15:50-55 é idêntico à segunda vinda do Messias em: Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap.
11:15 e 20:4-6. Esta conclusão também é compartilhada por muitos comentaristas. Por exemplo, o guia da
Bíblia de Halley diz o seguinte a respeito de 1 Tess. 4:13-18:
“ [O evento de 1 Tess. 4:16-17] é mencionado e referido em diversos momentos em quase todos os
livros do Novo Testamento. Os capítulos nos quais é explicado de forma mais plena são Mateus 24, 25; Lucas
31; 1 Tessalonissences 4, 5; 2 Pedro 3” . (o Guia da Bíblia de Halley pág. 626 sobre 1 Tess. 4:13-18) (vide
também os comentários de Halley sobre Mt. 24:31 na pág. 447)
E também no seu livro MESSIAS: Um Ponto de Vista Rabínico e Escriturístico, o autor judeu
messiânico Burt Yellin escreve a respeito de 1 Tess. 4:16:
‘ Em 1 Tessalonissences 4:16, Paulo nos fala a respeito do retorno do Messias: “ Porque o Senhor
mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram
no Mashiach ressuscitarão primeiro.” Quando lemos isto juntamente com Apocalipse 11:15-17 vemos que
esta ressurreição ocorrerá no tocar da sétima trombeta.’ (pág. 99)
10 – PROBLEMAS CRONOLÓGICOS DO PRÉ-TRIBULACIONISMO
Se considerássemos as passagens do arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 e 2 Cor. 15:50-55 como sendo
um evento separado das passagens da “ segunda vinda” de Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap.
11:15 e 20:4-6, como o fazem os pré-tribulacionistas, teríamos grandes problemas cronológicos.
1 -Tal cronologia teria a primeira trombeta de Ap. 11:15 e Mt. 24:31 sendo tocada depois da “ última
trombeta” de 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52.
2 -Tal cronologia também significaria que a ressurreição geral dos justos em 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52
aconteceria antes da “ primeira ressurreição” de Ap. 20:4-6).
3 - O evento do KH’ TAF (arrebatamento) é claramente algo que Mt. 24:29 diz ocorrer “ imediatamente após
a tribulação daqueles dias… ”
11 -O PASHAT E O ERRO DE LINDSEY
Hal Lindsey, um dos maiores apologistas do arrebatamento pré-tribulacionista alega:
A verdade é que nem um pós, mid, ou pré-tribulacionista pode indicar um versículo isolado que
claramente diz que o arrebatamento ocorrerá antes, no meio da, ou depois da tribulação. (O Arrebatamento
por Hal Lindsey p.32)
Concordamos com Lindsey que nenhum versículo sequer indica que o arrebatamento ocorreria antes
da Tribulação. Contudo, Lindsey está claramente enganado quando diz que nenhuma visão pode apresentar
um versículo sequer. Este artigo já demonstrou claramente que as Escrituras ensinam um KH’ TAF
(arrebatamento) pós-tribulacionista. Os seguintes versículos isolados indicam CLARAMENTE que o
Arrebatamento ocorrerá após a tribulação:
“ Porque David não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse ADONAI ao meu Senhor:
Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.” (Atos 2:34-35 –
citando Sl. 110:1) (veja também Heb. 1:13; Mt. 22:44; Mc. 12:36)
Esta passagem indica claramente que o Messias permanecerá à direita do Pai até que os seus
inimigos sejam feitos seu escabelo no Reino do Milênio. Esta passagem claramente ensina que o
arrebatamento não ocorrerá até após a tribulação, no início do Reino do Milênio.
“ e envie Ele o Mashiach, que já dantes vos foi indicado, Yeshua, ao qual convém que o céu receba
até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Elohim falou pela boca dos seus santos profetas,
desde o princípio.” (Atos 3:20-21 -veja também Ap. 10:7 e 11:15)
Esta passagem também ensina que o Messias ficará no céu até a vinda do Reino.
“ Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Yeshua HaMashiach e à nossa reunião com ele, rogamo-vos,
irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer
por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de
modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o
homem do pecado, o filho da perdição, o Adversário que é exaltado sobre tudo e se chama de deus e é objeto
de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Elohim, apresentando-se como Elohim.” (2 Tess. 2:1-4)
Esta passagem claramente ensina que o arrebatamento NÃO PODE OCORRER ANTES da
revelação do anti-messias, o que só ocorrerá no meio do período da tribulação de sete anos (vide Mt. 24:15;
Mc. 13:14 e Dan. 9:27)
12 -PASSAGENS NORMALMENTE MAL-COMPREENDIDAS
Sem poder encontrar suporte para a sua teoria de um arrebatamento pré-tribulacionista no Pashat
(sentido simples/literal) de qualquer passagem das Escrituras, os pré-tribulacionistas tentam usar
interpretações Remez (sentido implícito) e Drash (sentido alegórico). Tal como Lindsey admite em seu livro
O ARREBATAMENTO, ao dizer: “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em argumentos de
inferência e silêncio.” (p. 31)
12.1 -O ARGUMENTO DA IRA VINDOURA
Os pré-tribulacionistas tentam argumentar que a igreja não passará pela tribulação, o que eles dizem
dar indícios de um arrebatamento pré-tribulacionista. Os pré-tribulacionistas argumentam que a tribulação é a
“ ira de YHWH” e que a igreja não sofrerá a “ ira de YHWH” (Rom. 5:9; 1 Tess. 1:10 e 5:9-10; Jo 5:24). Ao
usar este argumento, os pré-tribulacionistas ignoral o fato de que o anti-messias, uma das maiores figuras da
tribulação, é a ira do demônio (Ap. 12:12; 13:2). Eles também ignoram o fato de que o Messias nos salvará
desta ira ao destruir o anti-messias em sua segunda vinda. Além disto, ignoram ainda o fato de que pelo
contexto, a ira da qual o Messias nos salva é através da justificação em seu sangue para que possamos ser
salvos (Rom. 5:9). Aqui, claramente a ira é o Lago de Fogo, e não a tribulação. (Jo. 5:24 usa a palavra “
condenação” mas o mesmo argumento também se aplica.)
12.2 -O ARGUMENTO DE LUCAS 21:36
Este argumento foi usado primeiramente da inventora do arrebatamento-prematuro, uma menina de
15 anos, que distorceu este versículo em sua discussão com Darby. O versículo diz “ … em todo o tempo,
orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do
Filho do homem.”
Mesmo que partíssemos do pressuposto de que “ todas estas coisas” se referisse à tribulação, ainda
assim teríamos erros. Primeiramente, se o pré-tribulacionismo fosse correto, não seria necessário orarmos
para escaparmos destas coisas. Em segundo lugar, a passagem simplesmente diz “ escapar” e não “ ser tirado
da terra” , e muito provavelmente refere-se à sobrevivência.
Porém, na realidade, “ escapar de todas estas coisas” é simplesmente escapar dos pecados que
poderiam fazer alguém estar em apostasia na ocasião da segunda vinda (vide como Lucas 21:34-36 fala
claramente disto) e não da tribulação.
12.3 -O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 3:10
Pré-tribulacionistas apontam para Ap. 3:10:
“ Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação
que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra.”
Contudo, a palavra “ guardar” não significa “ remover da terra” . Muito pelo contrário, a própria
escolha desta palavra indica uma sobrevivência auxiliada/facilitada/garantida pelo Eterno.
12.4 -A RUACH HAKODESH REMOVIDA DO CAMINHO?
Este argumento também foi usado pela menina de 15 anos que inventou o arrebatamento-prematuro.
Este argumento insere idéias no texto, ao invés de extraí-las do texto. Neste caso, os pré-tribulacionistas supõe
que
o “ um” em 2 Tess. 2:7 é a Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Ora, isto é uma pura suposição em
todos os aspectos! Por esta leitura maluca, o anti-messias seria revelado (2 Tess. 2:8) e a tribulação começaria
após a igreja (com a Ruach HaKodesh dentro dela) ser removida em um arrebatamento pré-tribulacionista. A
inventora do arrebatamento-prévio propôs esta idéia após ter uma esquisita “ visão” na qual ela recebeu uma “
revelação” (exatamente como acontece com todas as grandes seitas), de que “ e então será revelado esse
iníquo” vem imediatamente após “ estarão dois numa cama; um será tomado, e o outro será deixado… ” (Lc.
17:34; Mt. 24:40-41). A inventora do arrebatamento-prévio ensinava que um arrebatamento-parcial ocorreria
com quem estivesse “ cheio do Espírito Santo” . Ela falsamente identificou o “ tomado” de Lc. 17:34-35 e Mt.
24:40-41 com o “ tomado” de 2 Tess. 2:7.
O grande absurdo disto está no fato de que aqueles que são “ tomados” em Lc. 17:34-35 e Mt. 24:40-
41 não tem nada de “ cheios do Espírito Santo” como alega a falsa profetisa, muito pelo contrário! São
comparados aos que foram “ tomados” pelo dilúvio nos dias de Noach / Noé (Mt. 24:39). O problema é que as
pessoas não continuam a ler o texto de Mt. 24, caso contrário veriam que esta passagem indica que os que
serão “ tomados” , o serão pela ira, como foi no dilúvio. Ou seja, são os iníquos que serão “ tomados” e não a
igreja. Seus corpos alimentarão as aves de rapina (Lc. 17:37) na segunda vinda do Messias (Ap. 19:17-18,21).
Apesar do impedimento ser de alguma forma removido em 2 Tess. 2:7, não há absolutamente NADA
que aponte para a remoção da Ruach HaKodesh (Espírito Santo).
12.5 -O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 4:1
Ao não conseguirem provar seus argumentos com uma leitura literal das Escrituras, os prétribulacionistas
tentam basear seus argumentos puramente em alegorias. Neste argumento, os prétribulacionistas
dizem que Yochanan (João) representa a igreja e que ele está sendo “ arrebatado” antes da
descrição da tribulação. Além de completamente absurda, esta alegoria não tem a menor base textual.
12.6 -O ARGUMENTO DE CHENOCH
Este argumento também é pura alegoria. É um argumento que diz que Chenoch (Enoque) foi
transladado antes do dilúvio. Os pré-tribulacionistas dizem que Chenoch (Enoque) = a igreja e o dilúvio = a
tribulação. Porém tanto a Bíblia quanto o próprio livro de Chenoch (Enoque) identificam que o dilúvio
representa o Dia do Julgamento e os dias que antecedem ao dilúvio (os chamados dias de Noach / Noé)
representam a tribulação. Além disto, este argumento tem outro problema: Eliyahu (Elias) também foi
transladado, só que DEPOIS de sobreviver um período de tribulação (2 Re. 2:9-11) dos quais 3 anos e meio
são muitas vezes usados em analogia ao segundo período da tribulação de 7 anos.
12.7 -COSTUMES JUDAICOS
Alguns acadêmicos messiânicos têm lutado para tentar encontrar evidências de um arrebatamento
pré-tribulacionista alegorica e supostamente presente em costumes judaicos. Um deles envolve Rosh
HaShannah e o Yom Kippur, outro ainda o casamento judaico. Estas são fracas tentativas de encontrar uma
alegoria para algo que não tem NENHUM suporte no Pashat (sentido literal) da interpretação de qualquer
passagem, o que não pode acontecer segundo o próprio Judaísmo. É bem claro que este conceito não é um
conceito que tem raízes judaicas, tendo sido inventado no Cristianismo do século 19.
13 - ARREBATAMENTO DA IGREJA OU REAJUNTAMENTO DE ISRAEL?
Para entender a verdade sobre o KH’ TAF (arrebatamento) é importante entender exatamente que
evento é esse. O Cristianismo geralmente ensina que o Arrebatamento é da Igreja, mas a verdade é que o KH’
TAF (arrebatamento) é o reajuntamento sobrenatural de Israel na volta do Messias. Um exame sério das
Escrituras deixa isso bem claro.
O Tanach prevê um tempo em que HaShem reajuntará Israel “ dos quatro cantos da terra”
(Yeshayahu / Isaías 11:12) e “ das partes mais longínquas debaixo dos céus” (Devarim / Deuteronômio 30:4).
A Torah diz que o Messias os “ tirará” das outras nações (Devarim / Deuteronômio 30:4). A palavra “ trazer”
aqui no hebraico significa uma ação de força.
13.1 – PROMESSA A ISRAEL: REAJUNTAMENTO PELA MÃO DO MESSIAS
O Targum Yerushalayim (tradução comentada da Torah para o aramaico) interpreta esta passagem
como HaShem “ vos ajuntará pela mão de Eliayahu (Elias)… e então Ele vos trará pela mão do Rei Messias.”
De acordo com os comentários do Rashi, isto significa que eles serão arrastados através do ar pela mão do
Messias para a terra. Será este evento o KH’ TAF (arrebatamento)?
14 – EVIDÊNCIAS DE QUE O ARREBATAMENTO SE REFERE A ISRAEL
A primeira evidência de que o “ trazer” em Devarim (Deuteronômio) 30:4 é justamente o KH’ TAF
(arrebatamento) é encontrada nas palavras de Matitiyahu (Mateus) 24:31:
“ E ele enviará os seus anjos com grande clangor do shofar, os quais lhe ajuntarão os escolhidos
desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.”
Este versículo também se assemelha a Mc. 13:27, e identifica aqueles que são “ ajuntados” como
sendo “ os Eleitos” . O termo “ Os Eleitos” nas Escrituras é um eufemismo, uma referência a Israel.
Encontramos o termo “ Os Eleitos” se referindo à Israel nos seguintes versículos:
1 - Dt. 7:6, 10:15 e 14:2;
2 - Is. 41:8-9, 42:1, 43:2f, 45:4 e 65:9-22;
3 – Sl. 135:4;
4 – 1 Pe. 2:9 = Is. 43:20f e Dt. 10:15;
Fica bem claro pelas 10 passagens acima que “ Os Eleitos” refere-se a Israel. Em 1 Tess. 4:17, Paulo
usa o termo “ nós” , termo o qual ele costuma usar para se referir a ele e aos seus compatriotas judeus (vide
Atos 17:1-4)
14.1 – ISRAEL E A TROMBETA FINAL
Mais uma evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) se refere ao reajuntamento de Israel é a da
trombeta.
Uma trombeta é soada no KH’ TAF (arrebatamento) em 1 Tess. 4:16-17 e 1 Cor. 15:50-55, tal como
em Mt 24:31 e Ap. 11:15. De acordo com o Tanach uma trombeta é também tocada no reajuntamento de
Israel:
“ Naquele dia ADONAI debulhará as suas espigas desde as margens do Eufrates até o ribeiro do
Egito, e vocês, israelitas, serão ajuntados um a um. E naquele dia soará uma grande trombeta. Os que estavam
perecendo na Assíria e os que estavam exilados virão e adorarão a ADONAI no monte santo, em
Yerushalayim.” (Yeshayahu / Isaías 27:12-13)
14.2 – A RESSURREIÇÂO DOS MORTOS
Outra evidência que identifica o KH’ TAF (arrebatamento) como sendo na realidade o reajuntamento
de Israel é o da ressurreição dos mortos. O KH’ TAF é acompanhado pela ressurreição (vide 1 Tess. 4:16-17 e
1 Cor 15:50-55). O reajuntamento de Israel também inclui a ressurreição dos mortos, conforme visto nas
passagens abaixo:
1 – Yechezkel (Ezequiel) 37:1-14;
2 – Yeshayahu (Isaías) 25:1-12;
3 – Hoshea (Oséias) 13:9-14:9);
Na realidade, 1 Cor. 15:54-55 cita Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14. O uso destes
versículos em 1 Cor. 15:54-55 é também importante por causa de sua finalidade. Como podem os prétribulacionistas
crerem que a morte chega ao fim antes do início da Tribulação?
14.3 – MORTAIS E IMORTAIS
Existe ainda, como evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) é o reajuntamento de Israel:
aqueles que são “ arrebatados” em 1 Cor. 15:53 tornam-se imortais, mas no reinado do Milênio também
haverá mortais (Yeshayahu / Isaías 65:20). Se a igreja é arrebatada em 1 Cor. 15:53 e torna-se imortal, então
quem são os mortais de Yeshayahu (Isaías) 65:20?
14.4 – A B’ RIT CHADASHAH E O REAJUNTAMENTO DE ISRAEL
A prova final de que o KH’ TAF (arrebatamento) é na realidade o reajuntamento de Israel no retorno
do Messias e é encontrado no texto de Matitiyahu (Mateus) 24:31 e em Mc. 13:27, o texto cita as expressões “
dos quatro cantos da terra” (Yeshayahu / Isaías 11:12) e “ das partes mais longínquas debaixo dos
céus”(Devarim / Deuteronômio 30:4) exatamente das passagens do Tanach que descrevem o reajuntamento de
Israel.
15 - O QUE REALMENTE VAI ACONTECER
Aqui está um resumo cronológico dos eventos descritos neste artigo:
1 – Imediatamente após a tribulação (Mt. 24:29; Mc. 13:24), o Messias aparecerá no céu (Dan. 7:13-14; Mt.
24:29-31; Mc. 13:24-27; 1Tess. 4:16-17)
2 – Haverá o toque da trombeta final (Ap. 8:2; Ap. 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13; 1Tess. 4:16-17; 1 Cor. 15:52)
3 – Haverá a ressurreição (1Cor. 15:50-55; 1Tess. 4:16; Ap. 20:4-6; Is. 25:8; Os. 13:14; Ez. 37:1-14)
4 – Haverá o reajuntamento ao Messias no céu (Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; 2 Tess. 2:1; 1 Tess. 4:17)
5 – Logo após isto o Messias irá em direção à Terra Prometida com muitos dos seus santos (Jd. 1:14-15; 1
Tess. 3:13; Ap. 19:11-16; Zc. 14:4-5)
6 – Depois disto, é estabelecido o Reino do Milênio (Ap. 20:1-3,7)
16 – CONCLUSÃO
Fica BEM CLARO pelas Escrituras que o evento KH’ TAF, conhecido como arrebatamento, nada
mais é do que o reajuntamento de Israel na Terra Prometida, na ocasião do retorno do Messias, e não um
(falso) arrebatamento pré-tribulacionista da Igreja.
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